Rio Paraíba

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Rio Paraíba
Rio Paraíba no trecho em que passa pelo município de Itabaiana.
Comprimento 380 km
Posição: sudoeste–leste
Nascente Serra de Jabitacá, (Monteiro)[1]
 Paraíba
Foz Oceano Atlântico[2] (Santa Rita, Cabedelo e Lucena)
Altitude da foz 0 m
Área da bacia 20.071,83 km²
Delta Mixto
Afluentes
principais
Taperoá, Gurinhém, Sanhauá, Paroeira e Soé
País(es)  Brasil
Garça-branca-pequena, comumente vista no estuário do rio
Embora sob constante ameaça, o rio ainda apresenta extenso manguezal

O rio Paraíba é um rio brasileiro que banha o estado da Paraíba. É um dos mais importantes do estado devido a sua extensão e à relevância econômica. É um rio parcialmente intermediário, já que parte de seu leito desaparece em épocas de seca, embora a partir de seu médio curso seja sempre perene. Em 2006, um levantamento da avifauna de seu estuário revelou a ocorrência de 89 espécies de aves endêmicas ou migratórias.[3]

A bacia do Paraíba é a segunda maior do estado da Paraíba (fica atrás apenas da do rio Piranhas) e abrange 38% do território, abrigando 1.828.178 habitantes, o que corresponde a 52% de sua população total. O Paraíba banha dezenas de municípios e cidades importantes, passando pela região mais urbanizada e industrializada do estado.

Em sua área de abrangência estão incluídas as cidades de João Pessoa, a capital, e Campina Grande, o segundo maior centro urbano do estado.

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Bacia hidrográfica[editar | editar código-fonte]

O Paraíba nasce a mais de mil metros de altitude na Serra de Jabitacá, município de Monteiro, divisa com Pernambuco, percorrendo toda a região centro–sul do estado e banhando uma área de 20.071,83 km², compreendida ente as latitudes 6°51'31" e 8°26'21" sul e as longitudes 34°48'35" e 37°2'15" a oeste do meridiano de Greenwich. A vertente mais alta do rio Paraíba, que nasce com o nome de rio do Meio, apresenta uma altitude de 1.079 metros, no pico da Bolandeira..[1] [4] [5] [2] No alto curso recebe entre outros afluentes o rio Taperoá, antes de formar o Açude Boqueirão.

No médio curso tem como principal afluente o rio Paraibinha, que forma a Represa de Acauã, e o Rio Gurinhém, a partir do qual passa a correr em seu baixo curso, onde seus principais tributários são o rio Paroeira e o rio Sanhauá, que separa as cidades de João Pessoa e Bayeux.

O Paraíba no passado era navegável de Santa Rita até Cabedelo, época em que usineiros transportavam suas mercadorias ao Porto de Cabedelo através de barcaças. Atualmente tal navegabilidade não mais existe, limitando-se apenas a pequenas canoas, jangadas e barcos de pequeno calado, e em alguns trechos com restrições. O Paraíba necessita, portanto, de desassoreamento de seu leito para que a antiga navegabilidade se restabeleça.[6] A montante dessa região somente trafegam pequenas embarcações, já que as condições de navegabilidade só possibilitam que embarcações com calado máximo de seis metros trafeguem, não influindo o volume e o peso das cargas movimentadas.[7]

Seu curso total tem 380 km e segue o sentido sudoeste–leste, quando então deságua no oceano Atlântico, entre os municípios de Cabedelo, Lucena, Santa Rita, Bayeux e João Pessoa, formando uma foz do tipo mista. Em seu estuário encontram-se dezenas de desembocaduras de outros rios, manguezais, o Porto de Cabedelo — escoadouro da capital paraibana — e também diversas ilhas, como Restinga, Stuart e Tiriri. As marés do rio sobem até a localidade de Várzea Nova, distante 30 quilômetros da foz.[8] [9]

Cartografia desatualizada[editar | editar código-fonte]

Pelos mapas oficiais disponíveis até o momento, o rio Paraíba ainda deságua defronte à Ilha do Eixo,[10] onde se divide em dois braços: um rumando a sudeste (encontrando o Sanhauá) e o outro a nordeste, em direção à Ilha Tiriri. Contudo, uma cheia na década de 80, escavou um novo leito, levando o Paraíba a jogar suas águas no rio Paroeira.[11] A região estuarina do rio Paraíba é formada de aluviões e terras baixas e pantanosas (várzeas), portanto suscetíveis a eventuais mudanças por erosão.[11] O antigo leito secou e perdeu a conexão com o rio Paraíba, retomando apenas no período de grandes cheias.[11]

Estuário e suas principais localidades.

