Reinaldo Azevedo
| Reinaldo Azevedo | |
|---|---|
| Nome completo | José Reinaldo Azevedo e Silva |
| Conhecido(a) por | Tio Rei |
| Nascimento | 19 de agosto de 1961 (50 anos) Dois Córregos |
| Residência | São Paulo, SP |
| Nacionalidade | |
| Cônjuge | Dona Reinalda (apelido) |
| Filho(s) | 2 filhas, as reinaldinhas |
| Ocupação | jornalista |
| Principais trabalhos | Contra o Consenso, O País dos Petralhas e Máximas de Um País Mínimo |
| Religião | católico |
| Página oficial | http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ |
José Reinaldo Azevedo e Silva (Dois Córregos, 19 de agosto de 1961) é um colunista e jornalista[1] brasileiro. Foi redator-chefe das revistas Primeira Leitura[2] e Bravo!, editor-adjunto de política da Folha de S. Paulo, coordenador de política da sucursal de Brasília do mesmo jornal e redator-chefe do jornal Diário do Grande ABC, de Santo André, entre 1991 e 1993. Hoje, é articulista da revista Veja e mantém um blog hospedado no site da revista com cerca de 150.000 acessos diários.[3] Pelo Twitter é seguido por mais de 33 mil pessoas. [4]
Índice |
Biografia
Azevedo formou-se em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e frequentou o curso de Letras na Universidade de São Paulo (USP). Foi trotskista nos tempos da ditadura militar no Brasil. [1] É mencionado entre os militantes da Libelu - Liberdade e Luta. Participou da militância esquerdista na clandestinidade. "Eu tinha 14 anos, em 1975, e era dono de uma certa inquietude política. Não havia nada de propriamente ideológico. Era inconformismo"[1].
Adulto, tornou-se um crítico do comunismo e das idéias socialistas. Defende o respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito: "O direito só pode ser achado na lei, não na rua"[5]. Não simpatizando com Lula e seus partidários; é autor de uma frase célebre sobre o assunto: "Tudo o que é bom para o PT é ruim para o Brasil".[6]
Embora tenha sido crítico ao governo Lula, e atualmente o seja ao governo Dilma, Reinaldo Azevedo afirma que já na Primeira Leitura adotava uma postura crítica em relação a governos em geral, inclusive em relação ao governo FHC: "Eu ataco este governo [Lula] como ataquei o outro [FHC], o problema é que o outro aceitava ser atacado, e este não aceita ser atacado porque acha que faz tudo certo."[7] "O combate mais duro a um texto de um acadêmico que previa o fim do mundo se Lula fosse eleito se deu no site Primeira Leitura".[2] "De resto, se somos bastante críticos, e somos mesmo, reivindico para Primeira Leitura a publicação das melhores entrevistas até hoje concedidas à mídia nacional por gente como Antonio Palocci (ministro da Fazenda), Marcos Lisboa (secretário de Política Econômica), Tarso Genro (ministro da Educação) ou Luiz Fernando Furlan (ministro do Desenvolvimento), dentre outros. Em agosto de 2001, fizemos uma entrevista histórica com José Dirceu, hoje ministro-chefe da Casa Civil. Ali anunciávamos que o PT viria para ganhar."[2].
Se diz católico, porém discorda da Igreja quanto à adoção de crianças por homossexuais[8] [9] e o celibato sacerdotal obrigatório[10]. Concorda com a Igreja na condenação do aborto e da destruição de embriões humanos. Se opõe à teologia da libertação, que apelida de "escatologia da libertação". [11] É a favor da união civil de homossexuais[9].
Em seus textos, Azevedo se posiciona contra toda imprensa estatal [carece de fontes], apoiando a mais completa liberdade de expressão. Conforme declarou em entrevista a Cristina Camargo, do Instituto Millenium, considera-se "conservador, em termos americanos ou europeus".[11][12] É a favor da Lei da anistia do Brasil, mas contra muitas indenizações concedidas a perseguidos políticos que, segundo ele, não lutaram pela democracia mas pelo comunismo. É contra a descriminação da maconha [13]; entende que a descriminação não resolve o problema da criminalidade [carece de fontes] e expressa ceticismo com relação às teorias do aquecimento global. Afirmou que a Universidade de São Paulo é "uma universidade relevante na área técnica e de pesquisa aplicada e um solene entulho na área de ciências humanas (…)".[14]
Em seu blog, Azevedo faz análises políticas mas também escreve sobre literatura, religião, economia e os assuntos mais diversos.
