Rock gótico

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Gothic Rock
Origens estilísticas Pós-punk
Punk rock
Contexto cultural Reino Unido, Alemanha no final dos anos 1970
Instrumentos típicos Guitarra, baixo, bateria, bateria eletrônica, sintetizadores, teclado
Popularidade Underground
Formas derivadas Ethereal Wave
Gêneros de fusão
Dark Cabaret, deathrock, gothabilly, dark wave, neue deutsche todeskunst
Outros tópicos
BandasDarkwaveLiteratura  • Cultura

Rock gótico é um subgênero do pós-punk e rock alternativo que surgiu durante a década de 1970. Bandas de rock gótico cresceram a partir dos fortes laços que tinham com o punk rock inglês e cenas emergentes do pós-punk. De acordo com ambos, Pitchfork[1] e NME,[2] grupos proto-góticos incluem Joy Division,[1] [2] [3] Siouxsie and the Banshees,[1] [2] Bauhaus,[1] [2] e The Cure.[1] [2]

O gênero definiu a si próprio como um movimento separado do pós-punk devido à sua música mais sombria acompanhada de letras introspectivas e românticas. O rock gótico deu origem a uma subcultura mais ampla que inclui clubes, moda e publicações na década de 1980.

Origem[editar | editar código-fonte]

"A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela". Ao fazer um comentário sobre o lendário filme Nosferatu, Bernard Sumner, integrante das bandas Joy Division e New Order, gerou a definição que muitos consideram a mais concisa do assunto.

Dizem que os Anos Dourados foram os anos 50 e os anos 80 a "Década Perdida". Mas para muita gente (góticos ou não) os anos 80 foram uma era dourada em termos musicais. Sem pôr em dúvida a qualidade inegável do Rockabilly (som típico dos anos 50), o "Iê-iê-iê" é o começo da abordagem de temas polêmicos como o diabo, o ocultismo, drogas, sociedade alternativa dos anos 60. Bandas como Beatles, Rolling Stones e principalmente The Doors influenciam até hoje. Nos anos 70, inicio do Heavy Metal, que hoje tem um conceito totalmente diferente devido à popularização do New Metal e de outro lado o Metal Melódico, também se firmava sobre esses temas. Também nessa época o Hard Rock, o Glam Rock e, no fim da década, o Horror Punk. Para explicar a música gótica, ou "Gothic Rock", uma passagem em todos esses estilos será necessária, mostrando que o rock em si é uma teia com ligações inesperadas, gerando novos gêneros a cada dia.

Anos 80[editar | editar código-fonte]

Os anos 80 ficaram conhecidos como a "Década Perdida" na América Latina, devido a estagnação econômica vivida pela região durante a época. Crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). No Brasil ocorria o fim do chamado “Milagre Econômico”, dada a época de excepcional crescimento econômico ocorrido durante a ditadura militar. No resto do mundo representou o fim da "Idade industrial" e início da "Idade da Informação". Talvez por isso um momento bem propício para o surgimento do gênero musical em questão e seus parentes próximos mais eletrônicamente dispostos, (Metal Industrial, EBM, Synthpop e etc.) já que a Disco Music(que já havia enfraquecido), a House Music e a maioria dos outros tipos de música eletrônica se apoiavam em diversão apenas, tratando qualquer assunto sério com subjetividade (o amor é sempre mais bem visto para tema nesses moldes) e concebendo experimentalismo dançante para festas e clubes. Mas partindo desse princípio podemos achar raízes para a "Darkwave" sim, de algum modo. Com o surgimento da MTV muitos artistas ligados ao "Gothic Rock" tiveram vários clipes veículados, o que ajudava na divulgação de seu trabalho. David Bowie, influênciado pela Disco Music, lançou o álbum Let´s Dance. Voltou ao loiro, usava topete e ternos coloridos; Que também eram uma característica dos "New Romantics". O movimento New Romantic, conhecido também como "Romo", era um estilo musical e de moda surgido nos anos 80 na Inglaterra. Posterior ao estilo New Wave (fim dos anos 70), estilo este que acabou se dividindo entre New Romantic, Gothic Rock e movimentos Post-Punk. Da influência de Bowie ainda se pode dizer muito, tanto em música como em outros aspectos da subcultura. É muito provável que góticos usem Ankhs só por causa dele. No filme "Hunger/Hunger–Fome de Vida", Bowie interpreta um vampiro e usa um exemplar afiadíssimo para ferir a jugular de sua vitimas já que não tinha dentes afiados. Essa imagem também ficou marcada pelo fundo musical de quando ele saí à caça de uma presa com sua companheira ao som de "Bela Lugosi´s Dead", da banda Bauhaus.