Essa mudança ainda não foi registrada nos mapas oficiais brasileiros, mas consta dos mapas do Google Earth, que usa imagens de satélites como parâmetro de mapeamento.

Administração da bacia[editar | editar código-fonte]

Comitê do Paraíba[editar | editar código-fonte]

Através do Governo Federal e Estadual foram construídos na área de sua bacia vários açudes públicos, que são utilizados no abastecimento das populações e rebanhos, irrigação, pesca e em algumas iniciativas de lazer e turismo regional.[12] Tais reservatórios são as principais fontes de água da região e nas ocorrências de estiagens muitos deles entram em colapso, ocasionando conflitos pelo uso dos recursos hídricos e graves problemas de ordem socioeconômica, como é o caso do Açude Boqueirão.[12]

Por isso, há alguns anos foi formado o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba, aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos, como um órgão colegiado, de caráter consultivo e deliberativo que comporá o Sistema Integrado de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos do estado.[12] O comitê tem como função o diagnóstico da situação dos recursos hídricos na bacia, bem como a identificação dos conflitos entre usuários, além dos riscos de racionamento dos recursos hídricos ou de sua poluição e de degradação ambiental em razão de sua má utilização.[12]

Canal Acauã–Araçagi[editar | editar código-fonte]

Considerada a porta de entrada das águas do rio São Francisco no estado, que chegara via «Canal Leste», o canal Acauã–Araçagi é uma obra de grande envergadura, orçada em 933 milhões de reais.[13] A obra foi iniciada em outubro de 2012 e prevê-se que irrigará 16 mil hectares de terras agricultáveis.[14]

O canal foi considerado a maior obra hídrica dos últimos trinta anos na Paraíba, pois terá terá 112 km de extensão quando estiver concluído, e garantirá água para 500 mil habitantes de 35 cidades.[14] Tal canal visa integrar as bacias hidrográficas da região litorânea paraibana a fim de aproveitar as águas vindas do São Francisco.[13] Finda a construção, haverá conexão entre as bacias e sub-bacias do Alto Paraíba, Camaratuba, Gurinhém, Miriri e AraçagiMamanguape.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Etimologia e denominações[editar | editar código-fonte]

O etimologista Antenor Nascentes determina a origem do nome do rio (e posteriormente do estado) nos termos da língua tupi pa’ra (rio) e a'iba («rio impraticável à navegação»).[15] Entretanto, outras fontes sugerem que essa mesma palavra provenha do nome indígena para a árvore Simarouba versicolor, que floresce abundantemente na região e é popularmente denominada pau-paraíba. Uma terceira versão, ratificada no romance Iracema pelo escritor cearense José de Alencar, estabelece que o significado é «rio que é braço de mar» (pará-hyba).[16]

Mapa do século 16 da então Capitania da Parahyba, com o rio Paraíba ao centro.

Antes da descoberta da Paraíba, o rio já era conhecido pelos índios potiguaras por seu atual nome, Paraíba.[17] O explorador português André Gonçalves denominou-o «rio de São Domingos»,[18] que é uma adaptação daquilo que os franceses — então presença constante no litoral paraibano — já chamavam de Saint-Domingue.[nota 1]

Em 1574 uma grande expedição lusitana rumou da Capitania de Pernambuco até a foz do rio Paraíba e seu comandante tomou posse da região em nome de rei de Portugal com atos e solenidades.[17] Os índios potiguaras, que não entendiam o que se passava, não só não aceitaram a conquista, como retomaram a posse das terras, chegando a matar um dos filhos de Diogo Dias, o qual reconstruía o engenho de seu pai nos poucos meses em que permaneceram em terras paraibanas.[17] Como as respostas aos índios se tornaram muito dispendiosas nesse começo de colonização, a Paraíba cai em dez anos de esquecimento, sem colonização alguma até 1585, data da efetiva fundação. Até então, os portugueses se contentaram em enviar algumas expedições, que apenas destruíam as embarcações francesas, forçando os náufrados a viver com os potiguaras.[17]

Durante mais de dez anos, até 1585, a presença efetiva de portugueses na Capitania de Itamaracá, como então se chamava a Paraíba, continuaria a se limitar às margens do rio Goiana, já que na desembocadura do então rio Paraíba apenas traficantes franceses de pau-brasil e aventureiros europeus ousavam adentrar.[21]

Cheias constantes[editar | editar código-fonte]

A primeira cheia do rio Paraíba que se tem notícia ocorreu em 1641, causando estragos às culturas da várzea, mas tendo pouco impacto sobre a população. Outras que sucederem ainda no tempo do Brasil Colônia foram as de 1698 e a de 1731. A de 1780 trouxe consigo uma cruz ao Engenho Espírito Santo, gerando o nome da vila ali existente. Já a de 1924 arrasou cidades do agreste paraibano, como Itabaiana e Pilar.

