Ricardo Costa (cineasta)

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Ricardo Costa (Peniche, 25 de Janeiro de 1940) é um cineasta e produtor cinematográfico português. É autor de textos e ensaios sobre cinema, visão e linguagem. Foi editor de obras de intervenção e vanguarda entre 1964 e 1974 (MONDAR editores) e professor de liceu em Lisboa entre 1969 e 1974, data a partir da qual se dedica inteiramente ao cinema.

Obra[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos filmes que realiza são na área do documentário, associado a um estilo ficcional (docuficção e etnoficção), usando as técnicas do cinema directo. A sua primeira longa-metragem intitula-se Avieiros, obra que se insere, como documentário, na linha do Novo Cinema português. Utiliza técnicas do cinema directo não apenas enquanto ferramenta na prática da etnografia de salvaguarda mas também como instrumento que lhe permite compor uma narrativa poética, sóbria e musical (ver artigo de José de Matos-Cruz nas ligações externas), podendo interessar tanto a cinéfilos como a um público mais vasto.

Filmada no limiar do documentário e da ficção, Brumas é a sua penúltima longa metragem (60º Festival de Veneza, 2003New Territories), que estreia em Nova Iorque no Cinema QUAD, em Março de 2011. É o primeiro filme de uma trilogia biográfica sobre a errância. Derivas, a estrear em 2013, o segundo, é «um retrato de Lisboa traçado pelas andanças de dois veneráveis irmãos desfasados que vagueiam pela cidade» (autobiografia, docuficção, comédia).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estuda na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa até 1967, onde defende tese sobre os romances de Franz Kafka (Franz Kafka, Uma Escrita Invertida - 1969). Lecciona no ensino secundário e torna-se editor de textos sociológicos e de obras de vanguarda, de literatura, de teatro e de cinema (MONDAR editores - ver referência). Com o 25 de Abril em 1974, ao mesmo tempo que colabora com o redactor Horst Hano da cadeia de televisão alemã ARD e com a norte-americana CBS na cobertura dos acontecimentos da época em Portugal, inicia-se como realizador e produtor. Faz parte da cooperativa Grupo Zero, com João César Monteiro, Jorge Silva Melo, Alberto Seixas Santos, Margarida Gil, Solveig Nordlund e Acácio de Almeida. Torna-se depois produtor independente com a Diafilme, onde produz muitos dos seus filmes e alguns de outros realizadores. Organiza projecções e ciclos de filmes em Paris, na Cinemateca Francesa e no Museu do Homem.

Mau Tempo, Marés e Mudança, a segunda longa-metragem de Ricardo Costa, é, com Gente da Praia da Vieira (1976), de António Campos, e com Trás-os-Montes (filme), de António Reis (cineasta) e de Margarida Cordeiro, uma das primeiras docuficções do cinema português. Obras do mesmo ano, têm como precursoras O Acto da Primavera (1962), de Manoel de Oliveira, e Ala-Arriba! (filme) (1948), de Leitão de Barros. Caracterizam-se ainda estas obras como sendo etnoficções.

De algum modo movidos pela ideia que explica a máxima do sociólogo e antropólogo francês Marcel Mauss (Há mais poesia num grão de realidade do que no cérebro dos poetas), alguns cineastas portugueses, em particular no pós 25 de Abril, percorrem o seu país de ponta a ponta, câmara nas mãos, praticando a sua etnografia de salvaguarda. Com apoios oficiais ou em co-produções com a RTP (Rádio Televisão Portuguesa), uns apostam no cinema militante fazendo filmes marcantes, não despojados de encanto, outros filmes em que a realidade se revela com essa espessura poética de que Mauss falava. Filmes feitos com baixos orçamentos, mas em total liberdade. O «cinema de intervenção», género em que quase toda essa produção se encaixa, reinaria por alguns anos e deixaria obras marcantes ou mesmo notáveis, muitas delas entretanto esquecidas.

Tenaz na sua independência, mais empenhado na expressão da verdade que na verosimilhança, Ricardo Costa, que se identifica mais com essa simples ideia do que com o propósito de mudar o mundo, cultiva um estilo em que o real se transfigura em expressão poética, em retrato, em ponto de interrogação sobre um tempo que escapa ao tempo, sem se cingir ao lugar em que, filmada, a tal realidade se manifesta. A mise-en-scène, a vertente ficcional, será na sua obra uma tentação permanente.

Nesta perspectiva, segue a tradição da antropologia visual, iniciada no cinema português por Leitão de Barros (incluindo a docuficção e a etnoficção), tradição essa praticada por Manoel de Oliveira e por António Campos : Oliveira com Douro, Faina Fluvial, 1931, depois com o Acto da Primavera (1963), e Campos com a Almadraba Atuneira (1961). Seguem a mesma tradição António Reis, João César Monteiro, na ficção, e ainda Pedro Costa, este num registo urbano (ver: Novo Cinema).

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Longas-metragens[editar | editar código-fonte]

Curtas e médias-metragens[editar | editar código-fonte]

  • 1976 : A Máquina do Dinheiro (28')
  • 1976 : Viver do Mar (28')
  • 1976 : Uma Perdiz na Gaiola (26')
  • 1976 : O Rei dos Peixes (27')
  • 1976 : Nas Voltas do Rio (30') - - 3ª parte de Avieiros
  • 1976 : O Submarino de Vidro (28')
  • 1977 : Mau Tempo (ver nota)
  • 1977 : Marés (ver nota)
  • 1977 : Mudança (ver nota)
  • 1977 : Do Mal o Mar (29')
  • 1977 : Das Ruínas do Império (28')

NOTA - filmes exibidos na RTP (série Mar Limiar). Desta série fazem parte duas longas-metragens: Avieiros e Mau Tempo, Marés e Mudança. A série foi produzida em três fases: 12 filmes em 1974/1975, 12 em 1976 e 5 em 1977.


  • 1979 : A Feira (8')
  • 1979 : A Lampreia (10’)
  • 1979 : O Pisão (9’)
  • 1979 : A Coca (10’)
  • 1979 : O Outro Jogo (10’)
  • 1979 : Dezedores (8’)
  • 1980 : Barcos de Peniche (13’)
  • 1980 : O Queijo da Serra (8’)
  • 1980 : Histórias de Baçal (10’)
  • 1980 : Esta Aldeia, Rio de Onor (10’)
  • 1980 : O Jogo da Malha em Benespera (10’)
  • 1980 : Vimes de Gonçalo (11’)
  • 1981 : O Parque Nacional de Montesinho (37’)
  • Informação sobre as curtas e médias metragens (em português, francês e inglês).

Outros géneros[editar | editar código-fonte]

  • Palavras - Entrevistas com Jean Rouch (texto português)

TEXTOS[editar | editar código-fonte]

Artigos[editar | editar código-fonte]

Ensaios[editar | editar código-fonte]

A Linha do Olhar (cinema e transfiguração - percepção e imagem):

Textos pedagógicos[editar | editar código-fonte]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]