Reino de Ayutthaya

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
อาณาจักรอยุธยา

Reino de Ayutthaya

Blank.png
 
Blank.png
1351 – 1767 Blank.png

Bandeira de Ayutthaya

Bandeira

Continente Ásia
Região Sudeste Asiático
Capital Ayutthaya
Língua oficial Thai
Religião Budismo teravada, Hinduísmo, Catolicismo Romano, Islamismo
Governo Monarquia
Período histórico Idade Média e Renascença
 • 1351 O Rei Ramathibodi I sobe ao trono em Ayutthaya
 • 1468 União pessoal com o Reino de Sukhothai
 • 1564, 1569 Vassalo da Birmânia
 • 1584 Independência (emancipação de Ayutthaya da Birmânia)
 • 1629 Fim da Dinastia Sukhothai
 • 1767 Guerra Birmano-Siamesa (1765-1767)


O Reino de Ayutthaya (em tailandês: อาณาจักรอยุธยา) foi um antigo reino siamês fundado em 1351 que perdurou até a intervenção birmanesa em 1767. Foi fundado pelo povo Tai, que, expulso do sudoeste da China, se instalou na região próxima e adotou o budismo como religião.

Ayutthaya tinha uma política favorável ao comércio exterior, abrigando comerciantes chineses, vietnamitas (Anamitas), indianos, japoneses e persas, e posteriormente portugueses, espanhóis, neerlandeses e franceses. O Reino de Ayutthaya foi, durante um período, o mais poderoso do Sudeste Asiático, como descreveram alguns comerciantes estrangeiros. O corte do Rei Narai (1656-1688) tinha fortes ligações com o do rei Luís XIV da França, cujos embaixadores compararam a cidade, em tamanho e riqueza, com Paris.

Vassalos do reino incluía algumas cidades-estados na Península Malaia[1]

Ayutthaya tinha uma política expansionista em relação aos seus vizinhos, mas foi derrotado pela Birmânia em 1569. As tensões internas enfraqueceram o reino, e em 1767, a Birmania invadiu o sudeste asiático, o que significou o fim do Reino de Ayutthaya.

De acordo com contas no estrangeiro, Ayutthaya foi oficialmente conhecida como Sião, mas várias fontes dizem também que as pessoas a chamavam de Ayutthaya Tai, e seu reino Krung Tai ou 'o Reino dos Tais'.

Antes do domínio birmanês em 1767, os seus estados tributários do Reino do Sião incluiam os estados shan do norte do actual Myanmar, Chiang Mai, Yunnan e Shan Sri na China), Lan Xang de Laos, o reino Champa, e algumas cidades-estado da península da Malásia.[carece de fontes?] Em 1939 trocou de nome e passou a chamar-se Tailândia (ex-Sião).

Panorama histórico[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

O imenso Buda de bronze sentado de 19 metros de altura em Wat Phanan Choeng, de 1324, anterior à fundação da cidade em 1351

De acordo com a versão mais aceita, o estado siamês de Ayutthaya, no vale do rio Chao Phraya, nasceu dos reinos vizinhos de Lavo e Suphannaphoom (Suvarnabhumi). Uma fonte diz que, em meados do século XIV, devido à ameaça de uma epidemia, o rei U Thong transferiu sua corte para o sul da rica planície do Chao Phraya, em uma ilha cercada por rios, onde ficava a antiga cidade portuária de Ayothaya ou Ayothaya Si Raam Thep Nakhon, a cidade angelical de Sri Rama. A nova cidade ficou conhecida como Ayothaya, ou Krung Thep Dvaravadi Si Ayothaya. Mais tarde tornou-se conhecido como Ayutthaya, a Cidade Invencível.[2]

Outras fontes dizem que o Rei Uthong, um rico comerciante de origem chinesa de Phetchaburi, uma cidade costeira no sul, que mudou-se com procurar fortuna na cidade de Ayothaya. O nome da cidade indica a influência do Hinduísmo na região. Acredita-se que esta cidade está associada com o épico nacional tailandês Ramakien, que é uma versão do épico hindu Ramáiana.

