Revoluções de 1848 nos Estados alemães

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Revolucionários comemorando em Berlim, em 19 de março de 1848.

As Revoluções de 1848 nos Estados alemães, também chamada de Revolução de Março - parte das Revoluções de 1848 que eclodiram na Europa - foram uma série de protestos coordenados e rebeliões nos Estados da Confederação Germânica, incluindo o Império Austríaco. As revoluções salientaram o pangermanismo, enfatizou o descontentamento popular com a tradicional estrutura amplamente autocrática dos 39 Estados independentes da Confederação, que havia herdado o território alemão do Sacro Império Romano-Germânico. Além disso, demonstraram o desejo popular para uma maior liberdade política, junto com políticas liberais, a liberdade de expressão, democracia e nacionalismo. Os elementos da classe média estavam preenchidos com princípios liberais, enquanto a classe trabalhadora buscou melhorias radicais em suas condições de trabalho e de vida. No entanto, a classe média e os componentes da classe trabalhadora foram divididos durante a Revolução, e no final, a aristocracia conservadora havia derrotado ambas as partes, forçando muitos liberais para o exílio.

Principais causas[editar | editar código-fonte]

A campanha nas revoluções alemãs de 1848 teve dois objetivos principais, primeiro, um sistema unificado alemão (Estado-nação) e segundo, a introdução de liberdades civis.[1]

As exigências para a reforma política incluindo a liberdade de imprensa, a auto-organização das universidades e um parlamento que represente todos os cidadãos alemães foram apenas representadas pelos monarcas de uma comunidade de Estados soberanos alemães.

O sentimento nacionalista, que foi amplamente difundido entre os estudantes da classe média educada foi estimulado pela Crise do Reno de 1840, quando parecia que a França invadiria a Renânia. O historiador Fichte e o escritor Jahn Arndt, haviam contribuído de diferentes formas para o crescimento de um sentimento nacional difuso dos alemães. Fichte levantou o temperamento nacional com suas palestras sobre um Estado alemão independente, enquanto Arndt tinha declarado o seu ódio eterno dos franceses e Jahn tinha o chamado para a criação de um órgão nacional composto de homens fortes prontos para morrer pela pátria. Todos eles viviam durante a ocupação dos Estados alemães pelo exército napoleônico, e da França que era vista como uma grande rival para os Estados alemães, que em sua composição eram espalhados e tinham sido incapazes de formar uma defesa coordenada contra Napoleão. A crise no Reno provocou uma nova onda de sentimento anti-francês e a composição de músicas patrióticas conhecidas como Rheinlied. Além disso, a declaração da Dinamarca que ocuparia parte de Schleswig-Holstein provocou uma oposição generalizada. A partir de 1840, houve um consenso entre os liberais alemães, que visavam apenas a dupla união e a liberdade de lutar.[1]

As desastrosas condições econômicas também desempenharam um papel. A epidemia de cólera espalhou a morte e o sofrimento para a Silésia. O crescimento da população e os fracassos da safra entre 1846 e 1847 causaram fome e miséria. Muitas pessoas se mudaram para a cidades, a fim de sobreviver, mas os salários eram muito baixos e as condições de vida eram terriveis.

Em 1828, a União Aduaneira Prússia-Hessian havia sido formada, que foi projetada para tornar o comércio de bens prussianos mais eficiente. A Áustria foi o único Estado que não aderiu e foi um poderoso motor para a unificação dos Estados dentro da federação. As normas estabelecidas no Zollverein para os impostos de bens e viagens eram feitas entre os Estados de frouxa legislação. Inicialmente, as área sindicais na Prússia eram poucas e pequenas, mas em 1834 haviam crescido para dentro da região do Zollverein que abrangia grande parte do que viria a ser a Alemanha. Entre outros feitos, estabeleceu os padrões de peso e moeda na Alemanha.

Estes eventos em toda a Europa em 1848 tiveram um impacto também sobre os alemães. Em fevereiro de 1848, o Rei Louis-Phillipe da França abdicou do trono, provocando revoluções em todo o continente europeu, especialmente nos Estados alemães.

