Região Nordeste do Brasil

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Região Nordeste do Brasil
Localização
Região Geoeconômica Nordeste
Estados AL, BA, CE, MA, PB, PI, PE, RN e SE
Características geográficas
Área 1.558.196 km²
População 52.191.238 hab. IBGE/2007
Densidade 32 hab./km²
Indicadores
IDH médio 0,720 médio PNUD/2005 [1]
PIB R$ 280.504.256 IBGE/2005
PIB per capita R$ 5 498 IBGE/2005

A região Nordeste é uma região do Brasil com 1.558.196 km² de área e 51.609.027 habitantes. A região Nordeste é curiosamente um pouco menor que o estado do Amazonas, que possui 1.570.745,680 km², e é a terceira região em área. Possui 30.998.109 eleitores (IBGE/2002), o segundo maior colégio eleitoral do país, perdendo apenas para a região Sudeste do Brasil.

É a região brasileira que possui o maior número de estados (nove no total) e são eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco (incluindo o Distrito Estadual de Fernando de Noronha e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo), Rio Grande do Norte (incluindo a Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas) e Sergipe.

Índice

[editar] História

Porto Seguro no estado da Bahia, palco do descobrimento do Brasil.

O Nordeste é habitado desde a Pré-História, pelos povos indígenas do Brasil, que no início da colonização, realizavam trocas comerciais com europeus, na forma de extração do pau-brasil em troca de outros itens. Mas foi ao longo do período de colonização que eles foram sendo incorporados ao domínio europeu ou eliminados, devido as constantes disputas contra os senhores de engenhos.

A região foi o palco do descobrimento durante o século XVI. Portugueses chegaram em uma expedição no dia 22 de abril de 1500, liderados por Pedro Álvares Cabral, na atual cidade de Porto Seguro, no estado da Bahia.

Engenho de cana-de-açúcar do Brasil colonial (séculos XVI a XIX).

Foi no litoral nordestino que se deu início a primeira atividade econômica do país, a extração do pau-brasil. Países como a França, que não concordavam com o Tratado de Tordesilhas, realizavam constantes ataques ao litoral com o objetivo de contrabandear madeira para a Europa.

Entre 1630 e 1654, a região foi dominada por holandeses e foi uma colônia da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos (Holanda contemporânea), sendo chamada de Nova Holanda. Além de ter sido conquistada em parte pela França na chamada França Equinocial.

Durante o período colonial, no século XVI, a resistência quilombola se iniciou no Brasil, com a fuga de escravos para o Quilombo dos Palmares, na região da serra da Barriga, atual território de Alagoas, nos vários mocambos palmarinos chegaram a reunir-se mais de 20 mil pessoas. Mas somente em 1694 é que o Macaco, "capital" de Palmares, foi finalmente tomado e destruído, depois de intensa perseguição, Zumbi dos Palmares foi finalmente capturado e teve sua cabeça degolada e exposta em praça pública no Recife A cidade de Salvador foi a primeira sede do governo-geral no Brasil, pois estava estrategicamente localizada em um ponto médio do litoral. O governo-geral foi uma tentativa de centralização do poder para auxiliar as capitanias, que estavam passando por um momento de crise. A atividade açucareira é até hoje a principal atividade agrícola da região.

[editar] Geografia

Estados do Nordeste (em sentido horário):
1 Maranhão, 2 Piauí, 3 Ceará, 4 Rio Grande do Norte, 5 Paraíba, 6 Pernambuco, 7 Alagoas, 8 Sergipe e 9 Bahia.

A área do Nordeste brasileiro é de aproximadamente 1.558.196 km², equivalente a 18% do território nacional e é a região que possui a maior costa litorânea. Um fato interessante é que a região possui os estados com a maior e a menor costa litorânea, respectivamente Bahia, com 932 km de litoral e Piauí, com 60 km de litoral. A região toda possui 3.338 km de praias.

Está situado entre os paralelos de 01° 02' 30" de latitude norte e 18° 20' 07" de latitude sul e entre os meridianos de 34° 47' 30" e 48° 45' 24" a oeste do meridiano de Greenwich. Limita-se a norte e a leste com o oceano Atlântico; ao sul com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e a oeste com os estados do Pará, Tocantins e Goiás.

[editar] Relevo

Vista do morro Pai Inácio, na chapada Diamantina/BA.

