Guerra civil inglesa

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Guerra Civil Inglesa
Battle of Naseby.jpg
A batalha de Naseby.
Data 1642 – 1651
Local Inglaterra Reino da Inglaterra
Desfecho Vitória do Parlamento; execução do rei Carlos I, estabelecimento da Commonwealth sob a liderança de Oliver Cromwell
Combatentes
Forças leais a Coroa Parlamentares
Principais líderes
Carlos I
Carlos II
Robert Devereux
Thomas Fairfax
Oliver Cromwell
Vítimas
~ 50 700 mortos ~ 34 130 mortos

A Guerra Civil Inglesa, que aconteceu durante a Revolução Inglesa, foi uma guerra civil entre os partidários do rei Carlos I da Inglaterra e o parlamento, liderado por Oliver Cromwell.[1] Começou em 1642 e acabou com a condenação à morte de Carlos I em 1649.

Antes da revolução, o poder do rei era absolutista, uma vez que contestá-lo era um sacrilégio. Depois da revolução, o poder do rei se viu reduzido, onde o rei existe e reina, mas não governa, quem governa é o Primeiro-Ministro, através do parlamento.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da guerra civil, o parlamento não era um órgão permanente da política inglesa, mas uma assembléia temporária e aconselhadora. O monarca inglês podia ordenar a sua dissolução. O parlamento era composto por representantes da pequena nobreza e tinha o cargo de recolher os impostos e taxas do rei. O rei recebia os avisos do parlamento por intermédio dos chamados Bill of Rights (Declaração de Direitos), todavia o rei não tinha obrigação de os seguir.

Primeiras preocupações[editar | editar código-fonte]

Pouco depois de subir ao trono em 1625, Carlos I casou-se com a princesa francesa e católica Henrietta Maria, ato que contrariou a poderosa minoria puritana que representava um terço do Parlamento. A participação nas guerras europeias do século XVII agravou as divergências entre o rei e os parlamentares. Consideradas como cruzadas católicas, Carlos I da Inglaterra mandou como comandante um dos seus favoritos, George Villiers, primeiro duque de Buckingham. Desde o reinado de Jaime, o Parlamento desconfiava de Buckingham e pediu que caso ele não alcançasse seus objetivos, fosse-lhe retirado o comando das forças. Depois do desastroso raide na França, o parlamento demitiu Buckingham do seu cargo em 1626. Carlos I, furioso, considerando esta decisão como um insulto pessoal, dissolveu o Parlamento o qual julgou "incompetente".

Petição dos direitos[editar | editar código-fonte]

Um novo parlamento foi reunido em março de 1628. Foi o terceiro parlamento do reinado de Carlos I. Oliver Cromwell foi um dos eleitos. Em junho, o parlamento aprovou a petição dos direitos que exigiu:

  • O fim das detenções arbitrárias;
  • O consentimento do parlamento para todos os impostos;
  • A proibição do aboleto de militares em casas privadas;
  • A proibição da lei marcial em tempo de paz.

Todavia, Carlos I tentou descobrir outros meios para recolher novas receitas. Uma das medidas mais controversas foi a extensão do imposto ship money cobrado nos portos à totalidade no país. O imposto não havia sido aprovado pelo parlamento.

A prisão de John Eliot (um dos inspiradores da petição dos direitos) e de oito outros membros do parlamento depois da descoberta de que os mesmos não pagaram este imposto indignou o país.

A tirania dos onze anos[editar | editar código-fonte]

Durante uma década, Carlos I da Inglaterra reinou sem parlamento. Essa política revelou-se desastrosa, particularmente quando foi declarada a Guerra dos bispos entre 1639 e 1640 contra os escoceses.

Carlos I, aconselhado pelo arcebispo de Canterbury, William Laud, defendeu a idéia de uma Igreja da Inglaterra mais pomposa e cerimoniosa.[2] Os puritanos acusaram Laud de tentar reintroduzir o catolicismo. Face às críticas, Laud mandou prender e torturar seus opositores. Em 1637, John Bastwick, Henry Burton e William Prynne tiveram suas orelhas cortadas por terem escrito panfletos contra as opiniões de Laud - sentença rara para homens deste nível social e que provocou mais rancor.