O rock em veludo negro[editar | editar código-fonte]

Já na década de 1950 algumas bandas assumiam um tom macabro de encenação com o rock n' roll, inspirados nos filmes de horror da época e os clássicos de outras épocas - o que mais tarde seria utilizado por bandas de death rock e psychobilly. A diferença para o rock gótico é que a influência vem mais de filmes expressionistas que tinham uma preocupação com a ambientação, o pavor, a atmosfera sufocante. E os filmes genéricos feitos a partir de clássicos (como A filha de Drácula, Jovem Frankenstein, O retorno de Drácula etc.), exibidos em drive-ins, e os filmes B é que estão presentes na cena death. A relação entre as duas coisas é óbvia, esses filmes tinham um caráter irônico, não eram apenas sustos, acabavam por serem divertidos, engraçados mesmo. E o grande forte do death rock é a sua ironia, o humor negro. A estrutura musical dos anos cinqüenta também foi aproveitada.

Nos anos 60 se iniciou uma fase de criação incrivelmente psicodélica no rock, talvez graças ao bem sucedido, disco dos Beatles. O Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band era altamente colorido e experimental, onde foram usadas técnicas que nem eram imaginadas na época para fazerem uma banda de quatro pessoas soar como uma orquestra inteira, instrumentos e sons diferentes, e as faixas foram imendadas umas nas outras. De outro lado bandas como os Rolling Stones mergulhavam em uma atmosfera mais requintada de diabolismo e decadência humana. Their Satanic Majesty's Request, dos Stones, tinha uma abordagem sombria e perturbadora; um exemplo é a música Paint it Black do grupo, que possui vários covers de bandas da subcultura gótica, um clássico melancólico onde Mick Jagger canta querer pintar tudo de preto e vê seu mundo se rendendo a essa cor. Poucas outras bandas da época escaparam da chuva de flores, paz e amor que os hippies evocavam sobre os anos 60, as que conseguiram fizeram de sua missão perturbar a mente de quem quisesse ouvir. Os Stones teriam que competir pelo título de majestade satã se o quisessem só para eles; na metade da década surge o Velvet Underground. Graças ao empurrão de Andy Warhol, rei da pop art, a banda se tornou um grande sucesso. Embora Andy tenha achado que seria uma boa idéia inserir a modelo Nico na banda ela realmente não se integrou muito. O primeiro disco recebeu o nome de Velvet Underground and Nico (cuja famosa capa desenhada por Andy, era uma banana), e após ele a modelo abandonou o grupo e migrou para uma carreira solo, com músicas igualmente melancólicas e sinistras. Andy Warhol acabou também por perder o interesse pela banda, mas a evocação de violência, vicio em sexo e drogas e todo tipo de perdição tinha que continuar, outros membros da banda já assumiam os vocais, mas Lou Reed acabou por tomar a frente. Em 1970 quando deixou a banda para seguir carreira solo ela se deu por extinta. Também o The Doors teve influência na música gótica; Jim Morrison se proclamou o "Rei Lagarto" dizendo que podia fazer o que queria, inclusive era muito cogitada o fato de tocar o que não se pudesse onde diziam que não se devia tocar. Ray Manzarek convenceu seu tímido amigo Jim que suas poesias dariam belas canções, enquanto ele tocava teclados, Robby Krieger guitarra, John Densmore bateria, e Jim ficou nos vocais. Jim Morrison demorou a se soltar, mas a bebida e as luzes da ribalta o fizeram, e em pouco tempo lá estava ele sendo expulso do Whisky a Go Go por tocarem The End, música cuja letra diz "Quero estuprar minha mãe e matar meu pai". Mais tarde, já famosos, participavam ao vivo do Ed Sullivan Show, onde eram vetados em uma parte de Light my Fire; sugeriram que ele não dissesse "menina não poderíamos estar mais chapados", se ao invés poderiam dizer "estar melhores". Mas Morrison não deixou por menos: cantou a letra como era. Sempre no mesmo caminhos em que os hippies espalhavam flores muitas outras bandas trilharam morte, desespero e polemica até os anos 70.