Uma das características do relevo nordestino é a existência de dois antigos e extensos planaltos, o Borborema e a bacia do rio Parnaíba e de algumas áreas altas e planas que formam as chamadas chapadas, como a Diamantina e a Araripe. Entre essas regiões ficam algumas depressões, nas quais está localizado o sertão, que é uma região de clima semi-árido.

Segundo o professor Jurandyr Ross, que com sua equipe compilou informações do Projeto Radam (Radar da Amazônia) e mostrou uma divisão do relevo brasileiro mais rica e subdivida em 28 unidades, no Nordeste ficam localizados os já citados planalto da Borborema e planaltos e chapadas da bacia do rio Parnaíba, a depressão Sertaneja-São Francisco e parte dos planaltos e serras do leste-sudeste, além das planícies e tabuleiros litorâneos.[2]

[editar] Clima

A região Nordeste do Brasil, apresenta temperaturas elevadas cuja média anual varia de 20° a 28°C. Nas áreas situadas acima de 200 metros e no litoral oriental as temperaturas variam de 24° a 26°C. As médias anuais inferiores a 20°C encontram-se nas áreas mais elevadas da chapada Diamantina e do planalto da Borborema. O índice de precipitação anual varia de 300 a 2.000 mm. Três dos quatro tipos de climas que existem no Brasil estão presentes no Nordeste, são eles:

[editar] Vegetação

Carnaúbas em Quixeré/CE, aquela que é uma das espécies mais importantes da Mata dos Cocais.
A caatinga, vegetação típica do Sertão nordestino.

A vegetação nordestina é bastante rica e diversificada, vai desde a Mata Atlântica no litoral à Mata dos Cocais no Meio-Norte, ecossistemas como os manguezais, a caatinga, o cerrado, as restingas, dentre outros, possuem fauna e flora exuberantes, diversas espécies endêmicas, uma boa parte da vida no planeta e animais ameaçados de extinção.

[editar] Hidrografia

Trecho do rio São Francisco, muito apreciado por banhistas.

O Nordeste possui as seguintes bacias hidrográficas:

[editar] Zonas geográficas (sub-regiões)

Sub-regiões do Nordeste: 1 Meio norte,
2 Sertão, 3 Agreste e 4 Zona da Mata

Para que se pudesse analisar de forma mais fácil as características da região Nordeste, o IBGE dividiu a região em quatro zonas:

[editar] Demografia

Segundo dados do IBGE, a região possui mais de 49 milhões de habitantes, quase 30% da população brasileira, sendo a segunda região mais populosa do país, atrás apenas da região Sudeste. As maiores cidades são Salvador, Recife e Fortaleza. É também a terceira região quanto à densidade demográfica, contando com 32 habitantes por quilômetro quadrado.

As maiores cidades nordestinas, em termos populacionais, são: Salvador, Fortaleza, Recife, São Luís, Maceió, Natal, Teresina, João Pessoa, Jaboatão dos Guararapes, Feira de Santana, Aracaju, Olinda, Campina Grande, Caucaia, Paulista, Vitória da Conquista, Caruaru, Petrolina, Juazeiro do Norte e Mossoró. Todos esses municípios possuem mais de 250 mil habitantes, segundo as listas de municípios de estados do Nordeste por população.


Cidade Estado População Cidade Estado População
Vista do Elevador Lacerda e da Baía de Todos os Santos em Salvador
Salvador
Avenida Santos Dumont em Fortaleza
Fortaleza
Vista de Boa Viagem no Recife
Recife
1 Salvador Bahia 2.948.733 11 Aracaju Sergipe 536.785
2 Fortaleza Ceará 2.473.614 12 Olinda Pernambuco 394 850
3 Recife Pernambuco 1.549.980 13 Campina Grande Paraíba 381.422
4 São Luís Maranhão 986.826 14 Caucaia Ceará 326.811
5 Maceió Alagoas 924.143 15 Paulista Pernambuco 314.302
6 Natal Rio Grande do Norte 798.065 16 Vitória da Conquista Bahia 313.898
7 Teresina Piauí 793.915 17 Caruaru Pernambuco 294.558
8 João Pessoa Paraíba 693.082 18 Petrolina Pernambuco 285.339
9 Jaboatão dos Guararapes Pernambuco 678.346 19 Juazeiro do Norte Ceará 246.515
10 Feira de Santana Bahia 584.497 20 Mossoró Rio Grande do Norte 241.645
Fonte: IBGE, estimativa populacional 2008[3]


[editar] Regiões metropolitanas

[[Ficheiro:João Pessoa (Aeroclube).JPG|thumb|right|João Pessoa é onde fica localizado o ponto mais oriental das Américas

[[Ficheiro:Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.jpg|thumb|right|Natal é a capital brasileira mais próxima da Europa [4] e considerada um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo[5].]]

