Relações entre Argentina e Brasil

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Relações entre Argentina e Brasil
Bandeira da Argentina   Bandeira do Brasil
Mapa indicando localização da Argentina e do Brasil.
  Brasil

A Argentina é o principal parceiro político do Brasil1 . As relações entre Argentina e Brasil são tanto estreitas como históricas e abrangem todas as dimensões possíveis: economia, comércio, educação, cultura, turismo, defesa, ciência e tecnologia, entre outras. De guerra e rivalidade à amizade e aliança, esta complexa relação se estende por mais de dois séculos. Os dois países combinados representam 63% da área total da América do Sul, 60% de sua população e 61% de seu PIB. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil2 . A oficialização da aliança estratégica Brasil-Argentina foi firmada pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem em abril de 19973 .

História[editar | editar código-fonte]

Dilma Rousseff, presidente do Brasil e Cristina Fernández de Kirchner, presidente da Argentina durante a visita oficial de Dilma Rousseff a Buenos Aires em 31 de janeiro de 2011.

Após conseguirem a independência do Império Espanhol e Império Português no início do século XIX, respectivamente, a Argentina e o Brasil herdaram uma série de disputas territoriais não resolvidas de suas potências coloniais. A violação mais grave na relação foi a Guerra da Cisplatina (1825-1828), liderada pela invasão brasileira e anexação da Banda Oriental. Apesar dos numerosos períodos de hostilidade mútua, a relação argentino-brasileira não foi definida pela hostilidade aberta na maior parte dos séculos XIX e XX. Houve uma competição em muitos níveis, e suas respectivas políticas de defesa refletiram desconfiança mútua, mas a sua relação bilateral não foi contraditória.

Na década de 1970, a rivalidade Brasil-Argentina esteve relacionada aos projetos hidrelétricos da bacia do Paraná, com alegações sobre a suposta incompatibilidade dos projetos de Itaipu e Corpus, bem como à competição dos projetos nucleares nacionais dos dois países. Em 1976, com o golpe militar na Argentina, houve certa aproximação como governo Geisel4 . Firmado em 19 de outubro de 1979, o Acordo Tripartite Brasil-Argentina-Paraguai - Acordo de Aproveitamento Hidrelétrico de Itaipu e Corpus, que trata do aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde o município de Sete Quedas (MS) até a foz do Rio da Prata - pôs fim à crise Itaipu-Corpus5 .

Argentina e Reino Unido travaram, em 1982, a Guerra das Malvinas, iniciada pela invasão argentina das ilhas que se encontram sob o jugo britânico desde o século XIX 6 . O Brasil manteve-se, oficialmente, neutro no conflito. De acordo com o historiador e cientista político Moniz Bandeira, entretanto, essa neutralidade foi imperfeita7 . O Brasil reconhece a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas desde 1833, ano da terceira invasão inglesa às ilhas. Quando o governo imperial brasileiro foi informado pela Argentina da ocupação das ilhas pelo governo britânico pelo uso da força, o Brasil instruiu seu ministro plenipotenciário em Londres a apoiar um protesto junto à corte de Saint James. Em 1982, o Brasil, honrando sua tradição pacífica, demonstrou não concordar com o recurso ao uso da força como ferramenta de solução de conflitos8 . Além disso, em um contexto de crise econômica profunda, o governo brasileiro não poderia contrariar os interesses ingleses. O governo brasileiro adotou, então, uma neutralidade ambivalente, em uma postura pragmática. Moniz Bandeira, entretanto, argumenta que o Brasil adotou, na prática, posicionamento favorável à Argentina, ao ceder, sob a forma de leasing, dois aviões de patrulha EMB-111 da Embraer, estacionados na base aérea de Santa Catarina, ao governo argentino. O Brasil também vendeu obuzeiros e peças de fuzil à Argentina9 .

Em 1980, Brasil e Argentina firmaram um Acordo de Cooperação para o desenvolvimento e a aplicação dos usos pacíficos da energia nuclear. Esse fato daria início a uma maior aproximação entre os dois países na temática nuclear, o que levaria, em 1991, à criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares. Em 1985, os governos civis de Sarney e Alfonsín firmaram a Declaração do Iguaçu, com o propósito de aprofundas as relações econômicas e comerciais entre os dois países. Além disso, outro acordo nuclear aprofundou o anterior10 .

Com a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, em 1991, os dois países voltaram a sua concorrência em cooperação nuclear por meio da confiança mútua. Ainda em 1991, foi assinado um acordo de salvaguardas, o Acordo Quadripartite entre a ABACC, o Brasil, a Argentina e a Agência Internacional de Energia Atômica11 . O Acordo Quadripartite entrou em vigor em 1994 e foi reconhecido pelo Grupo de Supridores Nucleares como alternativa válida ao Protocolo Adicional ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares12 .

Comércio e Investimentos[editar | editar código-fonte]

Um alto volume de comércio e de migração entre a Argentina e o Brasil tem gerado uma maior aproximação, especialmente após a implementação do MERCOSUL, em 1991. Entre 2003 e 2012, o comércio bilateral praticamente quadruplicou, saltando de US$ 9,24 bilhões para mais de US$34,4 bilhões. Entre 2010 e 2012, os investimentos estrangeiros diretos do Brasil na Argentina cresceram 16,6%. No ano 2012, os investimentos da Argentina no Brasil quase triplicaram em relação a 2011, chegando à marca dos US$ 262 milhões. Em 2012, dobrou o valor total das exportações argentinas que fizeram uso do sistema de pagamentos em moeda local. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações brasileiras de manufaturas.13

Relacionamento atual[editar | editar código-fonte]

Hoje, a relação estratégica entre Argentina e Brasil é considerada como "no ponto mais alto da história". A política externa argentina tem dado ênfase especial em "aprofundar a aliança estratégica com o Brasil em todos os seus aspectos". Da mesma forma, a Argentina tem sido "uma prioridade absoluta" para a política externa brasileira.14

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. expectativa na reunião de Cristina e Rousseff
  2. Transações comerciais entre Brasil e Argentina recuaram em janeiro
  3. GONÇALVES, José Botafogo. LYRIO, Mauricio Carvalho. Aliança Estratégica entre Brasil e Argentina: antecedentes, estado atual e perspectivas. CEBRI Dossiê, vol 2, ano 2, 2003.
  4. CANDEAS, Alessandro Warley. Relações Brasil-Argentina: uma análise dos avanços e recuos. Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília, v. 48, n. 1, p. 178-213, 2005.
  5. VAZ, Alcides Costa, Cooperação, integração e processo negociador: a construção do Mercosul. Brasília: IBRI, 2002.
  6. Entenda a Guerra das Malvinas
  7. BANDEIRA, Moniz. O Eixo Argentina-Brasil. Brasília, Ed. UnB, 1987
  8. Brasil era a favor do direito da Argentina, mas contra a guerra
  9. BANDEIRA, Moniz. O Eixo Argentina-Brasil. Brasília, Ed. UnB, 1987
  10. VAZ, Alcides Costa, Cooperação, integração e processo negociador: a construção do Mercosul. Brasília: IBRI, 2002.
  11. Brasil e Argentina comemoram 20 anos de acordo nuclear
  12. Página da ABACC
  13. Visita da Presidenta Dilma Rousseff à República Argentina
  14. Na Argentina, Dilma fala em fortalecer a América Latina no século 21

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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