Região Sudeste do Brasil
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| Região Geoeconômica | Centro-Sul |
|---|---|
| Estados | SP, MG, RJ e ES |
| Características geográficas | |
| Área | 924.511,292 km² |
| População | 77.857.758 hab. IBGE/2007[1] |
| Densidade | 84,21 hab./km² |
| Indicadores | |
| IDH médio | 0,791 PNUD/2000 |
| PIB | R$ 1.213.790.703.000 IBGE/2005[2] |
| PIB per capita | R$ 15.468,00 IBGE/2005[2] |
A Região Sudeste do Brasil é uma das regiões definidas pelo IBGE, composta pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Esta região é por excelência uma terra de transição entre a região Nordeste e a região Sul. Para se fazer essa divisão foram usados critérios como semelhanças naturais, tais como relevo, clima, vegetação e solo, bem como afinidades socioculturais.
Região mais populosa e rica do Brasil, o Sudeste ocupa 10,85% do território brasileiro. Altamente urbanizada (90,5%)[3], abriga as três metrópoles mais importantes do país, as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de ser o maior colégio eleitoral do país.[4]
Índice |
[editar] História
[editar] Período pré-cabralino
Os primeiros habitantes da Região Sudeste foram os indígenas pertencentes aos grupos macro-jê e tupi. A partir de 1500, começam a chegar os colonizadores portugueses.
[editar] Início da colonização portuguesa
O povoamento do Sudeste brasileiro começou em 1532, com a fundação da vila de São Vicente pelos jesuítas portugueses, apoiada na produção de cana-de-açúcar. A partir do século XVII, na região de São Paulo, iniciou-se o fenômeno das bandeiras, que eram expedições pelo interior do Brasil à procura de novas riquezas e de indígenas para serem escravizados.
[editar] Ciclo do ouro
No final do século XVII, os bandeirantes paulistas encontraram pedras preciosas na região de Minas Gerais, dando início ao ciclo do ouro.
Com a mineração, as atenções da Coroa Portuguesa se voltaram para a Região Sudeste, tendo em vista que as plantações de cana-de-açúcar no Nordeste estavam em plena decadência. Ocorreu um grande movimento de pessoas para a região das Minas, acarretando na Guerra dos Emboabas.
A capital da colônia é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763. No final do século XVIII a exploração do ouro entrou em decadência em decorrência do esgotamento das minas, porém a Coroa Portuguesa continuava a cobrar altas taxas tributárias, fazendo surgir a Inconfidência Mineira, movimento separatista sem sucesso.
[editar] Corte no Brasil
Em 1808, fugindo da invasão napoleônica, a Família Real Portuguesa se instalou no Rio de Janeiro. A época foi marcada por diversas mudanças econômicas na Região, com a abertura dos portos para as nações amigas em 1810 e a elevação do Brasil à Reino Unido de Portugal e Algarves em 1816. Em 1821, o Rei Dom João VI retorna para Portugal, deixando seu primogênito, Pedro de Alcântara, como Príncipe-Regente do Brasil.
[editar] Independência
Através da Revolução do Porto, os portugueses tentam voltar o Brasil à condição de colônia. O filho do Rei de Portugal desobedece às ordens da Coroa e proclama a Independência do Brasil a 7 de setembro de 1822, às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, tornando-se D. Pedro I, o Imperador do Brasil.
[editar] Império
Com a Independência do Brasil em 1822, a Região Sudeste tornou-se o centro financeiro do País. Apoiado pela elite rural do Sudeste, D. Pedro I tornou-se o primeiro Imperador do Brasil, abdicando o trono à favor de seu filho, D. Pedro II em 1830 que, após um conturbado período regencial, assumiu o trono em 1841.
[editar] Ciclo do café
A partir da década de 1840, as plantações de café se espalharam por toda a região, principalmente no Vale do Paraíba e no Oeste Paulista, tornando-se a base da economia brasileira. Usou-se, inicialmente, do trabalho escravo mas, com a abolição da escravatura em 1888, a falta de mão-de-obra foi preenchida com a vinda de uma grande massa de imigrantes europeus, principalmente italianos.
[editar] República
Em 1889 a Monarquia é derrubada e é proclamada a República, dando início à Política do Café-com-Leite, em que as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder.
Na década de 1920, com a quebra da bolsa de Nova Iorque, o preço do café despencou no mercado internacional. O presidente Getúlio Vargas iniciou um processo de industrialização em São Paulo que, posteriormente, se espalhou pelos outros estados do Sudeste.
