Russell Alexander Alger

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Russell Alexander Alger
Senador dos Estados Unidos por Michigan
Mandato 27 de setembro de 1902
até 24 de janeiro de 1907
Antecessor(a) James McMillan
Sucessor(a) William A. Smith
40º Secretário da Guerra dos Estados Unidos
Mandato 5 de março de 1897
até 1 de agosto de 1899
Antecessor(a) Daniel S. Lamont
Sucessor(a) Elihu Root
20º Governador do Michigan
Mandato 1 de janeiro de 1885
até 1 de janeiro de 1887
Antecessor(a) Josiah Begole
Sucessor(a) Cyrus G. Luce
Vida
Nascimento 27 de fevereiro de 1836
Condado de Medina, Ohio
Morte 24 de janeiro de 1907 (70 anos)
Washington, D.C.
Nacionalidade Estados Unidos americano
Dados pessoais
Esposa Annette H. Henry
Partido Republicano
Profissão General, político
Serviço militar
Serviço/ramo Exército da União
Graduação Coronel
Batalhas/guerras Guerra de Secessão

Russell Alexander Alger (Condado de Medina, Ohio, 27 de fevereiro de 1836  – Washington, D.C., 24 de janeiro de 1907) foi o 20º Governador e Senador do estado do Michigan e também Secretário da Guerra dos Estados Unidos durante a administração presidencial de William McKinley. Foi supostamente um parente distante de Horatio Alger, Jr., embora Russell Alger tivesse sua própria vida de sucessos, tornando-se um financista, dono de ferrovia, de madeireiras e funcionário do governo em vários altos cargos.[1]

Juventude e carreira[editar | editar código-fonte]

Alger nasceu em Lafayette Township, no Condado de Medina, Ohio. Seus pais eram Russell e Caroline (Moulton) Alger.[2] Ficou órfão aos 13 anos de idade e trabalhou em uma fazenda para poder se sustentar e a seus dois irmãos mais novos. Frequentou a Academia de Richfield no condado de Summit, Ohio, e ensinou em uma escola rural por dois invernos.[2] Estudou Direito em Akron, e se formou advogado em março de 1859. Começou seu trabalho em Cleveland e mudou-se para Grand Rapids, Michigan, em 1860, onde se envolveu com o ramo madeireiro.

Em 2 de abril de 1861, casou-se com Annette H. Henry, de Grand Rapids.[2] Tiveram seis filhos; Fay, Caroline, Frances, Russell Jr., Fred e Allan.

Alger era descendente de uma família proeminente, muitos dos quais se envolveram com a política do século XX no Michigan e eram filiados do Partido Republicano.[3]

Seu filho, Russell A. Alger Jr., foi fundamental em persuadir a Packard Motor Car Company a se transferir de Ohio para Michigan; construiu também em Grosse Pointe, um edifício palaciano em estilo renascentista italiano, "The Moorings", que foi doado em 1949 e tornou-se o Grosse Pointe War Memorial, para homenagear os veteranos da Segunda Guerra Mundial.[4]

Russell A. Alger tinha uma casa em Alcona Township, que manteve enquanto supervisionava suas operações madeireiras.

Guerra de Secessão[editar | editar código-fonte]

Alger se alistou como soldado raso na Guerra de Secessão em 1861. Foi designado e serviu como capitão e major no 2º Regimento de Cavalaria de Voluntários do Michigan. Na batalha de Boonesville, em 11 de julho de 1862, Alger foi enviado pelo coronel Philip Sheridan para atacar a retaguarda do inimigo com noventa homens escolhidos. As forças confederadas foram derrotadas, e apesar de Alger ter sido ferido e feito prisioneiro, fugiu no mesmo dia. Em 16 de outubro, foi promovido a tenente-coronel do 6º Regimento de Cavalaria de Voluntários do Michigan.