São Luís do Maranhão é a única capital nordestina localizada numa ilha, a Upaon-Açu.

Todas as capitais da região Nordeste possuem região metropolitana com exceção de Teresina. São elas por ordem de população:

Nome População
Região Metropolitana do Recife 3.730.114
Região Metropolitana de Salvador 3.677.060
Região Metropolitana de Fortaleza 3.435.456
Região Metropolitana de Natal 1.255.409
Região Metropolitana de São Luís 1.211.270
Região Metropolitana de Maceió 1.111.678
Região Metropolitana de João Pessoa 1.049.290
Região Metropolitana de Aracaju 759.998

Além das capitais, algumas cidades do interior nordestino também possuem região metropolitana. São elas por ordem de população:

Nome População
Região Metropolitana do Cariri 554.945
Região Metropolitana do Sudoeste Maranhense  ?

[editar] Regiões integradas de desenvolvimento

Teresina é a única capital nordestina que não se localiza no litoral.

Além das regiões metropolitanas, algumas cidades nordestinas são núcleos duma região integrada de desenvolvimento (RIDE). São elas por ordem de população:

Nome População
Grande Teresina 1.092.721
Polo Petrolina e Juazeiro 812.515

[editar] Grupos étnicos

Salvador é a cidade com o maior número de afro-descendentes do Brasil.

Para a formação do povo nordestino participaram três etnias: o índio, o português e o africano.

Cor/Raça (2006)[6]
Parda 62,5%
Branca 29,2%
Preta 7,8%
Indígena e amarela 0,5%

A miscigenação étnica e cultural desses três elementos foi o pilar para a composição da população do Nordeste, porém essa mistura de raças não aconteceu de forma uniforme. Em algumas regiões, como no Ceará, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, predominaram os caboclos,[carece de fontes?] já em outras, como a Bahia, Piauí, Pernambuco Oriental e o Maranhão, os mulatos predominam.[carece de fontes?] Os cafuzos também são muito comuns no Maranhão.[carece de fontes?]

Em torno de um quarto dos nordestinos tem ancestralidade predominantemente européia, sobretudo portuguesa[7]. Pesquisas genéticas recentes feitas por um laboratório genético brasileiro descobriu que 19% desses nordestinos brancos têm alguma ancestralidade holandesa.[8]. Entre nordestinos de outras etnias, a influência genética holandesa não foi avaliada, mas é presente.[carece de fontes?]

[editar] Distribuição populacional

Martins, cidade serrana do estado do Rio Grande do Norte. Com um pouco mais de oito mil habitantes, a cidade é um exemplo de como a densidade populacional do interior brasileiro é baixa.

Assim como acontece em todo o território brasileiro, a população nordestina é mal distribuída, cerca de 60,6%[carece de fontes?] dela fica concentrada na faixa litorânea (zona da mata) e nas principais capitais.

Já no sertão nordestino e interior, os níveis de densidade populacional são mais baixos, por causa do clima semi-árido e da vegetação de caatinga. Ainda assim, a densidade demográfica no semi-árido nordestino é uma das mais altas do mundo para esse tipo de área climática.[9] Em parte, entretanto, pode-se atribuir a relativa superpopulação da região à má infra-estrutura e pouco desenvolvimento econômico e tecnológico, uma vez que se verificam áreas semi-áridas de grande desenvolvimento que suportam densidades ainda maiores (vide Israel e certos Estados norte-americanos como o Texas e parte da Califórnia).

De acordo com os dados do IBGE (2000), a concentração urbana do Nordeste é da ordem de 69,10%.[carece de fontes?] A urbanização do Nordeste foi mais lenta em relação ao resto do país, mas se acelerou muito nas últimas décadas. No período 1991-1996, a participação da população rural no total da população teve queda de 45,8% [10].

