Rodoviária Nacional

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Rodoviária Nacional, E. P.
Tipo Empresa Pública até 1990, depois Sociedade Anónima
Indústria Transportes
Fundação 12 de Junho de 1975
Fundador(es) Estado Português
Encerramento 31 de Agosto de 1995 (como RNIP, S. A.)
Sede Lisboa, Portugal
Accionistas Estado Português (100%)
Sucessora(s) Rodoviária Nacional Investimentos e Participações, SA

Rodoviária Nacional foi a empresa pública de autocarros em Portugal, resultado da nacionalização, em 1975, dos maiores operadores no país; o critério usado para nacionalizar foi o tamanho da frota: mais de 60 veículos. Foram nacionalizadas 94 empresas rodoviárias. A RN iniciou a sua actividade efectiva a 1 de Junho de 1976, tendo até esta data sido gerida por uma Comissão Instaladora.

Estrutura da Rodoviária Nacional[editar | editar código-fonte]

Centros Operacionais[editar | editar código-fonte]

Os serviços foram organizados em nove Centros de Exploração de Passageiros (CEPs) de acordo com as diferentes regiões.

Em 1979, o CEP 10 foi criado para gerir as ligações entre Lisboa e na maioria das cidades do país (semelhante à actual Rede Expressos), bem como os corredores de Torres Vedras e Vila Franca de Xira, os dois últimos pertencentes à CEP 6, mas igualmente veículos dos CEPs 4 e 5, que geriam corredores no norte de Sintra e Mafra (5) e no norte de Torres Vedras (4), embora no 4 tenha sido parcialmente, visto que ainda permaneceu após as fases seguintes da Rodoviária Nacional.

Em 1984, o restante dos CEPs 5 e 6 tornou-se na Direcção Regional da Grande Lisboa (DGRL) dividida em quatro Centros Operacionais de Passageiros (COPs).

A secção de carga também foi criada, operando sob diferentes nomes, tais como a RNTrans, para além de Centros de Exploração de Mercadorias (CEMs).

Ultrena[editar | editar código-fonte]

Essa divisão foi criada para gerir outras actividades de empresas nacionalizadas, como o negócio de floricultura Arboricultora (de Caneças), empresas de aluguer de automóveis (como o caso de uma subdivisão da Claras), bem como para gerir as oficinas.

Numeração[editar | editar código-fonte]

A frota de autocarros foi contada com quatro dígitos, correspondendo o primeiro ao CEP onde o veículo foi afetado (se o veículo pertencia ao CEP 8, o número da frota seria 8xxx). Para a frota do CEP 10, o primeiro dígito era um 0 (0xxx), enquanto que no sistema de numeração da DGRL era de três dígitos, precedido pela letra L (Lisboa) ou CS (Cascais e Sintra) (L - xxx , CS - xxx), com a numeração estritamente distribuída pelo fabricante do chassis, conforme enlistado abaixo:

L: Lisboa

100 - AEC

340 - Leyland

400 - Volvo/outros

CS: Cascais e Sintra

750 - AEC

880 - Leyland

900 - Volvo/outros

RNIP[editar | editar código-fonte]

Com o objectivo de privatizar o operador em 1990, a RN, EP tornou-se na RNIP, SA (Rodoviária Nacional Investimentos e Participações, SA), e os CEP foram separados da RN da seguinte forma:

  • CEP 1 - Rodoviária de Entre Douro e Minho, SA (REDM), com sede em Braga;
  • CEP 2 - Rodoviária da Beira Litoral, SA (RBL), com sede em Coimbra;
  • CEP 3 - Rodoviária da Beira Interior, SA (RBI), com sede em Castelo Branco;
  • CEP 4 - Rodoviária do Tejo, SA (RT), com sede em Torres Novas;
  • CEP 7 - Rodoviária do Sul do Tejo, SA (RST), com sede no Laranjeiro;
  • CEP 8 - Rodoviária do Alentejo, SA (RA), com sede em Azeitão;
  • CEP 9 - Rodoviária do Algarve, SA (RA), com sede em Faro;
  • CEP 10 (partes outrora constituintes dos CEPs 4 (em parte), 5 e 6) - Rodoviária da Estremadura, SA (RE) com sede em Lisboa (Casal Ribeiro).
  • DGRL (partes não integradas (no CEP 10) dos CEPs 5 e 6) - Rodoviária de Lisboa, SA (RL), com sede em Lisboa (Avenida do Brasil);

Os Centros de Exploração de Mercadorias transformaram-se na empresa Transporta, Transportes Porta a Porta, SA, com sede em Lisboa. A RN Trans deu lugar à Rodocargo, Transportes Rodoviários de Mercadorias, SA, com sede também em Lisboa.

