Reino de Itália

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Regno d'Italia
Reino de Itália

Monarquia constitucional

1861 – 1946
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
"Foedere et Religione Tenemur"
"Mantemos-nos unidos pelo Pacto e a Religião."
Hino nacional
"Marcia Reale d'Ordinanza"
Localização de Itália
Continente Europa
Capital Turim (1862-1865), Florença (1865-1870), Roma (1870-1946)
Língua oficial italiano, siciliano, sardo
Governo monarquia
Rei da Itália
 • 1861-1878 Vítor Emanuel
 • 1878-1900 Humberto I de Itália
 • 1900-1946 Vítor Emanuel III
 • 1946-1946 Humberto II da Itália
História
 • 17 de Março de 1861 Unificação italiana
 • 1924 Fiume é anexada à Itália segundo o Tratado de Roma. Com a dissolução do Reino, Fiume fica em posse da Igoslávia (Tratado de Paris)
 • 2 de Junho de 1946 Proclamação da República
População
 • 1946 est. 42,399,000 
Moeda Lira
Precedido por
Sucedido por
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Reino de Sardenha
Flag of the Kingdom of the Two Sicilies 1738.gif Reino das Duas Sicílias
Flag of the Free State of Fiume.svg Estado Livre de Fiume
Flag of the Papal States (1808-1870).svg Estados Pontifícios
Flag of Kingdom of Lombardy-Venetia.gif Reino Lombardo-Vêneto
Flag of the Grand Duchy of Tuscany (1840).svg Grão-ducado da Toscana
Flag of Austria-Hungary 1869-1918.svg Áustria-Hungria
Itália Flag of Italy.svg
Vaticano Flag of the Vatican City.svg
Território Livre de Trieste Free Territory Trieste Flag.svg
República Socialista da Eslovénia Flag of SR Slovenia.svg
Etiópia Flag of Ethiopia.svg
Líbia Flag of Libya.svg
Somália Flag of Somalia.svg
República Socialista Federativa da Iugoslávia Flag of SFR Yugoslavia.svg
Membro de: Sociedade das Nações, Eixo

O Reino de Itália[1] foi um Estado que existiu na península Itálica entre 1862 e 1946. Durante toda sua existência foi governado pela Casa de Savoia.

Índice

[editar] Antecedentes

[editar] A Península Itálica após a queda do Império Romano do Ocidente

O título de Rei da Itália (rex Italiae em latim e re d'Italia em italiano) foi adotado por muitos governantes da Península Itálica depois da queda do Império Romano do Ocidente. Porém, até 1870, nenhum "Rei da Itália" governou toda a península, embora alguns pretendessem ter tal autoridade.

Depois da deposição do imperador Rômulo Augústulo em 476, o rei dos Hérulos Odoacro foi apontado com dux Italiae (Duque da Itália) pelo imperador do Oriente Zenão I. Mais tarde, ele intitulou-se rex Italiae, mas ele sempre se apresentou como um oficial do governo oriental.

Em 483, o líder ostrogodo Teodorico o Grande derrotou Odoacro, e iniciou uma nova dinastia de reis da Itália. O domínio ostrogodo terminou com a derrota deTeia (552), quando a Península Itálica foi reconquistada pelo Império Bizantino.

Esta situação não durou muito. Em 568, os Lombardos entraram na península liderados por Alboíno, que recriou um reino bárbaro em oposição aos bizantinos. Pelos dois séculos seguintes, os lombardos e os bizantinos lutaram pelo domínio da península, com os lombardos estabelecendo a sua autoridade em quase toda a região (especialmente a Lombardia, exceto os ducados de Veneza, Roma, Nápoles, Apúlia e Calábria.

Em 774, os Lombardos foram derrotados pelos Francos sob Carlos Magno e seu rei, Desidério, deposto. Carlos Magno tomou o título de, rex Langobardorum, significando "rei dos Lombardos", que foi usado alternativamente com o de rex Italiae. O velho reino da Itália sobreviveu dentro do Império Carolíngio como uma entidade separada até 962, quando o imperador germânico Oto I tomou para si o título. Todos os imperadores subsequentes usaram o título e a maioria deles foi coroado na velha capital lombarda de Pavia antes de sua coroação em Roma.

