Rose Marie Muraro

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Rose Marie Muraro
Nascimento 11 de novembro de 1930
Rio de Janeiro
 Rio de Janeiro
Morte 21 de junho de 2014 (83 anos)[1]
Rio de Janeiro[2]
Nacionalidade Brasil
Ocupação Escritora, intelectual e feminista[3]
Prémios
  • Prêmio Bertha Lutz
  • Prêmio Teotônio Vilela

Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1930Rio de Janeiro, 21 de junho de 2014) foi uma escritora, intelectual e feminista brasileira.[2] Nasceu praticamente cega e sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. É autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes.[2] [1]

Estudou Física e economia,[2] [1] foi escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial foi fruto de sua mente libertária, cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos e feminismo[editar | editar código-fonte]

Oriunda duma das mais ricas famílias do Brasil nos anos de 1930 e 40, aos 15 anos, com a morte repentina do pai e consequentes lutas pela herança, rejeitou sua origem e dedicou o resto da vida à construção de um novo mundo, que ela descreveu como mais justo, mais livre. Nesse mesmo ano, conheceu o então padre Helder Câmara e se tornou membro de sua equipe. Os movimentos sociais criados por ele nos anos 40 tomaram o Brasil inteiro na década seguinte. Nos anos 60, o golpe militar teve como alvo não só os comunistas, mas também os cristãos de esquerda.

A Editora Vozes foi um capítulo à parte na vida de Rose. Lá, trabalhou com Leonardo Boff durante dezessete anos e das mãos de ambos nasceram os dois movimentos sociais mais importantes do Brasil, no século 20: o movimento de emancipação das mulheres e a teologia da libertação — até hoje, base da luta dos oprimidos.[1]

Nos anos 80, presenciou a virada conservadora da Igreja. E em 1986, Rose e Boff foram expulsos da Editora Vozes por ordem do Vaticano. O motivo: a defesa da teologia da libertação, no caso de Boff e a publicação, por Rose, do livro «Por uma erótica cristã».

Premiações[editar | editar código-fonte]

Rose Marie Muraro foi eleita, por nove vezes, «A Mulher do Ano». Em 1990 e 1999 recebeu da revista Desfile o título de «Mulher do Século», e da União Brasileira de Escritores o de «Intelectual do Ano», em 1994. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar, e devido a este trabalho, recebeu do Senado Federal o Prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos vinte anos da anistia no Brasil.

A militante foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino norte-americanas, num total de quarenta. Editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Editora Record. Foi cidadã honorária de Brasília (2001) e de São Paulo (2004) e ganhou o Prêmio Bertha Lutz (2008). Pela Lei 11.261 de 30 de dezembro de 2005, passada pelo Congresso Nacional, foi nomeada «Matrona do Feminismo Brasileiro».[3]

Bibliografia resumida[editar | editar código-fonte]

  • «Educando meninos e meninas para um mundo novo» (2007)
  • «História do masculino e do feminino» (2007)
  • «Uma nova visao da politica e da economia» (2007)
  • «Historia do meio ambiente» (2007)
  • «Para onde vão os jovens» (2007)
  • «A mulher na construção do futuro» (2007)
  • «O que as mulheres não dizem aos homens» (2006)
  • «Diálogo para o futuro» (2006)
  • «Mais lucro» (2006)
  • «Espírito de Deus pairou sobre as águas» (2004)
  • «Por que nada satisfaz as mulheres e os homens não» (2003)
  • «Um mundo novo em gestação» (2003)
  • «Amor de A a Z» (2003)
  • «A paixão pelo impossível» (2003)
  • «Feminino e masculino»' (2002)
  • «As mais belas orações de todos os tempos» (2001)
  • «Textos da fogueira» (2000)
  • «A alquimia da juventude» (1999)
  • «Memórias de uma mulher impossível» (1999)
  • «As mais belas palavras de amor» (1996)
  • «Sexualidade da mulher brasileira» (1996)
  • «Seis meses em que fui homem» (1993)
  • «A mulher no terceiro milênio» (1993)
  • «Poemas para encontrar Deus» (1990)

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Deficiência visual e saúde frágil[editar | editar código-fonte]

Em meados da década de 1990, Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez,[3] [1] afirmando: «Sei hoje que sou uma mulher muito bonita.» Ao morrer, a feminista deixou cinco filhos, doze netos e quatro bisnetos, frutos de um casamento de vinte e três anos.[2] Deixou também como herança cultural o Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM), que foi criado em 2009 e que tem como objetivo de salvaguardar o acervo da intelectual, de mais de quatro mil publicações.[3] [1]

Símbolo de superação, já sofrendo com vários problemas de saúde, em uma entrevista ao Correio Braziliense de 18 de agosto de 2003, ela relatou:

«Atualmente sou uma meia-pessoa. Semicega, porque vejo vultos, e semiparalítica, porque não consigo andar com o andador, mas preciso de cuidados 24 horas por dia, e de uma secretária para escrever o que eu dito, pois estou escrevendo dois livros no momento. Um sobre a traição e outro sobre amor.»

Morte[editar | editar código-fonte]

Muraro morreu aos 83 anos de câncer na medula óssea, doença que a acometia há dez anos, e teve seu corpo cremado no Cemitério do Caju.[2] Ela teve complicações após um tratamento de quimioterapia.[3] [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g Da redação (21 de junho de 2014). Escritora Rose Marie Muraro morre aos 83 anos no Rio de Janeiro. UOL entretenimento. Página visitada em 23 de junho de 2014.
  2. a b c d e f Da redação (22 de junho de 2014). Corpo de Rose Marie Muraro é cremado no Rio neste domingo. Portal Globo.com. Página visitada em 23 de junho de 2014.
  3. a b c d e Da redação (21 de junho de 2014). Morre a intelectual feminista Rose Marie Muraro, aos 83 anos. Correio Braziliense. Página visitada em 23 de junho de 2014.
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