Reintegracionismo

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O reintegracionismo, lusismo ou movimento lusófono galego é um movimento social que pretende a reintegração da língua galega no âmbito linguístico português e de adaptar a ortografia galega à desse âmbito[1] . Também é a corrente linguística que defende essas teses.
Na actualidade existem na Galiza duas correntes de opinião sobre a língua galega:

  1. A oficial percebe o galego e o português como duas línguas distintas e assim adota umas normas ortográficas diferenciadas do padrão português, mas quase idênticas às do espanhol, oposta à tradição etimológica histórica. É a visão da maioria dos agentes sociais e organizações públicas na Galiza. É denominada "isolacionista" pelos partidários do reintegracionismo.
  2. A reintegracionista considera o galego, ao qual também denominam "galego-português", "português da Galiza" ou "portugalego", como uma variedade mais do português e assim usa uma norma ortográfica comum ou muito semelhante.

Versão mais ampla[editar | editar código-fonte]

Associaçom Galega da Língua.

O reintegracionismo é um movimento cultural, além de linguístico, que sustenta o facto de o galego pertencer à língua histórica conhecida mundialmente pelo nome de português ou língua portuguesa. Ou seja, as falas galegas fazem parte do mesmo diassistema linguístico, agora realizado por duas normas, as padronizadas em Portugal e nos PALOPs, e no Brasil, às quais caberia acrescentar outra galega, ainda em processo de elaboração.

Por consequência, os reintegracionistas ou lusistas acreditam que a normativa oficial do galego, arbitrada pela Real Academia Galega e refletida nas NOMIGa (Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego) é inadequada, dado que dão por irreversível a castelhanização do galego. A última reforma destas normas, em 2003, aceita essa visão e conserva os traços espanhóis mais característicos, tais como a letra ñ, o dígrafo ll, os sufixos -ería, -ble, -ción, e as regras de acentuação; as escolhas lexicais também dão mais preferência a vocábulos de origem castelhana.

Como norma de transição, a AGAL (Associaçom Galega da Língua) e outros grupos usam uma norma gráfica galego-portuguesa próxima da portuguesa comum: nh, lh, ~ ("til") unicamente nos plurais (ões); -aria, -vel, mas -çom, em vez de -ção.

Outros agrupamentos, como o MDL (Movimento Defesa da Língua), usam a Norma AGAL e a portuguesa indiferentemente, enquanto a AAG-P (Associação de Amizade Galiza-Portugal) e as IFG-P (Irmandades da Fala da Galiza e Portugal) optaram pela norma acordada em Lisboa (1990). Em Portugal, e em todo o mundo lusófono estes movimentos são secundados pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

O termo "reintegracionismo" representa, frente ao termo "lusismo" uma posição de aproximação mais lenta, e aceita posições intermédias sobre a adoção progressiva da ortografia portuguesa. Contudo, lusismo e reintegracionismo procuram os mesmos objectivos. Se fosse possível a distinção, haveria de atribuir ao lusismo a adopção da ortografia e morfologia portuguesas, com o uso de léxico comum e também do próprio galego, enquanto o reintegracionismo usa peculiaridades galegas na ortografia e na morfologia, acima assinaladas, para além de coincidir com o lusismo nos usos lexicais.

Promotores do reintegracionismo são a Associaçom Galega da Língua (AGAL), o Movimento Defesa da Língua (MDL), a Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal (IFG-P), a Associação Sócio-Pedagógica Galaico-Portuguesa (AS-PGP), a recentemente criada Academia Galega da Língua Portuguesa e diferentes associações cívicas locais, nomeadamente os chamados 'centros sociais' que na última década têm surgido em diferentes vilas e cidades da Galiza para realizar trabalho cultural e linguístico com uma orientação reintegracionista.

Já no âmbito político, as forças de referência espanhola costumam ser mais refractárias face ao reintegracionismo, apoiando a normativa oficial. Os partidos e forças nacionalistas e independentistas galegas têm uma orientação mais reintegracionista, mas a corrente maioritária, o BNG, assume esses princípios só num plano teórico, enquanto a minoritária esquerda independentista usa a forma gráfica reintegracionista já desde 1985, quando foi aprovada pela extinta organização Galiza Ceive (OLN).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. cfr. pág 1775, Díaz Pardo (2007)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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