[editar] Geografia
No relevo da Região Sudeste destacam-se:
- o Planalto Atlântico;
- o Planalto Meridonal;
- a Planície Costeira ou Litorânea.
A maior parte do relevo é formada por planaltos. Entre os dois planaltos aparece uma região de terras mais baixas, chamada depressão.
O litoral da Região Sudeste é recortado de cabos, baías e ilhas. Aparecem também belas praias.
Os rios da Bacia do São Francisco e da Bacia do Paraná banham essa região. Existem outros rios importantes: Jequitinhonha, Doce, Paraíba do Sul e Ribeira do Iguape. Eles deságuam no oceano Atlântico.
Os rios da Região Sudeste são aproveitados para a produção de energia elétrica. As principais usinas hidrelétricas instaladas nessa região são:
- Complexo Hidrelétrico de Urubupungá, no rio Paraná;
- Usina Hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco;
- Usina Hidrelétrica de Furnas, no rio Grande.
O clima predominante nessa região é o tropical de altitude. No norte de Minas Gerais o clima é semi-árido. Notadamente, o norte mineiro é a região mais pobre do estado e da região.
A vegetação da Região Sudeste é variada. Atualmente essa vegetação já foi bastante destruída, restando apenas alguns trechos da Mata Atlântica, que tem sido preservada. O cerrado, a caatinga, os campos e a vegetação litorânea são encontrados nessa região.
[editar] Relevo
A região Sudeste é caracterizada fisicamente pela existência de montanhas antigas e arredondadas pela erosão, os chamados mares de morros, notados nos 4 estados. No pico destas montanhas, existem cortes inclinados mais altos, que geram formações como a Serra da Mantiqueira, a Serra do Mar e a Serra do Espinhaço. O Sudeste possui a maior média de altitude do Brasil, tendo como ponto mais alto o Pico da Bandeira, 3° maior do Brasil com 2892m, sendo localizado entre Minas Gerais e o Espírito Santo.
Podemos identificar quatro grandes divisões no relevo no Sudeste:
- Planícies e Terras Baixas Costeiras
- Serras e Planaltos do Leste e Sudeste
- Planalto Meridional
- Planalto Arenito-basáltico
[editar] Planícies e Terras Baixas Costeiras
Apresentam larguras varíaveis, ora aparecendo na forma de grandes baixadas, ora estreitando-se e favorecendo a formação de costas altas, onde a Serra do Mar entra diretamente em contato direto com o oceano Atlântico. São comuns, ao longo da planície, muitas praias e algumas restingas, que formam lagoas costeiras e grandes baías.
[editar] Serras e Planaltos do Leste e Sudeste
Conhecidas como Planalto Atlântico ou Planalto Oriental, é a parte mais acidentada do Planalto Brasileiro, caracterizando-se, na Região Sudeste, pelo grande número de "serras" (escarpas de planalto) cristalinas. Aparece como verdadeira muralha constituída por rochas cristalinas muito antigas ou como um verdadeiro "mar de morros" em áreas mais erodidas. A escarpa desse planalto voltada para o Atlântico constitui a Serra do Mar, que no sul recebe o nome de Serra de Paranapiacaba. Logo adiante, no oeste, encontramos o vale do rio Paraíba do Sul, que separa a Serra do Mar da Serra da Mantiqueira. Mais para o norte, as elevações afastam-se do litoral, dando origem à Serra do Espinhaço.
Ao norte de São Paulo e a oeste de Minas Gerais, encontra-se a Serra da Canastra.
A noroeste da região, atrás da Serra do Espinhaço, encontram-se as chapadas sedimentares, já na transição para a Região Centro-Oeste, destacando-se o Espigão Mestre, vasta extensão aplainada constituída por rochas antigas e intensamente trabalhadas pela erosão. Entre ele e a Serra do Espinhaço encontra-se a Depressão Sanfranciscana, área de terras baixas cortada por um grande rio, o São Francisco.
[editar] Planalto Meridional
De estrutura sedimentar, ocupa todo o centro-oeste de São Paulo e o oeste de Minas Gerais. É formado por dois blocos: o Planalto Arenito-basáltico e a Depressão Periférica.
