Renato Russo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde julho de 2012). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Trechos sem fontes poderão ser removidos.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing.
Renato Russo
Informação geral
Nome completo Renato Manfredini Júnior
Também conhecido(a) como O Trovador Solitário
Nascimento 27 de março de 1960
Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Origem Brasília, DF
Data de morte 11 de outubro de 1996 (36 anos)
Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Gênero(s) Pós-punk, punk-rock, rock alternativo
Instrumento(s) Vocal, baixo, teclado, violão, guitarra
Período em atividade 19781996
Outras ocupações Compositor
Gravadora(s) EMI
Descobertas/Coqueiro Verde
Afiliação(ões) Legião Urbana, Aborto Elétrico
Influência(s) Sex Pistols, Robert Smith, Morrissey, The Cure, John Lennon, The Rolling Stones, The Beatles
Página oficial renatorusso.com.br

Renato Russo, nome artístico de Renato Manfredini Júnior (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996), foi um cantor e compositor brasileiro, célebre por ter sido o vocalista e fundador da banda de rock Legião Urbana.[1] [2] Antes de fundar o grupo, Renato integrou o grupo musical Aborto Elétrico, do qual saiu devido às constantes brigas que havia entre ele e o baterista Fê Lemos.[3] Adotou o sobrenome artístico Russo em homenagem ao inglês Bertrand Russell e aos franceses Jean-Jacques Rousseau e Henri Rousseau.[4] [5]

Renato morreu devido as complicações causadas pela AIDS em 11 de outubro de 1996, na época com 36 anos.[6] Amigos do cantor afirmam que o mesmo contraiu a doença após se envolver com um rapaz que conhecera em Nova Iorque, portador da doença, em 1989.[6] Como integrante da Legião Urbana, Russo lançou oito álbuns de estúdio, cinco álbuns ao vivo, alguns lançados postumamente, e diversos singles, escritos em sua maioria pelo próprio. Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Biquini Cavadão, 14 Bis e Plebe Rude.

Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, em que Renato Russo ocupa o 25°. lugar.[7]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Renato Manfredini Júnior era filho de Renato Manfredini (economista ) e de Maria do Carmo Manfredini (professora de inglês), primos de segundo grau, neto paterno de Alberto e Castorina Denebedito Manfredini, neto materno de José Mariano e Leontine Manfredini de Oliveira. Descendente de italianos provenientes da comuna de Sesto ed Uniti, Cremona; e nordestinos.[8] [9]

Infância[editar | editar código-fonte]

Até os seis anos de idade, Renato viveu no Rio de Janeiro junto com sua família. Começou a estudar cedo no Colégio Olavo Bilac, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. Nessa época teria escrito uma bela redação chamada "Casa velha, em ruínas…", que inclusive está disponível na íntegra. Em 1967, mudou-se com sua família para Nova York, pois seu pai, funcionário do Banco do Brasil, fora transferido para agência do banco em Nova York, mais especificamente para Forest Hills, no distrito do Queens. Foi quando Renato foi introduzido à língua e a cultura norte-americana. Em 1969, a família volta para o Brasil, indo Renato morar na casa de seu tio Sávio na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

Adolescência[editar | editar código-fonte]

Em 1973, a família trocou o Rio de Janeiro por Brasília, passando a morar na Asa Sul. Em 1975, aos quinze anos, Renato começou a atravessar uma das fases mais difíceis e curiosas de sua vida quando fora diagnosticado como portador da epifisiólise, uma doença óssea. Ao saber do resultado, os médicos submeteram-no a uma cirurgia para implantação de três pinos de platina na bacia. Renato sofreu duramente a enfermidade, tendo que ficar seis meses na cama, quase sem movimentos, e permanecendo ao todo cerca de um ano e meio em recuperação. Durante o período de tratamento, Renato teria se dedicado quase que integralmente a ouvir música, iniciando sua extensa coleção de discos dos mais variados estilos[10] . Simultaneamente à cura da epifisiólise, passou no vestibular para jornalismo no Centro de Ensino Universitário de Brasília (Ceub), após fracassar no vestibular da Universidade de Brasília (UnB).