Laud e Carlos I acreditavam que o primeiro passo para a unificação da Escócia e da Inglaterra seria introduzir um livro comum de orações. Em 1638, os escoceses reagiram de maneira brutal e expulsaram os bispos das igrejas da Escócia. Um ano depois, o rei enviou tropas para controlar os rebeldes. Sem sucesso, concordou em assinar a pacificação de Berwick e foi humilhado quando aceitou não interferir na religião na Escócia, e também pagar reparações de guerra.

O curto parlamento[editar | editar código-fonte]

Robert Blake, Almirante, 15991657 por Henry Perronet Briggs, pintado em 1829.

Carlos I, sem fundos e desejando acabar com a rebelião no norte, convocou um novo parlamento em 1640. Um dos seus membros foi Robert Blake. Mas, pouco depois, o parlamento foi novamente dissolvido porque recusou aprovar novos subsídios. O apelido "Parlamento curto" ficou para designar este episódio. O rei atacou a Escócia e mais uma vez foi derrotado. Northumberland e Durham passaram a ser territórios escoceses. É o fim da Segunda guerra dos bispos.

O longo parlamento[editar | editar código-fonte]

Carlos I convocou um novo parlamento em novembro de 1640. A Lei Trienal foi votada, o que obrigou a convocação de um Parlamento todos os três anos. Outras leis impediram a dissolução do parlamento pela Coroa, além de impedirem que o rei criasse novos impostos e permitir o controle de seus ministros.

Após a pacificação aparente da Irlanda durante os oito anos da administração de Thomas Wentworth, conde de Strafford, Carlos I cogitou usar um exército católico liderado por ele contra os escoceses. Simplesmente imaginar tropas católicas contra a Escócia era um insulto feito aos parlamentares. Em 1641, Strafford é preso na Torre de Londres. O rei se recusa assinar a ordem de execução. Todavia, Thomas Wentworth, pensando salvar o país de uma guerra iminente, pediu ao rei para assiná-lo. Strafford foi executado em 12 de maio de 1641.

O efeito da morte de Strafford foi contrário ao esperado. Os católicos ingleses atacaram primeiro, temendo o regresso de um poder protestante. Os rumores diziam que Carlos I apoiava os irlandeses. Em 4 de janeiro de 1642, a tentativa de aprisionar cinco membros do parlamento (John Hampden, John Pym, Arthur Haselrig, Denzil Holles e William Strode) por traição falhou.

Primeira Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Alegoria da Guerra Civil Inglesa por William Shakespeare Burton.

O parlamento reuniu as tropas lideradas por Robert Devereux, 3° Conde de Essex,[nota 1] com o objetivo de defender a Escócia e impedir o regresso do monarca ao poder. Carlos I da Inglaterra escapou de Londres[3] e reuniu tropas em Agosto em Nottingham.

No início do conflito, a Marinha Real Britânica e a maioria das cidades inglesas apoiaram o parlamento, o rei encontrou partidários nas zonas rurais; porém, a maior parte do país se encontrava neutra. Cada adversário conseguiu juntar 15000 homens. Os defensores do rei combateram para uma Igreja e um poder tradicional. Os partidários do Parlamento defenderam reformas na religião, na política econômica e na repartição dos poderes.

O parlamento tinha a vantagem de ter ao seu lado as grandes cidades que abrigavam grandes arsenais como Londres e Kingston upon Hull. A primeira batalha foi uma vitória do parlamento em Hull em julho. Em seguida a batalha de Edgehill foi vencida pelos partidários do rei em 23 de outubro de 1642.[4]

Derrotado em Turnham Green, Carlos I fugiu para Oxford, sua principal base para o resto da guerra. Em 1643, os monarquistas venceram as batalhas de Adwalton Moor, Lansdowne, Roundway Down e controlaram Yorkshire e Bristol. Entretanto, Oliver Cromwell criou os "Ironsides", que permitiram a vitória em Gainsborough em Julho.

