Rito oriental

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A expressão rito oriental pode-se referir a:

Rito no sentido de rito litúrgico[editar | editar código-fonte]

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Como já foi mencionado acima, rito pode significar um rito litúrgico. Assim sendo, os principais ritos litúrgicos orientais (r minúsculo) são: o Bizantino, o de Antioquia, o Alexandrino, o Caldeu e o Arménio.

O serviço litúrgico correspondente destas Igrejas Orientais é conduzido em várias línguas modernas ou antigas, segundo o Rito (no sentido de Igreja):

Rito no sentido de Igreja[editar | editar código-fonte]

Como já foi mencionado acima, Rito pode significar também uma Igreja (particular ou não). Este significado foi empregado, como por exemplo, no documento do Concílio Vaticano II Orientalium Ecclesiarum, 2.

Assim sendo, os Ritos orientais (R maiúsculo) são as igrejas cristãs surgidas a partir das províncias orientais do Império Romano (Grécia, Oriente Médio, Egito), que se espalharam até a Europa oriental, ao Sul da Índia, à Armênia e à Etiópia. São caracterizadas por uma multiplicidade de tradições e ritos litúrgicos, sendo predominante a tradição bizantina e seu rito correspondente, também chamado de rito bizantino. Porém, existem também outras tradições litúrgicas, que foram justamente mencionados na secção Rito no sentido de "rito litúrgico".

De maneira ampla, hoje as Igrejas orientais dividem-se em:

Igrejas orientais católicas[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Católica, a expressão Rito oriental, quando empregado para significar Igreja oriental, refere-se às 22 Igrejas (ou Ritos) orientais particulares sui juris (ou sui iuris) que estão em completa comunhão com o Papa e por conseguinte com a Igreja Católica [1] .

Porém, apesar da comunhão (o que implica a crença na mesma doutrina e fé, salvaguardada na sua integridade e totalidade pelo Papa), elas têm uma autonomia considerável em relação ao Papa e possuem características singulares em relação à Igreja Latina (a Igreja sui juris predominante), nomeadamente ao nível histórico, cultural, teológico, litúrgico, hierárquico e organizacional. Como por exemplo, elas têm uma estrutura hierárquica e organização territorial diferentes e utilizam ainda os ritos litúrgicos orientais, que são distintos dos ritos litúrgicos latinos, utilizados pela Igreja Católica de Rito Latino, que é sediada no Ocidente.

Porém, a autonomia destas Igrejas orientais, que foram constituídas pela possessão de direito próprio, é limitada principalmente pelo fato de serem submetidas ao Papa e, por conseguinte, de respeitar o direito inalienável do Papa de intervir, em casos de necessidade, no funcionamento e nas decisões delas. Estas 22 Igrejas sui juris, juntamente com as suas circunscrições eclesiásticas, clérigos, consagrados e leigos, são supervisionadas e apoiadas pela Congregação para as Igrejas Orientais.

Atualmente, estima-se que existem cerca de 16 milhões de católicos orientais, dos quais aproximadamente 7,65 milhões seguem a tradição bizantina [2] .

História[editar | editar código-fonte]

O Grande Cisma do Oriente (1054), bem como os anteriores cismas a seguir ao Concílio de Éfeso (431) e ao Concílio de Calcedónia (451), criaram uma situação complexa para o mundo cristão. Um dos principais problemas do Cisma de 1054 era a questão da suprema autoridade da Santa Sé (sediada em Roma) sobre as demais Igrejas patriarcais do Oriente (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla). Discordando sobre os poderes e privilégios da primazia papal, praticamente todas as Igrejas Orientais quebraram a comunhão com a Igreja Católica. Por isso, a grande maioria das actuais Igrejas orientais católicas são o resultado dos esforços e do desejo de certos cristãos orientais (ortodoxos, não-calcedonianos e nestorianos) de voltarem a estar em comunhão com a Santa Sé. Esta reunião pode ser espontânea ou por causa do trabalho de missionários católicos [2] .

