Regimento de Polícia Montada (PMPR)

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Regimento de Polícia Montada
RPMont - PMPR 0001.JPG
Curso de Formação de Soldados - APMG.
País  Brasil
Estado  Paraná
Corporação Bandeira PMPR.png PMPR
Subordinação 1º Comando Regional
Missão Policiamento montado e de choque
Denominação Coronel Candido Dulcídio Pereira
Sigla RPMon
Criação 1890
Insígnias
Antigo brasão
do RPMon
(década de
1970 e 1980)
PMPR RCD.PNG
Brasão atual
PMPR RPMont.PNG
Comando
Comandante Tenente-coronel Lorival da Cunha Sobrinho[1]
Sede
Sede Curitiba
Bairro Tarumã
Endereço Rua Konrad Adnauer, 1166

O Regimento de Polícia Montada (RPMon) é uma Organização Policial Militar (OPM) especializada em policiamento montado, da Polícia Militar do Paraná.

História[editar | editar código-fonte]

Império[editar | editar código-fonte]

Na Lei de criação da PMPR[2] já se previa a constituição de uma seção de cavalaria.[3] Composta por dez soldados e dois cabos, comandados por um segundo sargento. A Lei Provincial n° 61, de 26 de março de 1861, aumentou o efetivo para um alferes, um sargento, dois cabos e dezesseis soldados.

Em 1866 foram adquiridos três animais, mas não foram comprados os arreios. Tudo não passou de projeto, pois não havia condições financeiras para manter a estrutura. Quando necessário, o Presidente da Província recorria à Guarda Nacional e ao Exército.

Em 1879 foram comprados seis cavalos para diligências policiais. E embora esses animais tenham sido vendidos em 1882, esse foi o primeiro núcleo efetivo de policiamento montado na PMPR.

República[editar | editar código-fonte]

Com Proclamação da República e a consequente mudança da Constituição Federal, ficou vetado o emprego de tropas federais pelos Estados; sendo somente então verdadeiramente estruturada uma tropa de cavalaria.[4]

A primordial missão da cavalaria era a escolta ao Presidente do Estado, em todos seus deslocamentos; o patrulhamento noturno do palácio do governo e da residência das principais autoridades; servindo ainda como tropa de choque em situações críticas, e realizando diligências ao interior do Estado. Por esse motivo, o regulamento prescrevia que seu efetivo não podia ser usado em destacamentos fora da Capital.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Com o fim do Estado Novo foi dado um novo direcionamento para as polícias militares; passando a cavalaria a denominar-se polícia montada.

Desdobramento da Unidade:

Escola de Equitação Willy Boy. Homenagem ao solípede, alazão n° 19, que venceu diversas competições hípicas pelo RPMon em 1978.
Policiamento montado na cidade de Curitiba.
Operações de Choque, Controle de Distúrbios Civis e Reintegrações de Posse.
  • 2° Esquadrão de Polícia Montada
Policiamento montado na cidade de Curitiba;
Escolta com lanceiros.
  • 3° Esquadrão de Polícia Montada (Esquadrão Escola)
Responsável pela formação e especialização de policiais militares de tropa hipo;
Formação e preparação dos eqüinos para todas as atividades do RPMon;
Escola de Equitação (Representação Desportiva);
Escola de Volteio (Apresentações Artísticas), Banda de Clarins, Equoterapia e Projeto Formando Cidadão.
  • 4° Esquadrão de Polícia Montada
Integra o Comando dos (eventuais) destacamentos no Interior do Estado, e de Parques Turísticos; tais como:
Haras Tamandaré (Parque Hípico dos Lagos); Haras Palmital; Parque dos Tropeiros; Parque da Ciência (antigo Parque Castelo Branco); Pelotão Montado de Londrina; Pelotão Montado de Cascavel; Pelotão Montado do Presídio Central do Estado.