David Bowie e o glam rock[editar | editar código-fonte]

Nos anos seguintes, não se sabia mais para onde ir em termos psicodélicos. Foi então que um estilo de temas igualmente polêmicos aos daquelas bandas perturbadoras dos 60 e com uma nova e apelativa estética apareceu. Cheio de plataformas altas, maquiagem, brilhos e cílios postiços, o glam rock ganhou o território norte-americano, talvez graças às bonecas de Nova York, o The New York Dolls. A banda fazia um rock simples e básico, que posteriormente seria chamado de proto punk; porém sua estética feminina era o que chamava mais atenção: roupas de mulher, batom e maquiagem borrados em marmanjos de voz grossa e corpo peludo. A diferença entre eles e os personagens de David Bowie eram bem vísiveis. Mas foi assim que O glam ou kitsch foi trazido da Inglaterra para os Estados Unidos.

Outra invenção destacada de Bowie se chamava Ziggy Stardust, personagem encarnado pelo músico no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Ziggy era um alienígena andrógino e bissexual, por isso Bowie tingiu os cabelos de ruivo, pôs uma maquiagem exagerada e roupas escalafobéticas com ar feminino e seguiu a turnê desse modo, acompanhado por sua banda The Spiders From Mars. Chegou uma hora que ninguém sabia quem era David Bowie e quem era Ziggy; o autor acabou por se fundir totalmente ao personagem.

Não só Bowie e seu famoso alien foram de fatal importância para a cena darkwave, mas também o T-Rex, o Velvet Underground, o ex-Stooges Iggy Pop e outros (Waiting for the Man, do Velvet Underground, e Telegram Sam, do T-Rex, por exemplo, também receberam cover do Bauhaus). O Álbum Diamond Dogs (1974), de David Bowie, é considerado pelo autor como sendo um pouco gótico,[carece de fontes?] possui músicas apocalípticas e sombrias como We are the Dead. O que fez a fama do cantor foi mesmo o glam rock, movimento do qual Bowie virou um ícone, baseado nas já citadas características (androginia, temas obscuros glamurizados, roupas escandalosas etc.). Definitivamente uma ponte muito próxima para o gothic rock, o glam rock surgiu para salvar a psicodelia da defasagem, mas oficialmente acabou em 75; as bandas que ainda faziam uso do experimentalismo, um pouco da estética e temas do glam acabaram por serem intituladas como punk, por isso, talvez, em 78 o termo estivesse entrando em desgaste. Logo convencionou-se re-intitular essas bandas como bandas new wave, e a Europa ocidental tratou de divulgar o termo, já que todas as bandas surgidas na 2ª metade da década de 70 eram new wave ou nueva olla ou nouvelle vague, não importando necessariamente seu estilo musical ou sua origem; depois de um tempo, também se tornou divulgado o termo pós-punk, principalmente na Inglaterra, que seguia o mesmo conceito de rotulação das bandas novas, mas ao invés de usar a expressão new wave, os jornalistas musicais preferiam o post-punk. A seguir, já no início dos anos 80, as bandas com visual e temas mais pops passaram a ser new wave, enquanto que as mais undergrounds eram as pós punk. Ainda então, bandas da sub-cultura gótica eram classificadas de ambas as formas. Mas posteriormente deixou-se o new wave para bandas com um visual mais colorido (um bom exemplo são os The B-52's) e, para as bandas que adotaram uma tendência mais sombria acabaram por serem pejorativamente rotulados de góticos, ou darks no Brasil; o fato é que acabou pegando essas nomenclaturas em todos os casos mencionados.