[editar] Planalto Arenito-basáltico
Apresenta alternância de rochas pouco resistentes, como o arenito (sedimentar), e outras muito duras, como o basalto (vulcânica), o que favorece o aparecimento das chamadas cuestas, acidentes do relevo que se mostram íngremes e abruptos em uma vertente e na direção oposta descem em suave declive. Essas cuestas são conhecidas popularmente pelo nome de serras, como por exemplo, a Serra de Botucatu.
[editar] Depressão Periférica
Zona de contato baixa e plana, que se assemelha à uma canoa, entre as Serras e Planaltos do Leste e Sudeste (de estrutura cristalina) e o Planalto Arenito-basáltico (de estrutura sedimentar).
[editar] Clima
O clima dessa região é bastante diversificado no que diz respeito à temperatura, em função de três fatores principais: a posição latitudinal, a topografia acidentada e a influência dos sistemas de circulação perturbada. Corresponde a uma faixa de transição entre climas quentes das baixas latitudes e os climas mesotérmicos das latitudes médias, mas suas características mais fortes são de clima tropical. O norte de Minas Gerais possui clima semi-árido e faz parte do Polígono das Secas. Nas áreas mais elevadas do planalto atlântico,ocorre o clima tropical de altitude, que tem temperaturas mais baixas que as demais áreas.
A Região Sudeste apresenta os climas tropical, tropical de altitude, subtropical e semi-árido.
O clima tropical predomina nas baixadas litorâneas de Espírito Santo e Rio de Janeiro, norte de Minas Gerais e oeste paulista. Apresenta temperaturas elevadas (média anual de 22ºC) e duas estações definidas: uma chuvosa, que corresponde ao verão, e outra seca, que corresponde ao inverno. O clima tropical de altitude, que ocorre nos trechos mais elevados do relevo, caracteriza-se por temperaturas mais amenas (média anual de 18ºC).
O clima subtropical, que aparece no sul do estado de São Paulo, é marcado por chuvas bem distribuídas durante o ano (temperaturas médias anuais em torno de 16ºC a 17ºC) e por uma grande amplitude térmica. Temos ainda, no norte de Minas Gerais, o clima semi-árido, mais quente e menos úmido, apresentando estação seca anual de 5 meses ou até mais nos vales dos rios São Francisco e Jequitinhonha.
No Sudeste, como em qualquer região, as temperaturas sofrem a determinante influência da posição geográfica, ou seja, da latitude, do relevo e da altitude e também da maritimidade. Desta forma, as regiões do Vale do Jequitinhonha e do Vale do Rio Doce ambas no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, localizadas em áreas de baixas latitudes e altitudes modestas, têm clima mais quente. Já a Serra do Mar apresenta a maior umidade da região, pois barra a passagem dos ventos vindos do Atlântico, carregados de umidade, chovendo apenas nas vertentes orientais. A costa também é naturalmente mais úmida, por influência da maritimidade.
As menores temperaturas da região são registradas nos picos da Serra da Mantiqueira, localizados entre MG/SP, MG/RJ e MG/ES, que tem altitudes próximas de 3000m e consequentemente estão sujeitos a nevadas.
[editar] Vegetação
A vegetação predominante é a Mata Atlântica, mas novamente há exceções como a Mata de Araucária no sul de São Paulo e nas regiões serranas, e a Caatinga no norte de Minas Gerais.
O norte de Minas Gerais possui características do Nordeste, fazendo parte da bacia do Rio São Francisco e era território do Estado de Pernambuco até o início do século XIX.
O interior de São Paulo, notadamente a região entre os rios Tietê e o Paranapanema (região de Bauru, Marília, Itapeva, Presidente Prudente) é região de transição entre o Sudeste e o Sul, possuindo características destas duas regiões.
Hoje em dia restam pequenos trechos da Mata Atlântica porque a maioria da mata foi substituída por áreas urbanas, pastagens e plantações.
No litoral, nas partes mais alagadas encontramos os manguezais.
A variedade de tipos de clima permite deduzir que primitivamente existiu uma variedade de tipos de vegetação, hoje em grande parte devastada, devido à expansão agrícola.
A floresta tropical constitui a formação dominante, mas seu aspecto varia muito. Ela é rica e exuberante nas encostas voltadas para o oceano — Mata Atlântica —, onde a umidade é maior, favorecendo o aparecimento de árvores mais altas, muitos cipós, epífitas e inúmeras palmáceas; encontra-se quase totalmente devastada, exceto nas encostas mais íngremes. No interior do continente, essa floresta apresenta menos densa, pois ocorre em áreas de clima mais seco; aparece somente em manchas, pois já está quase inteiramente devastada.