A construção do Açude Boqueirão, no médio curso do rio, espaçou mais as constantes enchentes, que ainda hoje ocorrem apenas no baixo curso, alimentado pelos afluentes, a exemplo da de 1985, que arrasou a cidade de Cruz do Espírito Santo, e a mais recente, de 2004, que causou vários estragos em muitas localidades.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. O rio Paraíba perdeu a sua denominação original (São Domingos) sem explicação oficial e foi renomeado com o termo tupi Parahyba, que era como os indígenas já o conheciam antes de o homem branco pisar em território paraibano. Seu significado («rio ruim») é pouco claro e possivelmente se refere à navegabilidade limitada para embarcações de calado maior que o das canoas nativas ou mesmo às suas águas salobras. O descarte da denominação São Domingos talvez tenha se devido ao fato de este ter sido um empréstimo do francês Bay de Saint-Domingue, os quais acreditavam que a foz tratava-se de fato de uma pequena baía.[19] [20] Tal nome consta do primeiro mapa da região, de 1579.[19]

Referências

  1. a b FREITAS, Gilberto de; CASTRO, Carla S. (12 de junho de 2012). Percepção socioambiental (...) em relação ao rio Paraíba Educação Ambiental em Ação. Visitado em 26 de agosto de 2014.
  2. a b SILVA, Lígia M.T. (2003). Nas margens do rio Paraíba do Norte Geociências, UFPB. Visitado em 26 de agosto de 2014.
  3. ARAÚJO, Helder; et alii (2006). Composição da avifauna em complexos estuarinos no estado da Paraíba. Visitado em 27 de janeiro de 2014.
  4. SILVA, Lígia M.T. (2003). Nas margens do rio Paraíba do Norte Geociências, UFPB. Visitado em 26 de agosto de 2014.
  5. Da redação. Revista, volumes 49-50. [S.l.]: Sociedade Brasileira de Geografia, 1942.
  6. Coordenação do Plano Diretor de Santa Rita. Olhar sobre a Realidade Rural Portal da prefeitura de Santa Rita. Visitado em 29 de maio de 2013.
  7. Ministério dos Transportes do Brasil (2000). O Porto de Cabedelo Anuário Estatístico Portuário. Visitado em 31 de maio de 2013.
  8. Instituto Brasileiro de Administração Municipal (2005). Gestão Integrada da Orla Marítima Ministério do Meio Ambiente — arquivos. Visitado em 27 de janeiro de 2014.
  9. TAKAHASHI, Maurício (2008). Conhecimentos locais e a cadeia produtiva do goiamum UFPB. Visitado em 27 de janeiro de 2014.
  10. CPRM — Serviço Geológico do Brasil (2005). Município de Santa Rita, Paraíba Projeto "Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água". Visitado em 9 de dezembro de 2012..
  11. a b c NISHIDA, Alberto; et alii (1998). Abordagem etnoecológica da coleta de moluscos no litoral paraibano UFPE. Visitado em 9 de dezembro de 2012..
  12. a b c d Diretoria do Comitê (1997). Regimento do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba AESA — PB. Visitado em 9 de dezembro de 2012.
  13. a b c Adm. do portal (4 de setembro de 2012). Técnicos da Aesa percorrem 600 km para inspecionar transposição Portal do Governo da Paraíba. Visitado em 11 de agosto de 2014.
  14. a b Adm. do portal (6 de janeiro de 2013). Canal Acauã-Araçagi vai irrigar 16 mil hectares de terras agricultáveis Portal do Governo da Paraíba. Visitado em 17 de agosto de 2014.
  15. NOGUEIRA, Sérgio (13 de maio de 2014). Palavras que vêm das línguas indígenas Dicas de Português, G1. Visitado em 17 de maio de 2014.
  16. ALENCAR, José de. Iracema. [S.l.]: Bertrand, 1973. 163 pp. ISBN: 9788521902508
  17. a b c d HEMMING, John. Ouro Vermelho: A Conquista dos Índios Brasileiros, vol. 27. [S.l.]: EdUSP, 2007. 813 pp. ISBN: 8531409608
  18. Comissão de redação (1852). Verbetes da toponímia Revista do Instituto de Arqueologia e Geografia Pernambucano. Visitado em 15 de julho de 2014.
  19. a b Departamento de História da UFRN. Caderno de história, Volumes 3-6. [S.l.]: Universitária (UFRN), 1996.
  20. Serviço de Documentação Geral da Marinha do Brasil. História naval brasileira. [S.l.]: O Serviço, 1975.
  21. Filipéia, Frederica, Paraíba: os cem primeiros anos de vida social de uma cidade. [S.l.]: Fundação Casa de José Américo, 1988. 119 pp.
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