Religião no Irã

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Distribuição étnica e religiosa da população do Irã.

A religião no Irã ou Irão é, oficialmente, a religião islâmica do ramo xiita duodecimano da escola de jurisprudência Ja'fari, conforme estabelece o artigo 12 da constituição do país. O mesmo artigo estabelece que outras escolas islâmicas são respeitadas e seus seguidores são livres para agir de acordo com a jurisprudência própria a cada uma delas, na prática de ritos religiosos, sendo oficialmente reconhecidas em matéria de educação religiosa, vida pessoal (casamento, divórcio, testamentos e heranças) e questões legais.[1]

A religião oficial é professada por 99,9% da população, sendo que 93,6% são adeptos do xiismo e quase todos duodecimanos.[2] Outros 6,3% seguem a seita Sunita. Os remanescentes são seguidores de credos não-islâmicos, incluindo Baha'istas, Mandeístas, Yarsanis, Zoroastrianos, Judeus e Cristãos.[3] Os três últimos grupos são reconhecidos pelo Estado e protegidos, tendo assentos reservados para eles no parlamento. Os Baha'ís não dispõem de reconhecimento oficial e têm sido intensamente perseguidos,[4] [5] [6] [7] [8] perdendo direitos e liberdades civis que vedam o seu acesso ao estudo superior e ao emprego.[4] [5] [6] [9] [10] O Irã é a sede da maior comunidade de Judeus da região muçulmana,[11] [12] e a religião de Zoroastro, uma vez predominante, hoje se reduz a poucas dezenas de milhares de praticantes.[13]

Islamismo[editar | editar código-fonte]

O Islamismo não adota a separação de Igreja e Estado, e no Irã tem sido a religião oficial do país, também integrando o seu governo desde a islamização do Irã em torno de 640 d.C. Nos séculos seguintes os xiitas adquiriram influência política, formando o primeiro Estado xiita com a dinastia Idríssida (780-974), regente do Magrebe, no noroeste da África. Depois disso o Império Alávita (864 - 928) se estabeleceu em Mazandaran, no norte do Irã. Os Alávidas pertenciam à sub-seita Zaidita dos xiitas.[14] Essas dinastias tiveram um alcance apenas regional, mas foram seguidas de duas poderosas casas, o Califado Fatímida, surgido em 909 em Caide, e o Império Buída, surgindo em Dailam em torno de 930, que tiveram um domínio amplo, se estendendo por todo centro-norte do Irã e até sobre o Iraque, perdurando até 1048. Com a ascensão do Império Gaznévida, os Sunitas suplantaram os xiitas, até que, na invasão mongol, o governador invasor Mahmud Ghazan foi convertido ao Xiísmo, tornando-o o credo oficial do Estado.[15] Embora os xiitas existissem desde o início da penetração islâmica e durante certos períodos fossem dominantes, segundo Mortaza Motahhari a maioria dos eruditos e do povo permaneceram Sunitas até o tempo da dinastia Safávida,[16] mas migrações de tribos xiitas vindas do Iraque e a crescente influência de tradições específicas fez com que seu número aumentasse.[17]

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Santuário Imam Reza, em Mashhad, um dos mais importantes do Irã.

Os Safávidas se estabeleceram em 1501, tornando o Xiísmo a religião oficial,[18] e ordenando a conversão compulsória e violenta dos Sunitas. Milhares de pessoas que se opuseram foram mortas, e em alguns casos cidades inteiras fora arrasadas.[19] Ismael I, o primeiro governante Safávida, trouxe eruditos Xiítas do Bahrein, Iraque, Síria e Líbano, a fim de pregarem a fé oficial.[20] Sua intenção de converter também os turcos da Anatólia gerou um conflito com o Império Otomano, quando o Irã foi derrotado e a expansão Safávida foi bloqueada.[21] Mas foi com seu sucessor, Tahmasp I, que o império se consolidou e o Xiísmo se espalhou por todo o Irã. Depois de uma vida de delícias mundanas, tornou-se austero e piedoso, observando os ritos e os impondo sobre sua corte e súditos.[19] A adesão das massas só aconteceu sob a influência do mullah Allamah al-Majlis, entre 1680 e 1698.[22]

As dinastias sucessivas, até o século XX, oscilaram entre várias sub-seitas, mas entre 1905 e 1911 houve a Revolta Constitucional, que tentou alijar do poder os eclesiásticos e instaurar uma maior liberdade de culto.[23] A revolta estava ligada à influência crescente da Europa, que buscava ocidentalizar o país e explorar o seu petróleo. O resultado do movimento foi a instauração da dinastia Palávida em 1925.[24] A Revolução de 1953, também orquestrada por europeus, causou um ressentimento nacional contra o ocidente que por fim levou à criação da República Islâmica em 1979, na Revolução iraniana.

Desde o início da islamização do Irã o Islamismo se tornou uma das forças mais importantes para a formação da cultura iraniana, onde nasceram diversos poetas, médicos, historiadores, matemáticos, literatos, educadores, teólogos, artistas e outros cientistas e eruditos de grande destaque, entre eles Shaikh Saduq, Omar Khayyam, Shaikh Kulainy, Hafez, Muhammad al-Bukhari, Jalal ad-Din Muhammad Rumi, Muslim ibn al-Hajjaj, Hakim al-Nishaburi, Al-Ghazali, Fakhr al-Din al-Razi, Al-Zamakhshari, Nizam al-Mulk, Al-Farabi, Ibn Sina, Sharaf al-Din al-Tusi e Abdul-Qadir Gilani.[25] [26] [27] [28]

Outras religiões[editar | editar código-fonte]

Existem várias importantes minorias religiosas no Irã. Bahá'ís (cerca de 300.000 a 350.000 fiéis)[13] [29] [30] e cristãos (estimados em 300.000,[13] sendo que o grupo maior tem mais de 200.000 adeptos.[31] ). Grupos menores incluem judeus, zoroastrianos, mandeístas, yarsan (Ahl-e Haqq), bem como minorias tribais, praticantes de religiões locais.[32] [33]

Zoroastrianos, judeus e cristãos são oficialmente reconhecidos e protegidos pelo governo. Pouco depois do seu retorno do exílio, em 1979, em uma época de grande agitação, o líder da revolução iraniana, Aiatolá Ruhollah Khomeini emitiu uma fatwa ordenando que judeus e cristãos fossem bem tratados.[11] [34] Já os Bahá'ís não são reconhecidos nem protegidos pela Constituição do Irã.