Organização e Estrutura[editar | editar código-fonte]

As Igrejas orientais católicas, devido, como por exemplo, aos seus diferentes tamanhos e às suas diferentes particularidades histórico-geográficas, têm uma organização e estrutura um pouco diferentes entre si.

Em geral, estas Igrejas são governadas por um hierarca e o seu respectivo Sínodo ou Concílio de Hierarcas (que é chamado também de Concílios Eclesiásticos [3] ) [4] , que têm por função tomar decisões conjuntamente com o seu hierarca. Assim sendo:

A maior parte destas Igrejas autónomas orientais são constituídos por várias circunscrições eclesiásticas ou Igrejas particulares locais, sendo o modelo organizacional fundamental destas circunscrições a eparquia.

Decreto Orientalium ecclesiarum[editar | editar código-fonte]

O decreto "Orientalium ecclesiarum", que foi aprovado no dia 21 de Novembro de 1964 pelo Concílio do Vaticano II, aborda a questão das Igrejas orientais católicas. Este documento conciliar afirma que, "na única Igreja de Cristo" (que subsiste na Igreja Católica), as Igrejas Latina e Orientais "...desfrutam de igual dignidade... nenhuma prevalece sobre a outra... são confiadas ao governo pastoral do Pontífice Romano". O decreto defende também que estas Igrejas orientais podem e devem salvaguardar, conservar e restaurar o seu rico património espiritual, nomeadamente ritual, através, como por exemplo, da celebração dos seus próprios ritos litúrgicos orientais e das suas práticas rituais antigas.

O documento salienta também o carácter autónomo das Igrejas orientais católicas, especificando os seus vários poderes e privilégios. Em particular, como por exemplo, afirma que os Patriarcas Orientais, "com os seus sínodos, constituem a instância suprema para todos os assuntos do Patriarcado, não excluído o direito de constituir novas eparquias e de nomear Bispos do seu rito dentro dos limites do território patriarcal, salvo o direito inalienável do Romano Pontífice de intervir em cada caso. O que foi dito dos Patriarcas vale também, de acordo com as normas do direito, para os Arcebispos maiores, que presidem a toda uma Igreja particular ou rito sui juris" [6] . Mas, é preciso também salientar o facto de nem todas as Igrejas orientais serem Patriarcados ou Arquidioceses maiores [7] .

Lista[editar | editar código-fonte]

A Igreja Católica "considera iguais em direito e dignidade todos os ritos [litúrgicos] legitimamente reconhecidos e quer que no futuro se mantenham e sejam promovidos por todos os meios" [8] . Sendo assim, as principais "tradições litúrgicas ou ritos, actualmente em uso na Igreja, são: o rito latino (principalmente o rito romano, mas também os ritos de certas igrejas locais, como o rito ambrosiano ou o de certas ordens religiosas)" e os ritos orientais ("os ritos bizantino, alexandrino ou copta, siríaco, arménio, maronita e caldeu") [8] .

Igrejas orientais ortodoxas e não-ortodoxas[editar | editar código-fonte]

As Igrejas ortodoxas são todas aquelas que aceitam os ensinamentos e decisões dos sete primeiros concílios ecumênicos. A grande maioria delas estão em comunhão umas com as outras e com o Patriarca Ecuménico de Constantinopla. De entre os cristãos de rito oriental, os ortodoxos são os mais numerosos. A Igreja Ortodoxa separou-se oficialmente da Igreja Católica em 1054, num acontecimento chamado de "Grande Cisma do Oriente".

As Igrejas não-calcedonianas são aquelas que só aceitam os ensinamentos dos três primeiros concílios ecuménicos (Niceia, Constantinopla e Éfeso). Elas separaram-se das Igrejas Católica e Ortodoxa porque elas recusaram-se a aceitar a doutrina das "duas naturezas de Cristo", decretada pelo Concílio de Calcedónia (451) e aceitada pelos católicos e ortodoxos. Em alternativa, estas Igrejas defendem que em Jesus Cristo há a natureza humana e a natureza divina, mas que estas duas naturezas se unem natural e completamente para formar uma única e unificada Natureza de Cristo.

