Roberto Burle Marx

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Burle Marx
Nome completo Roberto Burle Marx
Nascimento 4 de agosto de 1909
São Paulo, SP
Morte 4 de junho de 1994 (84 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade  brasileiro
Principais trabalhos

Roberto Burle Marx (São Paulo, 4 de agosto de 1909Rio de Janeiro, 4 de junho de 1994) foi um artista plástico brasileiro, renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista.

Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo.[1]

Seu primeiro projeto de jardim público foi a Praça de Casa Forte, localizada no Recife, cidade natal de sua mãe.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era o quarto filho da recifense Cecília Burle, membro da tradicional família pernambucana de ascendência francesa Burle Dubeux, e de Wilhelm Marx, judeu alemão nascido em Estugarda e criado em Tréveris (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô).[3] [4]

A mãe, exímia pianista e cantora, despertou nos filhos o amor pela música e pelas plantas. Roberto a acompanhava, desde muito pequeno, nos cuidados diários com as rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies que plantava no seu jardim. Com a ama Ana Piascek aprendeu a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes do jardim e da horta.[4]

O pai era um homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia, preocupado com a educação dos filhos, aos quais ensinou alemão, embora se dedicasse aos negócios, como comerciante de couros, num curtume que mantinha em São Paulo.

Mudança para o Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Praça dos Cristais em Brasília, obra paisagista do Roberto Burle Marx.

Quando os negócios começam a ir mal em São Paulo, seu pai resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro em 1913.[1] A família viveu um tempo em casa de familiares e, quando a nova empresa de exportação e importação de couros de Wilhelm Marx começou a ter resultados positivos, finalmente se mudaram para um casarão no Leme. Nesse casarão, Burle Marx, então com 8 anos, começou a sua própria coleção de plantas e a cultivar suas mudas.

Período na Alemanha[editar | editar código-fonte]

Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e a família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Permaneceram na Alemanha de 1928 a 1929, onde Burle Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas. Lá conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado.

As diversas exposições que visitou e, dentre as mais importantes, a de Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee e Vincent van Gogh, lhe causaram grande impressão, levando-o à decisão de estudar pintura.

Formação acadêmica em Artes Plásticas (Belas Artes)[editar | editar código-fonte]

Durante a estada na Alemanha, Burle Marx estudou pintura no ateliê de Degner Klemn. De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Lúcio Costa, que era seu amigo e vizinho do Leme, o incentivou a ingressar na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.[4] Burle Marx conviveu na universidade com aqueles que se tornariam reconhecidos na arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Milton Roberto, entre outros.[1]

Início do paisagismo no Recife[editar | editar código-fonte]

Praça do Entroncamento, uma das praças recifenses projetadas por Burle Marx.[5]

O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, no Recife, em 1934. Nesse mesmo ano assumiu o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, onde ainda lidava com um trabalho de inspiração levemente eclética, projetando mais de 10 praças. Nesse cargo, fez uso intenso da vegetação nativa nacional e começou a ganhar renome, sendo convidado a projetar os jardins do Edifício Gustavo Capanema (então Ministério da Educação e da Saúde)[1] . Em 1935, ao projetar a Praça Euclides da Cunha (a Praça do Internacional, conhecida também como Cactário Madalena) ornamentada com plantas da caatinga e do sertão nordestino, buscou livrar os jardins do "cunho europeu", semeando a alma brasileira e divulgando o "senso de brasilidade". Seu grupo do movimento arquitetônico modernista (junto com Luís Nunes, da Diretoria de Arquitetura e Construção, e Attílio Correa Lima, responsável pelo Plano Urbanístico da cidade), ganhou opositores como Mário Melo e simpatizantes como Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Cícero Dias, com os quais sempre se reunia. Em 1937 criou o primeiro Parque Ecológico do Recife.[4]

Ruptura e modernidade[editar | editar código-fonte]

Praça Ademar de Barros, com projeto de paisagismo de Burle Marx, localizada em Águas de Lindoia, São Paulo.

Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira foi fundamental, tendo atuado nas equipes responsáveis por diversos projetos célebres. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. Definido por vegetação nativa e formas sinuosas, o jardim (com espaços contemplativos e de estar) possuía uma configuração inédita no país e no mundo.[1]

A partir daí, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como a arte abstrata, o concretismo, o construtivismo, entre outras[4] . As plantas baixas de seus projetos lembram em muitas vezes telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos e caminhos através dos elementos de vegetação nativa.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARDI, Pietro Maria, I giardini tropicali di Burle Marx.Gorlich editore,Milano 1964.
  • RIZZO, Giulio G.; "Roberto Burle Marx. Il giardino del Novecento"; Firenze, Cantini editore; 1992
  • LEENHARDT, Jacques (org); Nos jardins de Burle Marx; São Paulo: Editora Perspectiva, 1994; ISBN 85-273-0093-1
  • RIZZO, Giulio G.; Roberto Burle Marx: non solo arte dei giardini; su "Controspazio", vol. 4; p. 66-73,1995.
  • RIZZO Giulio G.; Il progetto dei grandi parchi urbani di Roberto Burle Marx. In "Paesaggio Urbano", vol. 4-5; p. 82-89, 1995.
  • SIQUEIRA, Vera Beatriz; Burle Marx; São Paulo: Cosac e Naify, 2001.
  • TABACOW, José (org.); Arte e Paisagem - Roberto Burle Marx; São Paulo: Livros Studio Nobel, 2004.
  • RIZZO, Giulio G. : Il giardino privato di Roberto Burle Marx: Il Sìtio.Sessant'anni dalla fondazione. Cent'anni dalla nascita di Roberto Burle Marx.Gangemi Editore,Roma 2009.ISBN: 978-88-492-1987-6

Referências

  1. a b c d e Roberto Burle Marx - Biografia (em português) UOL - Biografia. Página visitada em 03 de julho de 2012.
  2. Biografia de Roberto Burle Marx
  3. Burle Marx e suas origens
  4. a b c d e Roberto Burle Marx (em português) R7. Brasil Escola. Página visitada em 03 de agosto de 2012.
  5. Passeio no Recife visita praças projetadas por Burle Marx

Ligações externas[editar | editar código-fonte]