Rick Davies

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Rick Davies
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Rick Davies com o Supertramp em Dresden (2002)
Informação geral
Nome completo Richard Davies
Nascimento 22 de Julho de 1944 (70 anos)
Origem Eastcott Hill, Wiltshire
País  Inglaterra
Gênero(s) Rock, rock progressivo, pop-rock, art rock, jazz fusion
Instrumento(s) Voz, teclados, gaita, escaleta, bateria,percussão
Período em atividade 1956 - presente
Gravadora(s) A&M Records
Afiliação(ões) Supertramp, Roger Hodgson

Richard Davies (22 de julho de 1944, Eastcott Hill, Inglaterra) é um músico anglo-americano, mais conhecido por ser co-fundador e o líder da banda britânica Supertramp.

Rick toca teclado, piano (incluindo o piano elétrico Wurlitzer), gaita, órgão, escaleta e percussão, além de compor canções e letras. Rick, ao lado de Roger Hodgson, era um dos vocalistas principais da banda e responsável pelo registro vocal de barítono (em contraste com o registro de tenor de Hodgson).

Davies entrou para a música aos 12 anos, em sua cidade natal, na banda marcial da Associação Britânica de Estradas de Ferro como percussionista. Numa entrevista de 2002 ele contou: "Quando criança, a percussão das bandas marciais me chamavam a atenção quando aconteciam desfiles cívicos em minha cidade, na Inglaterra. Para mim, era um som fantástico. Pouco tempo depois, arrumei uma bateria e cursei aulas do instrumento. Eu levava a sério... por isso, imaginava como prosseguir, me tornar profissional, um baterista de verdade, mas também ser capaz de ler partituras e tocar com big bands, bandas de rock, música clássica, música latina. Quis definir o que eu queria fazer, tornar-me requisitado e com isso me estabelecer na vida. Nesse momento, comecei a arranhar nos teclados e por alguma razão as pessoas reagiram melhor do que à mim na bateria. Por isso, investi mais naquilo a que as pessoas reagiam melhor".

Em 1959 a atenção de Rick Davies se voltou ao rock'n'roll e entrou para uma banda chamada Vince and the Vigilantes. Em 1962, enquanto estudava Artes na Faculdade de Swindon, formou a primeira banda da qual foi líder, Rick's Blues, e agregou às suas referências musicais o blues, rhythm and blues e jazz, que desde então são seus estilos favoritos. No Rick's Blues Davies tocava um piano elétrico Hohner em vez da bateria. Quando seu pai adoeceu, Rick desmanchou o Rick's Blues, deixou a faculdade e conseguiu um emprego como soldador numa fábrica de sistemas de controle de larga escala. Então, por um tempo, suas aspirações artísticas foram colocadas de lado em nome da sobrevivência de sua família.

Em setembro de 1966, entretanto, Rick recebeu uma oferta para integrar um grupo profissional chamado The Lonely Ones, que tocava basicamente soul e foi um dos primeiros grupos de que o baixista Noel Redding fez parte. Rick foi admitido como organista, embora não soubesse tocar o instrumento, aceitou o posto para se livrar do trabalho na fábrica. The Lonely Ones apresentou-se na Europa, passando pela Suíça e pela Itália. Em julho de 1967, o grupo foi renomeado para "The Joint". Daí em diante, a Suíça e a Alemanha passaram a ser países em que a nova banda sempre fazia shows. Datam dessa época as gravações de trilhas sonoras que o The Joint fez para filmes de baixo orçamento, como What's Happening, Der Griller, Jet Generation e Lieber und so Weiter.

Em 1968, The Joint conheceu o milionário holandês Stanley August Miesegaes (apelidado Sam), que morava em Genebra, na Suíça. Após alguns shows, participações na TV suíça, contatos e novos equipamentos, os outros membros se desinteressaram. Rick Davies era o mais talentoso, e Sam sabia disso, tanto que se dispôs a financiar testes para novos integrantes. Davies então decide voltar para a Inglaterra e reunir músicos para uma nova banda.

Em agosto de 1969 é publicado um anúncio no jornal Melody Maker, ao qual respondem muitos aspirantes, mas foram escolhidos Roger Hodgson (baixo e vocal de apoio), Richard Palmer-James (guitarra e vocal principal) e Keith Baker (bateria). O resultado foi nomeado como Daddy e a banda tocou principalmente em Munique, na Alemanha, no famoso clube PN, com Rick Davies mais concentrado como organista. Lá conheceram o cineasta tcheco Haro Senft, que teve a ideia de fazer um documentário musical que não glamurizasse os músicos, mas que valorizasse mais a música em si. O Daddy se mostrou a banda ideal para esse projeto e em 14 de dezembro de 1969 foi filmada a apresentação deles com a música "All Along the Watchtower", de Bob Dylan.

Em janeiro de 1970, Daddy decide mudar seu nome para Supertramp, por sugestão do guitarrista Richard Palmer-James, que lia àquela altura o livro "The Autobiography of a Supertramp", do poeta galês W. H. Davies. À essa altura, o documentário de Senft já havia sido editado e recebeu o título de "Supertramp Portrait 1970", que não pode ser lançado comercialmente pois Bob Dylan não autorizou o uso de sua música. No entanto, os membros do Supertramp sempre se mostraram gratos a Senft por esse documentário, pois divulgou bem seu nome nos locais em que foi exibido.