A Ultrena divide-se e nascem a UIC - Unidade de Indústria Automecânica do Centro, com sede na Sertã e na EIS - Empresa de Indústria Mecânica do Sul, com sede em Lisboa, e à qual passa a estar ligada a oficina da Ameixoeira.

O capital da RNIP continuou a pertencer na sua totalidade ao Estado. A RN preprava-se assim para a privatização.

Privatização[editar | editar código-fonte]

Em 1992, o processo de privatização é iniciado com a alienação da Rodoviária do Algarve que foi adquirida pelo Grupo Barraqueiro, a RDEM, SA - adquirida pelo grupo RENEX - Joaquim Jerónimo, Lda. (Barrqueiro), Caima(Neves) e Resende, a Rodocargo, SA e a Transporta, SA, adquiridas pela TERTIR.

Em 1994, é a vez da Rodoviária da Estremadura se tornar propriedade da Barraqueiro.

Em 1995, a 15 de Maio, dá-se, por fim, a privatização da Rodoviária de Lisboa, SA. É também adquirida pelo Grupo Barraqueiro, associado ao grupo escocês Stagecoach e à Vimeca. A RL divide-se em 3: a Vimeca fica com a zona ocidental e corredor da Amadora/Queluz; a Stagecoach fica com a área de Cascais e Sintra, vendendo posteriormente a frota de alugueres, ficando a Rodoviária de Lisboa, (parte do grupo Barraqueiro) a explorar os corredores de Odivelas/Loures, Bucelas e Vila Franca de Xira.

A 31 de Agosto de 1995 a RN e a sua sucessora RNIP deixavam de existir.

A RBL E REDM , tornam-se propriedade do Grupo Caima Transportes (Família Neves)

Pós-Privatização[editar | editar código-fonte]

A Rodoviária do Algarve foi imediatamente rebaptizada como EVA, lembrando a nacionalizada Empresa de Viação Algarvia, e pertence ao grupo Barraqueiro.

A Rodoviária Sul do Tejo tornou-se, no final dos anos 90, na TST - Transportes Sul do Tejo. Desde 2003, é de propriedade do grupo Arriva, que entrou no mercado Português em 2000, ao adquirir algumas operadoras de médio porte no noroeste de Portugal.

A Rodoviária do Alentejo tornou-se na Belos Alentejana, Belos Ribatejana e Belos Setubalense, depois da família Belo ter deixado o consórcio com a Barraqueiro (no início de 2000), a Belos Alentejana tornou-se novamente na Rodoviária do Alentejo (na sua frota é identificada simplesmente como Rodoviária), a Belos Ribatejana tornou-se simplesmente na Ribatejana e as operações da Setubalense são agora parte dos TST.

A Rodoviária da Estremadura, ou simplesmente Estremadura, é agora uma marca para excursão ou como contratação de serviços do grupo Barraqueiro (junto com a marca própria Barraqueiro), com alguns autocarros afectados à Rede de Expressos. Os corredores foram renomeados para Boa Viagem (Vila Franca de Xira, Alenquer, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos), EVM - Mafrense (Mafra e Ericeira), Barraqueiro Oeste (Torres Vedras, Lourinhã , Cadaval) e Barraqueiro, para operações em Frielas.

Em 2002 As operações REDM e RBL pertencentes ao grupo CAIMA (Família Neves) foram adquiridas pela Transdev, sendo agora conhecidas, respectivamente, como Transdev Norte e Transdev Centro .

A RBI ainda existe e é propriedade da Transdev.

A Stagecoach vendeu suas operações em 2002 e surgiu um novo operador, a Scotturb.

Referências

http://rn.com.sapo.pt/