Royal African Company

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A Royal African Company foi uma empresa privilegiada, de carácter monopolista, fundada pela Casa de Stuart e comerciantes de Londres quando aquela família retomou o poder na Inglaterra, à época da Restauração Inglesa de 1660. Foi dirigida por Jaime, duque de York, irmão de Carlos II de Inglaterra.

História[editar | editar código-fonte]

Foi originalmente fundada com o nome de "Company of Royal Adventurers Trading to Africa", e detinha o monopólio da exploração do tráfico de escravos inglês, por Carta emitida em 1660. Com o apoio de forças do exército e da Royal Navy, estabeleceu entrepostos esclavagistas na costa da África Ocidental, e era responsável pela captura de qualquer embarcação rival inglesa que transportasse escravos.

A Companhia entrou em colapso em 1667, no contexto da Segunda Guerra Anglo-Holandesa - conflito pelo qual ela própria era responsável, quando, em 1664, Robert Holmes, o seu Almirante, atacara entrepostos comerciais neerlandeses na Africa. Voltou a ressurgir em 1672, pela fusão com a Gambia Merchants' Company numa nova empresa, a Royal African Company, com uma Carta Real autorizando-a a estabelecer fortificações, fábricas, levantar tropas e exercer a lei marcial na África Ocidental, para exploração do comércio de ouro, prata e escravos.[1] Neste período o filósofo John Locke era um de seus investidores.

Na década de 1680, a Companhia transportava aproximadamente 5 000 escravos por ano. Muitos deles foram marcados a ferro pelas iniciais "DY", após o seu diretor, o duque de York, ter sucedido o seu irmão no trono em 1685, vindo a reinar como Jaime II. Outros escravos foram marcados no peito pelas iniciais da companhia, "RAC".[2]

Entre 1672 e 1689 a Companhia transportou aproximadamente 90 000 a 100 000 escravos. Os seus lucros contribuíram decisivamente para o aumento do poder financeiro daqueles que controlavam o mercado de Londres.

Em 1698, ela veio a perder o seu monopólio. Isto foi vantajoso para os comerciantes em Bristol, mesmo que, como o comerciante desta cidade, Edward Colston, eles já lhe estivessem associados. A partir de então, o número de escravos africanos transportados em embarcações inglesas aumentou dramaticamente.

A Companhia continuou no comércio de escravos até 1731, quando abandonou esta atividade em favor do comércio do marfim e do ouro em pó.

Charles Hayes (1678–1760), matemático e cronologista foi o sub-governador da Companhia até 1752 quando esta foi dissolvida. A sua sucessora foi a African Company of Merchants.

O brasão da Companhia ostentava um elefante e um castelo, expressão que hoje designa uma área no centro de Londres: Elephant and Castle.

De 1668 a 1722 a Companhia forneceu o ouro utilizado pela Royal Mint (Casa da Moeda inglesa). As moedas cunhadas com este metal exibem um elefante abaixo do busto do rei e/ou rainha. Este ouro também deu à cunhagem o seu nome — a Guiné.[3]

Referências

  1. KITSON, Frank. Prince Rupert: Admiral and General-at-Sea. London: Constable, 1999. p. 238.
  2. MICKLETHWAIT, John; WOOLDRIDGE. The Company: A Short History of a Revolutionary Idea. New York: Modern Library, 2003. ISBN 0-679-64249-8
  3. DAVIES, K. G. The Royal African Company. Taylor & Francis, 1999. p. 65, nº 4.

Ver também[editar | editar código-fonte]