Resistência Nacional Moçambicana

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Resistência Nacional Moçambicana
(RENAMO)
Presidente Afonso Dhlakama
Fundação 1975 (39 anos)
Sede Avenida Ahmed Sekou Touré Nº 657, Maputo
Ideologia Atualmente:
Conservadorismo,
Populismo
Anteriormente:
Anticomunismo[1]
Afiliação internacional Internacional Democrata Centrista
(observador)
Assembleia da República de Moçambique
51 / 250
Espectro político Direita[1]
Ala jovem RENAMO - Liga da Juventude
Cores Preto, vermelho, azul e branco
Site http://www.renamo.org.mz/

A Resistência Nacional Moçambicana, mais conhecida pelo acrônimo RENAMO, é o segundo maior partido político de Moçambique. O seu atual presidente é Afonso Dhlakama.

Surgiu como reação ao partido único no poder, a FRELIMO, organizando um movimento armado que durou 16 anos.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A RENAMO foi fundada em 1975 após a independência de Moçambique como uma organização política anti-comunista, patrocinada pela Organização Central de Inteligência da Rodésia. A formação do partido (ainda como grupo guerrilheiro de direita) se deu sob os auspícios do primeiro-ministro da Rodésia, Ian Smith, que procurava por meio da RENAMO, impedir que o governo da FRELIMO fornecesse refúgio para a União Nacional Africana do Zimbábue, militantes que buscavam derrubar o governo rodesiano.

Início[editar | editar código-fonte]

A RENAMO começou suas operações na província de Manica, centro de Moçambique, com André Matsangaíssa, um dissidente da FRELIMO. Matsangaíssa foi morto pelas forças governamentais em Gorongosa no dia 17 de outubro de 1979, num ataque da RENAMO a uma posição das forças governamentais. A base era conhecida com o nome de "Casa Banana". Depois de uma luta pela sucessão violento, Afonso Dhlakama tornou-se o novo líder da RENAMO.

Durante a Guerra Civil moçambicana da década de 1980, a RENAMO também recebeu o apoio da África do Sul.[2] Nos Estados Unidos, a CIA e os conservadores fizeram lobby para o apoio à RENAMO, no entanto encontrou-se forte resistência por parte do Departamento de Estado, que disse "não reconhecer ou negociar com a RENAMO".[3] [4] [5] O governo britânico de Margaret Thatcher não enxergava a guerra civil em Moçambique como parte da Guerra Fria, assim a princípio apoiava informalmente a RENAMO. No entanto quando a FRELIMO tomou a atitude de fechar a fronteira para Rodésia, fato que vinha a calhar com os interesses britânicos que naquele momento se punha contra a colônia rebelde (Rodésia), o governo britânico passou a apoiar a FRELIMO, enquanto que o governo rodesiano apoiou a RENAMO.

1992 - atualidade[editar | editar código-fonte]

Com o término da guerra civil, sob os termos do Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992, a RENAMO abandonou as armas e converteu-se em um partido político. Neste período, com a dissolução da União Soviética, e a conversão da FRELIMO em um partido social-democrata, a RENAMO abandona sua ideologia anti-comunista, mas adota como substituição a esta uma ideologia populista e conservadora. Os antigos combatentes da RENAMO foram integrados ao exército moçambicano.

A RENAMO já concorreu três vezes às eleições multipartidárias, tanto para o parlamento, onde ficou sempre em minoria, como apoiando Dhlakama como candidato à presidência, mas perdeu as eleições. Em relação às eleições municipais, a RENAMO boicotou as primeiras, em 1998, mas concorreu às segundas, em 2003, assegurando o controle de cinco dos 33 municípios.

Nas eleições legislativas de 1º e 2 de Dezembro de 2004, o partido foi o cabeça da colisão eleitoral Renamo-UE, que conquistou 29,7% dos votos e 90 dos 250 assentos. O candidato presidencial dessa aliança, Afonso Dhlakama, recebeu 31,7% dos votos populares.

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Raul Domingos, negociador nos Acordos Gerais e líder da RENAMO no Parlamento entre 1994 e 1999, foi expulso do partido em 2000 e, em 2003, fundou o Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento.

Em Agosto de 2008, a RENAMO preteriu o presidente do Conselho Municipal do principal município controlado por si, o Eng. Daviz Simango, para candidato à reeleição nas eleições municipais agendadas para Novembro de 2008. O Eng. Simango decidiu candidatar-se como independente, tendo sido, por isso, expulso do partido. Esta série de eventos levou a tumultos na Beira, à deserção de vários membros desta formação política e à formação de um novo partido político, o Movimento Democrático de Moçambique.

Referências

  1. a b MACEDO, Victor Miguel Castillo de; MALOA, Joaquim. [http://www.fflch.usp.br/ds/plural/edicoes/20_1/plural_v20n1_entrevista.pdf "Em Moçambique só há partidos de direita": uma entrevista com Michel Cahen] Revista do Programa de Pós‑Graduação em Sociologia da USP.
  2. Binding Memories: Chronology
  3. Deciding to Intervene, p. 204.
  4. Deciding to Intervene, p. 207.
  5. Africa: The Challenge of Transformation

Ligações externas[editar | editar código-fonte]