Algumas bandas não assumiram o termo, e ficavam situadas tranquilamente entre esses movimentos, como Siouxsie & the Banshees e The Cure. Por outro lado, bandas com estilo musical claramente gótico, buscavam calcar sua imagem com um estilo completamente diferente, para evitar rotulações fáceis porém indesejadas. Um bom exemplo é o Fields Of The Nephilim e sua aparência de gangue criminosa do velho oeste norte-americano.

Os caminhos do rock gótico[editar | editar código-fonte]

Embora originalmente considerado um rótulo para um número pequeno de bandas de rock/pós-punk, o rock gótico possui, hoje, um espectro bem maior - abrangendo em si o Death Rock, a Música Industrial e até algumas bandas da new wave, por exemplo. Enquanto a maioria das bandas punk focava um estilo agressivo, as primeiras bandas góticas eram mais pessoais e introvertidas, com elementos de movimentos literários como horror gótico, romantismo e niilismo. As primeiras bandas consideradas góticas foram: Joy Division,[4] Siouxsie and the Banshees,[4] The Cure,[4] Bauhaus,[4] etc. Embora, como já foi dito, nem todas aceitem de bom grado o termo.

O Bauhaus é considerada a banda pioneira do estilo. Surgiram em meados de 78. Bela Lugosi is Dead é um épico com nove minutos de duração, seu single foi lançado pelo selo independente Small Wonder. Bela Lugosi foi um ator que ficou marcado pela interpretação do clássico Drácula, de Bram Stoker. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso de vendas, a música definiu tudo aquilo que seria o rock gótico (guitarras fálicas distantes do resto dos instrumentos e um vocal que se mistura a todo o resto como que solto no espaço), e se manteve nas paradas independentes da Inglaterra por anos e anos. Como já foi dito, a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. Como se pode ver realmente, uma situação propicia para obscuridão e não para louros! A voz e os trejeitos de Peter Murphy, onde se via um comportamento meio glam (influências diretas dos primeiros álbuns solo de Iggy Pop, produzidos por seu amigo David Bowie) é uma presença forte e contribuiu para o culto da banda. O primeiro álbum do Bauhaus foi In the Flat Field, mas o segundo, de 81, Mask, revelou uma maior ambição musical dos pais do gothic rock. Os elementos eletrônicos, metais, misturados à já conhecida fórmula dark gerou um álbum considerado por alguns como ainda melhor que seu predecessor, e que teria dado origem ao que alguns chamam de darkwave. Ainda e talvez entre as bandas mais conhecidas, até pelos não aprofundados no cerne gótico, além de Bauhaus, estejam ainda The Cure e Joy Division.

Ian Curtis (Joy Division).

Robert Smith liderou a banda, inicialmente chamada The Easy Cure, e permaneceu nela desde sempre. Seu estilo é algo um tanto indefinível, mas como já foi citado, nem todas as bandas góticas se definem assim. Pós punk era uma definição bem usada - por surgir depois do auge do punk rock. Na verdade o Cure teve várias fases. O primeiro álbum Three Imaginary Boys, de 1979, teve uma turnê de promoção que os levou a serem convidados para serem a banda de suporte para a banda Siouxsie And The Banshees, banda também bastante conhecida na cena punk e pós punk, com o vocal feminino de Siouxsie Sioux. Robert Smith fora o guitarrista da banda durante sua fase punk; poucas bandas conseguiram fazer uma transição de fases tão bem quanto os Banshees, saindo do punk e se tornando um exponencial gótico. Boys Don't Cry, quando foi lançado em 1980, não obteve o sucesso esperado; só em 1986 tornou-se um hino da banda. Músicas como Friday I´m in Love e A Letter to Elise, foram outros de seus grandes sucessos, já nos anos 90. A música dos The Cure tem sido categorizada como rock gótico,[5] subgénero do rock alternativo, como uma das principais bandas, no entanto, Robert Smith disse em 2006 que, "é patético quando o gótico ainda se cola ao nome The Cure", considerando o sub-género "incrivelmente estúpido e monótono. Verdadeiramente lastimoso".[6]

Outros estilos incorporados à cena[editar | editar código-fonte]

O gothic rock/darkwave é com certeza a música e um dos elementos que mais caracteriza a cena gótica. Mas com a sua evolução outros estilos musicais foram se integrando mais à subcultura e se fundindo mais a ele, que embora possam às vezes ser abordados de maneira distinta já parecem também coisas inseparáveis uma das outras.

