Raquitismo
| Raquitismo | |
|---|---|
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | E55 |
| CID-9 | 268 |
| DiseasesDB | 9351 |
| MedlinePlus | 000344 |
| eMedicine | ped/2014 |
| MeSH | D012279 |
Raquitismo é uma doença decorrente da mineralização inadequada do osso em crescimento, ou seja, da placa epifisária. Está entre as doenças mais frequentes da infância em muitos países em desenvolvimento. A causa predominante é a deficiência de vitamina D, seja por exposição insuficiente à luz solar ou baixa ingestão através da dieta; mas a deficiência de cálcio na dieta também pode gerar um quadro de raquitismo.
Osteomalacia é o termo usado para descrever uma condição semelhante que ocorre em adultos, geralmente devido à falta de vitamina D.
Índice |
Fisiopatologia [editar]
A vitamina D conjuntamente com a calcitonina têm a função de manter a concentração de fosfato, sulfato em níveis adequados para permitir a mineralização óssea. A vitamina D é proveniente da dieta, seja de origem vegetal (ergocalciferol - D2), seja de origem animal (colecalciferol - D3), estas são transportadas para o fígado e transformadas em calcidiol (reserva de vitamina D) e este é levado para os rins e transformados em calcitriol.
A função deste, que é um metabólito ativo, é de aumentar a absorção intestinal de cálcio e fósforo e também de promover o depósito de cálcio e fósforo no osso. Portanto quando há falta deste, o mecanismo não ocorre e se tem diminuição da mineralização.
Etiologia [editar]
A vitamina D é necessária para absorção adequada do cálcio nos intestinos. Na ausência de vitamina D, o cálcio da dieta não é absorvido adequadamente, resultando em hipocalcemia, levando a deformidades no esqueleto e dentes, além de sintomas neuromusculares, como hiperexcitabilidade.
Existe um raquitismo raro autossômico recessivo chamado de raquitismo resistente à vitamina D (raquitismo vitamina D dependente).
Diminuição da vitamina D (raquitismo primário) [editar]
A ausência de vitamina D pode ser resultado de diversos fatores. Uma exposição insuficiente à luz solar (ultravioleta) pode ser um deles, pois os raios ultravioleta quando entram em contato com a pele transformam a vitamina D4 em vitamina D3, a forma ativa da vitamina D. Além disso, uma dieta insuficiente em vitamina D, hepatopatias crônicas, insuficiência renal crônica, acidose e o uso de anticonvulsivantes podem resultar em diminuição dos níveis de vitamina D, levando ao raquitismo.
Diminuição de fósforo azul (raquitismo secundário) [editar]
Pode ocorrer quando há uma perda renal de fósforo, como acontece na síndrome de Fanconi; quando há uso de antiácidos ou mesmo por motivos genéticos.
Diminuição de fosfato (raquitismo terceário) [editar]
Baixa ingestão de fosfato, deficiência na mineralização e/ou uso de fluoretos, cádmio, manganês.
Apresentação [editar]
Os sinais e sintomas do raquitismo incluem:
- Irritabilidade, hiperatividade e sudorese abundante na cabeça;
- Nos seis primeiros meses: tetania ou convulsão, sinais de Chvostek (percussão do nervo facil próximo a orelha com contração do lábio superior, asa do nariz, canto da boca e olhos) e sinal de Trousseau (contração muscular após obstrução do fluxo arterial do braço);
- Craniotabes; rosário raquítico, fontanela ampla;
- Atraso na erupção dentária;
- Fraqueza muscular e hipotonia generalizada;
- Tendência aumentada para fraturas (ossos facilmente quebrados), especialmente fraturas em galho verde.
- braços arqueadas, deformações na coluna;
- Infecções respiratórias de repetição, como bronquites e pneumonias, devido a má formação torácica.
Um raio-X ou radiografia de uma pessoa com raquitismo avançado tende a se apresentar de uma forma clássica: pernas em arco e um peito deformado. As mudanças no crânio também ocorrem causando uma aparência de "cabeça-quadrada". Essas deformidades persistem na vida adulta se não forem tratadas.
As conseqüências a longo prazo incluem curvatura ou desconfiguração permanente dos ossos longos, e escoliose (costas curvada).
Diagnóstico [editar]
Um médico pode diagnosticar o raquitismo através de:
- Exame de sangue para medir os níveis de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina;
- Raio-X dos ossos afetados (os melhores locais para avaliação são joelho, tornozelo e punho, com epífise alargada). Os ossos podem apresentar perda dos limites ósseos, rarefação óssea e/ou fraturas em galho verde.
Tratamento e prevenção [editar]
Dieta e luz solar [editar]
O tratamento envolve níveis aumentados de fósforo, fosfato e vitamina D na dieta. A exposição aos raios solares ultravioleta, azeite de oliva e ergosterol, são fontes de vitamina D.
Uma quantidade suficiente de raios ultravioleta do sol a cada dia e fornecimento adequado de cálcio e fósforo na dieta podem prevenir o raquitismo. A reposição de vitamina D se comprovou que corrige o raquitismo ao se usar métodos de medicina e terapia de luz ultravioleta.
As recomendações são de 50 unidades internacionais de vitamina D por dia para crianças. As crianças que não adquirirem as quantidades adequadas de vitamina D estão em risco aumentado de ter raquitismo. A vitamina D é essencial para permitir que o corpo absorva o cálcio para o uso correto na calcificação e manutenção dos ossos.
Suplementação [editar]
Níveis suficientes de vitamina D também podem ser atingidos com uma suplementação da dieta. A vitamina D3 (colecalciferol) é a forma preferida, já que ela é mais prontamente absorvida do que a vitamina PP (niacina). A maioria dos dermatologistas recomendam a suplementação de vitamina D como uma alternativa para a exposição não protegida ao ultravioleta, devido ao risco aumentado de câncer de pele associado à exposição ao sol.
De acordo com a Academia Americana de Pediatria, os bebês que estão sendo amamentados podem não conseguir vitamina D suficiente a partir do leite da mãe. Por esta razão, a Academia recomenda que os bebês que estão sendo alimentados exclusivamente pelo aleitamento recebam diariamente suplementos de vitamina D a partir dos dois meses de idade até que eles comecem a tomar uma fórmula ou um leite fortificado com vitamina D por dia.
Tratamento da patologia de base [editar]
Algumas patologias que geram o raquitismo devem ser tratadas.
Prognóstico [editar]
O prognóstico é bom, com as deformidades remitindo em meses ou anos.
Bibliografia [editar]
- MECHICA,José B..Raquitismo e osteomalácia.Arq Bras Endocrinol Metab., São Paulo, v 43, n°6, 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27301999000600012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 17 de Abril de 2007. Pré publicação.
- BRICKS,Lúcia Ferro; SUCUPIRA, Ana Cecília Silveira Lins; KOBINGER, Elizabeth B. A. & et al.4°ed. Ed.Sarvier.2000.