Em 13 de março de 1978 Renato foi escolhido entre os professores do Cultura Inglesa para saudar o príncipe Charles, quando este participou da inauguração da nova sede da escola, ao visitar o Brasil naquele ano. Renato tinha apenas 17 anos, mas seu inglês impecável lhe favoreceu no momento da escolha.[11]

Aos 18 anos, Renato revelou a sua mãe ser homossexual. [12]

Professor de Inglês e jornalista[editar | editar código-fonte]

Entre os anos de 1978 e 1981, Renato Russo foi professor de língua e literatura inglesa no Cultura Inglesa. Era um professor muito procurado pelos pais de alunos, que pediam que seus filhos fossem matriculados para as suas aulas, porém foi demitido após alguns atritos entre ele e a direção, muito conservadora para os padrões alternativos de aula que Renato oferecia. Na mesma época trabalhou como repórter em um programa de rádio que defendia os direitos dos consumidores, o Jornal da Feira, produzido pelo Ministério da Agricultura.[13] Renato ainda trabalhou na apresentação de um programa de rádio sobre os Beatles, numa FM de Brasília em 1983[14] .

Aborto Elétrico[editar | editar código-fonte]

Renato conheceu Fê Lemos numa festa em 1978 e tinham em comum gosto pelo Punk Rock inglês e americano. Como era raro punks em Brasília, ficaram amigos e começaram uma banda, com André Pretorius, filho de um embaixador da Africa do Sul, na guitarra, Renato Russo no baixo e Fê na bateria, assim formou-se o Aborto Elétrico. Depois de realizarem seu primeiro show instrumental e começarem um movimento punk em Brasília através da Turma da Colina (apelido dados aos jovens filhos de professores e funcionários da UnB, que residiam na Colina, conjunto de quatro edifícios projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima, destinados esclusivamente a esses funcionários[15] ), onde punks se reuniam em points pra tomar vinho barato, tocar música e cheirar benzina, Petrorius completa 18 anos no final de 1979 e tem que voltar para servir o exército na África do Sul. Renato passou para a guitarra e começou a cantar e ensinou baixo para o irmão de Fê, Flávio Lemos, que assumiu o cargo de baixista na banda. Petrorius voltou a tocar com a banda no final do ano de 1980, quando estava de férias, e Renato assumiu só os vocais. Quando voltou para a África, Petrorius foi substituído por Ico Ouro-Preto, irmão de Dinho Ouro-Preto. A partir dessa fase, em 1981, a banda melhorou, começando a fazer shows mais profissionais, Além disso, músicas como "Tédio (Com um T bem grande pra você)", "Que país é esse?" ou "Veraneio Vascaína" evoluíram para temas como "Fátima", "Musica Urbana" ou "Ficção Científica". Porém, logo quando estavam ganhando certa fama no circuito punk de Brasília, Fê e Renato brigaram, e a banda se separou.

Do Trovador Solitário à Legião Urbana[editar | editar código-fonte]

Renato continuou como O Trovador Solitário, o qual cantava e tocava um violão de 12 cordas sozinho, mas depois formou uma banda com Marcelo Bonfá na bateria, que mais tarde, com Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, formaram a banda Legião Urbana.

Suas principais influências eram as bandas de post punk que surgiram na época, especificamente Renato Russo, que se espelhava no trabalho de Robert Smith, vocalista do The Cure, e Morrissey, vocalista da banda The Smiths. Após os primeiros shows, Eduardo Paraná e Paulo Paulista saem da Legião. A vaga de guitarrista é assumida por Ico-Ouro Preto, que fica até o início de 1983. Seu lugar é assumido definitivamente por Dado Villa-Lobos (que criou a banda Dado e o Reino Animal, com Marcelo Bonfá, Dinho Ouro Preto, Loro Jones e o tecladista Pedro Thompson). A entrada de Dado consagrou a formação clássica da banda. À frente da Legião, que contou com o baixista Renato Rocha, entre 1984 e 1989, Renato Russo atingiu o auge de sua carreira como músico, criando uma relação com os fãs que chegava a ser messiânica (alguns adoravam o cantor como se fosse um deus). Os mesmos fãs chegavam a fazer um trocadilho com o nome da banda: Religião Urbana/Legião Urbana. Renato desconsiderava este trocadilho e sempre negou ser messiânico. Renato teve como seus principais sucessos as musicas: Faroeste Caboclo; Pais e Filhos; Que País é Esse; Eduardo e Mônica; Geração Coca-Cola; Tempo Perdido; Eu Sei, entre outros.

