Ruão

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Ruão
Rouen
—  Comuna francesa França  —
vista de Ruão
vista de Ruão
Brasão de armas de Ruão
Brasão de armas
Ruão está localizado em: França
Ruão
Localização de Ruão na França
49° 26' 38" N 01° 06' 12" E
País  França
Região Blason region fr Normandie.svg Alta-Normandia
Departamento Blason département fr Seine-Maritime.svg Sena Marítimo
Área
 - Total 21,38 km²
População (2010)[1]
 - Total 110 933
    • Densidade 5 188,6/km2 
Código INSEE 76540
Sítio www.rouen.fr

Ruão[2] (português europeu) ou Rouen (português brasileiro) (Rouen em francês e em normando) é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do norte europeu na Idade Média, Ruão é, hoje, a capital da região francesa da Alta Normandia e do departamento do Sena Marítimo.

Geografia e população[editar | editar código-fonte]

A cidade foi estabelecida na margem direita do rio Sena e, posteriormente, expandiu-se para a margem esquerda. Ruão tem atualmente cerca de 111 000 habitantes[3] . Em 2006 tinha 523 236 habitantes na região metropolitana[4] .

História[editar | editar código-fonte]

Ruão foi fundada na época do imperador Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.), no primeiro século da nossa era, com o nome de Rotômago (Rotomagus)[5] . Foi no século III que a cidade romana alcançou seu período de maior desenvolvimento, sabendo-se da existência de um anfiteatro e termas. Nos séculos seguintes, a cidade sofreu com as invasões dos povos bárbaros e presenciou a chegada definitiva do cristianismo[5] .

No século IX, a cidade foi invadida pelos vikings (normandos), e Ruão, junto com a região circundante (a partir de então, chamada Normandia), foi cedida aos conquistadores escandinavos no Tratado de Saint-Clair-sur-Epte (911)[6] . O chefe viking Rollo tornou-se, assim, o primeiro duque da Normandia. Um dos duques, Guilherme, o Conquistador, conquistou a Inglaterra em 1066 e ligou Ruão às possessões normandas nas Ilhas Britânicas[6] .

Vista de Ruão e do Sena no século XVI (Georg Braun; Frans Hogenberg: Civitates Orbis Terrarum, 1572).

O ducado normando terminou em 1204, quando Filipe II invadiu Ruão e anexou a Normandia ao reino da França. A cidade continuou sendo um importante centro comercial, chegando a ser a segunda cidade do reino. A partir de meados do século XII é construída a Catedral de Ruão, em estilo gótico, terminada em grande parte em 1250[6] [7] .

A Guerra dos cem anos com a Inglaterra, além da peste negra, foram fonte de muitos problemas para a cidade no fim da Idade Média[6] . Uma revolta popular ocorrida em 1382 foi duramente esmagada pelas forças reais. A cidade perdeu seus privilégios comerciais no comércio do Sena, o que favoreceu Paris. No contexto da guerra, e após a Batalha de Azincourt (1415), os ingleses cercaram e tomaram Ruão em 1419. É na cidade controlada pelos ingleses que foi aprisionada e executada Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431.

Na Renascença, a cidade viveu um grande desenvolvimento econômico graças à pesca, os tecidos de lã e a tapeçaria, além de outros produtos como o sal, que os navegadores de Ruão traziam de lugares como Setúbal, em Portugal[8] . Na busca de pigmentos para os tecidos, os comerciantes da cidade interessaram-se pelo pau-brasil, fonte de um pigmento vermelho, o que fez de Ruão o principal porto de entrada desta madeira na Europa no século XVI[8] . No campo artístico, floresceu uma arquitetura renascentista com muitos elementos góticos, como no Hôtel de Bourgtheroulde e no Palácio de Justiça, ambos construídos entre fins do século XV e inícios do seguinte. No século XVI, seguiram os trabalhos na catedral medieval da cidade, cujo portal central foi completado entre 1509 e 1521[8] . Na obra da catedral, trabalhou o escultor João de Ruão (Jean de Rouen), que, mais tarde, instalou-se em Coimbra e tornando-se um dos escultores mais importantes do Renascimento Português[9] .

Johannes Bosboom: "Vista de Ruão" (1839)

O século XVII é de relativa estagnação para a cidade, que, porém, continua a ser parte importante na economia francesa, participando ainda na colonização da Nova França, no Quebeque[8] . No século XVIII, Ruão é parte ativa no comércio triangular entre África, onde eram adquiridos escravos, e as colônias francesas das Antilhas, onde os escravos eram trocados por açúcar[8] . Além disso, a cidade é um centro industrial de têxteis, como o trabalho com algodão transformando-se na base da economia.

