Ruy Guerra

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Ruy Alexandre Guerra Coelho Pereira (Lourenço Marques, atual Maputo, 22 de Agosto de 1931) é um realizador de cinema, poeta, dramaturgo e professor nascido em Moçambique, então território português. Vive no Brasil desde 1958.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos percursores do Cinema Novo brasileiro, Ruy Guerra nasceu em Lourenço Marques (antiga designação para a atual cidade de Maputo), Moçambique, então colônia de Portugal, em 22 de Agosto de 1931.  De família portuguesa, participou de movimentos sociais pela emancipação de seu país, além de lutas contra o racismo. Ainda na adolescência, escrevia críticas de cinema, contos, crônicas e produzia filmes em Super 8, dando início a sua atividade intelectual.

Deixa a África aos dezenove anos, com destino à Europa. Reside alguns meses em Portugal e vai para a França, onde ingressou no curso de arte cinematográfica do Institut Des Hautes Études Cinématographiques (IDHEC), de Paris, em 1952, aos vinte e um anos. Realiza Quand le soleil dort, seu primeiro curta- metragem como diretor, enquanto trabalho de conclusão de curso, em 1954.

Estuda artes cênicas na Escola do Teatro Nacional Popular para aprender o método de direção de atores, entre 1954 e 1956, na França.

Seu primeiro casamento foi com a cantora Nara Leão, com quem não teve filhos e rapidamente se divorciou nos anos 60. Posteriormente, casou- se com a atriz Leila Diniz e, juntos, tiveram a filha Janaína Diniz Guerra, nascida em 1971. Após a morte de Leila, casou- se com a atriz Cláudia Ohana, com quem teve sua segunda filha, Dandara Guerra, em 1983, e de quem se divorciou.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Inicia a carreira cinematográfica como assistente de câmera e fotógrafo de pequenos documentários e faz a assistência de direção de Crianças sem Destino, de Jean Dellanoy, em 1955. Assina seu primeiro trabalho como ator no longa- metragem de Georges Rouquier, S.O.S Noronha, em 1957- filme este que o levaria ao Brasil, com vinte e oito anos .

A insatisfação junto ao regime de Oliveira Salazar em Portugal serviu para Ruy Guerra buscar no Brasil a alternativa de desenvolver uma carreira sem perseguições. De infância e adolescência influenciadas, como por exemplo, pela revista Tico-Tico e artigos do jornalista, crítico e cineasta Alex Viany em Cena Muda; escritores como Jorge Amado, Erico Verissimo e Manuel Bandeira, além da música brasileira, provocaram a vinda definitiva para o Brasil, em 1958, radicando- se no país. 

É convidado pela atriz Vanja Orico para dirigir o filme Joana, projeto que acabou não emplacando. Apresentado ao produtor Carlinhos Niemeyer, passa a fazer parte de uma equipe de cinejornalismo: o Canal 100.  Em 1960, volta a exercer assistência de direção no longa- metragem Tudo ou Nada, de Patrice Dally.  No mesmo ano, sua fase no cinema brasileiro começa com O Cavaleiro de Oxumaré, documentário sobre o candomblé que não foi finalizado.

Dirige seu primeiro longa- metragem, Os Cafajestes, em 1962. O filme, considerado o maior sucesso comercial do Cinema Novo, teve um público estimado em cerca de dois milhões de pagantes, contabilizado ao longo de dez dias.   Centrada nas peripécias sexuais de dois boas- vidas, a trama de Os Cafajestes gerou polêmicas dentro e fora das telas. A Censura interrompeu a carreira comercial da obra após uma semana e meia em cartaz, por transgressão moral e por mostrar a primeira nudez frontal da história do audiovisual brasileiro: a cena da atriz Norma Bengell correndo nua na praia. Aclamado pela crítica, o filme representou o Brasil na disputa pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim no mesmo ano.