Em poucos decênios, o reino de Ayutthaya se expandiu consideravelmente à custa do decadente império khmer do Camboja e do Reino de Sukhothai, que foram absorvidos pelo novo Estado. O império de Ayutthaya empregou novas técnicas de centralização do poder e herdou do Estado Khmer a visão do governante como um rei divinizado. O reino desenvolveu um extenso aparato burocrático, e a sociedade se hierarquizou rigidamente.

As guerras foram frequentes e o território dominado a partir de Ayutthaya alcançou limites próximos ao da atual Tailândia. No entanto, as fronteiras com os Estados vizinhos, devido às contínuas guerras e aos planos separatistas das províncias distantes, modificaram-se constantemente. Em 1569, os birmaneses transformaram Ayutthaya num Estado dependente. Quinze anos mais tarde, a independência do Sião foi restabelecida pelo príncipe Naresuan, considerado desde então um herói nacional na Tailândia.

Conquistas e expansão[editar | editar código-fonte]

Ruínas da antiga cidade Ayutthaya

Até o final do século, Ayutthaya foi considerada como a grande potência no continente Sudeste Asiático. Ayutthaya começou a sua hegemonia conquistando reinos do norte e cidades-estados como Sukhothai, Kamphaeng Phet e Phitsanulok. Antes do final do século XV, Ayutthaya lançou ataques em Angkor, a grande potência da região. A influência de Angkor eventualmente sumiu da Planície do rio Chao Phraya quando Ayutthaya tornou-se a nova grande potência.

No entanto, o reino de Ayutthaya não era um estado unificado, mas sim uma "colcha de retalhos" de principados autônomos e províncias afluentes que deviam lealdade ao rei de Ayutthaya sob O Círculo do Poder, ou sistema mandala, como alguns estudiosos sugeriram.[3] Estes principados podem ter sido governados por membros da família real de Ayutthaya, ou pelos governantes locais, que tinham seus próprios exércitos independentes, tendo o dever de ajudar a capital quando uma guerra ou invasão ocorresse. No entanto, era evidente que de vez em quando revoltas locais, liderados por príncipes e reis locais, aconteceram, obrigando Ayutthaya a reprimi-las.

Estátua de Buda deitado em Ayutthaya.

Devido à ausência de lei de sucessão e de um forte conceito de meritocracia, sempre que a sucessão estava na disputa, príncipes governantes ou poderosos dignitários, reivindicando os seus méritos, reuniam suas forças e se deslocavam à capital para pressionar os seus créditos, culminando em vários golpes sangrentos.[4]

A partir do século XV, Ayutthaya mostrou interesse na Península Malaia, onde o grande porto comercial de Malaca recorria suas reivindicações de soberania. Ayutthaya lançou várias conquistas abortivas em Malaca. Devido ao apoio militar da China Ming, Malaca foi diplomática e economicamente fortificada. No início do século XV, o almirante Ming Zheng He tinha estabelecido uma de suas bases de operação no porto da cidade, e por isso os chineses não podiam se dar ao luxo de perder uma posição tão estratégica para os siameses. Sob essa proteção, Malaca floresceu como um dos grandes inimigos de Ayutthaya, até à sua conquista em 1511 pelos portugueses.[5]

A partir de meados do século XVI, o reino foi alvo de repetidos ataques pela dinastia Taungû da Birmânia. Os birmaneses começaram as hostilidades com uma invasão em 1548, mas falharam. A segunda invasão birmanesa liderada pelo rei Bayinnaung forçou o rei Maha Chakkraphat se render em abril de 1564. A família real foi levado para Pegu, com o filho mais velho do rei, Mahinthrathirat, instalado como rei vassalo.[6] [7] Em 1568, Mahinthrathirat se revoltou quando seu pai conseguiu voltar de Pegu como um monge. A subsequente terceira invasão capturou Ayutthaya em 1569, e Bayinnaung fez de Maha Thammarachathirat um rei vassalo.[7] Nobres siameses, incluindo o príncipe Naresuan, foram levados ao Pegu.

Após a morte de Bayinnaung em 1581, Maha Thammarachathirat proclamou a independência de Ayutthaya, em 1584. Os siameses combateram repetidas invasões birmanesas, que acabaram quando o Rei Naresuan matou o aparente herdeiro da Birmânia, Mingyi Swa. Naresuan capturou da Birmânia a costa de Tenasserim (até Martaban) e Lan Na. O Norte de Tenasserim e Lan Na voltaram ao controle da Birmânia após a morte de Naresuan, mas depois de 1615, as invasões birmanesas pararam.[8] O reino tentou tomar o controle de Lan Na e do Norte de Tenasserim em 1662, mas falhou.[9]

O comércio exterior trouxe a Ayutthaya não apenas itens de luxo, mas também novas armas. Em meados do século XVII, durante o reinado do Rei Narai, Ayutthaya se tornou muito próspera.[10] Mas, no século XVIII, Ayutthaya foi perdendo o controle sobre suas províncias. Os governadores das províncias passaram a exerceram seu poder de forma independente, e rebeliões contra a capital começaram.

Em meados do século XVIII, Ayutthaya mais uma vez se envolveu em guerras com os birmaneses. A primeira invasão de Ayutthaya pela dinastia Konbaung da Birmânia falhou


Contactos com o ocidente[editar | editar código-fonte]

Mapa francês do Sião, de 1686

Em 1511 Ayutthaya recebeu uma missão diplomática portuguesa, enviada por Afonso de Albuquerque na sequência da conquista portuguesa de Malaca no início do ano, dado a influência que era então atribuída ao Reino do Sião sobre a península de Malaca. Duarte Fernandes foi o primeiro enviado à corte de Rama T'ibodi II, regressando com um enviado siamês e ofertas para o Rei de Portugal, seguindo-se-lhe António de Miranda de Azevedo, Duarte Coelho e Manuel Fragoso, que aí permaneceu dois anos preparando um documento sobre o reino do Sião, que enviou directamente para Portugal. Estes terão sido os primeiros europeus a visitar o reino. Cinco anos após os contactos iniciais, Ayutthaya e Portugal estabeleceram um tratado que garantia aos portugueses a permissão para comerciar no reino do Sião. As relações entre os dois reinos permaneceram informais até que em 1518 o Rei D. Manuel I enviou uma embaixada com ofertas e a proposta de formalização de um tratado de aliança comercial, política e militar, que incluia a possibilidade dos siameses comerciarem em Malaca.[11] Os comerciantes e missionários portugueses não exerceram, no entanto, grande influência sobre o país, situado fora das principais rotas portuguesas do Índico. A maioria de portugueses na Tailândia eram aventureiros que serviriam os exércitos reais como mercenários e que foram responsáveis pela adoção de algumas técnicas militares ocidentais nas operações militares tailandesas. Mais tarde, em 1592, seria estabelecido um tratado semelhante dando aos holandeses uma posição privilegiada no comércio de arroz.

Os estrangeiros eram cordialmente recebidos na corte de Narai (1657-1688), um governante com uma visão cosmopolita, embora reticente à influência externa. Foram estabelecidas importantes relações comerciais com os japoneses. No século XVII, comerciantes holandeses e britânicos começaram a fundar centros comerciais junto à capital e na península de Malaca. Mais tarde, chegaram os franceses, que se impuseram aos outros europeus e foram enviadas missões diplomáticas siamesas a Paris e a Haia. Ao manter todos estes laços a corte do Sião jogou habilmente com as rivalidades entre holandeses e ingleses e franceses, impedindo a influência excessiva de um único poder. Contudo em 1664 os holandeses forçam um tratado garantindo direitos territoriais e acesso comercial livre. Exortado pelo ministro externo Constantine Phaulkon, um aventureiro grego, Narai volta-se para a França em busca de auxílio. Engenheiros franceses construiram fortificações e um novo palácio em Lopburi, além disso missionários franceses dedicaram-se à educação e medicina, trazendo para o reino a primeira impressora. O próprio Luís XVI entusiasmou-se com a possibilidade de Narai se poder converter ao cristianismo.