Enquanto isso, Keith Baker saiu e foram abertos testes em fevereiro de 1970 para um novo baterista. O escolhido foi o inglês Robert Millar. Com essa formação, o Supertramp foi ao estúdio para gravar seu primeiro disco, o epônimo Supertramp, patrocinado pelo mecenas Sam. O estilo musical predominante foi o psicodélico, marcado por longos instrumentais e um clima bastante introspectivo. Rick Davies e Roger Hodgson encabeçaram as composições, todas feitas em parceria. Com relação às letras, ambos estavam relutantes, pois nunca haviam feito isso. Depois de muitos desentendimentos entre os integrantes, o guitarrista Richard Palmer-James assumiu a tarefa e compôs as letras, ainda que ele também fosse inexperiente nisso.

O disco de estréia foi lançado em 14 de julho de 1970, no Clube "Revolution", de Londres. Pouco mais de um mês depois, o Supertramp se apresentou no Festival da Ilha de Wight, conhecido como o "Woodstock inglês". A formação da banda ao vivo era completada pelo flautista e saxofonista norte-americano Dave Winthrop, radicado na Inglaterra desde os oito anos de idade. As relações entre os membros nessa primeira fase não eram amigáveis, e os desentendimentos predominavam.

Apesar de tudo, o iniciante Supertramp foi convidado a gravar a trilha sonora de um filme alemão, ainda em 1970. O filme, no título original, chama-se "Fegefeuer" (Purgatory, título em inglês). A banda compôs oito faixas instrumentais para esse projeto, e o disco é uma grande raridade, pois não foi relançado e tampouco o Supertramp o considera parte de sua discografia oficial. Quanto aos problemas, chegaram a um ponto entre os membros que Richard Palmer-James preferiu deixar o Supertramp em dezembro de 1970. A ele seguiu-se Robert Millar, alguns meses depois, já em 1971, após os shows particularmente problemáticos que tentaram fazer na Noruega. Millar sofreu um colapso nervoso que o deixou em estado semi-vegetativo, retirou-se do mundo musical e desde então nenhuma notícia se teve dele.

Com a adição de novos membros, Frank Farrell no baixo e Kevin Currie na bateria, Roger Hodgson deixou o baixo em favor da guitarra e essa formação gravou o segundo álbum, Indelibly Stamped. Ao contrário do primeiro disco, em que Hodgson foi o principal cantor, Indelibly Stamped teve como principal cantor o líder Rick Davies. As influências desse disco se concentraram no R&B, jazz e blues, e o resultado foi mais eclético do que o precedente. Outra diferença que começou com o segundo disco foi o trabalho individual de cada compositor, música e letra, e menos em termos de parceria, ainda que não dispensassem as contribuições um do outro nos detalhes e finalização.

Todavia, o fato era que Indelibly Stamped não fez melhor nas paradas de sucesso do que o álbum de estreia, as vendagens foram inexpressivas e o Supertramp continuava em dificuldades para agendar shows e crescer no gosto dos ouvintes e até para prover suas necessidades básicas.

À essa altura, janeiro de 1973, ainda sem datas para shows e sem ganhos suficientes, Roger Hodgson, Frank Farrell e Kevin Currie aceitaram o convite para tocar com Chuck Berry como músicos contratados em alguns shows dele na Inglaterra. Em 1973, Farrell e Currie saíram da banda, cansados de enfrentar revezes, guerras de egos e escassez de recursos. Davies e Hodgson também estavam incertos, e nesse período foram sondados para entrarem na banda Free, de Paul Rodgers e Paul Kossov. Em vez disso, aceitaram participar de algumas faixas do primeiro disco solo de Chick Churchill, tecladista do Ten Years After, chamado "You & Me". Davies tocou bateria nas faixas "You and Me", "Reality in Arrears", "Ode to an Angel" e "You're not Listening". Enquanto isso, insistiam junto à gravadora A&M e Sam para que não voltassem atrás, pois estavam compondo novas músicas, mais maduras, e precisavam de suporte para encontrar novos músicos.

Nesse período, fizeram teste para baixista e escolheram o escocês Dougie Thomson, que tocara com o Alan Bown Set. Também em 1973 entraram em contato com Bob C. Benberg, baterista norte-americano que tocava com o Bees Make Honey. Depois disso, estando novamente em cinco músicos, gravaram fitas demo com canções que despontariam pouco depois, como School e Rudy. Ao final do ano, Dave Winthrop sai da banda, muito desmotivado e sem ver futuro naquela situação.

Para agravar o quadro, Sam decide retirar seu patrocínio. O holandês percebeu que tanto seu protegido Rick Davies quanto Roger Hodgson não estavam a fim de mesclar música clássica com a influência pop, aspiração que comparece, quando muito, vaga, nos dois álbuns lançados até então. Sam deixa o Supertramp com o equipamento reunido até então, comprado pelo holandês, quita as dívidas da banda junto à A&M e lhes deseja sucesso dali por frente.