Para além dos ortodoxos e dos não-calcedonianos, existe também outro grupo de cristãos orientais: a Igreja Assíria do Oriente, que aceita somente os ensinamentos dos dois primeiros concílios ecuménicos (Niceia I e Constantinopla I). Esta Igreja oriental destaca-se por defender o nestorianismo, que surgiu no século V e que ensina que em Jesus Cristo há duas pessoas distintas, uma humana (Jesus) e outra divina (Cristo), completas de tal forma que constituem dois entes independentes vivendo no mesmo corpo.

Lista[editar | editar código-fonte]

Estão abaixo listadas algumas Igrejas ortodoxas e também algumas Igrejas separadas de Roma, mas não ortodoxas:

  • Tradição litúrgica bizantina:
  1. Rito bizantino:
    1. Igreja Ortodoxa Antioquena
    2. Igreja Ortodoxa da Ucrânia
    3. Igreja Ortodoxa Russa
    4. e a maior parte das Igrejas ortodoxas em comunhão com Constantinopla
  • Tradição litúrgica síriaca ou antioquena:
  1. Rito siríaco:
    1. Igreja Ortodoxa Síria
    2. Igreja Ortodoxa Malancar Indiana
  • Tradição litúrgica caldeia
  1. Rito caldaico (ou assiríaco, ou ainda siríaco oriental)
    1. Igreja Assíria do Oriente (ou Nestoriana)
    2. Igreja Ortodoxa Malabar
  • Tradição litúrgica alexandrina:
  1. Rito copta:
    1. Igreja Copta Ortodoxa
  1. Rito ge'ez:
    1. Igreja Ortodoxa Etíope
    2. Igreja Ortodoxa Eritreia
  • Tradição litúrgica armênia:
  1. Rito armênio
    1. Igreja Apostólica Armênia

Por tradição, a grande maioria dos fiéis destas Igrejas orientais utilizam, como o nome indica, os ritos litúrgicos orientais. Mas, devido à disseminação e posterior presença destas Igrejas no Ocidente (onde a Igreja Católica Latina e os protestantes são dominantes), elas passaram a autorizar, a título excepcional, a celebração de ritos latinos e ocidentais pelas suas comunidades ocidentais. O exemplo disso é a Igreja Ortodoxa na América, onde os ritos litúrgicos orientais e ocidentais são celebrados em harmonia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rites of the Catholic Church, no Gcatholic.com
  2. a b c d e f What All Catholics Should Know About Eastern Catholic Churches (Janeiro de 2006)
  3. Eastern-Rite Synods of Bishops, no Gcatholic.com
  4. a b O Concílio de Hierarcas é semelhante ao Sínodo, mas com menos poder. Ver o Código dos Cânones das Igrejas Orien­­tais (CCEO) para mais informações
  5. A Igreja Católica Bizantina Rutena não tem ainda uma estrutura organizacional muito bem definida, por isso o seu Arcebispo Metropolita só tem jurisdição sobre os fiéis dos EUA (os católicos rutenos da Ucrânia e da República Checa são governados, respectivamente, por um eparca e um exarca, que são directamente supervisionados pela Santa Sé). Aliás, o próprio Metropolita não é o Chefe da Igreja Rutena, sendo o eparca de Mukachevo o seu verdadeiro Chefe. [1].
  6. "Orientalium eclesiarium", decreto do Concílio Vaticano II
  7. Grande parte da subsecção Decreto Orientalium Ecclesiarum foi baseada no artigo "O Concílio Vaticano II", do site Doutrina Católica
  8. a b Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 1203

Outras fontes e Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Aqui estão listadas algumas ligações externas sobre o Rito oriental (principalmente sobre as Igrejas Orientais), que também serviram, na maioria delas, como referências para a elaboração do artigo:

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