[editar] Migração nordestina

Ver artigo principal: Migração nordestina
Cena comum no interior do Nordeste do Brasil. Aqui, moradores do município de Caraúbas do Piauí são transportados uma camionete ao estilo "pau-de-arara".

Devido à enorme desigualdade de renda, à grande concentração fundiária e ao problema da seca no Sertão Nordestino (agravado pela chamada "indústria da seca", que beneficia políticos e latifundiários em detrimento das massas), o Nordeste é desde a época império de D. Pedro II[11] e especialmente na segunda metade do século XX uma região de forte repulsão populacional. Devido à oferta de empregos em outras regiões do Brasil, principalmente nas décadas de 60, 70 e 80, a migração nordestina tem sido destaque na dinâmica populacional brasileira, em especial nas regiões Norte e Sudeste do Brasil.

Mapa da migração no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980.

Na década de 1990, entretanto, devido às crises econômicas e à saturação dos mercados de várias grandes cidades, a oferta de empregos diminuiu, a qualidade da educação piorou e a renda continuou mal distribuída, fazendo com que a maioria dos nordestinos que haviam migrado, fugindo da miséria, e seus descendentes continuassem com estrutura de vida precária. Por causa da visão espelhada nas décadas anteriores, o falso ideal imaginário que se formou em relação à região Sudeste é da promessa de uma qualidade de vida melhor, de fácil oportunidade de emprego, salários mais altos, entre outros; iludido por esse sonho, quando um nordestino migra para o Sudeste em busca de uma melhoria na qualidade de vida, normalmente acaba encontrando o contrário, além de sofrer, não raro, preconceito social no dia-a-dia.

Nos últimos anos, o movimento tradicional de emigração tem reduzido ou até se invertido na região Nordeste. Segundo o estudo "Nova geoeconomia do emprego no Brasil", da Universidade de Campinas (Unicamp),[carece de fontes?] os estados do Ceará, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte receberam mais migrantes entre 1999 e 2004 do que enviaram para outras regiões. O estado da Paraíba, segundo a mesma pesquisa, foi o exemplo mais radical da transformação por que tem passado os padrões migratórios na região: inverteu o padrão migratório do saldo negativo de 61 mil pessoas para o saldo positivo de 45 mil. Em todos os outros Estados que continuam a contar com um saldo migratório negativo, o número de migrantes diminuiu no mesmo período analisado: no Maranhão, diminuiu de 173 mil para 77 mil; em Pernambuco, de 115 mil para 24 mil; e na Bahia, de 267 mil para 84 mil. Os estudiosos,[quem?] em geral, concordam que os movimentos migratórios continuam intensos, sendo que não mais se dirigem quase que exclusivamente à região Sudeste, mas sim se concentram em direção às metrópoles nacionais nordestinas, como Fortaleza, Salvador e Recife.

[editar] Economia

Campina Grande no estado da Paraíba é um dos principais pólos industriais e tecnológicos do interior da Região Nordeste.

A renda per capita nordestina evoluiu de US$ 397 em 1960 (41,9% da nacional) para US$ 2.689,96 em 1998 (56% da nacional).[carece de fontes?] Ainda assim, é a região brasileira com a mais baixa renda per capita e maior nível de pobreza. 50,12% da população possui uma renda familiar de meio salário mínimo e de acordo com o levantamento da UNICEF divulgado em 1999 as 150 cidades brasileiras com a maior taxa de desnutrição se encontram no Nordeste.[carece de fontes?]

A capacidade energética instalada é de 10.142 MW.[carece de fontes?]

Em 2003 seu PIB era de R$214 bilhões[carece de fontes?] ou 13,8% do PIB brasileiro, superando o de países como Chile, Cingapura, Venezuela, Colômbia e Peru. Apesar disso, há grandes desigualdades socioeconômicas na região.

Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto da região Nordeste chegou à atingir 280.504.256 de reais em 2005.[carece de fontes?] Pelas contas da Sudene, o PIB real do Nordeste cresceu entre 1970 e 1997 a uma taxa anual de 5,3%, enquanto a taxa média do Brasil ficou em 4,5%.[carece de fontes?]