Em algumas áreas do interior há a ocorrência de matas galerias ou ciliares, que se desenvolvem ao longo das margens dos rios, mais úmidas. Nas áreas tipicamente tropicais do Sudeste, onde predominam solos impermeáveis, ganha destaque a formação conhecida como cerrado, constituída de pequenas árvores, arbustos de galhos retorcidos e vegetação rasteira. A região apresenta pequenos trechos cobertos de caatinga no norte de Minas Gerais. As áreas mais altas das Serras e Planaltos do Leste e Sudeste, ao sul, de clima mais suave, são ocupadas por uma ou outra espécie do que foi um dia a floresta subtropical ou Mata de Araucárias. Em extensões também reduzidas do planalto aparecem trechos de formações campestres: os campos limpos, ao sul do estado de São Paulo, e os campos serranos, ao sul de Minas Gerais. Ao longo do litoral, faz-se presente a vegetação típica das praias, conhecida por vegetação litorânea.
[editar] Hidrografia
A região apresenta vários rios importantes, como o Rio Tietê, Rio Paraíba do Sul, Rio Paraná, Rio Piracicaba, Rio Doce.
A região também apresenta a nascente do rio São Francisco, na Serra da Canastra em Minas Gerais.
Os rios da região são utilizados para navegação, mas principalmente para a produção de energia elétrica através de usinas hidrelétricas. Nessa região está localizada Furnas.
Devido à suas características de relevo, predominam na região os rios de planalto, naturalmente encachoeirados. Entre as várias bacias hidrográficas, merecem destaque:
- Bacia do Paraná — O rio principal é formado pela junção dos rios Paranaíba e Grande. Nessa bacia se localizam algumas das maiores hidrelétricas do país, tanto no rio Paraná (Urubupungá e Itaipu) como nos rios Paranaíba (Cachoeira Dourada e São Simão) e Grande (Furnas e Volta Grande).
- Bacia do São Francisco — O principal rio nasce em Minas Gerais, na Serra da Canastra, atravessa a Bahia e alcança Pernambuco, Alagoas e Sergipe, no Nordeste. Recebendo alguns grandes afluentes e outros menores, que chegam inclusive a secar (rios temporários), o São Francisco tem alta importância regional, por oferecer transporte, alimentação, energia elétrica e irrigação.
No seu alto curso, que vai da nascente a Pirapora (Minas Gerais), o São Francisco é acidentado e não-navegável, oferecendo, por outro lado, alto potencial hidrelétrico. A Usina Hidrelétrica de Três Marias foi aí construída a fim de regularizar o curso do rio, fornecer energia elétrica e ampliar seu trecho navegável, através de comportas que fazem subir o nível das águas. Já no médio curso, que estende de Pirapora e Juazeiro (estado da Bahia), o rio é inteiramente navegável. O baixo curso do São Francisco localiza-se inteiramente na Região Nordeste.
- Bacias do Leste — São um conjunto de bacias secundárias de diversos rios que descem das serras litorâneas para o Atlântico, merecendo destaque as bacias dos rios Pardo, Doce e Jequitinhonha, em Minas Gerais, e Paraíba do Sul, em São Paulo e Rio de Janeiro.
- Bacias do Sudeste-Sul — A Região Sudeste é drenada também por estas bacias, destacando-se a do rio Ribeira do Iguape, no estado de São Paulo.
[editar] Demografia
A população da Região Sudeste é formada de brancos, negros, pardos, amarelos e indígenas.
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os estados mais populosos do Brasil. A maior parte da população vive na zona urbana, devido ao êxodo rural, isto é, a saída da população do campo para viver na cidade.
Na Região Sudeste ocorre a migração. Muitos brasileiros da Região Nordeste migraram para a Região Sudeste, principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro.
[editar] População
A região sudeste é a mais populosa do país, apresentando, segundo o IBGE, no ano de 2005, pouco mais de 78 milhões de habitantes, equivalendo a quase 42% da população brasileira (população maior que países como Itália e Espanha). A região apresenta, também, os três estados mais populosos (São Paulo, com 40 milhões de habitantes; Minas Gerais, com 21 milhões de habitantes e Rio de Janeiro, com 15 milhões) e as três maiores regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte). A maior concentração populacional encontra-se no eixo Rio-São Paulo, onde estão localizadas as regiões metropolitanas da Grande São Paulo, Grande Rio, Sul Fluminense e Vale do Paraíba, que equivalem a 23% da população brasileira. Também esta localizada ali a Megalópole Rio-São Paulo que conta com 40-50 milhões de habitantes.
