Redação

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Redação (AO 1945: redacção) é o processo de redigir (escrever) um texto. É uma atividade presente na cultura civilizada desde a invenção da escrita, e atualmente considerada um campo profissional e artístico na literatura, na produção de roteiros, na elaboração de relatórios e documentos, na publicidade e no jornalismo — entre diversas outras áreas. Por extensão, redação também é o termo usado no jargão jornalístico brasileiro para o ambiente de trabalho dos jornalistas de um veículo (jornal, revista, rádio e televisão).

Redação jornalística[editar | editar código-fonte]

Máquinas de escrever como esta Olivetti eram as ferramentas mais usadas pelos jornalistas até o fim da década de 1980.

Em Jornalismo, redação significava a etapa de construção da notícia na qual o texto final é escrito a partir dos dados obtidos na apuração ou reportagem. O profissional especializado neste processo é chamado de Redator e o produto de seu trabalho geralmente são matérias.

A redação jornalística começa a partir do clímax, da informação mais relevante na narrativa. As primeiras palavras do texto de uma matéria (primeira frase e, às vezes, segunda frase) contêm os dados principais (o fato, os personagens, o local, o dia e o horário, as causas) e são chamadas de lide ou lead, termo em inglês que significa, ou "o que vai na frente". O lide-sumário é o primeiro parágrafo de uma reportagem e deve resumir a notícia.

O conjunto de procedimentos técnicos utilizados para a redação jornalística é chamado de técnica de redação.

Concretamente, o que se chama de uma redação no jargão é um ambiente de trabalho. É o local onde trabalham jornalistas, repórteres, editores, produtores e outros profissionais relacionados à edição de notícias para publicações em jornais e revistas ou transmissão em televisão ou rádio.

Em redações televisivas é comum encontrar uma ou mais bancadas de onde são apresentados os telejornais. Quando é o caso, quase sempre a redação é exibida ao fundo dos apresentadores, compondo o cenário do telejornal. Porém, isto não é uma regra. Entre os telejornais brasileiros que têm a redação ao fundo, podemos destacar o Jornal Nacional, SBT Brasil, Jornal da Band e o Jornal da Record, noticiários principais de quatro das maiores emissoras de televisão do Brasil.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • AMOROSO LIMA, Alceu. O Jornalismo como Gênero Literário. São Paulo: Com-Arte, 1990.
  • DISCINI, Norma. A Comunicação nos Textos. São Paulo: Contexto, 2005.
  • LAGE, Nilson. Linguagem Jornalística. São Paulo: Ática, 1985.
  • LAGE, Nilson. Teoria e Técnica do Texto Jornalístico Campus
  • SALVADOR, Arlete, SQUARISI, Dad. A Arte de Escrever Bem. São Paulo: Contexto, 2005.
  • SALVADOR, Arlete, SQUARISI, Dad. Escrever Melhor: guia para passar os textos a limpo. São Paulo: Contexto, 2008.
  • SODRÉ, Muniz. FERRARI, Maria Helena. Técnica de redação: o texto nos meios de informação. Rio de Janeiro: Edições Francisco Alves, 1977.

Redação publicitária[editar | editar código-fonte]

Em Publicidade e Propaganda, redação significa, na sua definição mais restrita, a elaboração criativa de peças publicitárias, a partir de apelo textual persuasivo. É comum nas agências de propaganda o modelo de criação publicitária chamado duplas de criação (Redator e Diretor de Arte). A cargo do primeiro fica a criação de chamadas ou títulos e textos; complementos de peças impressas, imagens, roteiros para rádio, televisão ou cinema. A cargo do segundo, fica a melhor apresentação do roteiro criado, utilizando todos os mecanismos que nos fazem "sentir", "absorver", degustar a redação. A função do Redator e do Diretor de Arte, é mais ampla como profissionais criativos, elaboram peças publicitárias completas em sua diversas aplicações: anúncios, textos, spots de rádio e jingles, filmes, peças para internet, ações de marketing entre muitas outras.

Redação colegial[editar | editar código-fonte]

No ensino colegial e vestibulares (exames de ingresso universitário) do Brasil, o termo redação é aplicado a ensaios dissertativos curtos (geralmente de no máximo uma página) exigidos para avaliação da habilidade verbal escrita dos estudantes. Redações são muito comuns nas aulas de Português e Literatura.

No currículo escolar, existem três modos básicos de redação: descrever, narrar, dissertar.

A descrição é uma caracterização: o redator apresenta características de alguma coisa: de uma pessoa, de um objeto, de uma paisagem, de um bicho, de uma planta, de um ser imaginário etc. - características percebidas que, com o texto, levam o leitor a perceber. A redação descritiva trabalha com a capacidade de percepção humana, enquanto sujeitos ao contato sensível com o mundo.

A descrição deve, pois, ir além do simples retrato: deve transmitir ao leitor uma visão pessoal ou uma interpretação do autor acerca daquilo que descreve, de modo a, por meio dos sentidos, nos transmitir uma imagem singular, original e criativa. Mesmo que, salvo a técnica ou científica, toda descrição revela, em maior ou menor grau, a impressão do autor sobre aquilo que descreve.

Tradicionalmente, as descrições são classificadas pelo assunto que abordam. Nessa classificação, dois tipos se destacam: a descrição geográfica e o retrato. A descrição geográfica trata da aparência das coisas não humanas tal qual se dão à percepção. O retrato trata das aparências do ser humano, enquanto indivíduo ou tipo, tanto físicas como de caráter e ideologia.

  • Descrição objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem são apresentadas como realmente são, concretamente.
  • Descrição subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são transfigurados pela emoção de quem escreve.

Enquanto na descrição predominam os substantivos e adjetivos, a narração enfatiza o verbo, pois sua função é contar, relatar um fato ocorrido, presente ou por acontecer. A narrativa é uma descrição abstrata e complexa que substitui o objeto estático pela dinâmica do acontecimento. Na narrativa o objeto deixa de ser concreto e único para se transformar na relação factual entre sujeito e predicado.

A dissertação por sua vez, atinge uma complexidade lógica ainda maior, pois seu foco abandona o mundo concreto para se concentrar no plano dos significados. A dissertação expressa uma opinião, um ponto de vista, também chamado tese, um julgamento sobre o objeto descrito ou sobre o fato narrado. Não se passa a dissertação no mundo extenso, mas no foro íntimo do sujeito, a dissertação interpreta a realidade.

Redator profissional[editar | editar código-fonte]

Os profissionais da escrita que trabalham com redação são denominados redatores, e podem exercer diversas funções, tais como redator de textos técnicos, científicos ou comerciais; escritor de ficção, contista, cronista, ensaísta, fabulista, folclorista, poeta, trovador, letrista de música, libretista, novelista, romancista, prosador, memorialista, biógrafo, enciclopedista, glossarista; dramaturgo; roteirista/argumentista de produtos audiovisuais ou história em quadrinhos; adaptador de obras para rádio, teatro, cinema e televisão; crítico de música, teatro, cinema, dança, artes plásticas, televisão, crítico literário; e ombudsman.

Segundo o Cadastro Brasileiro de Ocupações organizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, esta é a descrição sumária da atividade dos redatores profissionais:

Escrevem textos literários para publicação, representação e outras formas de veiculação e para tanto criam projetos literários, pesquisando temas, elaborando esquemas preliminares. Podem buscar publicação ou encenação da obra literária bem como sua divulgação.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • BRASIL. Presidência da República. Manual de redação da Presidência da República. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. disponível para leitura on-line e também para download em doc, pdf, rtf e zip.