A banda precisava de um soprista, então Dougie se lembrou de seu colega John Helliwell, da banda anterior, Alan Bown Set. Tenta fazer contato, mas Helliwell está tocando na Alemanha, sem prazo para voltar à Inglaterra. Os testes continuam, a gravação de demos também, assim como as tentativas de aumentar a quantidade de shows. Em 1973, John Helliwell retorna ao país de origem e é informado pela esposa de que seu antigo colega entrou em contato. Helliwell contata Dougie e é convidado para um teste. O saxofonista agrada, tanto pela musicalidade quanto pelo bom humor, e ficou com o Supertramp, ainda que nada tenha sido oficializado.

Com essa formação promissora, o Supertramp se reúne com a presidência da A&M, que esperava deles um pedido de rescisão de contrato. Em vez disso, a banda pede apoio para mais um álbum. A presidência ouve as fitas demo, se empolga e põe o Supertramp em contato com o produtor Dave Margereson, que também se empolga com o material e juntos tomam as providências para os ensaios e gravações do que se tornaria Crime of the Century, lançado em 1974. O álbum alcançou a quarta posição nas paradas inglesas e a 38ª nas paradas dos EUA.

No ano seguinte, a banda gravou "Crisis? What Crisis?", que ficou na 20ª posição nas paradas inglesas e na 44ª nas paradas norte-americanas. Em 1977, a banda se muda para os EUA e lança "Even in the Quietest Moments", que ficou 16ª posição nas paradas. Dois anos depois, é a vez do maior sucesso comercial da carreira do Supertramp, com "Breakfast in America", que alcançou a primeira posição nos EUA e o terceiro lugar na Grã-Bretanha. Durante o recesso do Supertramp, foi lançado em 1980 o disco ao vivo "Paris", que faturou a 8ª posição nos EUA. Em 1982, sai "...Famous Last Words...", que conquistou a 5ª posição nos EUA e a 6ª na Grã-Bretanha.

Rick Davies e Roger Hodgson, embora trabalhassem separadamente em suas composições próprias, creditavam todas a ambos, no mesmo esquema que era feito entre John Lennon e Paul McCartney, dos Beatles. A diferenciação é feita a partir do vocal principal, pois Rick Davies sempre cantou suas próprias músicas, e Roger Hodgson, a mesma coisa. Entretanto, sabe-se que algumas músicas que alcançaram o Top-20 nas paradas norte-americanas, como "Bloody Well Right", "Rudy", "Crime of the Century, "Ain't Nobody But Me", "From Now On", "Goodbye Stranger", "Bonnie" e "My Kind of Lady", dentre outras, são de autoria de Rick Davies.

Com a saída de Roger Hodgson, em 1983, Davies assumiu o controle das composições do Supertramp. Em 1985, foi lançado "Brother Where You Bound", que chegou à 20ª posição na GB e 21ª nos EUA, com resenhas favoráveis. Desse disco em diante, o som do Supertramp torna-se mais para o jazz fusion, abandonando bastante de seu lado pop. Em 1986, Rick Davies tocou piano no disco de estréia, auto-intitulado, da dupla humorística canadense "Bowser and Blue".

Em 1987, o Supertramp lança "Free as a Bird", com o novo integrante Mark Hart em substituição a Hodgson. O disco fica na 101ª colocação nos EUA e é considerado pela crítica e pelos fãs o trabalho mais fraco da banda. Após a turnê de suporte ao álbum, o Supertramp entra em recesso.

Ao que se sabe, Rick Davies passou esse tempo compondo e guardando, e acumulou bastante material. Em 1997, tentando reunir músicas e músicos para uma carreira solo, Davies já havia recrutado John Helliwell e Bob Siebenberg, e preferiu fazer um reunião do Supertramp para esse trabalho. O resultado, "Some Things Never Change", não chamou a atenção da crítica, embora seja um trabalho de qualidade que remonta ao que a banda fez antes de 1987. Incrivelmente, o álbum ficou na 3ª posição das paradas alemãs e na 74ª nos Estados Unidos.

Dois anos depois, é lançado o álbum duplo "It Was The Best Of Times", que registra a força da nova formação do Supertramp, mas que só marcou pontos nas paradas alemãs, na 29ª posição. Em 2002 sai "Slow Motion", que foi elogiado pela crítica, ao mesmo tempo em que ressaltada a precariedade da produção. Três anos depois, é lançada a antologia "Retrospectacle", bem mais abrangente do que as similares lançadas nos anos 80. Inclui algumas faixas dos obscuros dois primeiros álbums e também músicas raras de alguns compactos e lados B.

Davies possui atualmente uma companhia chamada Rick Davies Productions, que é detentora dos direitos de copyright e do nome da banda Supertramp.

Casou-se em 1977 com a nova-iorquina Sue, que é empresária da banda desde 1984. O casal não tem filhos.

Depois de viver nos Estados Unidos por mais de três décadas, Davies se tornou um cidadão norte-americano.

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