Robert FitzRoy
Robert FitzRoy (Ampton, Suffolk, 5 de julho de 1805 — Upper Norwood, Londres, 30 de abril de 1865) foi o capitão do navio HMS Beagle, durante a famosa viagem de Charles Darwin. Foi um pioneiro na área da meteorologia, tendo tornado a previsão mais precisa do estado do tempo uma realidade. Foi explorador e hidrógrafo. Também exerceu tarefas desenhando diversos mapas e aquarelas. Serviu como Governador Geral da Nova Zelândia de 1843 até 1845.
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[editar] Ligações familiares
A família FitzRoy tem origem em uma relação extra-conjugal do Rei Carlos II, no século XVII, que gerou Henry, o primeiro FitzRoy, o primeiro Duque Grafton. Este foi o título nobiliárquico do avô e do tio de Robert, pelo lado paterno. Seu pai, Lorde Charles FitzRoy, casou-se com Frances Anne Stewart, meia-irmã do Marquês de Londonderry, importante político inglês nas primeiras décadas do século XIX.
[editar] Carreira no HMS Beagle
FitzRoy tornou-se, aos 23 anos, um dos mais jovens marinheiros ingleses a comandar um navio hidrográfico. Foi o primeiro a passar pela prova do almirantado inglês sem errar uma questão. Robert FitzRoy comandou o HMS Beagle em duas de suas três viagens, ficando conhecido por grandes feitos nelas.
[editar] Primeira Viagem
Em sua primeira viagem a comando do HMS Beagle, FitzRoy que ainda era bem jovem para o cargo, entrou no comando no lugar do comandante Stokes, que havia se suicidado. FitzRoy embarcou no Beagle no porto do Rio de Janeiro (Brasil) em 1828. Robert FitzRoy tomou o comando do Beagle em situação deplorável, com falhas e remendas com adesivos, poucos equipamentos de bordo e uma tripulação mal treinada, como se já não bastasse ser um navio pequeno.
FitzRoy era um homem rígido, a tripulação era acordada à noite para treinamentos, o Beagle fora reforçado e a tripulação se transformara em homens mais qualificados.
O HMS Beagle viajava junto ao HMS Adelaide e o HMS Adventure, ambos comandados por oficiais maiores. O objetivo da viagem era explorar mais a costa da Patagônia, Andes e a Terra do Fogo.
Na Terra do Fogo, FitzRoy iniciou um projeto ousado. Queria provar ao mundo que os nativos eram humanos normais assim como os ingleses, como o próprio FitzRoy dizia: "eles só tiveram o azar de nascerem nessas terras abandonadas por Deus." Assim, FitzRoy capturou quatro nativos fueguinos e Wollya, sendo nomeados pela tripulação com nomes cômicos que lembravam histórias da viagem, eram eles: Fueguina Bascket, York Minster, Boat Memory e Jemmy Button. FitzRoy pegou os nativos para educa-los e transforma-los em cristãos para anos depois leva-los de volta para compartilharem do que aprenderam com seu povo e pregarem o cristianismo a eles, povo com o qual ninguém conseguia se comunicar.