Depois da batalha de Newbury, a qual terminou sem um lado vencedor, as tropas do Parlamento venceram em Winceby, em 11 de outubro de 1643, ganhando o controle de Lincoln. Apoiadas pelos escoceses, venceram em York e Marston Moor. Cromwell, que inventou um modelo de forças armadas com mais profissionalismo, tornou-se um líder militar e político. Em 1645, todas as tropas do Parlamento adotaram esse modelo e Thomas Fairfax foi nomeado comandante, assistido por Cromwell. As vitórias de Naseby (14 de junho) e de Langport (10 de julho) destruiram as forças de Carlos I.

Captura de Carlos I[editar | editar código-fonte]

Sem recursos, o rei buscou refúgio na Escócia em 1646.[5] É o fim da primeira guerra civil. Preso em Holdenby House, os militares raptaram o rei, descontentes com as condições de desmobilização ordenadas pelo parlamento. Depois de três meses no palácio de Hampton Court, conseguiu escapar para a ilha de Wight, onde foi preso mais uma vez. Os militares, sempre insatisfeitos com os atrasos dos pagamentos e das condições de vida, marcharam para Londres em agosto de 1647.

Segunda Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Carlos I aproveitou-se da falta de atenção sobre ele para renegociar um acordo com os escoceses, prometendo uma nova reforma da Igreja em 28 de dezembro de 1647. Este acordo foi o "estopim" ou "rastilho" do segundo conflito.

Em 1648, os partidários do rei revoltaram-se enquanto os escoceses invadiram o país. As poderosas e organizadas forças armadas inglesas foram vitoriosas. Esta rebelião de Carlos I provocou discussões no seio do Parlamento. Alguns tentaram negociar com o rei, outros questionaram a sua autoridade e legitimidade no país. As tropas, durante os eventos chamados Pride's Purge (expurgo de Pride[desambiguação necessária], nome de um dos comandantes da revolta), fizeram prisioneiros 45 parlamentares, 146 expulsos. Só 75 membros do parlamento foram autorizados a se reunir. Eles organizaram um tribunal que julgou e condenou Carlos I.

Processo de Carlos I por traição[editar | editar código-fonte]

Depois de algumas dificuldades para encontrar juízes, em 1648, com 68 votos contra 67, Carlos I foi declarado culpado de traição. Foi executado no palácio de Whitehall em 1649. Após a restauração da monarquia, a maioria dos juízes que votaram para a pena de morte também foram executados.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Estima-se que 15% da população tenha morrido durante a guerra, a maioria de enfermidades e doenças. Na realidade, foi a Revolução Inglesa que criou, via Revolução Industrial, as condições para a instauração do modo de produção capitalista, e permitiu à marinha inglesa controlar os mercados mundiais. A Inglaterra se tornou o único país sem monarca. Um governo republicano liderou a Inglaterra e depois todas as ilhas britânicas de 1649 a 1653, e de 1659 a 1660. Entre os dois períodos, Oliver Cromwell consolidou sua ditadura militar.

Depois da morte de Cromwell, o seu filho, Ricardo Cromwell, tentou governar de modo absoluto ou autocrático à imagem do seu pai, mas foi deposto por um golpe tramado pelo Parlamento. Pouco depois, a monarquia foi restaurada com Carlos II. A Inglaterra transformou-se numa monarquia parlamentar.

Notas

Referências

  1. Lewis, Brenda Ralph. (maio/junho 1985). "The English Civil War" (em inglês). Strategy & Tactics (101): 62 p. 14-18. New York: Simulations Publications. ISSN 0049-2310.
  2. Carlton, Charles. Archbishop William Laud. London: Routledge Kegan & Paul, 1988. 320 pp. p. 48. ISBN 978-0-71020463-9.
  3. Wedgwood, C. V. The King's War: 1641–1647. London: Fontana, 1970. p. 57.
  4. Young, Peter; Roffe, Michael. The English Civil War. London: Osprey, 1973. 41 pp. p. 1. ISBN 0-85045-119-1.
  5. Haythornthwaite, Philip. The English Civil War 1642-1651: An Ilustrated Military History. London: Brockhampton Press, 1994. 160 pp. p. 105-107. ISBN 1-86019-8600.

Ver também[editar | editar código-fonte]