Relações entre Cuba e Estados Unidos

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Relações entre Cuba e Estados Unidos
Bandeira de Cuba   Bandeira dos Estados Unidos
Mapa indicando localização de Cuba e dos Estados Unidos.
  Cuba

As relações entre Cuba e Estados Unidos são as relações diplomáticas estabelecidas entre a República de Cuba e os Estados Unidos da América. Foram iniciadas em 27 de maio de 1902, quando o enviado americano, Herbert Goldsmith Squiers, apresentou as suas credenciais ao governo cubano em Havana. Rompidas em 3 de janeiro de 1961, dois anos após a vitória da Revolução Cubana e Fidel Castro, foram restabelecidas em em 17 de dezembro de 2014.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Independência cubana e período pré-Revolução[editar | editar código-fonte]

Desde antes dos movimentos de independência dos dois países, norte-americanos e cubanos já tinham interesses em comum. Planos de comprar Cuba do Império Espanhol eram sempre discutidos nos Estados Unidos. À medida que a influência espanhola declinava no Caribe, os Estados Unidos foram gradualmente conquistando uma posição de domínio econômico e político sobre a ilha, com grande maioria das explorações de investimento estrangeiro e a maior parte das importações e exportações em suas mãos, bem como uma forte influência sobre os assuntos políticos internos cubanos.

Após a Guerra Hispano-Americana, que obrigou a Espanha a renunciar os seus direitos soberanos sobre Cuba, as forças militares norte-americanas ocuparam o país até 1902, quando os Estados Unidos permitiram a um novo governo cubano, assumir o controle total dos assuntos do Estado. Os Estados Unidos, no entanto, obrigaram Cuba a conceder-lhes o direito contínuo de intervenção para preservar a independência e a estabilidade de Cuba, em conformidade com a Emenda Platt. Esta emenda foi revogada em 1934, quando ambos assinaram um Tratado de Relações. Este tratado deu continuidade aos acordos de 1903, que arrendavam a Base Naval da Baía de Guantánamo para os Estados Unidos. Os dois países cooperaram sob o governo de Fulgencio Batista até a década de 1950.

Aliança cubano-soviética[editar | editar código-fonte]

Fidel Castro durante uma visita a Washington, DC em 1959.
Instalações militares da Marinha dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo.

Após a Revolução Cubana de 1959 e a ascensão de Fidel Castro ao poder, as relações sofreram uma progressiva deterioração. O Governo cubano expropriou terras e empresas de investidores dos Estados Unidos, e em resposta o Governo dos EUA adotou um plano de derrubar o regime criado por Castro, que resultou na fracassada invasão da Baía dos Porcos.[2] O episódio criou condições concretas para a cooperação entre Cuba e a União Soviética, que iria perdurar por três décadas. A relação cubano-estadunidense se deteriorou de vez na Crise dos Mísseis, que culminou na expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a imposição de um embargo dos Estados Unidos a Cuba.[3] A CIA tentou também eliminar o líder cubano diversas vezes.[4]

Dessa forma, a partir de 1959, após a Revolução Cubana, as relações foram se deteriorando substancialmente e desde então se mantiveram em estado de tensão e beligerância. Sem relações diplomáticas entre os dois países e com Cuba sob um embargo econômico por mais de cinquenta anos, os interesses americanos em Cuba são geridos pela USINT Havana,[5] um departamento de interesses americanos na ilha dentro da embaixada suíça em Havana, com outro departamento similar cubano na embaixada suíça em Washington D.C.[6] Durante décadas, a Assembleia Geral das Nações Unidas tem quase unanimemente pedido pelo fim do embargo político, econômico e financeiro de Cuba aos Estados Unidos e seus aliados, sem qualquer resultado prático.[7]

Período recente[editar | editar código-fonte]

Finalmente, em 17 de dezembro de 2014, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama e o presidente de Cuba Raúl Castro anunciaram o restabelecimento total das relações diplomáticas entre os dois países, assim como a reabertura da embaixada norte-americana em Havana – e sua contrapartida em Washington – e fim de restrições com a adoção de maiores facilidades para viagens de negócios e transações econômicas, comerciais e financeiras entre cidadãos e empresas dos dois países. O acordo foi anunciado após 18 meses de conversações secretas entre os dois governos, realizadas no Canadá e no Vaticano, com a mediação do Papa Francisco.[1] [8] Contudo, o Poder Executivo estadunidense, que protagonizou tais medidas históricas, não tem capacidade para pôr fim ao embargo econômico, sinalizando, pois, o encaminhamento do tema para o poder legislativo, o Congresso dos Estados Unidos.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b U.S. and Cuba, in Breakthrough, Will Resume Diplomatic Relations The New York Times. Visitado em 17/12/2014.
  2. Deutsche Welle (DW) (17 de abril de 2014). 1961: Invasão da Baía dos Porcos (em português) Deutsche Welle (DW). Visitado em 07 de abril de 2014.
  3. iG São Paulo (07 de fevereiro de 2012). Embargo dos EUA a Cuba completa 50 anos como política obsoleta (em português) iG São Paulo. Visitado em 07 de abril de 2014.
  4. Folha de S.Paulo (31 de agosto de 2011). CIA planejou envenenar Fidel com charutos e bactéria (em português) Folha de S.Paulo. Visitado em 07 de abril de 2014.
  5. CHIEF OF MISSION USINT Havana. Visitado em 17/12/2014.
  6. Cuban Interests Section in USA Cuba Diplomatica. Visitado em 17/12/2014.
  7. General Assembly Demands End to Cuba Blockade for Twenty-Second Year as Speakers Voice Concern over Impact on Third Countries ONU. Visitado em 17/12/2014.
  8. Labott, Elise. Obama announces historic overhaul of relations; Cuba releases American CNN. Visitado em 17/12/2014.
  9. Diário Digital (17-12-2014). Obama vai pedir ao Congresso dos EUA o fim do embargo a Cuba 17-12-2014. Visitado em 17-12-2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]