Roberto Freire

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O então deputado federal Roberto Freire, durante uma entrevista à Radiobrás (foto de Marcello Casal Jr./ABr)

Roberto João Pereira Freire (Recife, 20 de abril de 1942) é um advogado e político brasileiro.

É o presidente nacional do PPS, e o primeiro-suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDBPE).

[editar] Infância e juventude

Roberto Freire nasceu em uma família de classe média. O pai, João Figueiredo Freire, era funcionário de pequenas empresas privadas industriais e comerciais no Recife e a mãe, Maria de Lourdes Pereira Freire, era dona-de-casa.

Roberto Freire praticou várias atividades esportivas durante a juventude – sobretudo no Sport Clube –, e chegou a compor a seleção pernambucana de basquete.

Começou a militar na política em 1962, quando era estudante da Faculdade de Direito da UFPE. Atuou também como advogado sindical no escritório de Rildo Souto Maior e Chico Maia, defendendo trabalhadores rurais, sob a liderança de Gregório Bezerra – o homem de ferro e flor –, quando estreita suas relações com o velho PCB de 1922.

É pai de cinco filhos: Marta Baltar Freira, Cláudia Baltar Freire, Luciana Baltar Freire, Mariana Baltar Freire[1][2], João Baltar Freire[3].

[editar] Vida pública

Roberto Freire ingressou no serviço público no ano de 1967 após ser aprovado em primeiro lugar no curso para gerente de Cooperativa Integral de Reforma Agrária realizado pelo IBRA. Posteriormente, foi aprovado em concurso interno de ascensão funcional - instituto previsto na Constituição Brasileira da época - para o cargo de procurador autárquico do IBRA. É procurador aposentado do INCRA.

Participou pela primeira vez de uma eleição em 1972. Candidato a prefeito de Olinda pelo então MDB, foi o mais votado mas perdeu para a soma dos votos das duas sublegendas da ARENA.

O primeiro mandato, de deputado estadual, foi conquistado em 1974 pelo MDB. Protagonizou vários embates na luta pela redemocratização, como quando foi o único parlamentar, em 1 de setembro de 1978, a subir a tribuna para contestar com energia a eleição de governadores e senadores biônicos. Por sua conduta combativa e de princípios, foi considerado pelos jornalistas do comitê da Assembléia como um dos mais destacados políticos da legislatura.

A partir da experiência em Pernambuco, e considerado um dos expoentes da esquerda nordestina, Freire começa a sua carreira em nível nacional. É eleito para quatro mandatos sucessivos de deputado federal. Em 1994 elege-se senador e em 2002, volta à Câmara para o seu quinto mandato como deputado federal.

Na Câmara dos Deputados foi vice-líder do MDB de Freitas Nobre e Ulisses Guimarães. Participou ativamente dos trabalhos das comissões – sobressaindo-se dentre elas a que tratou da Lei da Anistia. Tornou-se o líder do governo Itamar Franco, após a destituição de Collor.

No Senado, como líder do PPS, tornou-se referência na luta pela afirmação dos princípios republicanos, pela celebração de um novo pacto federativo e na defesa de políticas sólidas que garantam o desenvolvimento regional – com destaque para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Socialista, humanista e libertário por convicção, ao longo de seus já quase 28 anos de carreira pública ininterrupta, Freire se transformou em um dos símbolos, juntamente com tantos outros brasileiros, na luta pelo fim da ditadura e pela retomada da democracia. E nessa caminhada, sempre defendeu amplas alianças, criticava posturas de esquerdas excludentes, acreditava que a construção de um novo Brasil, obrigatoriamente, passa pelo exercício pleno da cidadania e a consolidação e ampliação da democracia. Freire sempre preconizou, nesta perspectiva, também a adoção de práticas de democracia direta – o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular de lei, princípios consignados na Constituição, tiveram a sua participação emocionada e eficaz.

Liderou, com Teotônio Vilela e outros, a campanha da Anistia. Visitou presídios, participou de debates e comícios, negociou diretamente a elaboração de leis que pudessem tirar das masmorras e permitir a volta ao país de centenas de brasileiros perseguidos ou desterrados pelo arbítrio. É por exemplo o principal articulador da obra Anistia, que registrou em definitivo para a história a luta pela reconciliação entre os brasileiros.

Também participou na linha de frente pela conquista das Diretas Já, e com a sua derrota, enfrentando setores da esquerda equivocados, compreendeu com clareza a necessidade de se ir ao Colégio Eleitoral, elegendo Tancredo Neves/José Sarney e sepultando de vez o regime militar.