[editar] Maiores cidades
- Vila Velha - 405.374
- Serra - 394.370
- Cariacica - 361.058
- Vitória - 317.085 (capital)
- Cachoeiro de Itapemirim - 198.150
- Belo Horizonte - 2.412.937 (capital)
- Uberlândia - 615.345
- Contagem - 613.258
- Juiz de Fora - 517.153
- Betim - 422.718
- Rio de Janeiro - 6.136.652 (capital)
- São Gonçalo - 973.372
- Duque de Caxias - 855.010
- Nova Iguaçu - 844.583
- Belford Roxo - 489.002
- Niterói - 479.544
- São João de Meriti - 467.921
- Campos dos Goytacazes - 433.467
- Petrópolis - 313.334
- Volta Redonda - 260.829
- São Paulo - 11.016.703 (capital)
- Guarulhos - 1.283.253
- Campinas - 1.073.020
- São Bernardo do Campo - 803.906
- Osasco - 714.950
- Santo André - 667.891
- São José dos Campos - 594.948
- Sorocaba - 594.150
- Ribeirão Preto - 547.417
- Santos - 417.788
A participação política (número de eleitores) da Região Sudeste em 2002 era de 50.696.080 (IBGE/2002), a maior do país. A tabela a seguir mostra quantos eleitores tinham em cada estado da região:
| Estados | Nº de eleitores |
|---|---|
| São Paulo | 25.655.553 |
| Minas Gerais | 12.680.584 |
| Rio de Janeiro | 10.213.518 |
| Espírito Santo | 1.146.425 |
[editar] Povoamento
[editar] Colonização
A teoria mais aceita é de que o Brasil, assim como todo o continente americano, foi povoado por povos nômades asiáticos que estravessaram o Estreito de Bering, ligação entre a Sibéria e o Alaska, há 15 mil anos. Todavia, após o achado do crânio pré-histórico de Luzia, em Minas Gerais, descobriu-se que se tratava de uma mulher com fisionomia negróide, semelhante aos povos subsaarianos e aos aborígenes australianos atuais. Concluiu-se que houve dois tipos de migração para a região: a mongolóide e a negróide. Porém, apenas os de origem asiática sobreviveram, antepassados dos índios.[5]
O Sudeste do Brasil foi palco para a fundação da primeira vila portuguesa a ser edificada no Novo Mundo, sendo ela São Vicente, fundada por Martim Afonso de Sousa, em 1532.[6] Os primeiros colonos, homens solteiros ou casados que deixaram em Portugal suas famílias, prontamente se mesclaram com as índias locais. A prática freqüente da poligamia, enraizada na cultura aborígene, foi adotada pelos portugueses. Preocupados com a conduta fora dos padrões dos colonos, não só em São Vicente, mas em toda a colônia, a Igreja Católica envia os jesuítas em 1549.[7] Baseada na plantação de cana-de-açúcar, a capitania de São Vicente é uma das poucas a obter sucesso. Em 1565, Mem de Sá fundou a vila do Rio de Janeiro. Os índios foram escravizados, porém, em 1595, por pressões da Igreja, foi proibida a escravidão nativa. Começou-se, então, a ensaiar a entrada de escravos africanos.
Os colonos, já bastante miscigenados com os índios, levavam uma vida fora dos padrões metropolitanos. A forte influência da cultura indígena e a força cada vez menor da Igreja na vida dos habitantes dessa região levaram à criação de uma identidade nativa e um certo sentimento anti-português na região de São Paulo. A Coroa Portuguesa não conseguia mais controlar os colonos. Considerados "rudes e selvagens", os paulistas de sangue europeu ou mestiço não mais falavam o português, mas a língua geral, idioma extinto de base tupi-guarani.
