Recruta Zero

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Recruta Zero
Beetle Bailey
Comic image missing-pt.png
País de origem  Estados Unidos
Língua de origem inglês
Editor King Features Syndicate
Género(s) Humor
Autor Mort Walker (roteiros, 1950-198?)

Mort Walker (arte, 1950-atualmente), Brian, & Greg Walker (roteiros, 198?-atualmente)

Projecto Banda desenhada  · Portal da Banda desenhada

Recruta Zero (nome original Beetle Bailey) é uma personagem de quadrinhos e desenho animado criado por Mort Walker.

É um recruta do exército americano, lotado no quartel Camp Swampy. Sempre cultivando sua preguiça e bom-humor, Zero é implacavelmente perseguido pelo adiposo e volátil Sargento Tainha, que não admite nenhuma insubordinação. Ainda assim, Beetle Bailey sempre dá um jeito de escapar da labuta. Seu lema de vida é: Never let to tomorrow what you can do the day after tomorrow ("Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã"). Outro de seus famosos aforismos é: It´s funny how time flies when we are goofing off ("É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga").

Trajetória[editar | editar código-fonte]

Embora tenha se consagrado como soldado, Recruta Zero nasceu como um estudante universitário (aluno da Universidade Rockview), que já aparecia em seus primórdios com os olhos cobertos por um chapéu; hoje, seus olhos são em geral tapados por um boné ou por um capacete, deixando-o com uma aparência inconfundível. A tira nunca teve sucesso – até que seu criador teve a idéia de alistá-lo no Exército dos Estados Unidos, em 1951. Mort Walker queria aproveitar a onda de nacionalismo gerada pela Guerra da Coréia, no que obteve sucesso estrondoso: cerca de 100 jornais americanos compraram os direitos de divulgação do Recruta Zero; muitos deles exibem religiosamente as tiras até o presente.

O Zero é um dos divertimentos dos militares norte-americanos, por sua irreverência em relação ao sistema militar e por exaltar a esperteza de um soldado raso face a seus superiores. Talvez por isso a tira tenha sofrido alguns maus bocados: durante as guerras da Coréia e do Vietnã, algumas publicações americanas – entre elas a Stars and Stripes, a revista oficial das Forças Armadas norte-americanas – insistiram na proibição da publicação das tiras do Zero, por considerá-lo uma afronta à ordem militar.

De acordo com o próprio autor, episódios como este lhe renderam inúmeras outras piadas, nas quais a burocracia e a estreiteza mental dos homens de quepe são ridicularizadas. De qualquer forma, com tal de evitar novos contratempos, Walker evita a associação dos quadrinhos com fatos reais, mantendo o desenrolar das histórias restrito ao Quartel Swampy. Desde 2002, seu filho Gregory tem-no ajudado na confecção de algumas tiras.

Nos países lusófonos[editar | editar código-fonte]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a tirinha é editada em vários jornais. Dentre eles: O Estado de S. Paulo (que edita a tirinha desde 1991), O Globo, Zero Hora, A Tarde, O Estado de Minas, A Gazeta (Vitória - ES), Diário de Pernambuco, Jornal de Brasília e Diário do Nordeste. Também é editada em livros de bolso pela Editora L&PM, de Porto Alegre.

A revista do Recruta Zero foi publicada durante os anos 60, 70 e 80 pela Rio Gráfica Editora, que adquiriu e tomou o nome da Editora Globo. Também foi publicada pela Editora Saber, sob o título 'Zé, o Soldado Raso'[1] , entre 1970 e 1973.