Missão[editar | editar código-fonte]

Coronel Dulcídio, Lapa, 1893/4.
  • Executar o policiamento montado nos locais de acesso restrito, em parques públicos, e em locais de grande movimentação de pessoas; suplementando a atuação das demais Unidades Operacionais de Área (UOp).
  • Por sua natureza especial, é empregado no policiamento externo de futebol, shows, carnaval, eleições, comícios, passeatas, carreatas, parques de exposição, festivais musicais e folclóricos.
  • Realiza policiamento especializado em representações solenes, e escolta de lanceiros para dignitários.
  • Extraordinariamente, pode ser empregado em situações de distúrbios civis, reintegrações de posse e calamidades públicas.

Denominação[editar | editar código-fonte]

Desde 1890, exceto nos períodos de conflito, a Unidade sempre foi classificada como esquadrão. Em 1955[5] passou a denominar-se como Corpo de Polícia Montada, composto por dois esquadrões convencionais, um esquadrão de metralhadoras (com dois pelotões), e uma banda de clarins. Em 1968[6] passou a chamar-se Regimento de Polícia Montada, com a denominação de Coronel Candido Dulcídio Pereira, homenagem ao comandante do Regimento de Segurança morto em combate em 1894, na Revolução Federalista.

Cavalaria & Polícia Montada[editar | editar código-fonte]

O termo cavalaria tem origem na palavra sânscrita akva, cuja acepção é “combater em vantagem”. Inicialmente se referia ao emprego de arqueiros em plataformas sobre elefantes, que posteriormente se estendeu ao uso de camelos e cavalos. Os romanos designavam o animal para combate, como caballus, corruptela de akva; diferenciando-o de equus, o animal para tarefas gerais.

Policiamento de choque - 2010.

No português a palavra cavalo acabou tornando-se a designação genérica do animal macho, enquanto equus, da fêmea; levando muitas pessoas a pensar que cavalaria designa o coletivo de cavalo.

Porém, isso normalmente não ocorre em outros idiomas:

Idioma
Animal
Arma
Inglês
horse
cavalry
Francês
cheval
cavalerie
Alemão
pferd
kavallerie
Polonês
koń
kawaleria
  • A palavra cavalaria[7] designa a Arma de guerra, cujas principais características se constituem na flexibilidade, capacidade de manobra, ação de choque, e potência de fogo. Sua missão é realizar o reconhecimento e buscar o contato com o inimigo, precedendo as demais Armas; prover a segurança dos movimentos; e executar manobras envolventes e profundas, procurando o embate de forças. Desde a Segunda Guerra Mundial, a cavalaria passou a ser constituída por veículos blindados; e na Guerra do Vietnam, o exército americano criou a primeira Unidade de Cavalaria com helicópteros.
  • O termo polícia montada designa explicitamente isso: policiais montados. Não necessariamente a cavalo, pois a Polícia Militar do Estado do Pará realiza policiamento montado com búfalos. Em todos os exércitos já existiu infantaria montada, artilharia montada, etc.. Ou seja, o cavalo usado como mero meio de locomoção. Porém, é importante ressaltar que a polícia montada, em determinadas situações, pode também constituir-se em Arma de cavalaria.

Invernada[editar | editar código-fonte]

No jargão militar, invernada é um local, normalmente distante dos centros urbanos, utilizado para a criação, doma e recuperação de cavalos e muares (em desuso).

No período do Império, em 1879, os poucos animais eram mantidos em um terreno próximo ao quartel (atual Praça Carlos Gomes).

E após a Proclamação da República foi aumentado o efetivo da corporação e adquirido um maior número de cavalos;[8] os quais passaram a ocupar as pastagens do 6º Regimento de Cavalaria do Exército. Em 1896 os animais foram transferidos para o hipódromo do Guabirotuba, região atualmente conhecida como Prado Velho. Entre 1900 e 1909 os animais foram instalados em diferentes terrenos, no Pilarzinho e no Bacacheri (no Instituto Agronômico de Curitiba). Em 1909 foi arrendado um amplo terreno da família Parolin, então conhecido como "campo dos burros" (atual Bairro do Parolin). Nesse local, atualmente instalado o Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, também foi construído o primeiro estande de tiro da corporação, em 1910. A partir de 1913 foram utilizados diversos locais como invernada: Campo Comprido (1913), Bairro Alto (1915), Pinhais (1922), Tatuquara (1933), Tindiquera (1934) e Barigui (1937).[9]

Em 1947 a invernada foi instalada em Piraquara, nas proximidades da Colônia Penal Agrícola; onde permanece até os dias atuais.