No início do século XVII que surge as bandeiras: a decadência da produção açucareira e a proibição da escravidão indígena levam os colonos a se organizarem e formar enormes expedições que cruzaram o interior do Brasil. Tais expedições podiam contar com quase mil homens: alguns brancos, seguidos por centenas de índios e mamelucos em busca de indígenas para serem escravizados. É destacável que os bandeirantes, mesmo aqueles de origem indígena, atacavam as tribos índias e as reduções jesuíticas com grande violência e crueldade. Estima-se que 300 mil índios foram escravizados em um período de menos de um século. Aqueles que não aceitaram o escravagismo, foram exterminados[8][9]
Com o desaparecimento das população indígenas, as bandeiras ganharam um novo intuito: o achamento de pedras preciosas. Desde o início da colonização os colonos almejavam encontrá-las. Tal fato apenas se sucedeu em 1680, quando o bandeirante Borba Gato encontrou as primeiras jazigas de ouro na atual Minas Gerais[10]. A exploração da região se deu com a chegada de novas bandeiras. A população brasileira, antes concentrada no litoral, passou a se interiorizar. As notícias do achado de pedras preciosas levou à uma corrida para a região aurífera de milhares de pessoas. É neste momento que se dá a fundação de vilas ao redor das áreas mineradoras: Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, etc. Em Portugal, milhares de pessoas abandonaram o País para tentar se enriquecer nas Minas Gerais: entre 1701 e 1760 imigraram 600 mil portugueses.[11] Do Nordeste, legiões de luso-brasileiros largaram os já decadentes engenhos de cana e rumaram para o interior. A chegada dos forasteiros gerou no conflito chamado Guerra dos Emboabas. Os paulistas, descobridores das minas acabaram perdendo o seu monopólio para os recém-chegados. Enriquecidos, os mineradores trouxeram para a região centenas de milhares de africanos. No auge da mineração, 958 mil negros foram trazidos da África para o Brasil. O escravo de Angola predominou dentro da área mineradora.[12]
A mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro concretizou a ocupação do Sudeste brasileiro. Em 1808, a região ainda foi palco para a instalação da família real portuguesa: fugidos de Napoleão, toda a corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro, algo em torno de 15 mil pessoas.[13] A expansão da colheita de café pelo interior após 1830, acarreta na chegada de um enorme contingente de escravos: um milhão e 300 mil num período de apenas trinta anos, vindos de Angola e Moçambique.[14] No início do século XIX o Rio de Janeiro, devido à sua maioria negra e escrava, era visto como uma "cidade africana".[15]
[editar] Imigrantes
A presença dos imigrantes na região Sudeste foi de fundamental importância para o seu povoamento. O primeiro grupo organizado de imigrantes trazido ao Brasil para o povoamento foram suíços. Entre 1819 e 1820, chegaram ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, totalizando 1.686 imigrantes. Fundaram a cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Grupos de alemães seriam assentados na mesma região em 1824. No interior do Espírito Santo chegaram famílias alemãs em 1847. Em 1857 novos grupos foram enviados para as serras capixabas. No ano seguinte, começaram a chegar os pomeranos, etnia esta que passou a predominar entre os colonos alemães.[16] No estado do Rio de Janeiro, os alemães ocuparam também as regiões serranas, ao redor de Petrópolis.
Desvinculada da imigração germânica, que estava voltada para a ocupação, a partir de 1880 a região foi "inundada" por imigrantes atraídos pelos senhores do café para que trabalhassem em suas propriedades. O fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz, 1850) e a Lei Áurea (1888), que deu fim à escravatura, contribuíram para a crescente falta de mão-de-obra nos cafezais. Ao mesmo tempo, surgiu no Oeste Paulista uma nova elite de origem burguesa que defendia o trabalho assalariado. Os imigrantes europeus, italianos em sua vasta maioria, foram atraídos para o sul de Minas Gerais, interior do Espírito Santo e para o Oeste Paulista. Para receber os imigrantes foram construídos prédios como a Hospedaria de Imigrantes. Entre 1882 e 1978 passaram mais de 60 nacionalidades e etnias pela hospedaria, num total de 2,5 milhões de pessoas. Num período de apenas nove anos (1882-1891), passaram pela Hospedaria 263.196 imigrantes, dos quais 202.503 eram italianos[17]. A presença do imigrante europeu urbano sudestino também foi notável: em 1900, 81% dos operários fabris de São Paulo eram italianos.[18]
A presença de diversas comunidades de imigrantes traria um enriquecimento étnico-cultural de valor inestimável. Os portugueses foram o grupo predominante no Rio de Janeiro: em 1916, moravam na cidade 133.393 portugueses, em torno de 16% da sua população.[19] A presença de imigrantes espanhóis, galegos e andaluzes sobretudo, de libaneses, de sírios e de japoneses acarretou no surgimento de um melting pot no Sudeste brasileiro.[20]
Os estados mais influenciados pela imigração européia foram São Paulo e Espírito Santo, sendo que no Espírito Santo, os imigrantes italianos compõem aproximadamente 70% da população do estado, já bastante miscigenados com outras etnias.