Quando exportado para os americanos o rock gótico chegou da Inglaterra para se tornar o death rock. Na Inglaterra a Batcave, club centro da disseminação desse estilo, abrigava noites regadas ao som de bandas como o Specimen e o Bauhaus. Nos Estados Unidos o estilo também ganhou várias casas e uma contraparte típica, o Christian Death. Talvez por isso os dois estilos sejam tão inseparáveis e se diz que são irmãos que se detestam, mas se amam no fim das contas. Mas as bandas como essas podiam se encaixar perfeitamente no rótulo gótico. Enquanto que o death rock, como é conhecido hoje, é povoado de zumbis, humor negro, carnificina, ferimentos, necrofilia e todo tipo de brincadeira com a morte, inspirado em filme de terror de orçamento baixo. Exemplos de bandas são: Misfits (também ligados ao punk rock), Samhain, 45 Grave, Zombina and The Skeletones, Cinema Strange (Ver Death rock).

Um advento que tomou a cena alternativa de 1990 era chamado Industrial, esse tipo de música já havia sido muito bem vindo pelo gótico no fim dos anos 80, a paixão pelo sombrio novamente fez a união. Os góticos, como se sabe, podem olhar para o passado com uma nostalgia irônica, (pois a era vitoriana é transformada em um ambiente muito propício e aconchegante para isso, mas como se sabe, as coisas não são bem assim) já o industrial olha para o futuro com um pessimismo baseado no presente. O industrial legitimo era um acontecimento musical que já havia acontecido vinte anos antes mais ou menos. Eram trabalhos que colocavam em questão até que ponto existiria musicalidade, na arte de fazer barulho. Os artistas desse movimento podiam usar qualquer coisa que fosse ruidosa, alterada e misturada eletronicamente de forma desincronizada para parecer com nada que fosse entretenimento à cultura popular. Podem ser citados aqui os experimentalistas eletrônicos do Cabaret Voltaire, a cozinha destruidora de Monte Cazazza e os concertos que mais pareciam um ataque à queima roupa do Throbbing Glistle. Dessa forma a música underground dançante feita para animar clubs de meados de 90 recebeu o rótulo de Industrial também, “ A única coisa que temos em comum é o fato haver barulho na minha música e também haver barulho na deles”, diz o vocalista do Nine Inch Nails (banda que propagou o gênero), Trent Reznor. O gótico preza o feminino, ou o andrógino, a beleza, o poético, o teatral, etc. e a música eletrônica industrial é agressiva, masculina, raivosa, barulhenta, informatizada, cientifica e etc. e tal. Logo se percebe uma união onde os opostos se completam então. Dessa mistura surgiram os cybergoths e rivetheads, ambas as subculturas são centradas em música eletrônica mas também são associadas a música gótica que de forma pura é um tipo de rock.

Desambiguação: Gothic rock/metal[editar | editar código-fonte]