Ainda em 1962, exerce o seu trabalho como ator e montador do filme Os Mendigos, de Flavio Migliaccio. Monta Escola de Samba, alegria de viver, de Carlos Diegues, episódio de Cinco Vezes Favela, e Esse Mundo é Meu, de Sérgio Ricardo.

Em 1964, pouco antes do golpe militar, lança seu segundo longa- metragem, Os Fuzis. Previsto para ser rodado na Espanha ou na Grécia, Ruy Guerra decide adaptar a obra para o Nordeste brasileiro, e para isso conta com a ajuda do roteirista Miguel Torres, que acaba falecendo em um acidente de carro durante as pesquisas de locação para o filme. A escolha do sertão como paisagem é emblemática nesse momento do cinema. A partir do pressuposto de buscar uma especificidade nacional, os realizadores do Cinema Novo, tal como Ruy foi considerado, procuram-na, num primeiro momento, no interior, e não nas cidades grandes, cosmopolitas por natureza. 

Quando lançado, o filme vence o Urso de Prata em Berlim na categoria de melhor direção, e foi indicado ao Urso de Ouro, mas é cortado por seu produtor antes de estrear no Brasil. Ruy não assina então a versão lançada, e acaba se indispondo com outros realizadores do Cinema Novo por achar que alguns deles apoiaram o produtor nesta decisão. A crítica se divide em ferrenhos opositores e defensores entusiasmados. Ruy acaba por sair do Brasil

Em 1968, faz o argumento de Balada da Página Três, de Luiz Rosemberg Filho, e atua em Benito Cereno, dirigido por Serge Roullet, uma adaptação do livro homônimo de Herman Melville. No ano seguinte, em 1969, volta a dirigir e roteirizar com o filme Ternos Caçadores na França, uma produção híbrida, com atores americanos. Dirige seu quarto longa- metragem, Os Deuses e os Mortos, em 1970. A obra é de estética ligada ao Barroco e ao excesso, considerada uma alegoria do Cinema Novo.

Os Deuses e os Mortos é feito com longos planos- sequência, firmando tal aspecto narrativo como uma linguagem constante no cinema de Ruy Guerra, que busca o plano sequência como elemento de distensão temporal e espacial. Temporal pois ele mostra os efeitos da passagem de tempo sobre os personagens, e o espectador. E espacial, pois ao se movimentar sem cortes por um local, ou ficar parado longamente, permitindo a visualização de grande profundidade, acaba por aumentar a percepção deste local. Segundo Ruy, é impossível não se pensar tempo em função de espaço e vice-versa. Ao usar o plano-sequência, ele os unifica. 

A obra ganhou o principal prêmio do VI Festival de Cinema de Brasília, o Candango como melhor filme, levando também os prêmios de melhor direção, melhor ator para Othon Bastos, melhor atriz para Dina Staf e melhor fotografia para Dib Lufti.

Atua em O Homem das Estrelas, de Jean- Daniel Pollet, ainda em 1970, e em Os Sóis da Ilha de Páscoa, de Pierre Kast, em 1972. No mesmo ano, atua na obra de Werner Herzog, Aguirre, a Cólera dos Deuses. 

Em 1975, escreve o roteiro de As Aventuras de um Detetive Português, de Stefan Wohl. No mesmo ano, por ocasião da independência de Moçambique, foi convidado pelo Grupo Político das Forças de Libertação Moçambicana para ajudar a fundar o Instituto de Cinema de Moçambique, onde realizou o primeiro longa- metragem moçambicano, Mueda, Memória e Massacre, assinando a direção e a fotografia, em 1979. Ao longo de dois anos, fez uma série de documentários, além de trabalhar nas estruturas de distribuição locais.

A situação política brasileira durante a ditadura militar impôs- lhe uma pausa na direção de filmes nacionais, que termina em 1976, com A Queda, filme no qual escreve, compõe a trilha sonora, atua e codirige com Nelson Xavier. A Queda retoma a vida das personagens de Os Fuzis, que, dessa vez, pertencem à classe operária do Rio de Janeiro, e a relação entre os dois filmes é provocada através de flashbacks. 