[editar] Migrantes
Na história da migração no Brasil, destaca-se a migração nordestina. Devido ao auge da industrialização, entre as décadas de 60 e 80, a migração nordestina para a região Sudeste, em especial ao estado de São Paulo, foi intensa. São Paulo se torna a "terra das oportunidades". Devido principalmente ao problema da exploração social e do trabalho na economia rural nordestina, relacionada com e eventualmente justificada pela seca, somados com a grande oferta de empregos de outras regiões principalmente nas décadas de 60, 70 e 80, em especial na região Sudeste, verificou-se um pronunciado fluxo migratório de parte da população nordestina para outras regiões do país.
Atualmente assiste-se à "migração de retorno": no ano de 2000, saíram do estado de São Paulo de volta para o Nordeste 457 mil pessoas, enquanto outras 400 mil fizeram o caminho inverso.[21]
[editar] Raça e origem étnica
| Cor / Raça (Sudeste do Brasil) (2006)[22] | |
|---|---|
| Brancos | 58,8% |
| Pardos | 32,5% |
| Pretos | 7,7% |
| Amarelos ou Indígenas | 1,0% |
[editar] Economia
A economia do Sudeste é muito forte e diversificada. Os setores apresentam muito desenvolvimento e muita diversificação. A Região Sudeste pertence a maior região geoeconômica do país, em termos de economia.
[editar] Agricultura
O setor agropecuário apresenta-se muito desenvolvido e extremamente diversificado. A existência de um setor agrícola forte nessa região deve-se à existência de vastos solos férteis (a terra roxa). Embora o café tenha sido a força econômica pioneira da ocupação do estado de São Paulo e de seu grande desenvolvimento econômico, o seu cultivo tem se reduzido cada vez mais (sendo atualmente a principal área produtora a região do sul de Minas) e, atualmente intercala-se com outras culturas ou foi inteiramente substituído.
Destacam-se, na produção agrícola regional, a cana-de-açúcar, a soja e a laranja. O Sudeste é responsável pela maior parte da produção de cana-de-açúcar do país, concentrada na Baixada Fluminense, na Zona da Mata mineira e no estado de São Paulo (50% do total nacional). Já o cultivo da soja apresenta crescente avanço, pois é largamente utilizada na indústria de óleos e de rações para animais, sendo uma grande parte exportada. Em sua maior parte destinada à industrialização e exportação de suco, a produção de laranjas é realizada principalmente no estado de São Paulo, que responde por 80% do total nacional. Também são produtos de destaque na agricultura do Sudeste, o algodão, o milho, o arroz, a mamona e o amendoim, entre outros.
[editar] Pecuária
A pecuária também tem grande destaque na região, sendo o seu rebanho bovino o segundo maior do país. A grande produção de carne bovina (pecuária de corte) e suína permite a instalação e o desenvolvimento de frigoríficos e indústrias de laticínios (pecuária leiteira). A criação de aves (avicultura) e a produção de ovos são as maiores do país (aproximadamente 40% do total nacional), concentrando-se no estado de São Paulo.
[editar] Indústria
Na Região Sudeste, iniciou-se a industrialização do País, tornando-se a indústria de transformação a principal divisa(dinheiro)e trabalho nos seus Estados. O Estado de São Paulo tornou-se o maior parque industrial da América do Sul.
As principais atividades industriais da região são:
- Siderurgia e metalurgia: É nessa região que está localizada a primeira indústria do gênero, a CSN, na cidade de Volta Redonda, devido a proximidade com uma grande área mineralífera, o quadrilátero ferrífero, no estado de Minas Gerais. Também está instalada na região a Usiminas, em Ipatinga, que hoje é a maior produtora de aço bruto do país, e a Companhia Siderúrgica de Tubarão, Vitória, a 3º maior siderúrgica do Brasil.
- Petrolífera: O petróleo é explorado em plataformas continentais localizadas sobretudo na bacia de campos, no Rio de Janeiro (que produz 80% do petróleo consumido no Brasil). O estado do Rio de Janeiro apresenta grande importância na prospecção de petróleo, enquanto que o estado de São Paulo apresenta uma grande importância na atividade de refino, estando localizado nesse estado as principais refinarias do país, dentre elas, a REPLAN (refinaria do planalto), de Paulínia, a maior do país. Além do petróleo, há a extração de gás natural da bacia de Santos e há até alguns anos atrás, havia a extração de betume no vale do Paraíba.
