Rio Noéme

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Rio Noéme
Comprimento 40 km
Nascente Serra da Estrela em Vale de Estrela, Guarda
Altitude da nascente 1000 m
Foz Rio Côa no Jardo, Almeida
Altitude da foz 610 m
País(es)  Portugal

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Rio Noéme nasce em Vale de Estrela (1.000m) (concelho da Guarda), no ponto de convergência das bacias hidrográficas dos rios Douro, Mondego e Tejo, e desagua no Rio Côa (610 m) na aldeia do Jardo, freguesia de Porto de Ovelha (concelho de Almeida). No seu percurso de cerca de 40 km (E-W) atravessa as localidades de Barracão, Gata, Vila Garcia, Vila Fernando, Albardo, Rochoso, Cerdeira, Miuzela, Pailobo, Monte Perobolso, Jardo e Porto de Ovelha. É um rio que nasce com pouco caudal, que vai aumentando pela afluência de diversos ribeiros e do Rio Diz, na zona da Gata.

Considerando o concelho da Guarda dividido em duas áreas geográficas distintas, a Zona Serrana e o Planalto Beirão, o Noéme nasce na primeira e caminha para o segundo. Mudam por isso as características dos locais por onde passa à medida que avança. As espécies vegetais predominantes são os freixos, os salgueiros e os amieiros. As zonas ribeirinhas são povoadas por diversas espécies animais nomeadamente patos, galinhas-de-água, diversos tipos de peixes e guarda-rios.

Origem do topónimo[editar | editar código-fonte]

Do hebraico antigo no’ami, com o significado de doçura, suavidade, graça, alegria. Noemi é uma figura do Antigo Testamento, da tribo de Benjamim, sogra de Rute, da linhagem de David. A sua história é narrada no Livro de Rute.

O topónimo oficial atual é Noéme, mas localmente permanece o uso do topónimo original Noemi. Esta palavra também está na origem do antropónimo português Noémio/Noémia.

História[editar | editar código-fonte]

O Rio, antigamente conhecido por Noemi, é referido em alguns dicionários geográficos, nomeadamente:

Diccionário Geográfico das Cidades, Villas e Parochias de Portugal, Luís Cardoso, 1758[editar | editar código-fonte]

"Sobre os Recursos Hídricos de cada lugar: "O que se procura saber do rio dessa terra é o seguinte:

  1. Como se chama o rio e o sítio onde nasce?
  2. Se nasce logo caudaloso e se corre todo o ano?
  3. Que outros rios entram nele e em que sítios?
  4. Se é navegável e de que embarcações é capaz?
  5. Se corre de Norte para Sul, ou de Poente a Nascente, ou de Sul para Norte ou de Nascente a Poente?
  6. Se cria peixes e que espécies trás em maior abundância?
  7. Se há nele pescarias e em que tempo do ano?
  8. Se as pescarias são livres ou de algum Senhor particular em todo o rio ou em alguma parte dele?
  9. Se cultivam as suas margens ou se tem muitas árvores de fruto ou silvestres?
  10. Se tem algumas virtudes particulares as suas águas?
  11. Se conserva sempre o mesmo nome ou o começa a dar só já perante algumas partes, e como se chama nas outras, ou há memória que em outros tempos tenha tido outro nome?
  12. Se morre no mar ou em algum outro rio, e como se chama este, e o sítio em que entra nele?
  13. Se tem alguma cachoeira, represa, levada ou açude que lhe embarace o ser navegável?
  14. Se tem pontes de cantaria? Ou se não: quantas e em que sítio?
  15. Se tem moinhos, lagares de corrente, pizões, noras ou outro algum engenho?
  16. Se em algum tempo ou no presente, se tentou ou tirou ouro nas suas areias?
  17. Quantas léguas tem o rio, e as povoações por onde passam desde o seu nascimento até onde acaba?
  18. E qualquer outra coisa notável que não vá neste interrogatório."

O pároco do Richozo respondeu:

"Está o dito lugar do Richozo entre duas ribeiras que servem de limite à freguesia. Uma na parte do sul chamada Noémi a qual nasce junto da Guarda e sempre conserva o nome. A outra chamada de Pinhel que tem o seu nascimento junto da vila de Jarmelo e morre com o mesmo nome.

  1. Nascem as ditas ribeiras com tão pouco caudal que a de Pinhel quase todos os anos seca e a de Noémi em alguns.
  2. Na ribeira de Pinhel entra outra ribeirinha chamada da Ima, as quais morrem ambas junto do lugar de Espinhal.
  3. Nada. Ambas as ditas ribeiras como são pobres de caudais não são muito furiosas.
  4. Ambas correm de Nascente a Poente.
  5. Em ambas se criam peixes pequenos chamados bordalos, em abundância.
  6. Nada.
  7. As margens das ditas ribeiras são cultivadas em alguns sítios e todas as árvores que nelas há são silvestres e a maior parte são Amieiros e Salgueiros.
  8. Nada.
  9. Sempre conservam o mesmo nome; não há notícia que tivessem outro.
  10. Ambas morrem no rio chamado Côa junto de Pinhel.
  11. Nada.
  12. Em ambas as ribeiras há pontes que muitos anos as leva a água, por isso se não faz delas menção por serem tão indignas de memória. Somente a Ribeira de Noémi tem uma ponte de cantaria no Sítio da Ponte Pedrinha junto da Guarda e outra ao pé do lugar da Cerdeira.
  13. Em ambas as ribeiras há muitos moinhos e povos que usam livremente as suas águas.
  14. As ribeiras terão de comprimento cinco ou seis léguas.

Em outros papéis se faz com mais exactidão memória delas.

Richozo o primeiro de Junho de 1758. O Vigário Alexandre da Silva Pereira"

Mappa de Portugal Antigo e Moderno, João Batista de Castro, 1763[editar | editar código-fonte]

"Rio Noeime: Nasce junto da Guarda com dous braços: hum deles na fonte Dorna, que corre para Poente, vira para Norte, e depois continua ao Nascente; o outro principia no lugar de Porcas, pela parte Sul e se mete no Rio Côa por baixo da Miuzela: he a informação que nos dá João Salgado de Araújo."

Património[editar | editar código-fonte]

As águas do rio foram utilizadas desde tempo imemoriais. Os terrenos ribeirinhos são geralmente férteis e largamente cultivados. Existem ainda um vasto património material ligado à utilização do Rio: as noras, para extracção de água e rega dos terrenos, as "poldras" (pontões pedonais em pedra para se atravessar o rio), os moinhos de água, os pisões.

Poluição[editar | editar código-fonte]

O rio Noéme está poluído desde finais da década de 80.

Para mais informações sobre o tema consultar o blogue "Crónicas do Noéme"

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • - (1976). Bíblia Sagrada. Versão dos textos originais. Lisboa: Difusora Bíblica.
  • Barroco, Manuel Joaquim (1984). Vida e obra do Comendador Mons. Cónego José Lourenço Pires: subsídios para a sua biografia, e para a monografia do Rochoso sua terra-natal . Rochoso: edição de autor.
  • Machado, José Pedro (1993). Dicionário Onomástico e Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Horizonte.
  • Neves, Orlando (2003). Dicionário de Nomes Próprios. Lisboa: Círculo de Leitores.
  • Pena, António (2006). Guarda - Um Roteiro Natural do Concelho. Guarda: Pró-Raia / Câmara Municipal.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]