A região é vista por muitos economistas[quem?] como uma das mais promissoras do mundo ocidental,[carece de fontes?] pois tem cerca de 30% da população brasileira e grande parte de seus habitantes ainda fora do mercado consumidor. Segundo o economista José Otamar de Carvalho a renda per capita regional equivale a 60% da renda do Sudeste (40% em 1960), mas o percentual de renda apropriado pelos 10% mais ricos chega a cerca de 50%.[carece de fontes?]

[editar] Setor primário

[editar] Agricultura

Cultivo de cacau em Ilhéus, Bahia.

A cana-de-açúcar é o principal produto agrícola da região,[carece de fontes?] produzido principalmente por Alagoas, seguido por Pernambuco e Paraíba. Também é importante destacar os plantios de algodão (Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte), tabaco (Bahia) e caju (Piauí, Paraíba e Ceará), uvas finas, manga, melão, acerola e outros frutos para consumo interno e exportação. Também destaca-se a produção de feijão em Irecê e de soja em Barreiras, Bahia. Nos vales do rio São Francisco (Bahia e Pernambuco) e do Rio Açu (Rio Grande do Norte) existe o cultivo irrigado de frutas para exportação. No sertão predomina a agricultura de subsistência, prejudicada, às vezes, pelas constantes estiagens.

[editar] Pecuária

Cerrado em Feira de Santana na Bahia, cidade mais populosa do interior nordestino foi originada a partir de uma feira de gado.

Na região se cria principalmente gado, os maiores rebanhos bovinos estão na Bahia, Piauí, Pernambuco e Ceará.[carece de fontes?] No sertão os produtores têm muitas vezes prejuízos devido as constantes secas. Também existem criações de caprinos, que são mais resistentes, suínos, ovinos e aves.

As feiras de gado são comuns nas cidades do agreste nordestino, foram estas feiras que deram origem a cidades como Campina Grande, Feira de Santana, Caruaru e outras.

[editar] Setor secundário

[editar] Indústria

Distrito Industrial de Ilhéus, Bahia.

É mais forte e diversificada em regiões metropolitanas como a do Recife, a de Salvador e a de Fortaleza. Excetuando as capitais, tem-se a região de Campina Grande no estado da Paraíba.

Destaca-se a produção de aços especiais, produtos eletrônicos, equipamentos para irrigação, barcos, chips, softwares, baterias e produtos petroquímicos, além de produtos de marca com valor agregado, calçados de couro e de lona, tecidos de todos os tipos e sal marinho e indústria automobilística. O pólo gesseiro de Araripina, em Pernambuco, é o mais importante do país, responsável por 95% do gesso consumido no Brasil.[12].

[editar] Indústria petrolífera
Mossoró, segunda maior cidade do estado do Rio Grande do Norte e o maior produtor de petróleo em terra do Brasil[13].

Por ter sido palco da descoberta da primeira jazida de petróleo (em Lobato, Salvador), a região Nordeste tem uma produção histórica de petróleo. O petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental de vários estados da região e processado na Refinaria Landulfo Alves, em São Francisco do Conde, e no Pólo Petroquímico de Camaçari, ambos no estado da Bahia. Recentemente foi lançada a pedra fundamental da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco e descoberto petróleo em Sousa, no sertão paraibano.

Os principais produtores nordestino de Petróleo são o Rio Grande do Norte (que em 1997 era o 2º maior produtor petrolífero do país), a Bahia e Sergipe, as principais bacias estão no mar.

Destaque também para o gás natural que é abundante na região. Somente a bacia Alagoas/Sergipe vai durar por cerca de 120 anos[carece de fontes?].

[editar] Ciência e tecnologia

Em 2006 foi inaugurado o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, com sede na capital potiguar. Tal iniciativa, idealizada pelo Neurocientista Miguel Nicolelis (considerado um dos 20 mais importantes neurocientistas em atividade no mundo), visa descentralizar a pesquisa nacional, atualmente restrita às regiões Sudeste e Sul.

No decorrer de 2010 será inaugurado o chamado "Campus do Cérebro" em Macaíba no estado do Rio Grande do Norte, que contará com um interessante projeto de inclusão social além da parte científica.