Minorias[editar | editar código-fonte]

Bahá'ís[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos não-muçulmanos pertencem ao Baha'ismo, com cerca de 350 mil membros, concentrados em Teerã. Nascido da seita Xia no século XIX, o Baha'ismo foi desde logo considerado uma seita herética, sendo perseguida, às vezes com rigor, tendo membros condenados à morte e suas propriedades sendo confiscadas. Sua situação melhorou na dinastia Palávida, mas organizações ortodoxas continuaram a persegui-los.[35] [36] Em 1955 foi levada a cabo uma ampla campanha contra eles, tiveram sua sede destruída, suas propriedades confiscadas e por um período foram declarados fora da lei.[37] O aiatolá Ruhollah Khomeini declarou que as conversões, como de Judeus para o Bahá'i, eram vedadas, e só poderiam acontecer na direção do Islamismo, sob pena de morte.[38] Acrescentou que eles não teriam nenhum direito civil, pois além de heréticos eram um movimento político apoiado por estrangeiros, e eram também espiões.[39] [40] [41] Acusações de seu suposto envolvimento com assuntos estrangeiros têm sido repetidas amiúde, até pela Presidência,[42] [43] e há evidências recentes para acreditar que o governo planeja erradicar do Irã toda esta religião.[44]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Os Cristãos iranianos são estimados em trezentos mil, com sua maioria, duzentos mil, composta por membros da Igreja Apostólica da Armênia. A sua presença no Irã é muito antiga, contemporânea à introdução do Islamismo, e se julga que o conceito do Diabo foi introduzido no Cristianismo via Irã islâmico.[45] [46] Outros ramos cristãos presentes são dos Assírios e dos Protestantes[32] O governo reconhece os Mandeístas como Cristãos, mas eles mesmos não se vêem assim.[13] [32] Apesar de Cristãos, os Protestantes têm sido às vezes encarados com suspeita pelo governo, e muitos praticam em segredo.[47] Uma igreja Evangélica já foi fechada e alguns muçulmanos conversos ao Cristianismo foram executados, enquanto outros foram presos.[48] Apesar disso, o governo iraniano afirma que o cristianismo é uma religião protegida pela sua constituição.[49]

Zoroastrismo[editar | editar código-fonte]

O Zoroastrismo tem uma história milenar, antecedendo em muito o Cristianismo e o Islamismo, e é a mais antiga religião no Irã que sobreviveu até o presente. Durante o Império Aquemênida foi a religião dominante nessa área. Calcula-se que sejam 35 mil devotos por dados do governo, mas esta fé afirma possuir cerca de sessenta mil aficcionados.[13]

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

A comunidade judaica teve uma longa história no Irã e serviu de abrigo para os hebreus que fugiam da Europa durante a segunda guerra mundial e do Iraque durante a guerra de independência israelense.[50] A presença Judaica no Irã data de tempos bíblicos, e sua comunidade é a maior do mundo muçulmano, com cerca de 25 mil membros, mas tem declinado.[51] [52] A grande maioria de iranianos Judeus vive fora do Irã, cerca de cem mil nos Estados Unidos[53] e em Israel 75 mil.[54] .

Status legal[editar | editar código-fonte]

A Constituição da República Islâmica reconhece o Islamismo, o Cristianismo, o Judaísmo e o Zoroastrianismo, mas determina como religião oficial do Estado apenas o Islamismo. No artigo 13 elas são citadas como Gentes do Livro, e é-lhes permitido praticarem suas fés em liberdade. Três assentos entre os 270 do Parlamento são reservados aos três cultos não-islâmicos.[55] Por outro lado, cargos oficiais importantes são reservados para os muçulmanos. Todos os membros de religiões minoritárias, incluindo os da seita Sunita, não podem ser eleitos como Presidente da República. Escolas dessas religiões devem ser administradas por muçulmanos.[56] Indenizações às suas famílias por morte são menores que as pagas aos muçulmanos, e crimes iguais recebem penas mais severas para não-muçulmanos. Um muçulmano que comete adultério com uma muçulmana é penalizado com cem chibatadas, mas se um não-muçulmano comete o mesmo delito com uma muçulmana, ele é sentenciado à morte.[57] Conversos ao Islamismo herdam todo o patrimônio de suas famílias, mesmo o de tios e primos, se eles não se convertem também.[58] Como resultado desses privilégios, a população não-muçulmana tem decrescido sensivelmente. Como exemplo, os Judeus passaram de oitenta mil para trinta mil desde a Revolução iraniana.[59] Crimes de morte são penalizados da mesma forma para todos os credos reconhecidos, mas se alguém matar um Bahá'i não recebe punição alguma.[13] A apostasia do Islamismo é proibida e pode levar à morte. A Constituição em tese autoriza em seu artigo 23 a liberdade de crença, mas sua redação é contraditória, e em outros artigos os juízes são autorizados a determinar sentenças de acordo com a tradição e os decretos religiosos islâmicos.[60]

Referências[editar | editar código-fonte]

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