Religião matriarcal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde março de 2012). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

O termo de religião matriarcal surgiu no bojo do feminismo da década de 1970, baseado na noção de um matriarcado desenvolvido originalmente no século XIX pelo antropólogo suiço J. J. Bachofen, na obra Mother Right: an investigation of the religious and juridical character of matriarchy in the Ancient World ("Direito matriarcal: uma investigação do caráter jurídico e religioso do matriarcado no Mundo Antigo").

Uma religião matriarcal é centrada na adoração à Grande Deusa ou Deusa mãe, ritos de adoração à Natureza, sacralidade, fertilidade, às águas, aos ciclos e ao cosmos, resultando num alto grau de complexidade teológica. O inglês Edward B. Tylor criou, em 1871, o termo animismo para designar a manifestação religiosa imanente a todos os elementos; pode-se dizer que a projeção destas manifestações na figura de uma mulher ou Deusa mãe emanadora/criadora, define o conceito de religião matriarcal.

Enquanto a religião matriarcal concentra-se na religião da Pré-história e civilizações antigas, o campo da teologia feminista é mais associada com a introdução de uma ideologia feminista no Cristianismo ou no Judaísmo [carece de fontes?].

Teoria de Bachofen[editar | editar código-fonte]

J. J. Bachofen (1861) descreve que as sociedades patriarcais tem uma realidade recente e que vieram substituir um anterior estado de sociedade matriarcal. Bachofen analisa um estado telúrico-maternal que remonta aos registros da religião pré-histórica. Bachofen apresenta um modelo no qual a matriarcado e os cultos de mistérios telúricos são o segundo de quatro estágios do desenvolvimento na história da religião.

O primeiro estágio foi denominado hetaerismo, caracterizado por uma sociedade paleolítica baseada em caçador-coletor (ato de caçar daquilo que a Natureza abandona espontaneamente) e poligamia. O segundo estágio é o Neolítico, um estágio lunar matriarcal baseado na agricultura e numa forma de culto à deusa Deméter, a deusa dominante. Estes cultos, segundo o autor, foram seguidos por um estágio “Dionisíaco” de emergência do patriarcado e finalmente sucedido por um estágio “Apolíneo” deste patriarcado e pelo aparecimento de uma civilização patriarcal da antiguidade clássica, baseada na atividade belicosa da pecuária.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Robert Graves também narra uma período pré-histórico de religão matriarcal na obra The Greek Myths e The White Goddess (A Deusa branca). Marija Gimbutas, Merlin Stone, Jane Ellen Harrison, Joseph Campbell, Erich Neumann, James Frazer, Sir Arthur Evans, Riane Eisler, são alguns dos nomes que foram diretamente influenciados por Bachofen.

Segunda onda feminista[editar | editar código-fonte]

Estatueta minoica da Deusa das serpentes a.C. 1.600

As idéias de Bachofen e Graves foram incorporadas pelo feminismo dos anos 70 por autores como Merlin Stone, que estudou as estatuetas de Vênus do Paleolítico e culto universal à serpente como evidências de uma religião matriarcal desde a pré-história até as civlizações antigas do politeísmo pré-helênico.[1]

Merlin Stone, autora de When God Was a Woman e Marija Gimbutas são chamadas de autoras do ramo da arqueologia feminista dos anos 70. A obra The Civilization of the Goddess (A civilização da Deusa) (1989) tornou-se um trabalho padrão para a teoria de um patriarcado e "androcracia" que teria surgido na Idade do Bronze, substituindo o Neolítico centrado no culto da Deusa mãe.

Merlin Stone apresenta uma religião matriarcal cujo culto universal da serpente era o símbolo fundamental de sabedoria espiritual, fertilidade, vida e força.[2] A autora desenvolve o tema segundo o qual a religião matriarcal era disseminada desde a Pré-História até as cvilizações pagãs e a Bíblia seria o resultado de um esforço para substituir a adoração à Grande Deusa pela religião patriarcal de um Deus hebraico/cristão, exemplificada pela árvore da vida (alegoria bíblica do Paraíso) e local de culto à Deusa, onde eram oferecidos os frutos (exemplificada na maçã) em sua homenagem.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências