Robert Grosseteste

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Robert Grosseteste
O Bispo Robert Grosseteste, como retratado no século XIII
Nascimento 1168
Morte 9 de outubro de 1253 (85 anos)
Lincon Inglaterra
Nacionalidade Inglês

Robert Grosseteste (Stradbroke, condado de Suffolk, 1168 - 9 de outubro de 1253), foi a figura central do importante movimento intelectual da primeira metade do século XIII na Inglaterra. Foi apelidado de Grosseteste pela sua extraordinária capacidade intelectual (Grosse = grande + teste = cabeça)[1] . Tinha grande interesse no mundo natural e escreveu textos sobre som, astronomia, geometria e, especialmente, óptica. Primeiro estudioso europeu a dominar as linguas grega e hebraica. Dava ênfase à matemática como ferramenta para estudar a natureza e defendia que experimentos deveriam ser usados para verificar as teorias a respeito da mesma.

Sua influência foi bastante significativa numa época em que o novo conhecimento da ciência e da filosofia gregas estava tendo um efeito profundo na filosofia cristã.

Também foi relevante o seu trabalho experimental, especialmente seus experimentos com espelhos e lentes. Seu mais renomado discípulo, Roger Bacon, herdou sua paixão pela experimentação. As pesquisas de ambos possibilitaram o início da confecção de óculos e futuramente seriam importantes no desenvolvimento de instrumentos como o telescópio e o microscópio.

Vida[editar | editar código-fonte]

Grosseteste estudou na Universidade de Oxford e tornou-se presidente dessa instituição em 1215, permanecendo no posto até cerca de 1221, quando saiu por motivo de saúde. Depois disso ele passou por uma série de posições eclesiásticas. De 1229 a 1235, ensinou teologia para os franciscanos.

Em 1235 tornou-se Bispo de Lincoln e permaneceu nesse cargo até sua morte,sendo enterrado na catedral de Lincon. Em 1244 é nomeado um dos doze pelo parlamento Europeu para fazer reformas e estipular regras para o Rei Henry III que gastava exageradamente.

Após a sua morte os bispos subsequentes, juntamente com a Universidade de Oxford, tentaram a sua canonização, principalmente o bispo Edward I.

Ciência[editar | editar código-fonte]

Robert Grosseteste em desenho do século XIV.

Grosseteste, o fundador da escola Franciscana de Oxford, foi o primeiro escolástico a entender plenamente a visão Aristotélica do caminho duplo para o pensamento científico: generalizar de observações particulares para uma lei universal; e depois fazer o caminho inverso: de leis universais para a previsão de situações particulares. Grosseteste chamou isso de método da resolução e composição.

Seu conhecimento dos textos de Aristóteles o estimulou a especular e escrever sobre a metodologia da pesquisa científica. Para ele, a ciência começava com a experiência dos fenômenos pelos homens, e a sua finalidade seria encontrar as causas para esses fenômenos. Pelo seu método, o primeiro passo era tentar descobrir as possíveis causas para os fenômenos vividos - os agentes causais -, o próximo passo seria separar o agente causal em seus princípios componentes. Depois, com base numa hipótese, o fenômeno observado deveria ser reconstruído a partir de seus princípios. Finalmente a própria hipótese deveria ser testada e validada, ou não, pela observação.

Esse procedimento continha a base essencial de toda a ciência experimental, sendo precursor do método científico. Esses pontos de vista são muito importantes, especialmente quando levamos em conta a grande influência que Grosseteste tinha como professor.

Obras[editar | editar código-fonte]

Estudo da difração da luz por uma lente esférica, c. 1250

Grosseteste inicialmente escreveu textos em latim e francês, inclusive o chamado Chasteua d'amour, poema alegórico sobre a criação do mundo e a redenção cristã, bem como vários outros poemas e textos sobre administração doméstica e etiqueta.

Ele também escreveu trabalhos teológicos, como o influente "Hexamerão" escrito em torno de 1230. Mas Grosseteste é conhecido como um pensador original principalmente pelos seus textos relacionados ao que hoje chamamos ciência e filosofia da ciência.

Entre 1220 e 1235 ele escreveu vários tratados científicos, como:

  • De sphera: texto longo sobre muitos temas.
  • De accessione et recessione maris: sobre as marés e o movimento das ondas.
  • De lineis, angulis et figuris: sobre lógica matemática aplicada às ciências naturais.
  • De iride: sobre o arco-íris.
  • Natura Locorum: Diagrama sobre a luz refratada através de esferas contendo água.
  • Tratado de Luce: Estudo sobre Luz.

Ele também escreveu comentários sobre a filosofia de Aristóteles, incluindo o primeiro comentário ocidental à Analytica Posteriora e um sobre a física aristotélica.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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