Na revista houve muitas adaptações para o público brasileiro, feitas por artistas brasileiros[2] , como os jornais "Folha Oficial" e "Jornal do Batalhão", o primeiro, órgão oficial do quartel e o segundo um jornal feito pelos soldados com o slogan "a verdade, doa a quem doer", sempre com muita ironia sobre os acontecimentos do quartel. Foi relançado pela editora Saber, em edições com formato diferente da publicações da Globo, Abril, Nova Sampa, Mythos Editora, Opera Graphica (que publicou em três formatos distintos: em formatinho nas coleções King Komix de 2001[3] [4] , no ano seguinte na coleção Opera King[5] em formato próximo ao formato italiano[6] (16 x 23 cm) e em preto e branco[7] e em 2006em um álbum de luxo). Em 2010, o desenhista italiano radicado no Brasil Primaggio Mantovi participou ao lado do jornalista Gonçalo Junior e o também desenhista e pesquisador Álvaro de Moya do evento "Recruta Zero 60 Anos", realizado no SESC Vila Mariana, Mantovi foi um dos artistas que produziram quadrinhos exclusivos para o mercado brasileiro[8] . Em 2011, um novo álbum foi publicado pela Editorial Kalaco [9] (editora criada pelo editor Franco de Rosa, um dos fundadores da Opera Gráphica)[10] , Em 2012 é lançada uma nova revista mensal em formatinho foi pelo selo Pixel Media, da Ediouro Publicações, além das tiras do Recruta Zero, são também Hagar, o Horrível de Dik Browne, Zezé & Cia entre outras criações de Walker e Browne[9] .

Duas adaptações de destaque, em edições especiais da revista, foram:

  • A sátira à telenovela Roque Santeiro, (Roque Swampeiro), onde os personagens da novela eram interpretados pelos personagens da revista, com a personagem Mocinha sendo interpretada por ninguém menos que o Tenente Escovinha, e a viúva Porcina era interpretada pelo cozinheiro Cuca.
  • Rock In Swampy, sátira ao Rock in Rio, festival de música que ocorreu no Rio de Janeiro em 1985. Novos oficiais, meio hippies, chegam ao quartel Swampy em substituição aos existentes, que são internados num sanatório. Após tentativas de melhorar o relacionamento com os praças, tais como alojamentos mistos (que não funciona pois levam para lá hippies e punks e os soldados reclamam que as hippies "não tomam banho" e as punks "cospem o tempo todo") e comida vegetariana, resolvem fazer um festival de rock.

O desenho animado de Recruta Zero foi exibido no Brasil inicialmente pela emissora SBT durante os anos 80 e posteriormente pela TV Record e no Boomerang canal fechado em especial em 2004, e no começo de 2007 onde era exibido diariamente as 4:30. Zero teve sua voz dublada no Brasil primeiramente por Mário Jorge Andrade.

Personagens[editar | editar código-fonte]

De alguma forma, todos eles foram inspirados em experiências pessoais do autor, mas alguns originaram-se de sugestões de leitores. Outros personagens, no entanto, acabaram não emplacando e foram retirados de circulação, como Foguinho, Sebinho e Cantina. Abaixo, seguem os personagens que acompanham Zero desde que este entrou para o Exército norte-americano:

  • Zero ("Beetle Bailey"): preguiçoso, indolente, está sempre armando formas de fugir do trabalho. Está sempre com boné ou capacete cobrindo os olhos.
  • Sargento Tainha (Sgt. Orville Snorkel): um brutamontes sem jeito com as mulheres, guloso e solitário e que sempre age de forma hostil com seus soldados.
  • Oto (Otto): trata-se do cachorro do Sargento Tainha (Sgt. Orville Snorkel). Originalmente, Mort Walker retratou o cãozinho como um cachorro comum, para depois desenhá-lo com o mesmo uniforme de seu dono, além de ter a mesma cara;
  • Platão (Plato): é o intelectual da trupe. Sempre fazendo citações de livros e falando como se estivesse apresentando uma tese de doutorado, é um dos amigos do Zero;
  • Dentinho (Zero): o oposto do Platão. Dentinho é um personagem, digamos, limitado intelectualmente, e seu nome é uma ironia a dois de seus dentes crescidos;
  • Cosme (Cosmo): é o viciado em jogatina. Nunca perdeu uma partida sequer de pôquer para o Zero; Faz um comércio informal em seu "cantinho do Cosme", onde vende de tudo; este personagem foi quase esquecido nos anos 80;
  • Roque (Rocky): é o revoltado. Vai contra as instituições, é escritor e administra o jornal clandestino do quartel, se mobiliza por qualquer causa atual.
  • Quindim (Killer): faz as vezes de mulherengo e galanteador dentro do quartel Swampy. Nem sempre tem sucesso (em geral, uma em cada cinqüenta de suas cantadas dá certo), é o principal amigo de Zero;
  • Cuca (Cookie): é o cozinheiro do quartel Swampy, reputado por sua incrível capacidade de tirar o apetite de todos com suas "iguarias". Inicialmente retratado com um quepe de caserna, ganhou um chapéu de mestre-cuca, para facilitar a identificação. Sempre trabalha fumando (em 1989, o personagem aboliu de vez o hábito de fumar);
  • Tenente Escovinha (Lieutenant Fuzz): trata-se de um oficial caprichoso e imaturo, sempre reclamando que nunca é promovido. Eterno puxa-saco do General Dureza, constantemente tem chiliques infantis e vive implicando com o jeito grosseirão do Sgto. Tainha;
  • Tenente Mironga (Lieutenant Flap): embora não apareça com freqüência nas tiras, leva a honra de ser o primeiro personagem negro a ser retratado em quadrinhos norte-americanos, em 1970, sua marca registrada é o eterno cabelo black power;
  • Capitão Durindana (Captain Scabbard): é um sujeito tímido e de raros melindres, sempre disposto a ouvir as reclamações dos subordinados, em especial do Zero e de outros soldados rasos;
  • General Amos Dureza (General Amos Halftrack): é a inépcia em pessoa. Pensa mais no golfe que na administração do quartel. Como se não bastasse, tem problemas de alcoolismo (toma muitos Martinis) e obedece cegamente à mulher, Martha. Vive com esperenças de receber uma carta do Pentágono, que sequer lembra-se da existência deste quartel;
  • Martha (Martha Halftrack): esposa megera do General Dureza.
  • Major Batalha ou Peroba (Major Greenbrass): companheiro inseparável do General Dureza no golfe e no Clube dos Oficiais, onde ambos batem ponto após o expediente para beber;
  • Srta. (ou Dona) Tetê (Miss Buxley): é a sugestiva secretária do General Dureza, sempre representada com um vestido preto. É o objeto de desejo de soldados e oficiais dentro do quartel, mas também é a típica "loura burra", bem menos competente que sua colega Blips.
  • Soldado Blips (Miss Blips): é a competente secretária militar do General Dureza, sempre desprezada por não ter os atributos físicos de Srta. Tetê.
  • Júlio (Julius): chofer gordinho do General Dureza, conhecido como o "queridinho da mamãe".
  • Capelão (Chaplain Staneglass): sempre com um bom conselho aos militares.
  • Cabo Ky (Corporal Yo): introduzido em 1990, é o primeiro oriental desta tirinha.
  • Dr. Esculápio: médico do quartel, meio amalucado.
  • Dr. Bonkus: o psicólogo do quartel.
  • Sargento Louise Lorota (Sgt. Louise Lugg): introduzida na tirinha em 1986, ela quer ser a namorada do Sargento Tainha.
  • Bella: a gata angorá de estimação da Louise.
  • Bunny: a namorada do Zero, raramente vista na tirinha.
  • o especialista em informática Chip Gizmo, que foi introduzido na tirinha em 2002, através de um concurso veiculado na mídia impressa norte-americana, que foi patrocinado pela Dell Computer Corp.
  • Sr. e Sra. Bailey (Mr. and Mrs. Bailey): os pais do Zero.
  • Chiquinho (Chigger): o irmão caçula do Zero.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Nos final dos anos 70 e início dos anos 80, havia uma revista concorrente no Brasil chamada "Recruta Biruta" (Sad Sack), publicada então pela Editora Abril. Apesar de alguns acharem, não é uma cópia do Recruta Zero. Recruta Biruta (Sad Sack) foi criado em 1941 e publicado em revista de 1949 a 1982. O Recruta Zero foi criado em 1950.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]