Reino do Ndongo
O reino do Ndongo (ou reino do Ngola) é o nome de um estado pré-colonial africano na actual Angola, criado pelos mbundos, um povo de língua banta que habita o norte deste país.
Os registos mais antigos acerca deste reino datam do século XVI. Foi um dos vários estados vassalos do reino do Congo que existiram na região, sendo de entre eles o Ndongo o mais poderoso, liderado por um Rei (cujo título era ngola).
Pouco se sabe acerca do reino nos princípios do século XVI. "Angola" (deturpação de ngola) encontrava-se entre os vários títulos do Rei do Congo em 1535. Presume-se pois que o Ndongo seria na altura mais um dos estados subordinados ao Congo. Na tradição oral, recolhida nos finais do século XVI, particularmente pelo jesuíta Baltasar Barreira, descreve-se o fundador do reino, ngola Kiluanje, também conhecido como ngola Inene, como vindo do Congo.
O reino do Ndongo foi fundado pelo Rei ngola Nzinga que liderou a emigração do povo banto (ambundo) do rio Níger contornando outros reinos da época, incluindo o reino do Congo e alcançando o leste de Angola habitada por povo teowkwe atravessaram este povo pacificamente e instalaram-se em Malanje. Ngola Kiluange foi o quarto Rei do Ndongo, descendente dos Reis antigos, tendo sido consagrado depois da morte do Rei ngola Kimbanda, seu tio.
Índice |
[editar] Sementes de independência
Em 1518 o Ndongo enviou uma embaixada a Portugal pedindo missionários e, indirectamente, pelo reconhecimento da sua independência face ao Congo. Uma missão portuguesa chegou ao Ndongo em 1520 mas disputas locais e talvez a pressão do Congo forçou os missionários a abandonar. Afonso I do Congo levou os missionários para o Congo e deixou o seu próprio padre no Ndongo.
[editar] Guerra de 1556
Por volta de 1556, o Ndongo enviou outra missão a Portugal procurando ajuda militar e oferecendo-se para ser cristianizado, mesmo apesar dos oficiais portugueses da altura terem duvidado da sua sinceridade religiosa. Em 1901, E. G. Ravenstein afirmou que esta missão foi o resultado de uma guerra entre o Congo e o Ndongo, na qual o Ndongo saiu vencedor e afirmou a sua independência. O mesmo disse Jan Vansina em 1966 (e a partir daqui vários outros escritores), porém isto parece ter sido uma incompreensão das fontes originais. O Ndongo poderá ter realmente visto a missão como uma espécie de declaração de independência, já que a resposta do Congo à missão de 1518 sugere que ainda mantinha poder suficiente para prevenir movimentos independentistas.
De qualquer forma, a segunda missão portuguesa, liderada por Paulo Dias de Novais, neto do famoso explorador Bartolomeu Dias, atracou na foz do rio Kwanza em 1560, juntamente com vários padres jesuítas, incluindo o notável Francisco de Gouveia. A missão de Dias de Novais falhou igualmente, tendo ele voltado a Portugal em 1564, deixando o padre jesuíta Francisco Gouveia para trás.
[editar] A colónia portuguesa de Angola
Em 1571 a coroa portuguesa providencia a Dias de Novais carta para construir uma colónia em Angola, autorizando-o a fazer conquistas na região, trazer colonos e construir fortes. Dias de Novais chegou a Luanda, situada então em território do Congo, dado o acordo do Rei Álvaro I do Congo em recompensa pelo apoio de Portugal contra o reino de Jaga.
Incapaz de conquistar qualquer território por si mesmo, Dias de Novais fez alianças com ambos os reinos do Congo e Ndongo, servindo como exército mercenário.
[editar] Referências
- Ilídio do Amaral, O Reino do Congo, os Mbundu o Reino dos "Ngola" e a presença Portuguesa de finais do século XV a meados do século XVI, Lisboa, 1996)
- David Birmingham, Trade and Conquest in Angola, Oxford, 1966
- Beatrix Heintze, Studien zur Gesichte Angolas im 16. und 17. Jahrhundert: Ein Lesebuch, Colónia, 1996
- Linda Heywood & John Thornton, Central Africans, Atlantic Creoles, and the Foundation of America, 1580-1660, Cambridge, 2007
- Graziano Saccardo, Congo e Angola con la storia dell'antica missione dei Cappuccini, 3 volumes, Veneza, 1982-83