Centro de Desenvolvimento e Pesquisas[editar | editar código-fonte]

O Centro de Desenvolvimento e Pesquisas Soldado Josué Cipriano Diniz foi criado em 22 de Outubro de 2004, e está filiado à Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE); sendo seus integrantes policiais militares, profissionais com as seguintes especializações: fisioterapeuta, instrutor de equitação, hipoterapia e a equitação terapêutica. Para ingresso no Centro é obrigatória a indicação médica, avaliação do fisioterapeuta policial militar, além da aceitação das regras do Centro; o qual possui regulamento que normatiza todas as questões que envolvem os profissionais, o tratamento, o praticante e seus responsáveis.[10]

Equoterapia[editar | editar código-fonte]

Na PMPR a equoterapia se iniciou em 1996, quando o RPMon começou a atender os primeiros praticantes. Atualmente ela é exercida pelo Centro de Desenvolvimento e Pesquisas Soldado Josué Cipriano Diniz. A equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação; buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e/ou necessidades especiais.

Situações em que a equoterapia apresenta benefícios:

Viatura de transporte e policiamento montado.

Metas da equoterapia:

  • A meta terapêutica é chegar ao máximo de função com o mínimo de patologia.
  • A meta funcional motora da equoterapia é: desenvolver no praticante capacidades funcionais que permitam chegar a fases tão altas de desempenho motor como a fase do esporte equestre.

Objetivos da equoterapia:

  • Desenvolver a flexidez do praticante pelo estímulo à via dos substratos do controle motor local;
  • Desenvolver o equilíbrio do praticante pelo estímulo aos substratos de controle motor postural, reações de ajuste, de defesa e de endireitamento corporal;
  • Aperfeiçoar o assento do praticante pelo estímulo do controle motor global. Nesta fase o praticante aprefeiçoa e aplica o feedback/feedforward adquiridos, que permite manter-se equilibrado, fixo à sela, unir-se coordenada e harmoniosamente aos movimentos do cavalo, desenvolvendo com o animal um conjunto biomecânico melodioso.

Centro Veterinário da Polícia Militar[editar | editar código-fonte]

O Centro Veterinário da Polícia Militar (CVPM) tem sua sede no Regimento de Polícia Montada, e dá atendimento aos equinos e caninos lotados na corporação. O primeiro veterinário da PMPR foi o Dr. Constantino Stropa, contratado em 1893. Em 1901 foi oficializado o posto de alferes-veterinário; entretanto, somente em 21 de março de 1908 é que foi efetivado o Alferes Theodor Stock.[11] O Serviço Veterinário foi instituído em 1917.[12] E a atual denominação de Centro Veterinário da Polícia Militar (CVPM) foi oficializada pela Lei de Organização Básica (LOB), de janeiro de 1976.[13]

Centro Veterinário do RPMon - 2010.

Estrutura do CVPM

Observação: Os animais a serviço da corporação são regidos por legislação própria, sendo considerados servidores do Estado. Após um período pré-determinado são aposentados por tempo de serviço. Os equinos são soltos numa invernada (local de recuperação, doma e reprodução), onde recebem tratamento e alimentação. Os cães são doados a seus treinadores.