[editar] Turismo

O litoral é o principal atrativo da região.[carece de fontes?] Milhões de turistas desembarcam nos aeroportos nordestinos. Há alguns anos os estados vêm investindo intensamente na melhora da infra-estrutura, criação de novos pólos turísticos, e alguns no desenvolvimento do ecoturismo. Este ainda é pouco explorado no Nordeste, mas tem grande potencialidade. Ainda assim, dentre os dez principais destinos ecoturísticos brasileiros, aparecem quatro paisagens localizadas na região Nordeste do Brasil, onde é possível escolher entre ilhas (Arquipélago de Fernando de Noronha em Pernambuco), dunas (Lençóis Maranhenses no Maranhão), mata atlântica em alto relevo (Chapada Diamantina na Bahia) e arqueologia na caatinga (Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí).[14]

A cultura da região é, também, um grande atrativo para o turista, todos os estados tem folguedos e tradições diferentes. Olinda, em Pernambuco, São Luís, no Maranhão e o Pelourinho, em Salvador, são os grandes atrativos histórico-culturais da região, sendo considerados Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

O arquipélago de Fernando de Noronha, com suas ilhas e praias de águas límpidas e cristalinas, também está ganhando destaque nacional e mundial,[carece de fontes?] pelas ilhas é possível avistar os golfinhos saltadores. Outro lugar de destaque é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um complexo de dunas, rios, lagoas e manguezais. No Piauí encontram-se os parques nacionais Sete Cidades, serra das Confusões e da serra da Capivara com formação rochosa e pinturas rupestres. Além de seu litoral possuir o Delta do Parnaíba.

O turismo religioso vem crescendo cada vez mais na região,[carece de fontes?] destacando-se os municípios de Juazeiro do Norte, Bom Jesus da Lapa e Canindé.

[editar] Infraestrutura

[editar] Transportes

Aeroporto Internacional do Recife, o segundo maior do Nordeste.

A malha viária da região tem 394.700 km de rodovias[carece de fontes?] que, em geral, estão precárias, com algumas exceções. As principais vias de escoamento e transporte rodoviário são a BR-116 e a BR-101. Apesar de seu sistema ferroviário ser precário, suas cidades mais importantes dispõem de adequada estrutura aeroportuária, sendo os aeroportos de Recife, Salvador e Fortaleza os maiores.[carece de fontes?] Recebem milhões de turistas anualmente e mantêm vôos regulares para as principais cidades da Europa[carece de fontes?]. Em Natal está sendo construído o Aeroporto Internacional da Grande Natal, que, quando totalmente concluído, será o maior da América Latina[15].

Atualmente, apenas o Recife dispõe de um sistema de metrô, que é considerado o mais limpo do mundo.[carece de fontes?] Os metrôs de Fortaleza e de Salvador já estão em construção e devem entrar em operação nos próximos anos. Há também projetos em estudo para serem implantados metrô de superficie (VLT) em Natal, Maceió e João Pessoa.

[editar] Cultura

O maracatu, parte da cultura e folclore nordestino, reflete a miscigenação étnico-cultural entre africanos, indígenas e portugueses no Nordeste.

Tendo sido a primeira região efetivamente colonizada por portugueses, ainda no século XVI, que aí encontraram as populações nativas e foram acompanhados por africanos trazidos como escravos, a cultura nordestina é bastante particular e típica, apesar de extremamente variada. Sua base é luso-brasileira, com grandes influências africanas, em especial na costa de Pernambuco à Bahia e no Maranhão, e ameríndias, em especial no sertão semi-árido.[carece de fontes?]

A riqueza cultural dessa região é visível para além de suas manifestações folclórias e populares. A literatura nordestina tem dado contribuições para o cenário literário brasileiro, destacando-se nomes como Jorge Amado, José de Alencar, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Graciliano Ramos e Manuel Bandeira, dentre muitos outros. No Ceará, o movimento da Padaria Espiritual, no fim do século XIX, antecipou algumas das renovações trazidas com o modernismo, no anos 20 do século seguinte.

Na música erudita, destacaram-se como compositores Alberto Nepomuceno e Paurillo Barroso, assim como o cearense Liduíno Pitombeira na atualidade, e Eleazar de Carvalho como maestro. Ritmos e melodias nordestinas também inspiraram compositores como Heitor Villa-Lobos (cuja famosa Bachiana Brasileia Nº 5, por exemplo, em sua segunda parte - Dança do Martelo - alude ao sertão do Cariri).