[editar] Segunda Viagem
A segunda viagem de FitzRoy no Beagle teve algumas complicações para sair. O Almirantado Inglês não queria financiar a viagem pois estava financiando muitas embarcações de guerra para lutar nas Malvinas (Ilhas Malvinas) e não queria gastar dinheiro em explorações de brigues hidrográficos. FitzRoy que estava abalado pela morte de Boat Memory por varíola (a vacina supostamente não havia funcionado no nativo), chegou a quase financiar sozinho a viagem e comprando outro brigue hidrográfico, mas o problema foi resolvido junto ao rei Guilherme IV durante um jantar organizado para que Sua Majestade conhecesse os nativos da Terra do Fogo. FitzRoy convencera Guilherme IV a financiar a segunda viagem comentando sobre o interesse dos franceses em pesquisar e explorar aquelas áreas e pela grande evolução social que FitzRoy havia dado aos nativos (a não ser à York Minster). Foi extremamente importante também, a atuação de seus tios junto ao Almirantado, como ele afirma em seu relato de viagem: "um bondoso tio, a quem mencionei meus planos, foi ao Almirantado e, logo depois, me contou que eu deveria ser nomeado para o comando do Chanticleer" (pág. 13). FitzRoy equipara o HMS Beagle com tamanha quantidade de barômetros, cronômetros e outros aparelhos, que o Beagle se tornara o navio mais exato da época. Isso era devido ao grande interesse de FitzRoy em meteorologia, ciência pouco conhecida e de muitas controversias na época em que tais equipamentos lhe ajudariam muito. Tal investimento não era problema para Robert FitzRoy, que vinha de uma família rica e de alta nobreza. A tripulação do Beagle era composta de muitos oficiais de confiança de FitzRoy desde a primeira viagem, mas dois homens em destaque da nova tripulação tomaram lugares na história: Tenente Wickham (que comandaria o Beagle durante a terceira viagem) e o jovem naturalista de FitzRoy, Charles Darwin, que posteriormente se tornou um importante cientista e criou a Teoria da Evolução, da qual começara a elaborar e adquirir provas a partir desta viagem. Convidou também o pintor Augustus Earle, que já estivera no Brasil, como primeiro oficial desenhista. FitzRoy deveria levar os nativos de volta, explorar as Malvinas, e algumas missões métricas em torno do hemisfério sul da terra. FitzRoy teve uma decepção ao levar os nativos de volta, sua missão havia falhado. York Minster traiu Jemmy Button e o saqueou, fugindo com Fueguina Bascket e os nativos de sua tribo. Jemmy Button recusou a proposta de FitzRoy ao se reencontrarem de voltar a Londres, e desde então, não teve mais notícias dele. Robert FitzRoy e Charles Darwin, apesar de terem se tornado bons amigos, discordavam das idéias uns dos outros e quase sempre acabavam discutindo por isso.
[editar] Pós-Viagem
FitzRoy vira poucas vezes Darwin após a viagem, Darwin ficara conhecido, mas FitzRoy apesar de todo talento, não foi chamado novamente para a terceira viagem do HMS Beagle. Robert FitzRoy casou-se com Mary Henrietta O'Brien, filha do Marechal Edward O'Brien e foi morar em Londres, Rua Chester, 31. FitzRoy acabou dedicando sua vida à política, exercendo o posto de prefeito de Durhan pelo partido dos tory e posteriormente governador da Nova Zelândia. Dedicou seu tempo a desenvolver seu método de previsão do tempo. Porém sua tentativa foi frustrada por falta de apoio político e financeiro a seu projeto. No fim da vida, amargado pelas frustrações a ele impostas, e sofrendo a tempos de transtorno bipolar depressivo-compulsivo, suicidou-se.
[editar] Bibliografia
- THOMPSON, Harry. Nos Confins do Mundo. Tradução de Maria Bestriz de Medina. Rio de Janeiro: Record, 2008. 711 p.
- KEYNES, Richard. Aventuras e descobertas de Darwin a bordo do Beagle. Tradução de Sergio Goes de Paula. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 2004.
- PASSETTI, Gabriel. De entreposto a anti-modelo de colonização: a América do Sul entre a Inglaterra e a Oceania na década de 1830. Anais Eletrônicos do VIII Encontro Internacional da ANPHLAC, Vitória, 2008.
- PASSETTI, Gabriel. O mundo interligado : poder, guerra e território nas lutas na Argentina e na Nova Zelândia (1826-1885). São Paulo : Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2010. Tese de Doutorado em História Social.
[editar] Ver também
- Nos Confins do Mundo, livro de Harry Tomphson sobre as viagens do HMS Beagle
- Charles Darwin
- HMS Beagle