Em 28 de fevereiro de 1863, foi promovido a coronel do 5º Regimento de Cavalaria de Voluntários do Michigan. Seus comandados foram os primeiros a entrarem em Gettysburg, na Pensilvânia, em 28 de junho, e recebeu uma menção especial no relatório do general George Armstrong Custer sobre as operações de cavalaria naquele local. Alger foi considerado um estrategista militar e ficou com o presidente Lincoln no campo de batalha fiscalizando os suprimentos da União. Ao perseguir o inimigo em 8 de julho, foi gravemente ferido em Boonesborough, Maryland. Participou das Campanhas do Vale de 1864, sob o comando do general Sheridan, na Virgínia. Em 11 de junho de 1864, em Trevilian Station, Alger capturou uma grande força de confederados com um brilhante ataque de cavalaria. Alger deixou o exército em 20 de setembro de 1864.[5] Em 13 de janeiro de 1866, o presidente Andrew Johnson nomeou Alger para receber a patente de brigadeiro-general dos voluntários a partir de 11 junho de 1865 e o Senado dos Estados Unidos confirmou o prêmio em 12 de março de 1866.[6] Em 28 de fevereiro de 1867, o presidente Johnson nomeou Alger para receber a patente de general dos voluntários a partir de 11 de junho de 1865 e o Senado dos Estados Unidos confirmou a sentença em 2 de março de 1867.[7]

Em três anos, Alger atuou em 66 diferentes batalhas e escaramuças. Em 1868, foi eleito o primeiro comandante do departamento do Michigan do Grande Exército da República, e em 1889 tornou-se seu Comandante-em-chefe nacional no Vigésimo Terceiro Acampamento Nacional, em Milwaukee, Wisconsin.[1]

Indústria madeireira[editar | editar código-fonte]

Após a Guerra de Secessão, Alger estabeleceu-se em Detroit, Michigan, como diretor da Companhia Alger & Smith e da Companhia Madeireira Manistique. Sua grande floresta de pinheiros no lago Huron, em uma área de mais de 260 km2, produzia anualmente mais de 180.000 m3 de madeira.[8]

Na virada do século XX (após ter servido como Secretário da Guerra), Alger e o latifundiário da Flórida Martin Sullivan fundaram a Companhia Madeireira Alger-Sullivan, que moía madeira em Century, Flórida.[9]

Política[editar | editar código-fonte]

Russell A. Alger em 1900, por Percy Ives
.

Em 1884, Alger foi eleito governador do Michigan, servindo de 1 de janeiro de 1885, até 1 de janeiro de 1887. Recusou-se a concorrer à reeleição em 1886 e foi um eleitor presidencial pelos republicanos em 1888. Em 1888, foi eleito primeiro comandante do Departamento do Michigan do Grande Exército da República e o 18º comandante-em-chefe do Grande Exército, em 1889.

Alger foi nomeado Secretário da Guerra no Gabinete do presidente William McKinley em 5 de março de 1897. Como secretário, recomendou aumentos salariais para os militares servindo nas embaixadas e legações estrangeiras. Recomendou a legislação para autorizar um Segundo Secretário-assistente da Guerra e recomendou uma força polícial para Cuba, Porto Rico, e Filipinas. Foi criticado pela preparação inadequada e operação ineficiente do departamento durante a Guerra Hispano-Americana, especialmente por sua nomeação de William Rufus Shafter como chefa da expedição cubana.[10] "Algerismo" tornou-se um epíteto para descrever a alegada incompetência do exército, especialmente em comparação com o desempenho exemplar da Marinha.[11] Alger renunciou ao posto por solicitação do presidente McKinley em 1 de agosto de 1899, embora talvez tivesse a última palavra sobre suas críticos com a publicação de The Spanish-American War em 1901.[12]

Um aspecto interessante da carreira de Alger, durante a administração de McKinley, foi sua vingança pessoal contra ex-confederados partidários do coronel John Singleton Mosby. Mosby, uma figura famosa (ou notória), tinha sido Cônsul dos Estados Unidos em Hong Kong, China durante o governo de Rutherford B. Hayes, mas foi substituído com a eleição do democrata Grover Cleveland. Após o seu regresso aos Estados Unidos, Mosby ocupou um cargo conseguido para ele por seu amigo íntimo, o ex-presidente Ulysses S. Grant, na Southern Pacific Railroad, que ocupou por quinze anos. Quando a ferrovia mudou de proprietário, Mosby perdeu seu cargo. Quando McKinley se tornou presidente, ele retornou para o leste para procurar um posto com a nova administração. Mosby conhecia McKinley há muitos anos através do seu envolvimento na política republicana, na Virgínia e na Califórnia.