Banda de Clarins da Polícia Montada[editar | editar código-fonte]

Por tradição, ao contrário da infantaria que usa cornetas, a "voz" da cavalaria é o clarin. A Banda de Clarins do Regimento de Polícia Montada da PMPR foi oficialmente organizada em 1947, no comando do Coronel Luiz José dos Santos. Seu primeiro chefe foi o Tenente Victor Gonçalves dos Santos; integrada por seis soldados músicos.[9]

Hipismo[editar | editar código-fonte]

No Paraná o hipismo se iniciou na Força Militar do Estado, então denominação da Polícia Militar do Paraná.[9] E a primeira tentativa aconteceu em 1912, por iniciativa do deputado estadual Alfredo Romário Martins. Entretanto ela foi frustrada pela eclosão da Guerra do Contestado (1912 a 1916).

O hipismo somente se iniciou em 1920, pelo empenho do tenente Dagoberto Dulcídio Pereira. E em 14 de janeiro de 1921 foi inaugurado o picadeiro (pista de treinamento) da corporação. E após um longo período conturbado por diversas revoltas e revoluções (Revolta de 1924 e revoluções de 1930 e 1932), em janeiro de 1940 foi criada a Escola de Equitação; idealizada pelo tenente-coronel Waldemar Kost (também aviador da PMPR).

Pista de Equitação do RPMon.

Em 1944 foi construída a pista de obstáculos, no comando do coronel Alfredo Ferreira da Costa; instalada em dois lotes adquiridos pelo Estado (área do recentemente extinto Centro de Suprimento e Manutenção - CSM). Antes disso eram utilizadas as pistas do Exército e do Circulo Militar do Paraná. Em 1948 a Escola de Equitação foi desativada. E em 1952 foi criado o Centro Hípico, sob direção do coronel Dagoberto Dulcídio Pereira; filiado à Federação Paranaense de Hipismo.

Em 1957 o hipismo na PMPR cessou suas atividades devido a Revolta do Sudoeste, também conhecida como Revolta dos Colonos. E em 1959 o esporte foi reativado no Clube dos Oficiais da PMPR.[9]

Atualmente as atividades hípicas estão vinculadas ao Regimento de Polícia Montada.

Columbofilia[editar | editar código-fonte]

O Núcleo de Columbofilia se iniciou em 03 de junho de 1940, pela doação de dez pombos-correio da Força Pública de São Paulo; passando o pombal a fazer parte do Esquadrão de Cavalaria. Em 04 de junho se iniciou o primeiro Curso Especial de Columbofilia, sob a direção do 2º Tenente João Alencar Guimarães Filho e do 3º Sargento Salvador Aluízio Neto (especialista em columbofilia da PMESP).[9]

Em 07 de setembro de 1960 a columbofilia foi extinta no Exército.[14] Entretanto na PMPR o pombal foi mantido até a década de 1980, quando então foi também desativado na corporação.

Galeria de imagens do RPMon[editar | editar código-fonte]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Regimento de Polícia Montada (PMPR)
  1. Página oficial da PMPR - RPMon comemora 133 anos.
  2. Lei n° 07, de 10 de agosto de 1854.
  3. Pela estrutura e forma de emprego do efetivo e do armamento, o termo correto seria caçadores a cavalo.
  4. Decreto n° 94, de 28 de junho de 1890.
  5. Lei 1.612, de 05 de janeiro de 1955.
  6. Lei n° 5.797, de 24 de junho de 1968.
  7. Noticiário do Exército n° 10.072, de 10 de maio de 2003.
  8. Registram-se nas Ordens do Dia da época que foram incluídos quarenta cavalos em 20 de janeiro de 1891.
  9. a b c d e Histórico da Polícia Militar do Paraná, do Capitão João Alves da Rosa Filho.
  10. Ligação externa para a página de Equoterapia da PMPR.
  11. Reportagem do Jornal A Gazeta do Povo, de 20 de Março de 1989.
  12. Decreto estadual 473, de 09 de Junho de 1917.
  13. Lei nº 6.774, de 8 de janeiro de 1976 - Lei de Organização Básica da PMPR.
  14. Brigada de Operações Especiais estuda a possibilidade de uso da ave como ação estratégica.