Morte[editar | editar código-fonte]

Renato Russo faleceu no dia 11 de outubro de 1996, às 01h15 da madrugada, em consequência de complicações causadas pela AIDS (era soropositivo desde 1989, mas jamais revelou publicamente sua doença).[6] Deixou um filho, o produtor cultural Giuliano Manfredini, na época com apenas 7 anos de idade. O corpo de Russo foi cremado e suas cinzas foram lançadas no Parque Burle Marx - coincidentemente, o ex-baixista da Legião Urbana Renato Rocha passeava com a namorada no momento do lançamento das cinzas e o pneu da sua moto furou em frente ao local.[16] No dia 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte do cantor, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, ao lado do empresário Rafael Borges, anunciaram o fim das atividades do grupo. Estima-se que a banda tenha vendido cerca de 20 milhões de discos no país durante a vida de Renato. Mais de uma década após sua morte, a banda ainda apresenta vendas expressivas de seus discos pelo mundo.[carece de fontes?]

Cinebiografia[editar | editar código-fonte]

Somos Tão Jovens retrata a adolescência de Renato Russo, e como ele virou um dos maiores cantores e poetas brasileiros. Foi dirigido por Antonio Carlos da Fontoura e protagonizado por Thiago Mendonça, como Renato Russo.

Faroeste Caboclo é uma canção que Renato Russo escreveu logo após o fim da antiga banda Aborto Elétrico, enquanto era o "Trovador Solitário". Em 2013, a canção ganhou uma adaptação cinematográfica, dirigida por René Sampaio, com roteiro de Victor Atherino e Marcos Bernstein a partir da letra original, e tendo nos papéis principais os atores Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo), Ísis Valverde (Maria Lúcia), Felipe Abib (Jeremias) e César Troncoso (Pablo). Retrata a história de João de Santo Cristo, um homem negro que aprende a lutar sozinho contra o preconceito, a injustiça e pela própria vida.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Com a legião urbana[editar | editar código-fonte]

Ano Álbum Tipo
1980 Ao Vivo na Funarte Ao Vivo
1985 Legião Urbana Estúdio
1986 Dois Estúdio
1987 Que País É Este Estúdio
1989 As Quatro Estações Estúdio
1991 V Estúdio
1992 Música para Acampamentos Coletânea, com canções inéditas
1994 O Descobrimento do Brasil Estúdio
1996 A Tempestade ou O Livro dos Dias Estúdio
1997 Uma Outra Estação Estúdio
1998 Mais do Mesmo Coletânea
1999 Acústico MTV Legião Urbana Ao Vivo
2001 Como É que Se Diz Eu Te Amo Ao Vivo
2004 As Quatro Estações ao Vivo Ao Vivo
2006 Uma Celebração Ao Vivo, gravado por outros artistas
2009 Legião Urbana e Paralamas Juntos Ao Vivo
2011 Perfil Coletânea

Álbuns solo de estúdio[editar | editar código-fonte]

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

Músicas em Novelas[editar | editar código-fonte]

1990 - Rainha da Sucata - "Meninos e Meninas"

Videografia[editar | editar código-fonte]

  • Acústico MTV (1999) - Gravado ao vivo em 1992 (Lançamento póstumo)
  • Renato Russo: Entrevistas (2006) - DVD lançado pela MTV com entrevistas guardadas durante 10 anos (lançamento póstumo)
  • Acústico MTV Série Bis DVD + CD (2007) - Gravado ao vivo em 1992 (lançamento póstumo)
  • Rock Solidário - o Filme (2009) - 42º Festival de Cinema Brasileiro em Brasília (curta-metragem)
  • Eduardo e Mônica - Filme Publicidade (2011) - Um clipe com quase 5 minutos feito pela Vivo
  • Somos Tão Jovens (2013) - Filme biográfico (2013)
  • Faroeste Caboclo (2013) - Filme baseado na música de mesmo nome, composta por Renato Russo.
  • Eu te amo Renato (2013) - Releitura das canções de Renato Russo e homenagem ao cantor e a seus fãs

Livros[editar | editar código-fonte]

Durante sua carreira teve quatro livros publicados e, após sua morte, outros quatro livros foram lançados[17] Em junho de 2009, é lançada a biografia "Renato Russo: O filho da Revolução", do jornalista Carlos Marcelo Carvalho. A obra é contextualizada desde o período de infância de Renato, passando pela sua juventude — com acontecimentos políticos históricos da época forte de opressão da Ditadura Militar como pano de fundo — e culminando com o seu amadurecimento como homem, poeta, artista e músico.