Com A Queda, em 1978, Ruy Guerra vence o seu segundo Urso de Prata no Festival de Berlim, no prêmio especial do júri na categoria de melhor filme- sendo o único cineasta brasileiro a ter dois Ursos de Prata- e também recebe a sua terceira indicação ao Urso de Ouro. O filme também vence o troféu Candango do Festival de Brasília, na categoria de melhor ator para Nelson Xavier, e Ruy Guerra vence o Prêmio Margarida de Prata como melhor diretor no mesmo ano. 

Além dos prêmios, A Queda estabelece a marca de ser o primeiro filme de ficção brasileiro rodado em 16 mm e ampliado em laboratório nacional.

Em 1981, realiza o seu primeiro trabalho de direção para a televisão: La lettre volée, quinto episódio da primeira temporada da série francesa Histoires extraordinaires.  Dirige Erêndira, uma coprodução com México, Alemanha e Portugal, em 1983. Baseado na obra A incrível e triste história da cândida Erêndira e sua avó desalmada, de Gabriel García Márquez, com a participação do autor no roteiro, o filme foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes, na categoria de melhor diretor, e venceu o prêmio de melhor cenografia concedido pela Academia Mexicana de Artes y Ciências Cinematográficas. 

No decorrer da década de oitenta, faz três filmes com maior preocupação estética: dirige, roteiriza e produz Ópera do Malandro em 1986, comédia musical adaptada da obra de Chico Buarque de Hollanda; A Fábula da bela Palomera, sua segunda adaptação de Gabriel García Márquez, filme no qual dirige, produz e co-escreve com o autor do livro, em 1988; e Kuarup, em 1989, adaptação da obra de Antônio Callado, Quarup, assinando também a direção, o roteiro e a produção- filme este que foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes no mesmo ano.

Inicia a década de noventa com a minissérie Me Alquilo para Soñar em 1992, adaptando a obra homônima de Gabriel García Márquez para a televisão cubana. Todos os seis episódios foram dirigidos por Ruy, e o roteiro é a terceira parceria com o escritor colombiano.  Em 1997, co-escreve Posta Restante, primeiro curta- metragem de Janaína Diniz Guerra, filha de seu segundo casamento, com a atriz Leila Diniz. 

Ainda na televisão, dirige Monsanto, telefilme português visto por mais de um milhão de portugueses em 2000.  Adapta a obra literária homônima de Chico Buarque de Hollanda, Estorvo, na mesma época. O filme, uma coprodução entre Brasil, Cuba e Portugal,  foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na categoria de melhor filme. No Grande Prêmio Br do Cinema Brasileiro, foi indicado nas categorias de melhor direção, fotografia, montagem e trilha- sonora. Venceu o Kikito de Ouro do Festival de Gramado por melhor fotografia e música, além de ser indicado para melhor filme. Foi vencedor nas categorias de melhor direção e fotografia no Troféu APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte. Venceu o Colon de Prata do Huelva Latin American Film Festival por melhor direção. No Santa Fe Film Festival, foi eleito o melhor filme latino e venceu o prêmio de melhor fotografia no Festival de Viña del Mar.

Em Estorvo,  Ruy Guerra não busca retratar todas as situações narradas no livro de Chico Buarque de Hollanda. O filme transmite, através de uma pesquisa estética e da forma que lhe é peculiar,  espírito caótico e o embaraço linguístico da obra literária. É uma película experimental e radical do ponto de vista da linguagem fílmica, mas que não desemboca no puro exercício estético.  Seu radicalismo formal e narrativo é envolto por uma história que gira em torno de nada de prático, de nenhum “plot” específico, a ponto de ser uma arbitrariedade enquanto produto de autor, que pode seguir o caminho que desejar e ser finalizado em qualquer momento. 