A forte influência francesa despertou desconfianças e a chegada de uma expedição francesa composta de 600 homens armados, em 1687, despertou receios. No ano seguinte, um golpe dado por líderes tais antiocidentais levou à expulsão de todos os franceses. Teve início então uma etapa de relativo isolamento do Sião com relação ao Ocidente, uma política que durou 150 anos.

Embaixada siamesa à corte de Luís XIV em 1686.

Governantes de Ayutthaya[editar | editar código-fonte]

  • Dinastia Uthong ราชวงศ์อู่ทอง (primeiro reinado, 1350-1370)
  • Dinastia Suphannaphum ราชวงศ์สุพรรณภูมิ (1370-1388)
  • Dinastia Uthong ราชวงศ์อู่ทอง (segundo reinado, 1388-1409)
  • Dinastia Suphannaphum ราชวงศ์สุพรรณภูมิ (segundo reinado, 1409-1569)
  • Dinastia Sukhothai ราชวงศ์สุโขทัย(1569-1629)
  • Dinastia Prasat Thong ราชวงศ์ปราสาททอง(1630-1688)
  • Dinastia Ban Phlu Luang ราชวงศ์บ้านพลูหลวง(1688-1767)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Hooker, Virginia Matheson. A Short History of Malaysia: Linking East and West. St Leonards, New South Wales, Australia: Allen and Unwin, 2003. 72 pp. ISBN 1864489553 Página visitada em 2009-07-05.
  2. The Tai Kingdom of Ayutthaya The Nation: Thailand's World (2009). Página visitada em 2009-06-28.
  3. Higham 1989, p. 355
  4. The Aytthaya Era, 1350-1767 U. S. Library of Congress. Página visitada em 2009-07-25.
  5. Jin, Shaoqing. In: Office of the People's Goverernment of Fujian Province. Zheng He's voyages down the western seas. Fujian, China: China Intercontinental Press, 2005. p. 58. Página visitada em 2009-08-02.
  6. Lt. Gen. Sir Arthur P. Phayre. History of Burma. 1967 ed. London: Susil Gupta, 1883. p. 111.
  7. a b GE Harvey. History of Burma. London: Frank Cass & Co. Ltd., 1925. 167–170 pp.
  8. Phayre, pp. 127-130
  9. Phayre, p. 139
  10. Wyatt 2003, pp. 90–121
  11. Donald Frederick Lach, Edwin J. Van Kley, "Asia in the making of Europe", p.520-521, University of Chicago Press, 1994, ISBN 978-0-226-46731-3

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Texto original adaptado de LOC Country Study of Thailand
  • From Isfahan to Ayutthaya: Contacts between Iran and Siam in the 17th Century, M. Ismail Marcinkowski, Singapore: Pustaka Nasional, 2005 (ISBN 9971-77-491-7)
  • Smithies, Michael. A Siamese Embassy Lost in Africa 1686: The Odyssey of Ok-Khun Chamman. Chiang Mai: Silkworm Books, 1999.
  • Smith, George V. "The Dutch East India Company in the Kingdom of Ayutthaya, 1604-1694." Diss. Northern Illinois U, 1974.
  • Chronicle of the Kingdom of Ayutthaya, Tokyo: The center for East Asian Cultural Studies for UNESCO, The Toyo Bunko, 1999, p. 14 ISBN 978-4-89656-613-0
  • Richard D. (2000). The Royal Chronicles of Ayutthaya: A Synoptic Translation, edited by David K. Wyatt. Bangkok: The Siam Society. ayutthaya
  • Second Voyage du Pere Tachard et des Jesuites envoyes par le Roi au Royaume de Siam. Paris: Horthemels, 1689.
  • Southeast Asia Visions Collection by Cornell University Library [1]