Em 2001, foi publicada pela editora DPL a obra mediúnica "Sempre Há uma Luz" escrita por Sérgio Luís e psicografada pelo cantor Renato Russo, onde relata a sua passagem para o plano espiritual após a sua morte. No livro, o cantor não assina como Renato Russo, e sim como Ruggeri Rubens, mas pelo conteúdo do livro leva-se a acreditar que o espírito é Renato Russo.

Legado[editar | editar código-fonte]

Em 1999, o produtor Luiz Fernando Borges apresentou o projeto de um documentário para a família Manfredini, pedindo a autorização e também a participação e todos concordaram.[18] Em 2005, foi relatado que o projeto de um documentário, já tinha sido descartado e que um filme por título Religião Urbana estava entrando em produção.[18] Logo depois a família se recomendou que Renato não iria gostar do nome Religião, então o nome do filme foi alterado para Somos tão Jovens.[19]

A canção Faroeste Caboclo, composta em 1979, e lançada oficialmente em 1987, ganhou uma adaptação para o cinema. O projeto da adaptação esta sendo liderado por René Sampaio, desde 2005,[20] e foi lançado nos cinemas brasileiros em 30 de maio de 2013.[21]

Em 2006, artistas de variados estilos fizeram uma homenagem ao ícone no CD Renato Russo - Uma Celebração. Já em 2013, trechos de suas composições mais famosas foram usadas durante os protestos que mobilizaram o país entre junho e julho, uma prova de que os conceitos que ajudou a criar se tornaram referência e pretendem ser seguidos pelas novas gerações. [22]

Referências

  1. Renato Russo - UOL Entretenimento Universo OnlineEntretenimento. Visitado em 28 de junho de 2012.
  2. Biografia no Cravo Albin dicionariompb.com.br. Visitado em 27 de março de 2014.
  3. Renato Russo www.cafemusic.com.br. Visitado em 9 de agosto de 2010.
  4. Dapieve, Arthur. Renato Russo: o trovador solitário. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000. p. 25.
  5. Conversações com Renato Russo. Revisores: Julio Vasco & Renato Guima. Niterói: Letra Livre, 1996, p. 37.
  6. a b c Renato Russo do Inferno ao Céu IstoÉ Terra Networks. Visitado em 28 de junho de 2012.
  7. Os 100 Maiores Artistas da Música Brasileira - Rolling Stone.
  8. Marcelo, Carlos. Renato Russo : o filho da revolução. Rio de Janeiro : Agir, 2009.
  9. Dapieve, p. 16.
  10. Conversações... p. 162.
  11. Dapieve, P. 19.
  12. http://www.terra.com.br/istoegente/34/reportagens/rep_renato.htm
  13. Marcelo, P. 148.
  14. Conversações... p. 106.
  15. Marcelo, p. 30.
  16. Pimentel, Luiz Cesar (2002). ex-baixista da Legião Urbana, brutalmente honesto Você Tem que Ler Isso! R7. Visitado em 13 de Setembro de 2014.
  17. sobre ele, sendo um deles "Conversações com Renato Russo", que contém trechos de entrevistas mostrando o seu ponto de vista sobre o rock, a bissexualidade (incluindo a sua própria), o mundo, as drogas e a política. Do ponto de vista da análise técnica, isto é, da crítica literária (acadêmica), foi lançado o livro: "Depois do Fim — vida, amor e morte nas canções da Legião Urbana", de Angélica Castilho e Erica Schlude (ambas da UERJ). Vale ser citado como bibliografia referencial os livros "O Trovador Solitário" e "BRock — O rock brasileiro nos anos oitenta", ambos de Arthur Dapieve
  18. a b Tarso Araújo (12 de abril de 2005). Religião Urbana: filme contará história de Renato Russo WhiPlash. Visitado em 4 de março de 2013.
  19. Francisco Russo. Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de "Somos Tão Jovens" e das filmagens! AdoroCinema. Visitado em 2 de abril de 2013.
  20. Música da Legião Urbana será adaptada para o cinema Yahoo! (10 de julho de 2005). Visitado em 25 de fevereiro de 2013.
  21. Agenda de estreias - 24 maio 2013 AdoroCinema. Visitado em 25 de fevereiro de 2013.
  22. Revista Digital Afronte - Especial Renato Russo http://www.afronte.com.br/renato-russo-54-anos-do-trovador-solitario/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Renato Russo