O Regnum Italicum ou, em italiano, Regno, que constituía parte integrante do Sacro Império Romano-Germânico ter-se-ia mantido, pelo menos em teoria, até à queda do Império Romano-Germânico, em 1806 (ou, pelo menos, até à reorganização imperial, em 1803), embora nunca mais tenha dominado toda a península. Nessa época, o Arcebispo de Colónia detinha o título de Arquichanceler de Itália. No entanto, a influência imperial sobre Itália perdeu muita da sua força com a queda dos Hohenstaufen, em meados do século XIII, cessando definitivamente com o Tratado de Vestfália, em 1648. O Regno consistia, portanto, nos territórios a norte das possessões papais (Estados Pontifícios), e não controlava o território da República de Veneza.

[editar] O reino de Napoleão Bonaparte

Em 1805, a República Italiana, administrada pelo Primeiro Cônsul Napoleão Bonaparte, transformava-se no Reino da Itália, com Napoleão como Rei, coroado com a coroa de ferro da Lombardia em Pavia. O seu afilhado, Eugênio de Beauharnais actuaria como vice-Rei até a queda de Napoleão, em 1814.

[editar] O Risorgimento e o a Casa de Savoia

Coroa do Reino de Itália.

Da deposição de Napoleão (1814) até a unificação italiana (1861) nenhum monarca reclamou o título de "Rei da Itália". O Risorgimento estabeleceu com sucesso uma dinastia, a Casa de Savoia, sobre toda a península, unindo os reinos da Sardenha e das Duas Sicílias. O Reino da Sardenha já havia anexado a Lombardia, a Toscana, o Reino das Duas Sicílias, os ducados de Parma e de Módena e a maior parte dos Estados Pontifícios.

A capital deste Reino estava estabelecida em Turim, mas seria transladada para Florença em 1864. Veneza seria anexada dois anos depois, e Roma em 1870 (a cuja anexação se seguiu nova transladação da capital para Roma). A partir daí, seria a Casa de Savoia a governar a Itália até à constituição da atual República Italiana, em 1946.

Com a primeira convocação do parlamento italiano em 18 de Fevereiro de 1861 e a sucessiva proclamação de 17 de março, Vítor Emanuel II foi o primeiro rei da Itália no período 1861-1878. Em 1866, em seguida à Terceira guerra de independência, foram anexados ao reino o Vêneto e Mântua subtraídos ao Império Áustro-Húngaro. Em 1870, com a conquista de Roma, foram anexados ao reino o Lácio, retirando-o definitivamente dos Estados Pontifícios. Roma torna-se oficialmente capital da Itália (antes Turim e Florença foram capitais).

Seguiram-se os reinados de Humberto I (1878-1900), morto em um atentado pelo anarquista Gaetano Bresci, e de Vítor Emanuel III (1900-1946). Com este último, em 1919 depois da Primeira Guerra Mundial uniram-se ao reino o Trentino, o Alto Ádige, Gorizia e o Friul oriental, a Ístria, Trieste e Zara. Fiume uniu-se ao reino em 1924.

Depois do período fascista e da Segunda Guerra Mundial, a Ístria (com Fiume e Zara) foram cedidas em 1947 à Jugoslávia. O reino de Itália, manteve Humberto II da Itália primeiro como Lugar-tenente do Reino (1943-1946) e depois por pouco mais de um mês como rei (o Rei de maio) em seguida à abdicação de Vítor Emanuel III, conclui-se com a proclamação da República Italiana em seguido ao referendo de 1946, que determinou a exclusão da Casa de Savoia da História da Itália depois de 85 anos de monarquia. O exílio dos descendentes masculinos da casa de Savoia foi mantido até a reforma constitucional de 2002.

[editar] Ver também

Notas e referências

  1. A expressão "Reino de Itália" é aplicada a três diferentes entidades estatais existentes na península Itálica ao logo da História:
    o Reino Itálico medieval;
    o napoleônico Reino de Itália (1805-1814); e
    o último e mais conhecido Reino de Itália (1861-1945) que antecedeu a atual República Italiana.
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