O frevo, dança típica de Pernambuco, em sua forma mais autêntica.

Na música popular, destacam-se ritmos tais como coco, xaxado, martelo agalopado, samba de roda, baião, xote, forró, Axé e frevo, dentre outros ritmos. O movimento armorial do Recife, inspirado por Ariano Suassuna, fez um trabalho erudito de valorização desta riquíssima herança rítmica popular nordestina (um de seus expoentes mais conhecidos é o cantor Antônio Nóbrega).

Na dança, destacam-se o maracatu, praticado em diversas partes do Nordeste, o frevo (característico de Pernambuco) o bumba-meu-boi, o xaxado, diversas variantes do forró, o tambor-de-crioula (característico do Maranhão), etc. As músicas folclóricas quase sempre são acompanhadas de danças.

O artesanato é também uma parte relevante da produção cultural do Nordeste, sendo inclusive o ganha-pão de milhares de pessoas por toda a região. Devido à variedade regional de tradições de artesanato, é difícil caracterizá-los todos, mas destacam-se as redes tecidas e, às vezes, bordadas com muitos detalhes - e que, além de artesanato, são um artigo útil e comum na vida da maior parte dos nordestinos -; os produtos feitos em argila, madeira (por exemplo, da carnaúba, árvore típica do sertão) e couro, com traços bastante particulares; além das rendas, que ganharam grande destaque no artesanato cearense. Outro destaque são as garrafas com imagens feitas manualmente em areia colorida, um artigo produzido largamente para venda para turistas.

A culinária nordestina é variada, refletindo, quase sempre, as condições econômicas e produtivas das diversas paisagens geoeconômicas dessa região. Frutos do mar e peixes são bastante utilizados na culinária do litoral, enquanto, no sertão, predominam receitas que utilizam a carne e derivados do gado bovino, caprino e ovino. Ainda assim, há várias diferenças regionais, tanto na variedade de pratos quanto em sua forma de preparo (por exemplo, no Ceará, predomina o mugunzá - também chamado macunzá ou mucunzá - salgado, enquanto, em Pernambuco, predomina o doce). Algumas comidas típicas da região são: o baião-de-dois, a carne-de-sol, o queijo de coalho, o vatapá, o acarajé, a panelada e a buchada, a canjica, o feijão e arroz de coco, o feijão verde, cozido e o sururu, assim como vários doces feitos de mamão, abóbara, laranja, etc. Algumas frutas regionais - não necessariamente nativas da região - são o a ciriguela, o cajá, o buriti, a cajarana, o umbú, a macaúba e a pitomba, além de outras também comuns em outras regiões.

[editar] Festividades

Grupo de quadrilha de São João, a mais tradicional festa da cultura nordestina (quadrilha da Festa do São Pedro de Belém).

E nas festividades, há destaques para as festas do carnaval de Salvador, o carnaval do Recife e o carnaval de Olinda, além de outras no interior dos estados. As micaretas, que são os carnavais fora de época, destacam-se o "Carnatal" em Natal, o "Fortal" em Fortaleza, o "Pré-Caju" em Aracaju, e a "Micarande" em Campina Grande. Há também o "bumba-meu-boi" em São Luís. Quando vai se aproximando o São João as cidades de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande na Paraíba disputam pelo título de "Capital do Forró". Destacam-se também pelo seu São João as cidades de Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte. Há também festivais de pop rock como o "Piauí Pop" em Teresina; e o Mada em Natal.

Há uma vasta e arraigada literatura popular de cordel que remonta ao período colonial (a literatura de cordel veio com os portugueses e tem origem na Idade média européia) e numerosas manifestações artísticas de cunho popular que se manifestam oralmente, tais como os cantadores de repentes e de embolada.

[editar] Problemas sociais

O Nordeste é a região mais pobre do Brasil, com os piores indicadores socioeconômicos do país, tais como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Os baixos indicadores são mais graves nas áreas rurais e no sertão nordestino, que sofre longos períodos sem chuva. Setenta por cento dos mil municípios de menor índice de desenvolvimento humano do país estão em áreas semi-áridas ou sub-úmidas, mas não se pode afirmar uma relação direta entre a pobreza e o clima semi-árido, dado que várias cidades bastante áridas possuem IDH maior que o de outras mais úmidas e, comparando-se os estados, o Ceará, em grande parte incluso no sertão nordestino, possui apenas 30% dos municípios nessa lista, enquanto Alagoas, com 53% dos municípios sujeitos à desertificação, têm 75% dos municípios entre os 1000 piores IDH [16].