Eventos que levaram às revoluções[editar | editar código-fonte]

O trabalho de base no levante de 1848 na Alemanha foi colocada muito tempo antes. O Festival de Hambach de 1832 por exemplo, reflete uma crescente inquietação em face da tributação pesada e censura política. O Festival de Hambach é particularmente notável pelo fato que resultou na origem da bandeira tricolor: preto, vermelho e ouro (que atualmente forma a bandeira da Alemanha), como um símbolo do movimento republicano e de uma união entre os povos de língua alemã.

A pressão liberal se espalhou através de muitos Estados alemães da Confederação Germânica, cada um dos quais experimentaram as revoluções de sua própria maneira. As manifestações de rua dos trabalhadores e artesãos em Paris na França em 22 de fevereiro de 1848 resultaram na abdicação do Rei Luís Filipe e na sua partida da França para a Inglaterra, foi o estímulo necessário para a revolta na Alemanha.[2] Na França, a Revolução de 1848 ficou conhecida como "Revolução de Fevereiro".

A revolução se espalhou pela Europa e começou na Alemanha com grandes manifestações em 13 de março de 1848 em Viena, Áustria, que resultou na renúncia do Príncipe von Metternich como ministro-chefe do imperador Fernando I da Áustria e sua partida para a Grã-Bretanha.[2] Por causa da data destas demonstrações, as revoluções de 1848 na Alemanha são chamadas geralmente de Revolução de Março (em alemão: Märzrevolution).

Temendo o mesmo destino de Luís Filipe da França, alguns monarcas na Alemanha aceitaram algumas exigências dos revolucionários, pelo menos temporariamente. No sul e oeste, as grandes assembleias populares e manifestações em massa ocorreram. Haviam exigido liberdade de imprensa, liberdade de se reunir, constituições escritas, armamento para o povo e um parlamento para o povo alemão.

Referências[editar | editar código-fonte]

Citações[editar | editar código-fonte]

  1. a b Staas, Christian; Volker Ullrich. . "Deutschlands sonderbarer Weg" (em Alemão). Zeit Geschichte (3/2010): 22–28. Interview with historian August Winkler.
  2. a b See the Foreword written by S. Z. Leviova to the book called The Revolution of 1848: Articles from the Neue Rheinische Zeitung by Karl Marx and Frederick Engels (International Publishers: New York, 1972) p. 7.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Hahs, Hans J. The 1848 Revolutions in German-speaking Europe (2001)
  • In: Evans, R. J. W.; Hartmut Pogge von Strandmann. The Revolutions in Europe, 1848-1849: From Reform to Reaction. Oxford: Oxford University Press, 2000.
  • Hamerow, Theodore. Restoration, Revolution, Reaction: Economics and Politics in Germany, 1815-1871. Princeton: Princeton University Press, 1967.
  • Hewitson, Mark. "'The Old Forms are Breaking Up, … Our New Germany is Rebuilding Itself': Constitutionalism, Nationalism and the Creation of a German Polity during the Revolutions of 1848–49," English Historical Review, Oct 2010, Vol. 125 Issue 516, pp 1173–1214
  • Marx, Karl; Friedrich Engels. Karl Marx and Frederick Engels: Collected Works. [S.l.: s.n.]. vol. 7.
  • Mattheisen, Donald J. "History as Current Events: Recent Works on the German Revolution of 1848," American Historical Review Vol. 88, No. 5 (Dec., 1983), pp. 1219–1237 in JSTOR
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  • Palmer, Alan. Bismarck. New York: Charles Scribner's Sons, 1976. ISBN 0-6841-4683-5
  • Pollock, James K.; Thomas H. Pollock. Germany in Power and Eclipse. New York: D. Van Nostrand Co., Inc., 1952.
  • Robertson, Priscilla. "Students on the Barricades: Germany and Austria, 1848," Political Science Quarterly Vol. 84, No. 2 (Jun., 1969), pp. 367–379 in JSTOR
  • Robertson, Priscilla. Revolutions of 1848: A Social History (1952), pp 105–85
  • Sheehan, James J.. German History, 1770-1866 (Series: Oxford History of Modern Europe). Oxford: Oxford University Press, 1990. pp 656–710
  • Sperber, Jonathan. The European Revolutions, 1848-1851 (Series: New Approaches to European History). Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
  • Vick, Brian (2002): Defining Germany The 1848 Frankfurt Parliamentarians and National Identity (Harvard University Press ISBN 978-067400911-0).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]