Renegado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde julho de 2012). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

O termo renegado aplica-se a pessoas que tenham abjurado (renunciado) às suas crenças, ideais ou opiniões. Em muitos contextos está associado à renúncia a uma religião (apostasia ou conversão), partido ou ideologia política. De forma mais genérica, pode aplicar-se a quem tenha sido repelido, desprezado, execrado ou amaldiçoado.[1]

No contexto das conversões religiosas na península Ibérica medieval o termo é também frequentemente usado como sinónimo de muladi, elche e tornadiço (ver a secção "outros renegados religiosos").

Renegados na Barbaria[editar | editar código-fonte]

No contexto da história da Idade Moderna do Ocidente, o termo por vezes designa especificamente os europeus que viveram nos estados muçulmanos da Barbaria (noroeste de África) e que renunciaram ao cristianismo.

Muita dessa gente abandonou as suas terras à força, por terem sido feitos cativos de piratas da Barbaria durante os ataques que estes levavam a cabo nas costas europeias, sendo depois vendidos como escravos. Era frequente que esses escravos fossem libertados ou tivessem uma vida menos dura caso se convertessem ao Islão e muitos deles chegaram a ter posições de destaque entre os que os tinham capturado ou que eram seus amos.[2] O escritor francês do século XVII Germain Moüette, que depois de ter sido capturado pelos piratas de Salé passou vários anos como escravo em Marrocos, relatou que a mulher de um dos seus amos lhe prometeu a mão da sua sobrinha se ele abjurasse a sua fé cristã, o que ele recusou.[3]

Houve também renegados que eram aventureiros que procuravam a sua sorte ao serviço de piratas muçulmanos ou como mercenários. Muitos dos comandantes e grande parte das tripulações dos navios dos piratas da Barbaria eram renegados, ou seja, europeus originalmente cristãos. Na República de Salé, um estado pirata que durou algumas décadas no século XVII, onde estavam baseados os Sale Rovers, os renegados tiveram grande relevância, controlando uma parte importante das operações de pirataria.

O mais célebre renegado de Salé foi o holandês Jan Janszoon, conhecido pelo seu nome em árabe de Murad Reis, o Novo, John Barber ou Capitão John. Janszoon começou por ser corsário em navios holandeses, tendo sido capturado por piratas da Barbaria em 1618 e levado para Argel, onde rapidamente se tornou um comandante pirata. Mudou-se depois para Salé, onde foi nomeado grande almirante e governador do sultão marroquino.

Outro renegado célebre foi Yuder Paxá. Yuder nasceu na região de Almeria no seio duma família mourisca, no sul de Espanha, tendo sido capturado por piratas em criança e levado para Marrocos, onde foi subindo na escala social. Pela sua atuação na Batalha de Alcácer-Quibir (1578), foi nomeado caïde (governador) de Marraquexe e em 1590 foi o comandante da tropas do sultão saadiano Ahmed al-Mansur que conquistaram o Império Songhai, no Mali.

Outros renegados religiosos[editar | editar código-fonte]

Na península Ibérica, durante o período islâmico houve populações locais hispano-visigodos — os chamados muladis — que abandonaram o cristianismo e se converteram ao islamismo no século VIII. Nos séculos XIV e XV houve muitos cristãos, muitos deles ex-cativos, — os chamados elches — que se converteram igualmente ao islamismo. Na mesma altura existiram também os tornadiços, o inverso dos elches, isto é, muçulmanos que se converteram ao cristianismo. Durante as perseguições religiosas do final do século XV e do século XVI, muitos muçulmanos e judeus converteram-se ao cristianismo, muitas vezes à força, sendo chamados de cristãos-novos. Por vezes os cristãos-novos de origem judaica eram também chamados marranos, um termo depreciativo que geralmente se associa a judeus supostamente convertidos ao cristianismo que continuavam a professar o judaísmo secretamente.

O termo renegado foi também usado para designar os huguenotes (calvinistas franceses) nos séculos XVI e XVII e os independentistas dos Países Baixos que se rebelaram contra Filipe II de Espanha em 1581.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. renegado www.Infopedia.pt Porto Editora. Visitado em 30 de julho de 2012.
  2. Maziane 2007, p. 96-99
  3. Moüette 1683, p. 27

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre religião é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.