Revisor de textos

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Revisor de textos é o profissional encarregado de revisar material escrito com o intuito de conferir-lhe correção, clareza, concisão e harmonia, agregando valor ao texto, bem como o tornando inteligível ao destinatário ― o leitor.

Conceito de revisor[editar | editar código-fonte]

“O revisor se define não por seus conhecimentos, mas por seu perfil psíquico. A revisão é mais que uma profissão: é uma neurose. Esta neurose se caracteriza como uma espécie de sacrifício consentido (desejado) pelo revisor ; é um tributo à saúde (qualidade) da edição. O revisor se oferece, sempre, em sacrifício à Deusa do Idioma [Francês], portanto, todos aqueles que se dedicam a esse ofício nunca serão normais. (…) Para o revisor, o importante não é o que ele sabe, mas o que ele está consciente de não saber ou, pelo menos, não saber totalmente, e que por isso exige permanente verificação. (…) O revisor não lê como todos os demais homens lêem, ele fotografa a palavra visualmente (…) O exercício da profissão do revisor pode ser descrito, perfeitamente, como uma “leitura angustiada”. O seu trabalho é, justamente, evitar que todos os outros seres humanos necessitem fazer essa leitura angustiada.” [1]

Tipologia[editar | editar código-fonte]

Conforme o tipo de revisão em causa, que poderá não ser apenas uma revisão do original (gramática, ortografia e composição), mas também uma revisão literária (com uma intervenção do revisor no estilo e mesmo no conteúdo), assim se caracteriza o revisor. Em determinados contextos, o revisor pode tornar-se o profissional encarregado de analisar criticamente um texto escrito, não só do ponto de vista ortográfico e gramatical, mas também com o objetivo de apontar sugestões para aprimorar a estrutura textual. Uma boa revisão literária leva em consideração a possibilidade de realização de uma leitura mais clara, concisa e harmônica, agregando valor ao texto.

Em muitos casos, o revisor pode mesmo tornar-se num coautor do texto, a partir da proposta de melhorar a argumentação quando for necessário. Isto é frequente, por exemplo, no âmbito jornalístico e, em alguns países (não em Portugal), no contexto literário, podendo este revisor, por exemplo, chegar ao ponto de alterar o final de um romance ou seu título. Nestes casos, deixa de se falar em revisão para se falar em editoração, preparação de texto ou copidesque.

Para realizar uma revisão de qualidade, além de consultar ferramentas (dicionários, gramáticas) que sustentem as correções realizadas, o revisor precisa conhecer a diversidade dos gêneros textuais, bem como saber respeitar as características estilísticas inerentes a cada autor.

Portanto, pode-se afirmar que o revisor de textos deve dominar as regras gramaticais da língua padrão do texto, bem como atentar para a redação, revisão de provas, revisão de padrão (ou padronização textual) e revisão gramatical. O revisor trabalhará com uma enorme variedade de materiais: em geral, textos técnicos, científicos, acadêmicos, jornalísticos e comerciais (revistas, jornais, livros, manuais, cartas, relatórios, apostilas, teses, monografias, tabelas, gráficos, transparências, folders, entre outros), que na maioria das vezes serão publicados .

Este profissional, normalmente, possui formação superior em Letras ou Jornalismo. No entanto, há profissionais de revisão formados em áreas diversas, uma vez que atualmente é possível encontrar ofertas de cursos de especialização latu sensu em revisão de textos. Na cultura anglófona, algumas das competências desta atividade são apelidadas de copy-desk, termo que foi usado por muitos jornais lusófonos nos anos 90 (mas tem caído em desuso).

Algumas figuras célebres da sociedade brasileira foram revisores de texto em outros momentos de suas carreiras, como é o caso do cantor Chico César, do humorista Tom Cavalcante e dos jornalistas Roberto Marinho, Salete Lemos e Denise Campos de Toledo.

Profissionais relacionados[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BRISSAUD, tradução de Sandra Baldessin.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

BRISSAUD, Sophie. La lecture angoissée ou la mort du correcteur. Cahiers GUTenberg n°31 — déc. 1998.

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