Rio Comprido (bairro)

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Rio Comprido
—  Bairro do Brasil  —
Igreja de São Pedro, no Rio Comprido
Igreja de São Pedro, no Rio Comprido
Rio Comprido.svg
Área
 - Total 334,25 ha(em 2003)[1]
População
 - Total 43,764 (2 010) [1]
 - IDH 0,849 (2000) [2]
Domicílios 15.559 (2010) [1]
Limites Alto da Boa Vista, Catumbi, Estácio, Praça da Bandeira, Santa Teresa, Tijuca.[3]
Subprefeitura Centro e Centro Histórico
Fonte: Não disponível

Rio Comprido é um bairro de classe média da Zona Central da cidade do Rio de Janeiro. Seu índice de qualidade de vida no ano 2000, era 0,849, o 56º melhor da cidade, dentre 126 bairros avaliados, sendo considerado regular.[4] Mas seu índice de valorização imobliária em 2012 era de R$ 4.310, 43º melhor do Rio de Janeiro.

História[editar | editar código-fonte]

O seu nome se origina do rio central que o percorre, que nasce na Floresta da Tijuca, e que desagua na Baía da Guanabara. As atividades de lazer começaram a rarear com a poluição, até que não foi mais considerado seguro nadar no rio. As atividades de pesca e navegação ainda persistiram por mais alguns anos, até que a poluição causada pelos "barracos" construídos irregularmente próximos a sua nascente e seu leito, tornou o rio morto macrobiologicamente, se tornando um logradouro assoreado repleto de esgoto. Posteriormente o rio foi canalizado, sendo hoje um mero córrego de esgoto e tendo sua vazão drasticamente reduzida devido o desmatamento provocado pelo crescimento das favelas. No entanto suas águas tornam-se cristalinas durante as madrugadas, horário em que quase não existe emissão de esgoto em seu leito.

No século XVIII, neste vale fluvial, era plantada a cana-de-açúcar, e o açúcar produzido era escoado por um trapiche em embarcações que o conduziam até à baía e ao porto do Rio de Janeiro. De acordo com o historiador Noronha Santos, pode-se fixar como marco no desenvolvimento da região correspondente os atuais bairros da Cidade Nova, do Catumbi e do Rio Comprido. O Alvará-Régio de 26 de Abril de 1811, que concedeu a isenção da décima urbana aos prédios assobradados ou de sobrado, que se construíssem nas novas ruas abertas, desde o princípio do século. O Rio Comprido era então, uma área ocupada por chácaras de pessoas abastadas, entre as quais, ingleses ("Chácara dos Ingleses"). Outra propriedade importante era a do bispo Frei Antônio do Desterro, de onde as denominações "Largo do Bispo" (atual Praça Condessa Paulo de Frontin) e Rua do Bispo. Nessa propriedade passaria a funcionar, desde 1873, o Seminário São José, transferido da Rua da Ajuda, no sopé do Morro do Castelo.

Século XX[editar | editar código-fonte]

O principal logradouro do bairro era a Avenida Rio Comprido (atual Av. Paulo de Frontin), com uma extensão de 1.600 metros, aberta em 1919, na gestão do prefeito Paulo de Frontin à época do governo do presidente Delfim Moreira (1918-1921).

Esse bairro elegante, de moradias de altíssimo nível, abrigava três clubes que aumentavam o lazer dos moradores: o "Clube Desportivo do Rio de Janeiro" (Clube Alemão), com seu campo de "futebol society", gramado impecável, (guardado pelo velho Pocidônio), suas pistas de boliche e o ginásio para ginástica olímpica; o "Clube Ibéria" (com sua "micro piscina", quadra de esportes, elevador e gruta), já extinto; e o Clube Minerva, na rua Itapiru, cujo ponto forte era o "futebol de salão", atual "futsal". Outro ponto de entretenimento era o "Campinho do Raul", na parte alta da Rua Santa Alexandrina, onde eram realizadas as "peladas da Velha Guarda", bem como as brincadeiras de "polícia e ladrão". As peladas da garotada eram realizadas na rua mesmo e sofriam paralisação toda vez que a bola caía no canal.