- Alta tecnologia: É nessa região que está localizado o "vale do Silício" brasileiro, constituído pelas cidades de São Paulo, São José dos Campos, São Carlos e Campinas. Essas quatro cidades concentram indústrias de informática, telecomunicações, eletrônica e de outras atividades que envolvam alta tecnologia; além de possuírem importantes centros de pesquisa e importantes universidades, como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos.
[editar] Transportes
Por concentrar a metade da população brasileira e as cidades mais industrializadas e bem desenvolvidas do país, a Região Sudeste é a que apresenta a mais alta taxa de urbanização e a melhor infra-estrutura de transportes do Brasil.
Sua rede ferroviária, que se desenvolveu principalmente em função da expansão do café, representa praticamente a metade de todas as estradas de ferro do Brasil. O Sudeste conta ainda com cerca de 35% das rodovias, concentradas principalmente no estado de São Paulo e Minas Gerais. Algumas delas — Rodovia dos Imigrantes, Rodovia Castelo Branco e outras — são comparáveis às melhores e mais seguras da América do Sul e das Américas.
Nos últimos anos, entretanto, o decréscimo dos investimentos governamentais não tem permitido a ampliação da rede rodoferroviária e tem prejudicado a manutenção da já existente.
O desenvolvimento industrial da região, associando a uma política francamente exportadora do governo federal, funcionou como alavanca da grande expansão portuária do Sudeste, onde Santos e Rio de Janeiro se projetam como os portos de maior movimento do país.
A região é bem servida também por modernos e bem equipados aeroportos internacionais como Guarulhos, Congonhas , Galeão , Santos Dummont, Tancredo Neves(Confins) e Pampulha e por diversos aeroportos que atendem ao intenso tráfego aéreo doméstico e local. Por outro lado, a navegação fluvial é muito pouco explorada, embora haja trechos navegáveis em rios como o Tietê e o Paraná, para os quais há projetos de criação de uma hidrovia.
Encontra-se também na região Sudeste, o único trem de passageiros que liga diariamente duas capitais do Brasil, pela Estrada de Ferro Vitória-Minas, ligando Vitória a Belo Horizonte.
[editar] Energia
Por estar concentrada quase metade da população nacional, além de estar concentrado o maior e mais diversificado parque industrial do país e de concentrar um amplo sistema de transportes, a região necessita de bastante energia. A maior parte da energia consumida na região (assim como acontece no país) é produzida por usinas hidrelétricas, como Furnas, Ilha Solteira, Três Marias, Marimbondo, Jupiá e outras; aproveitando-se do relevo acidentado e da presença de rios caudalosos.
Uma parte pequena da energia produzido na região vem das usinas termonucleares Angra I e Angra II.
[editar] Turismo
Uma outra atividade econômica importante na região é o turismo. É nessa região que se localizam vários dos pontos turísticos mais visitados do país. O Rio de Janeiro é mundialmente conhecido por suas belas praias e o carnaval. São Paulo é o centro financeiro do Brasil com diversos centros culturais e de entretenimento. Em Minas Gerais localizam-se as mais importantes cidades históricas do Brasil, como Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina. O Espírito Santo atrai milhares de turistas todos os anos devido à suas praias e as regiões de montanhas.
[editar] Cultura
A cultura da Região Sudeste é, basicamente, de origem portuguesa. As diversas colônias de imigrantes, com destaque para os italianos e japoneses, também têm forte influência. A influência indígena e africana são marcadas na música e na culinária da região.
[editar] Artes
As festas típicas da região são marcadas pela influência africana, como as congadas, a festa do Divino Espírito Santo, reisados, lundus, sambas etc. Além disso, a cultura caipira é muito presente no interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
[editar] Culinária
A culinária do Sudeste é muito rica e diversa, variando de estado para estado. No Rio de Janeiro a comida típica é a feijoada. Minas Gerais tem uma das cozinhas mais expressivas do país, incluindo pratos como o pão de queijo, tutu de feijão, feijão tropeiro, angu, etc. No Espírito Santo, o prato típico é a moqueca. São Paulo não possui uma cozinha típica, dado que cada comunidade de imigrantes manteve seus hábitos alimentares, muito embora a influência italiana seja predominante. O prato mais consumido em São P