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Discutir o que vem a ser ou não gótico, em termos musicais, é uma das principais discussões dentro dessa subcultura. Alguns artistas acabam desacreditados por tomarem uma postura que às vezes lhes faz serem vistos como meras armações da mídia, o principal fator é a saída do underground, são poucos os que conseguem se postar confortavelmente entre o sucesso de vendagens e a isenção de traição. Mas no que diz respeito ao Heavy metal, Gavin Badelley, em seu livro "Gothic Chic", comenta que muitos góticos acham que trata-se da antítese grosseira, ignorante, machista e pretensiosa de tudo o que eles prezam através da música. No entanto, outros admitem ser a banda Black Sabbath de grande importância para o estilo, por não somente ser uma das pioneiras do metal (juntamente com Led Zeppelin e Deep Purple) mas também a primeira a incluir o lirismo gótico na música contemporânea, o que influenciou e ainda influencia diversas bandas da categoria. Seu primeiro álbum, intitulado com o nome da banda, traz a descrição de um rito satânico pontuado por efeitos tempestuosos e dobrar de sinos, a capa ainda atrás uma garota pálida vestida de preto em um terreno doentiamente ocre. Também muitos góticos apreciam o som baseado em raízes agressivas, mas concentrado em um ambiente árido e sombrio assemelhado ao de dark ambient, o Doom metal talvez seja o elo perdido entre os dois estilos aqui discutidos. O fato é que a natureza misigenadora da arte impossibilia a restrição a qualquer tipo de combinação híbrida entre estilos e escolas de origens diferentes. Logo, sendo o Metal um gênero musical de essência puramente estilistico-formal e destituído de tema lírico próprio ou unificador, este tende a aderir elementos temáticos-conceituais de diferentes tribos e escolas filosóficas, incluindo os da cultura gótica, agradem a quem agradar, o público gótico e/ou headbanger. Ainda que o casamento entre o Death/Doom metal e o Gothic rock venha a gerar desaprovação entre membros de uma das cenas pelo despreso à outra, é inquestionável a ascensão do que se convencionou chamar de Gothic metal. É importante ressaltar de que a cultura gótica não se define pela adesão a um estilo musical em específico, seja ele o Gothic rock (aqui abordado), o Death rock o Darkwave, o Doom metal ou o Gothic metal, a mesma consiste num conjuto, talvez caótico, de diretrises filosóficas e literárias fortemente associadas a escolas do século XIX conhecidas como Ultra-Romantismo (Byronism na Inglaterra, Dark Romanticism nos EUA) e Simbolismo. De fato, os chamados "Poetas Malditos" semearam o terreno temático abordado pelas diferentes vertentes musicais que, em maior ou menor medida, tendem a ser classificadas como góticas.

Não confundir também o Gothic rock com o post-punk, vertente do rock dos anos 80 caracterizada pelo ritmo monolítico, influências do art rock e temáticas como filosofia existencialista (ex.: Joy Division, Echo & the Bunnymen, The Fall, Suicide e, em parte, The Smiths), mas contendo mais experimentalismos musicais (inclusive ligados ao krautrock e ao proto-punk), sem as limitações de um rótulo determinado, como ocorre no rock gótico. Outro equivoco que vem ocorrendo é classificarem o Lacrimosa (banda influente do chamado Gothic Metal) de rock gótico.

Referências

  1. a b c d e Abebe, Nitsuh (24 de janeiro de 2007). Various Artists: A Life Less Lived: The Gothic Box | Album Reviews | Pitchfork (em inglês). Visitado em 16 de dezembro de 2014.
  2. a b c d e NME Originals: Goth (em inglês) NME (2004). Visitado em 16 de dezembro de 2014.
  3. Rambali, Paul (julho de 1983). 1 A Rare Glimpse into a Private World (em inglês) The Face. "Curtis' death wrapped an already mysterious group in legend. From the press eulogies, you would think Curtis had gone to join Chatterton, Rimbaud and Morrison in the hallowed hall of premature harvests. To a group with several strong gothic characteristics was added a further piece of romance. The rock press had lost its great white hope, but they had lost a friend. It must have made bitter reading."
  4. a b c d (em inglês) Nitsuh Abebe.A Life Less Lived Pitchfork.com. 24-07-2007. "Familiar classics from the bands who turned out to be goth's godfathers-- Joy Division, the Cure, Bauhaus, Siouxsie & the Banshees-- but the heart of the thing remains England's 1980s goth heyday, where the urge to dance comes out in grim, grinding, relentless music for the fake undead: Look to the Sisters of Mercy's steamroller Temple of Love"
  5. Robert Dimery. "The Cure Pornography" de Peter Notari. 1001 Albums You Must Hear Before You Die. ISBN:0789313715
  6. Sandall, Robert. "The Cure: Caught In The Act." Q. May 1989.
Portal A Wikipédia possui o
Portal do Rock.


Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Baddeley, Gavin, Goth Chic
  • Kilpatrick, Nancy, The Goth Bible
  • Hodkinson, Paul, "Goth:Identity, Style and Subculture"
  • Kipper, H.A., "A Happy House in a Black Planet"
  • Site "www.themaozoleum.com" e www.carcasse.com.br"