Na década de 1960, destacou-se o "Ponte's Clube", em frente à Alameda Leontina Machado, ligação entre a Av. Paulo de Frontin e a Rua Santa Alexandrina e ocupada, em sua maioria, por componentes da "familia Machado" (Machadinho, Tia jura, Tia Ninita, Dr. Rubens, Tia Marieta, Tia Judith e Marcy), mais tarde substituído pela Turma da Ponte, que se reunia todas as noites na ponte em frente ao Clube Ibéria. Nessa época a maioria das crianças cursava o primário no Colégio SOS (Dona Arlete) ou na Escola Municipal Pereira Passos. Outros pontos de encontro eram a Padaria Dominante do "Seu Pires" e o Bar do Moura. A destacar ainda a rivalidade entre a turma da Paula (Paulo de Frontin) a turma da Santa (Santa Alexandrina) e a turma do Largo (Largo do Rio Comprido e cercanias). Na época das festas juninas o esqueleto de prédio inacabado onde morava a família Carvalho Coda (Carlos "Firulis" e cia), atual Chácara Paulo de Frontin, servia para lançamento de balões de grande porte, e durante o restante do ano era ponto de encontro para "botar a pipa no ar" em sua laje superior. Menção especial para as famílias "Gigglio","Paranhos" e da "Dona Teresa, mãe do Zé Roberto", cujas casas serviram, durante anos, de base para o pessoal. E como esquecer da família "Marino" da "briga de galo" e, especialmente do Silvinho, "o cara das 7". E que dizer do "Cidinho", marrento, da Candido de Oliveira e do Clube Alemão, que deve estar aprontando lá em cima.

O velho canal do Rio Comprido dividia as duas faixas da Avenida Paulo de Frontin. O prédio do Seminário São José, já extinto, bem como a Igreja de São Pedro, ajudavam a compor o local. Ainda nessa época, o bairro era servido por uma linha de bondes, cujo ponto final se localizava na parte alta da Rua Santa Alexandrina, e por uma linha de ônibus, a 616 (Rio Comprido-Usina), ambas desaparecidas.

Foi uma época maravilhosa, entretanto, com a abertura do Túnel Rebouças (1967) e a construção do Elevado Paulo de Frontin (1971), a Av. Paulo de Frontin transformou-se numa passagem entre as zonas norte e sul da cidade e os tradicionais moradores mudaram-se, registrando-se uma acentuada queda no índice de qualidade de vida do bairro, atualmente cercado por favelas como o Turano, o Fogueteiro, o Querosene e o Complexo Paula Ramos. Lembranças sobre a época áurea do Rio Comprido podem ser compartilhadas no almoço que é realizado todo ano, na terceira sexta feira de dezembro, na Taberna da Glória.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

No bairro encontra-se o Campus Rebouças da Universidade Estácio de Sá (o maior e principal da universidade), o Campus Rio Comprido da UniCarioca e a escola Fundação Osório, parte integrante do Sistema de Colégios Militares do Brasil. Sem esquecer claro do CAP (Colégio de Aplicação da UERJ) que se encontra na Rua Santa Alexandrina. nesta, existe ainda a sede da Fundação Roberto Marinho e do INMETRO. No terreno onde ainda hoje é possível encontrar o Seminário São José, também se faz presente o centro administrativo do Jornal do Brasil.

A Rua Candido de Oliveira é onde se localiza a torre da empresa Telemar. A principal vila e ponto turístico da rua é a Vila São João. Nessa vila encontram-se casas (do número 1 ao 12) que atualmente estão ocupadas. Hoje as ruas mais valorizadas do bairro são: Rua Salvador de Mendonça e Rua Japeri, uma paralela a outra. Ambas concentram ainda hoje grandes residências e famílias tradicionais que ainda residem no Rio Comprido. A Rua Salvador de Mendonça tem em seu início, do número 5 ao número 33, um antigo e elegante conjunto de casas geminadas em estilo holandês, que infelizmente já foi quase todo alterado, tendo seus atuais proprietários acrescentado um ou dois andares e modificado as fachadas originais.

Localização[editar | editar código-fonte]

O bairro fica no limite da Zona Central da cidade com a subprefeitura da Grande Tijuca, sendo de localização estratégica e privilegiada. Forma uma tríplice ligação entre as zonas Central, Norte e Sul, possuíndo através do Tunel Rebouças, uma ligação com Cosme Velho; limitando-se com os bairros centrais de Santa Teresa, Estácio e Catumbi; além dos bairros nortistas de Alto da Boa Vista, Tijuca e Praça da Bandeira,[5] O bairro sedia uma das 33 regiões administrativas da cidade, a RA III, a qual rege os bairros de Catumbi, Cidade Nova e Estácio.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]