Mosby então se dirigiu para o leste com a esperança de conseguir um bom cargo com a nova Administração, sem saber que Alger estava fazendo tudo ao seu alcance para impedir que o ex-guerrilheiro da Confederação tivesse sucesso no seu intento. Seu ódio por Mosby era pessoal. Enquanto Alger serviu com Philip Sheridan no vale do Shenandoah em 1864, alguns de seus comandados haviam sido pegos incendiando casas no Vale e foram executados por membros do comando de Mosby como criminosos de guerra. Alger nunca se esqueceu nem perdoou o que tinha acontecido pois embora Mosby não estivesse presente no momento dos acontecimentos, concordou com as ações de seus homens. Assim, apesar de ter sido convidado a enviar uma lista para a administração McKinley de quais cargos ele desejaria ocupar, assim que chegou da Costa Oeste, Mosby descobriu que todos os cargos haviam sido "inesperadamente" entregues a outra pessoas e ele foi forçado a retornar para a Costa Ocidental decepcionado e desempregado. Mas o envolvimento de Alger com a derrota das esperanças de Mosby não permaneceu oculto. Foi relatado no San Francisco Call de 11 de maio de 1898, sob a manchete "Alger Não Gosta de Mosby", e é provável que até ele ler esse artigo, Mosby então com 65 anos de idade, não tinha a menor ideia de que seu fracasso em obter uma posição era outra coisa senão má sorte.

Mais tarde, o mal-humorado senhor da Virgínia sobreviveu a Alger e a McKinley, e em 1902, foi indicado para ser um investigador no Departamento do Interior pelo sucessor de McKinley, Teddy Roosevelt, para lidar com os barões do gado de Nebraska, que ocupavam terras do governo e eram contrários à lei federal. Mas os problemas de Mosby estavam longe de terminar. Encontrou dificuldades quando sua investigação levou a acusações contra vários criadores de gado muito importantes e ricos. Esforços foram feitos pelos senadores de Nebraska para obterem o afastamento de Mosby da investigação, alegando que ele tinha atuado com má conduta e é provável - mas improvável - que o então senador Alger pudesse muito bem ter-los instigado contra o velho confederado. Então Mosby foi removido, mas no final, os pecuaristas foram condenados e um morreu na prisão enquanto pelo menos um senador, que tinha acusado Mosby de improbidade, foi ele próprio afastado do cargo por má conduta.

Em 27 de setembro de 1902, Alger foi nomeado pelo governador do Michigan Aaron T. Bliss para o Senado dos Estados Unidos para preencher a vaga causada pela morte de James McMillan. Alger foi posteriormente eleito pela Assembléia Legislativa do Estado do Michigan para o Senado em janeiro de 1903. Atuou até sua morte em Washington, D.C. em 1907. Durante um discurso em memória do senador Alger, o senador John Coit Spooner de Wisconsin, disse sobre o senador falecido: "Nenhum homem sem propósito nobre, bem justificadas ambições, de fibra forte, e esplêndidas qualidades em abundância poderia ter esculpido e deixado por trás dele tal carreira."[13] Foi presidente do Comitê do Senado sobre as Pacific Railroads durante o 59º Congresso.[14] Está sepultado no Cemitério Elmwood em Detroit, Michigan.[15]

Legado[editar | editar código-fonte]

Fonte do Memorial Russell A. Alger em Grand Circus Park, Detroit, Michigan.

O Condado de Alger, Michigan recebe esse nome em sua homenagem. Um monumento feito pelo escultor de Detroit Carlo Romanelli, consistindo de um busto de bronze de Alger montado sobre um pedestal de pedra, está localizado no terreno do edifício William G. Mather em Munising, Michigan. Foi erguido em junho de 1909, com fundos fornecidos pelos herdeiros de Alger e pelo Conselho de Educação das Escolas de Munising Township. Uma fonte memorial pelo escultor Daniel Chester French e pelo arquiteto Henry Bacon foi dedicada a ele em Detroit em 1921.

Em 1898, foi produzido um filme intitulado General Wheeler and Secretary of War Alger at Camp Wikoff, que documenta uma visita oficial como Secretário da Guerra.[16] Camp Wikoff ficava em Nova Jersey, e este foi um evento que permitiu com que administração McKinley angariasse o apoio dos jornais de Nova York.[17]

Em maio de 1898, seu Departamento da Guerra fundou o Camp Russell A. Alger em uma fazenda de 5,7 km2 chamada "Woodburn Manor" perto das pequenas comunidades de Falls Church e Dunn Loring, na Virgínia. Em sua breve existência, 23 mil homens foram treinados lá para o serviço na Guerra Hispano-Americana. Devido a uma epidemia de febre tifóide, ele foi abandonado no mês em que a Guerra terminou (em agosto de 1898), e vendido no mês seguinte. É comemorado com um marco oficial histórico da Virgínia.[18]

Alger, Michigan também recebe esse nome em sua homenagem. É uma pequena comunidade fundada no final do século XIX, localizada na área da península mais baixa onde ele supervisionou as operações de extração de madeira e da ferrovia.