Igreja de Saint-Maclou

A Revolução Francesa é relativamente moderada em Ruão. Os bens do clero são nacionalizados e a catedral gótica é transformada em um templo dedicado à razão. A pobreza é enorme: num censo de fins do século XVIII, há 50 000 indigentes numa população total de 80 000 habitantes[3] .

A industrialização chega no século XIX na forma de fábricas de tecidos instaladas ao redor de Ruão, nos vales dos rios Cailly e Robec, assim como na margem esquerda do Sena[3] . O trem passa a ligar a cidade a Paris em 1843. O urbanismo da cidade é modernizado com a criação de novas ruas e praças, e são construídas gares, teatros e museus. A vida cultural é muito ativa, com nomes como o escritor Gustave Flaubert (nascido em Ruão em 1821) e o poeta Guy de Maupassant, que estudou na cidade. Também é famosa a obra dos pintores impressionistas na cidade, especialmente a série de obras de Claude Monet retratando a Catedral de Ruão[3] [10] .

Em 1940, a cidade foi invadida por tropas nazistas. Durante o domínio nazista, que durou quatro anos, a cidade foi destruída em bombardeios que mataram aproximadamente 2000 pessoas[3] . Ruão foi liberada em 1944 por tropas canadenses. Seguiu-se um longo período de reconstrução[3] .

Na segunda metade do século XX, o crescimento demográfico da cidade fez com que novos bairros fossem construídos. O centro histórico foi revalorizado e várias ruas foram transformadas em zonas sem carros[3] .

Atrações culturais[editar | editar código-fonte]

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Ruão é famosa pelos seus vários monumentos[11] [12] . Particularmente importantes são os edifícios góticos da cidade, como a Catedral de Ruão, começada em 1145 e terminada apenas no século XVI[7] , a Igreja abacial de Saint-Ouen, começada em 1380, e a pequena Igreja de Saint-Maclou, construída entre 1437 e 1517 em estilo gótico flamejante. Destaca-se ainda o Palácio de Justiça, construído a partir de 1499 e considerado um dos melhores exemplos de arquitetura civil gótica do final da Idade Média na França.

Entrada do Hôtel de Bourgtheroulde.

Do início do século XVI datam o Bureau des Finances (começado em 1509) e o Hôtel de Bourgtheroulde, este último um magnífico palácio urbano construído para a família Le Roux em uma mistura entre os estilos gótico e renascentista. Também no século XVI foi construído um dos cartões-postais da cidade: o Grande-Relógio (Gros-Horloge) instalado num arco sobre uma rua. No interior da estrutura renascentista funciona um museu[13] .

Museus[editar | editar código-fonte]

  • Museu de belas artes de Ruão
  • Museu de história natural de Ruão
  • Musée départemental des antiquités
  • Museu Flaubert e de história da medicina
  • Museu nacional da educação
  • Museu da cerâmica de Ruão
  • Museu Marítimo, Fluvial e Portuário de Ruão: dedicado à história do porto e da navegação
  • Musée Le Secq des Tournelles
  • Musée Jeanne-d'Arc
  • Museu Pierre Corneille
  • Museu do Gros-Horloge

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Populations légales des communes en vigueur au 1er janvier 2013 (em francês) www.insee.fr INSEE (dezembro de 2012). Visitado em 3 de abril de 2013.
  2. ARDAGH, A. e JONES, C. Grandes impérios e civilizações: França, uma civilização essencial. Volume 1. Madri. Edições Del Prado. 1997. p. 14-15.
  3. a b c d e f g Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Du 18ème à aujourd'hui no sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  4. INSEE, statistiques locales de l'aire urbaine de Rouen (em francês)
  5. a b Jean Braunstein. Histoire de Rouen: L'Antiquité no sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  6. a b c d Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Le Moyen-Ageno sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  7. a b La Cathedrale de Rouen expliquée aux visiteurs (cathedrale-rouen.net) no sítio da Paróquia de Nossa Senhora de Ruão (em francês)
  8. a b c d e Jean Braunstein. Histoire de Rouen: Du 16ème au 18ème siècle no sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  9. Renée Plouin. Jean de Rouen (actif de 1510 à 1572) na Encyclopædia Universalis France (em francês)
  10. Pays de l'impressionnisme: Monet et la campagne des cathédrales no sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  11. Monumentos da cidade no sítio da Municipalidade de Ruão (em francês)
  12. Monumentos da cidade no sítio do Office de Tourisme de Rouen (em francês)
  13. Gros-Horloge no sítio da Municipalidade de Ruão (em francês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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