| “ | Ligado à revista Veja, este blog se tornou uma referência para a comunidade daqueles que não gostam do governo Lula, do PT e das idéias esquerdistas de modo geral. Tio Rei, como o autor se intitula, costuma discutir o noticiário político e assumir posições sobre quase tudo – das células-tronco à MP dos bancos. Pode-se discordar dele, mas é difícil ficar indiferente. | ” |
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— Revista Época[15],
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Em 2005, lançou o livro denominado Contra o Consenso – Ensaios e Resenhas (ISBN 8598490113), que reúne 43 ensaios e resenhas, originalmente publicados entre 1998 e 2005 nas revistas Bravo! e Primeira Leitura, e no site desta última . Em setembro de 2008 lançou o livro O país dos petralhas, (ISBN 8501082325). Perguntado, em entrevista concedida a Edney Silvestre na Globo News, em 3 de outubro de 2008, se esse seria um livro contra o PT, declarou que não, mas sim contra certos setores do PT, acrescentando que, na sua definição, "todo petralha é petista, mas nem todo petista é petralha".
Autobiografia
Em seu post de 24/11/2011 intitulado Meus heróis não morreram de overdose. Alguns dos meus amigos de infância é que morreram no narcotráfico! E foi uma escolha!, Reinaldo Azevedo resume fatos de sua vida e o porquê de certas escolhas suas.
Sabem os meus familiares, sabem os meus amigos próximos, alguns deles jornalistas (sim, os tenho, e queridos!), que fui muito pobre, muito mesmo! E nunca dei uma de coitadinho porque não pode haver poder mais discricionário e asqueroso do que o das vítimas — de quaisquer vítimas — se transformado em categoria de pensamento. A pobreza não existe nem para culpar nem para enobrecer ninguém.(...)Meu pai trocava molas de caminhão; minha mãe chegou a trabalhar como doméstica. Não me orgulho da profissão que tiveram. Orgulho-me das pessoas que eram — minha mãe, felizmente, viva, forte e ainda mais cheia de opiniões do que eu, hehe. Orgulho-me de seu caráter. Orgulho-me de seu senso de honra. Morei em dois cômodos de madeira até os 5 anos; depois, em dois cômodos de alvenaria até os 15. No fundo do terreno, corria um rio fétido. Nas chuvas, a água invadia a casa. O que isso me ensinou?(...)a cada vez que vi Lula tentando justificar algumas de suas escolhas equivocadas por causa de sua infância pobrezinha, meu estômago deu alguns corcovos. O Lula que mobilizou os consumidores, se querem saber, merece o meu respeito. O Lula que tenta fazer da pobreza uma cultura merece o meu solene desprezo.(...)Disse “não” muitas vezes — e não vai nisso heroísmo nenhum! Não fui o único. Sempre que leio textos de supostos especialistas a demonstrar como os pobres da periferia são vítimas passivas das circunstâncias, sou tentado a pegar um chicote. Porque essa gente não sabe O que nem DO que está falando.(...)A minha questão, desde sempre, tinha a ver com a democracia. Achava, e ainda acho, inaceitável que um governo possa decidir o que devemos pensar, o que devemos dizer, o que devemos calar. Nem governos nem milícias comuno-fascistas da USP ou de qualquer outro lugar.(...)Todos os dias, recebo centenas de comentários mais ou menos assim: “Você, que nunca andou de ônibus…”; “Você, que nunca andou de trem…”; “Você, que nasceu em berço de ouro…” Costumo ignorar porque tenho outra novidade para os delinqüentes encapuzados: a abastança pode ser tão opressora quanto a carência! Os que não sabem o que fazer dos benefícios que herdaram podem ter um destino tão ou mais duro do que os que não sabem o que fazer das carências que herdaram. O ponto, desde sempre, não é o que fizeram de você, mas o que você vai fazer do que fizeram de você(...)é claro que governos e políticas públicas têm de se ocupar da melhoria das condições de vida do povo. Com uma escola melhor, uma saúde melhor, uma segurança melhor, aumentam as chances de felicidade. Negá-lo seria uma estupidez. Chances de felicidade, no entanto, não são felicidade garantida. Na pobreza ou na abastança, o que quer que nos faça infelizes sempre está dentro de nós. E não há revolução que dê jeito."[16]