Ainda no MDB, é artífice da crítica ao grupo de autênticos que, desiludidos com a possibilidade de superar o arbítrio, propugnavam pela dissolução do partido. Prevaleceu a visão de Freire, compartilhada por Ulisses Guimarães e outros líderes mais sensatos, de que o MDB se converteria em instrumento inigualável para derrotar a estratégia de abertura lenta, gradual e segura, propugnada por Geisel.

Como um militante na ilegalidade do PCB e como o líder da grande frente emedebista, Freire esteve ao lado dos grandes movimentos democráticos vitoriosos do nosso povo no último quartel do século XX. Deu apoio e participou do processo de reconstrução das entidades estudantis livres e da UNE, esteve em todos os congressos que discutiram a criação de uma Central de trabalhadores, também freqüentou intensamente os movimentos grevistas e sindicais dos trabalhadores, em Pernambuco, no ABC em São Paulo e em quase todos os estados brasileiros.

Como líder do PCB, teve um papel destacado na Assembléia Constituinte. Nela, participou de articulações para se obter consensos, esteve entre os dez parlamentares que mais freqüentaram o debate em Plenário, foi autor de mais de quinhentas propostas inseridas no texto constitucional, ajudou a resolver impasses quando conceituou o princípio da emenda aglutinada, incorporada posteriormente pelos regimentos das duas casas no Congresso e em outros legislativos brasileiros.

Na Constituinte, Freire defendeu a definição da função social da propriedade privada; a liberdade religiosa, de pensamento e de informação; a ampliação dos direitos individuais, incluindo o de greve para trabalhadores da iniciativa privada e para os servidores; o acesso à saúde pública por meio da criação de fortalecimento do SUS; o fortalecimento das universidades públicas e o maior apoio à ciência e à tecnologia.

Roberto Freire, no metrô de Porto Alegre

Como deputado federal, destacou-se pela regularização da situação dos estrangeiros, empenhou-se na ampliação dos arcabouços legais para se ampliar a reforma agrária, apresentou projeto para se garantir as eleições diretas para os cargos de reitor e vice-reitor de universidades federais e outras instituições de terceiro grau mantidas pela União.

Paralelamente às atividades parlamentares e institucionais, Freire escreveu o seu nome na história como um homem aberto a idéias novas. Compreendeu criticamente os erros praticados sob a esfera do chamado socialismo real e, com coragem, liderou com outros antigos líderes comunistas a travessia da velha tradição democrática do PCB à tradição renovada do PPS, criado em 1992. Em um cenário internacional e também interno, onde as forças conservadoras insistiam em proclamar o óbito do pensamento socialista, Freire sempre defendeu publicamente a possibilidade histórica de construção de novos paradigmas a partir da generosidade do socialismo.

A visão de mundo Freire expôs em sua impactante campanha à presidência da República, juntamente com o saudoso sanitarista e companheiro Sérgio Arouca, em 1989, quando anunciou, antes de outros segmentos políticos, a antecipação do fim da era do aço e a emergência da era do conhecimento – paradigma para enfrentar a questão das privatizações em nossa economia. Superava a visão tradicional da esquerda marxista – os comunistas aí incluídos -, vaticinava o socialismo democrático, mostrava a inevitabilidade da globalização ao mesmo tempo em que defendia a afirmação, dentro dela, dos valores democráticos e humanistas e não os interesses do mercado como sempre quis o neoliberalismo.

Freire colocou-se em oposição ao governo Lula. Afirma que o atual governo não possui um projeto nacional, e que dificilmente essa meta seria alcançada durante o exercício do poder. Por vários meses, denunciou a aliança de Lula com as velhas idéias econômicas e com os velhos grupos políticos no Congresso, e sugeriu ao governo correções de rumos. No entanto, o próprio Roberto Freire se beneficia de muitas "velhas idéias" da política brasileira, pois, conforme denúncias: "Presidente nacional do PPS, Roberto Freire, recebe jetons no valor de R$ 12 mil mensais da prefeitura de São Paulo pela participação em dois conselhos municipais – Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e SP-Turismo... O conselheiro assina atas de reuniões a que não comparece, com o agravante de que é integrante da turma do falso moralismo, da turma dos gigolôs da ética alheia”.A denúncia apareceu primeiro no Jornal da Tarde, no final de janeiro, num texto de Fábio Leite. Ele revelou que Roberto Freire é uma das 58 pessoas beneficiadas pela política de contratação de “conselheiros”, implantada em 2005 na gestão do José Serra, atual governador." Denúncia este que explica a mudança de rumos do PPS na política brasileira e joga na lama o nome dos que morreram pelo PCB durante a ditadura militar.

Referências

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