República de Novgorod

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República de Novgorod

República mercantil

Lesser Coat of Arms of Ukraine (gold).svg
1136 – 1478  
Imperial Coat of arms of Russia (17th century).svg

Brasão de Novgorod

Brasão

Localização de Novgorod
Domínios de Novgorod, no século XV.
Continente Europa
Capital Novgorod, a Grande
Língua oficial Eslavônico
Religião Cristianismo ortodoxo
Governo República
Príncipe
 • 882-913 Oleg de Kiev
 • 10191054 Jaroslau I, o Sábio
 • 1462-1505 Ivan III, o Glorioso
Legislatura Senado romano
Período histórico Idade Média
 • 1136 Fundação
 • 1478 Unificação sob domínio da Moscóvia
Deu origem a Rússia Federação Russa
Finlândia Finlândia

A República de Novgorod (em russo: Новгородская Республика) foi um antigo Estado eslavo da Idade Média, que se estendia do Mar Báltico até os Montes Urais, entre os séculos XII e XV. Novgorod, a Grande era a capital do país.

Pouco se sabe acerca da antiga terra de Novgorod. O período da República, entre 1136 e 1478, no entanto, possibilitou diversos relatos históricos, e por isso, a existência de uma nação na cidade é considerada somente nesse intervalo.

História[editar | editar código-fonte]

Centro mercantil da Europa Oriental[editar | editar código-fonte]

A cidade de Visby, na Gotlândia, funcionava como o principal centro mercantil no Báltico, antes da Liga Hanseática. Os mercadores de Visby logo estabeleceriam feiras na região de Novgorod, dando-lhe o nome de Gotenhof, em 1080. [1] Mais tarde, na primeira mentade do século XIII, mercadores alemães também estabeleceram seus postos comerciais em Novgorod, que por eles era chamada de Peterhof. [2] Por volta do mesmo período, em 1229, mercadores alemães em Novgorod passaram a receber privilégios, permitindo que eles lá se fixassem, estabelecendo um mercado seguro na região. [3]

A República[editar | editar código-fonte]

Em 1136, os moradores de Novgorod depuseram o príncipe Vsevolod Mistislavic. A data é vista como o início da República de Novgorod. A cidade então pôde eleger e demitir diversos príncipes no decorrer de dois séculos, mas o poder e status monárquicos nunca foram abolido, dando origem a vários príncipes poderosos, como o mítico herói russo Alexandre Névski, que podiam governar a cidade sem se preocupar com as opiniões dos cidadãos. A província era também governada por uma assembleia, chamada vetche. [4] A cidade controlava a maior porção do nordeste europeu, de terras ao leste da atual Estônia até os Montes Urais, fazendo de Novgorod um dos maiores Estados da europa medieval, apesar da baixa população e falta de organização política nas terras ao norte e ao leste do Ladoga e do Onega.

Uma das figurais locais mais importantes era o chamado posadnik, um oficial eleito pela vetche entre candidatos da aristocracia da cidade. Os tisiatski, originalmente os chefes das forças militares, que mais tarde ganhariam poder e influência para se tornarem lideranças comerciais e judiciais, também eram eleitos pela assembleia. O Arcebispo de Novgorod era outra figura importante, que compartilhava poder com os boiardos. [5] [6]

Monumento em celebração ao milênio da Rússia, localizado na cidade de Novgorod.

Ao passo que a estrutura básica dos diversos cargos oficiais e da própria vetche podem ser ilustrados, a constituição política da cidade ainda permanece desconhecida. Os boiardos e arcebispos governavam as cidades juntos, mas onde terminava o poder de um e começava o do outro é incerto. O príncipe, apesar de ter seu poder reduzido a partir do século XII, era representado por seu namestnik, que tinha papel importante como comandante militar, legislador e jurista. A exata composição da vetche também é incerta. O historiador Vasili Kliutchevski, por exemplo, sempre afirmou a orientação democrática da vetche por natureza, enquanto os estudiosos modernos, como Valentin Ianin e Alexander Khoroshev, a vêem como uma "democracia deturpada", controlada por uma elite poderosa.

No século XIII, Novgorod, enquanto não se tornava um membro da Liga Hanseática, era o entreposto mais oriental da Liga, sendo a fonte de uma grande quantidade de peles luxuosas, como de zibelinas, arminhos, raposas, marmotas e esquilos. [7]

Com o decorrer da Idade Média, a cidade floresceu culturalmente. Um grande número de escrituras foram achadas em escavações, sugerindo um alto nível de educação, ainda que tais dados sejam incertos. Foi em Novgorod que o mais velho livro escrito em uma língua eslava, o Codex, foi encontrado. Algumas das crônicas russas mais antigas foram escritas nos gabinetes dos arcebispos, que promoveram a iconografia e a construção de templos. O mercador de Novgorod, Sadko, tornaria-se um dos mais conhecidos heróis do folclore russo.

Durante as aventuras dos nômades, Novgorod nunca foi conquistada pelos mongóis. Quando se aproximava da cidade, o exército mongol retornou, não por medo da cidade propriamente, mas sim pelo fato de os comandantes mongóis temerem as regiões pantanosas de Novgorod. Entretanto, os príncipes da Moscóvia, notavelmente Ivã I, que atuavam como xerifes da Horda de Ouro, coletando impostos das províncias vizinhas, não aceitavam os pagamentos de Novgorod.

A hegemonia da Moscóvia[editar | editar código-fonte]

A queda da cidade foi o resultado de sua ineficiência em satisfazer a sua grande população, tornando-a dependente da província de Vladimir-Suzdal, principalmente com relação à demanda por trigo. As principais cidades vizinhas, como Moscou e Tver, passaram a usar essa dependência para ganhar influência sobre Novgorod. Posteriormente, Ivan III, o Glorioso anexou a cidade à Moscóvia, em 1478, dando início ao processo de unificação russa, o primeiro passo para a formação da Rússia moderna. Na época da anexação, Novgorod era a terceira maior cidade russa, com cerca de 25 a 30 mil habitantes, por volta de 1550, até a fome da década de 1560 e o Massacre de Novgorod, em 1570. No massacre, Ivan, o Terrível saqueou a cidade, executando milhares de seus habitantes e deportando a nobreza e elite mercante da cidade para Moscou, Iaroslavl e outras regiões do país.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. The Cronicle of the Hanseatic League
  2. Justyna Wubs-Mrozewicz, Traders, ties and tensions: the interactions of Lübeckers, Overijsslers and Hollanders in Late Medieval Bergen, Uitgeverij Verloren, 2008 p. 111
  3. Translation of the grant of privileges to merchants in 1229: Medieval Sourcebook: Privileges Granted to German Merchants at Novgorod, 1229. Fordham.edu. Página visitada em July 20, 2009.
  4. Michael C. Paul, "The Iaroslavichi and the Novgorodian Veche 1230-1270: A Case Study on Princely Relations with the Veche", Russian History/ Histoire Russe 31, No. 1-2 (Spring-Summer 2004): 39-59.
  5. Michael C. Paul, "Secular Power and the Archbishops of Novgorod Before the Muscovite Conquest". Kritika: Explorations in Russian and Eurasian History 8, no. 2 (Spring 2007): 231-270.
  6. Michael C. Paul, "Episcopal Election in Novgorod, Russia 1156-1478". Church History: Studies in Christianity and Culture 72, No. 2 (June 2003): 251-275.
  7. Janet Martin, Treasure of the Land of Darkness: the Fur Trade and its Significance for Medieval Russia. (Cambridge: Cambridge University Press, 1985).