Controvérsias
Segundo Reinaldo Azevedo, muitos de seus textos seriam distorcidos pelos seus detratores: Meus textos são copiados, copidescados pela ideologia, fragmentados, distorcidos, retirados do contexto, mutilados. Uma verdadeira festa de celebração paranóide.(...)Até que não me atribuam o que eu não disse e não usem o meu nome para causas particularistas, que não são as minhas, meus textos estão no mundo.(...)A minha praia é a liberdade.[17]
Na visão do blogueiro e jornalista Luís Nassif (criticado por Azevedo em função de seu partidarismo e defesa do governo Lula[18]), Azevedo seria a cara da Veja como síntese do exemplo mais acabado do processo de deterioração moral e editorial que tomou conta da revista.[19]
Obras
- Contra o Consenso - Ensaios e Críticas (2005, Editora Barracuda, São Paulo, 256 pp.) - Crítica Literária. Reúne 43 textos, dos melhores ensaios e resenhas do jornalista Reinaldo Azevedo publicados entre maio de 1998 e março 2005 na revista Bravo! e nas versões impressa e online do Primeira Leitura, cronologicamente organizados, se dividem em Só Letras, Um Pouco de Cinema e tratam, respectivamente, de literatura, cinema e política e sociedade. O autor recupera o valor da ignorada prosa de Ariano Suassuna, enaltece a genialidade de Graciliano Ramos, relativiza a unanimidade em torno de Carlos Drummond de Andrade e de Guimarães Rosa, esvazia a crescente adoração a Michael Moore, debocha do provincianismo do ambiente acadêmico e aponta a miséria do jornalismo.[20]
- O País dos Petralhas (2008, Ed. Record, 337 pp.) - Best-seller, este livro apresenta uma crítica à sociedade brasileira, principalmente ao governo petista dos anos Lula.
- Máximas de Um País Mínimo (2009, Ed. Record, 200 pp.) - Compilação de frases sobre os mais diversos assuntos, cultura, literatura, ecologia, política, economia, história, religião, filosofia, que compõem a agenda brasileira. Do aquecimento global até Wilson Simonal. Da análise sintática à reforma ortográfica.
Referências
- ↑ a b c A pedido de várias famílias. Revista Atlântico (2008-01-18). Arquivado do original [ligação inativa] em 2008-10-26.
- ↑ a b c MAGALHÃES, Luiz Antonio. Jornalistas no timão do Primeira Leitura. Entrevista com Reinaldo Azevedo. São Paulo, Feitos & Desfeitas, Observatório da Imprensa, 19 de outubro de 2004
- ↑ De perros y hombres. Juan Arias, correspondente do El País no Brasil.
- ↑ Reinaldo Azevedo
- ↑ AZEVEDO, Reinaldo. O DIREITO SÓ PODE SER ACHADO NA LEI Revista Veja, Edição 2075.
- ↑ AZEVEDO, Reinaldo. O país dos petralhas São Paulo: Editora Record, 2008.
- ↑ Jornalista Reinaldo Azevedo no Programa do JÔ.
- ↑ Reinaldo Azevedo (2010-04-28). Não sou uma gaveta para guardar badulaques do suposto conservadorismo. Conservadores respeitam indivíduos.
- ↑ a b Reinaldo Azevedo (2011-06-27). Tolerante sou eu!!!.
- ↑ Reinaldo Azevedo (2007-10-28). O desastre do celibato: São Pedro tinha sogra!.
- ↑ a b CAMARGO, Cristina. Entrevista: Reinaldo Azevedo. São Paulo, Instituto Millenium, São Paulo, 15 de outubro de 2007
- ↑ Uma eleição sem direita na disputa é normal? (7 de agosto de 2010). Página visitada em 25 de agosto de 2010.
- ↑ Reinaldo Azevedo (2011-11-23). STF decide que é livre passeata em defesa de qualquer droga.
- ↑ Reinaldo Azevedo (2007-06-24). Os três tolos.
- ↑ Os 80 blogs que você não pode perder, revista Época.
- ↑ Meus heróis não morreram de overdose. Alguns dos meus amigos de infância é que morreram no narcotráfico! E foi uma escolha! site da revista Veja.
- ↑ Indivíduos de todo o mundo, uni-vos! São Paulo: Revista Primeira Leitura, 5 de maio de 2005.
- ↑ "O texto que Luiz Nassif fez de cócoras"
- ↑ Luís Nassif. A cara da Veja. Página visitada em 11 de maio de 2010.
- ↑ Editora Barracuda. Contra o Consenso. 2005. Página visitada em 22 de dezembre de 2011.