O sertão em período de seca no interior da Bahia.

Durante o Brasil Colônia - até meados do século XVII -, quando a produção de açúcar se destacava na pauta de exportações coloniais, a região possuía a área mais próspera do Brasil - a capitania de Pernambuco (juntamente com a capitania de São Vicente, foram as únicas capitanias de sucesso logo no início da exploração). Desde o fim da rentabilidade da exploração do açúcar na Zona da Mata (faixa outrora ocupada por mata atlântica, no litoral oeste nordestino), a região entrou em decadência econômica. Em meados do século XX passou a se recuperar num ritmo mais rápido que o Brasil em indicadores como IDH e PIB per capita. Entre 1991 e 2005, o IDH regional avançou 16,3%, o maior crescimento do Brasil (em comparação, o Centro-Oeste e Sudeste cresceram 10,9% e o Sul, 8,5%) [17]. Ademais, a Região Nordeste foi a que mais reduziu a mortalidade infantil desde 1991, passando de 70,9 por mil nascidos vivos para 31,5 por mil em 2005, e deverá ser a primeira região brasileira a atingir, em 2010, a meta para a mortalidade infantil estabelecida pelos Objetivos do Milênio [18]. Apesar da progressiva melhoria, ainda mantém de longe o maior nível de pobreza e o menor nível de renda do país.

Caicó no estado do Rio Grande do Norte possui o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do interior nordestino[19].

A região ainda sofre com o trabalho infantil, principalmente no interior, e com a prostituição infantil nos núcleos urbanos. Outros graves problemas são, assim como no resto do Brasil, o aumento da criminalidade, o inchaço das periferias das maiores cidades, a corrupção e o baixo desenvolvimento econômico do interior. Grande parte do Nordeste também enfrenta graves problemas com a desigualdade, tanto social quanto racial (Alagoas possui a maior diferença de IDH entre brancos e negros [20]).

De acordo com uma pesquisa divulgada em 2006 e realizada pelo doutorando e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Luiz Honorato da Silva Júnior, como dissertação para o seu mestrado em Ciências Econômicas, a baixa escolaridade é o principal fator para pobreza no Nordeste. Também foram encontrados alguns resultados surpreendentes com relação à pobreza no Nordeste, como os estados de Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia que são os estados com menor número de pobres na região. Entre os estados com o maior número de pobres estão o Piauí, a Paraíba e o Maranhão[21].Existem também o folclore da fuinha, uma dança típica da região, a mais conhecida. A dança da fuinha é um grande recurso ecônomico para a região.

Referências

  1. Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (18 de setembro de 2008). Página visitada em 17 de setembro de 2008.
  2. Classificação do relevo brasileiro (em português). Página visitada em 5 de julho de 2009.
  3. População residente em 1º de julho de 2008: Publicação completa. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2008). Página visitada em 29 de agosto de 2008.
  4. [1]
  5. [2]
  6. PNAD (em Portuguese) (2006).
  7. Pena, Sérgio D. J. et ali (2000). Retrato Molecular do Brasil. Revista Ciência Hoje, nº 156, abril de 2000[3]. Salvo em 21 de dezembro de 2006
  8. Revista Ciência Hoje
  9. http://www.geografia.fflch.usp.br/publicacoes/Geousp/Geousp11/Geousp11_Sales.HTM
  10. http://www.fundaj.gov.br/geral/observanordeste/textos_especiais_catialubambo.pdf
  11. http://www.comciencia.br/reportagens/amazonia/amaz8.htm
  12. Jornal do Comércio
  13. http://tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=104733
  14. UOL Viagem. Conheça dez ecodestinos brasileiros (em português). Página visitada em 9 de julho de 2009.
  15. Correio da Tarde - Aeroporto de São Gonçalo: pistas estão garantidas, mas terminal ainda não
  16. http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1964&lay=mam
  17. http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=573217
  18. http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/dados_mortalidade_infantil_2008.pdf
  19. [4]
  20. http://www.pnud.org.br/raca/reportagens/index.php?id01=3043&lay=rac
  21. [5]

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