O Grosse Pointe War Memorial está situado em uma das antigas casas da família de Alger.[19]

O lado sudeste de Grand Rapids, Michigan, o bairro de Alger Heights recebe esse nome em sua homenagem.[20]


Notas

  1. a b Bourasaw, Noel V., "Russell A. Alger, logging capitalist, Michigan governor, Secretary of War," Skagit River Journal of History & Folklore, 2004.
  2. a b c Moulton, Henry William (1906). Moulton Annals, pp. 84, 114-17. Chicago: Edward A. Clayhill.
  3. Political Graveyard, Alger.
  4. Grosse Pointe Historical Society, Russell A. Alger, Jr.
  5. Eicher, John H., e David J. Eicher, Civil War High Commands. Stanford: Stanford University Press, 2001. ISBN 0-8047-3641-3. p. 101
  6. Eicher, 2001, p. 739. Um erro de digitação mostra a data de confirmação em 12 de março de 1865.
  7. Eicher, 2001, p. 739
  8. Appleton's Cyclopedia of American Biography, edited by James Grant Wilson, John Fiske Six volumes, New York: D. Appleton and Company, 1887-1889
  9. Century, Florida - 100 years and still counting. The Alger-Sullivan Historical Society.
  10. Folsom, Dr. Burton W., Mackinac Center, "Russell Alger and the Spanish-American War" (1998).
  11. Russell Alexander Alger in Library of Congress's The World of 1898: The Spanish-American War
  12. Russell Alexander Alger. The Spanish-American War. [S.l.]: Kessinger Publishing, 1901.
  13. Charles Moore. History of Michigan. Chicago: The Lewis Publishing Co., 1915. 687 p. vol. II.
  14. Charimen of Senate Standing Committees 1789-Present pp. 35. Senate Historical Office (Junho de 2008).
  15. Find A Grave, Russell A. Alger.
  16. General Wheeler and Secretary of War Alger at Camp Wikoff (1898) (em inglês) no Internet Movie Database
  17. Spanish American War, Camp Wikoff.
  18. Craig Swain, Camp Russell A. Alger historical marker.
  19. Grosse Pointe War Memorial.
  20. Alger Heights History

Referências

  • Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público.
  • Wikisource  "Alger, Russell Alexander". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Cambridge University Press. 
  • Russell Alexander Alger. The Spanish-American War. [S.l.]: Kessinger Publishing, 1901.
  • Dictionary of American Biography
  • Bell, Rodney E. "A Life of Russell Alexander Alger." Ph.D. dissertation, University of Michigan, 1975'
  • Eicher, John H., e David J. Eicher, Civil War High Commands. Stanford: Stanford University Press, 2001. ISBN 0-8047-3641-3.
  • U.S. Congress. Memorial Addresses for Russell Alexander Alger. 59th Cong., 2nd sess. Washington, D.C.: Government Printing Office, 1907.
  • Michigan Historical Commission. 1924. Michigan Biographies: Russell Alger, Lansing.
  • Michigan Commandery of the Military of the Loyal Legion of the United States.
  • Final Journal of the Grand Army of the Republic, 1957. Compiled by Cora Gillis, Jamestown, New York, Past National President, Daughters of Union Veterans of the Civil War from 1861 to 1865, Inc. and last National Secretary of the Grand Army of the Republic.
  • Russell A. Alger (em inglês) na Biographical Directory of the United States Congress.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Cargos políticos


Precedido por
Josiah Begole
Governador do Michigan
1885  – 1887
Sucedido por
Cyrus G. Luce
Precedido por
Daniel Scott Lamont
Secretário da Guerra dos Estados Unidos
Serviu na presidência de: William McKinley

1897–1899
Sucedido por
Elihu Root
Precedido por
James McMillan
Senador dos Estados Unidos (Classe2) por Michigan
1902–1907
juntamente com: Julius C. Burrows
Sucedido por
William A. Smith