Reversor de empuxo

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Fokker 70 da empresa KLM com empuxo reverso aplicado. As duas superfícies atrás do motor podem ser vistas na posição ativada, dirigindo o fluxo de ar liberado pelo motor para frente.

Reversor de empuxo ou empuxo reverso (em inglês: thrust reversal ou thrust reverse) é uma modificação temporária do motor de uma aeronave que tem por objetivo utilizar os gases proveniente da câmara de combustão das turbinas como "freios". Isso é feito através de conchas defletoras que acionam e desviam os gases oriundos da turbina forçando-os a formar um ângulo de 45 graus, o que produz uma força de empuxo contrária ao sentido normal de deslocamento da aeronave gerando forte desaceleração. Os reversores de empuxo são geralmente usados em aviões a jato, para ajudar a frear após a aterrissagem, reduzindo o uso dos freios e permitindo distâncias menores de frenagem.

O uso de reversores com freios reduzem a distância de pouso sendo uma maneira eficiente de frear o avião.

Reversos de empuxo em um motor Turbo-Union RB199.

Funcionamento[editar | editar código-fonte]

O reversor geralmente é aplicado imediatamente após a aterrissagem, muitas vezes junto com os spoilers, para melhorar a desaceleração no início do rolagem na pista de pouso. O reverso é acionado manualmente. Quando o reverso é acionado, os passageiros ouvem um aumento repentino no ruído do motor, especialmente os que estão sentados logo à frente dos motores.

Ditam os regulamentos que um avião deve ser capaz de pousar em uma pista certificada para pouso de voos regulares sem o uso de reversores.

Uma vez que a velocidade da aeronave tenha diminuído, o reversor é desligado para evitar que o fluxo de ar invertido contribua na ingestão de detritos para evitar danos ao motor.

Falhas e Acidentes[editar | editar código-fonte]

  • Em 9 de fevereiro de 1982 o McDonnell Douglas DC-8-61, prefixo JA8061, da Japan Airlines, realizando o voo 350, caiu de uma altitude de 1.000 pés (300 m) na curta pista do Aeroporto de Haneda, em Tóquio após o acionamento intencional do reverso em dois dos quatro motores do DC-8 em uma aparente tentativa de suicídio do piloto, resultando em 24 mortes de passageiros.
  • Em 29 de agosto de 1990, o Lockheed C-5A Galaxy, prefixo 68-0228, da Força Aérea dos EUA, caiu logo após decolar da Base Aérea de Ramstein, na Alemanha. Assim que a aeronave começou a subir, um dos reversores, de repente, foi acionado. Isto resultou em perda de controle da aeronave e posterior queda. Das 17 pessoas a bordo, apenas 4 sobreviveram ao acidente.
  • Em 26 de maio de 1991 o Boeing 767-3Z9ER, prefixo OE-LAV, da Lauda Air, realizando o voo NG004 sofrido um acidente quando o reversor do motor No. 1 foi acionado, o que levou a perda de controle e queda da aeronave a 5,6 km (3.5 mL) a Nor-Nordeste de Phu Toey, na Tailândia. [3] Todos os 213 passageiros e 10 tripulantes morreram.
  • Em 31 de outubro de 1996, o acidente com o Vôo TAM 402 foi causado por ativação espontânea do reversor de um dos motores da aeronave (Fokker 100), prefixo PT-MRK, da TAM, durante o voo, logo após a decolagem.
  • Em 25 de julho de 2000, o Concorde (Aérospatiale/BAC Concorde 101), prefixo F-BTSC, da Air France teve seu acidente atribuído a um fragmento de titânio que caiu do reversor do DC-10-30, prefixo N13067, da Continental Airlines que tinha decolado do mesmo aeroporto, o Paris-Charles de Gaulle, uns quatro minutos mais cedo. Esse fragmento foi utilizado na substituição de uma peça que não tinham sido aprovada pela FAA. Todos os 109 ocupantes do Concorde e quatro pessoas em solo morreram.
  • Em 2 de agosto de 2005 o Airbus A340-313X, prefixo F-GLZQ, da Air France, realizando o voo 358, partiu de Paris com destino a Toronto. Na aproximação para aterrissagem, enfrentou trovoadas e forte chuva. Após um confuso contato com a torre de controle, a aeronave aterrissou na pista 24L do Aeroporto Internacional de Pearson, em Toronto, no Canadá. O avião não conseguiu parar e derrapou parando 200 metros depois do final da pista, com o nariz apontando para uma ribanceira. Este acidente foi atribuído, em parte, a um erro no acionamento do sistemas de reversão de empuxo. Todos os 297 passageiros e os 12 tripulantes conseguiram sair do avião a salvo.
  • Em 8 de dezembro de 2005, o Boeing 737-7H4, prefixo N471WN, da Southwest Airlines, realizando o voo 1248 atravessou a pista do Aeroporto Chicago Midway, em Illinois, nos EUA, atravessando o muro do aeroporto e parando próximo a uma estrada. O 737 colidiu com alguns veículos e causou a morte de um menino de 6 anos de idade que estava em um desses carros. Foi confirmado no relatório oficial do acidente que o reversor foi acionado tardiamente, 18 segundos após o impacto.
  • Por ser um dos sistemas responsáveis pela desaceleração da aeronave durante o pouso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, especula-se que o Voo TAM 3054, em 17 de julho de 2007, foi fatalmente prejudicado pela ausência do reversor direito, que estava inoperante (pinado).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]