A montagem de Estorvo é expressiva, se preocupa com a expressão plástica de cada sequência e promove rupturas e descontinuidades na narrativa fílmica.  O caos do mundo de Estorvo está expresso na montagem, que não é linear nem explicativa. O ritmo é irregular: ora percebe- se planos rápidos e vigorosos, ora planos de longa duração. A construção do ritmo do filme é, dessa forma, muito significativa: revela um mundo desconexo e tenso, através da quebra da fluidez e da harmonia – elementos de grande importância na construção da narrativa de Chico Buarque, que atua como metáfora sobre a crise do sujeito na atualidade.

A trilha musical foi composta pelo músico experimentalista Egberto Gismonti. Desvencilhando-se dos clichês melódicos e das associações convencionais entre som e imagem, Gismonti cria uma composição para Estorvo repleta de texturas musicais e de momentos de atonalismo. a música não deseja explicar o conteúdo da imagem, mas sim ampliar a tensão poética da narrativa. Ela contribui, sobremaneira, para fixar a atmosfera onírica da obra. Em grande parte do filme, ouve- se uma música tensa e aparentemente aleatória (de notas marteladas fortemente no piano) que funciona para sugerir a desorganização mental do narrador. A distorção das imagens é representada na música pelo trabalho com o ruído e as distorções de som.

A câmera de Estorvo é desfocada e tensa. Revela um mundo cambiante, indefinido, muito diferente da harmonia e da leveza encontrada nos filmes feitos a partir da gramática da linguagem clássica. Ela está na mão, acompanhando os tensos movimentos e a confusão mental da personagem central. Existe uma estreita relação entre a escrita buarqueana e o papel criador da câmera de Ruy Guerra, na medida em que exploram uma linguagem repleta de distorções, pautada na expressão poética e avessa à transmissão de um conteúdo claro e inteligível.

A fotografia quase monocromática do filme é um dos elementos que produz um efeito psicológico de estranhamento, funcionando como contraponto à atmosfera geral da narrativa. Possui uma iluminação repleta de contrastes, de efeitos ópticos e de distorções na imagem. Estas constantes estéticas contribuem para transmitir a sensação de sonho, de loucura e caos.

Em 2004, lança o filme português Portugal S/A, filmado em 2002, além de O Veneno da Madrugada, até então, seu último longa- metragem e sua quarta adaptação de Gabriel García Márquez, tendo a obra A Má Hora como inspiração- porém, é o único filme sem a colaboração do autor e teve carreira limitada a 3.600 pagantes. No ano seguinte, atua em Casa de Areia, de Andrucha Waddington, e volta a atuar em 2010, no longa- metragem 5x Favela- Agora por Nós Mesmos.

. Em 2012, recusou o convite para apresentar A Ópera do Malandro na Croisette do 65° Festival de Cannes, em um programa hors- concours em tributo ao Brasil. Lamenta ser um cineasta engavetado na categoria daqueles que merecem homenagens pelo conjunto da obra.

Desde 1995, Guerra tenta viabilizar o longa "Quase memória", baseado no livro homônimo de Carlos Heitor Cony. Sem filmar há dez anos, tem mais quatro roteiros prontos, parados por dificuldade de viabilização, sendo um deles O Fingidor, uma cinebiografia de Fernando Pessoa, coprodução portuguesa que estagnou devido a crise econômica de Portugal.

Estética Cinematográfica[editar | editar código-fonte]

A obra de Ruy Guerra se propõe a questionar a representação do cinema clássico e o processo de decupagem tradicional. É um cinema de busca identitária, que retrata conflitos político e sociais, fugindo às regras de produção e aos dogmatismos da estética do cinema industrial. Ademais, há a preocupação em se construir uma visão de mundo e em se empreender uma leitura crítica acerca do Brasil.

Para Ruy Guerra, a estética é sempre política, pois traz necessariamente embutida um olhar, ancorando-se em valores que apresenta, defende ou condena. Se apresentando como cineasta político, orgulha- se de ser esta a sua marca maior. Nunca foi ligado a partido, mas acredita que ser político é estar envolvido com as problemáticas de sua época. 

A linguagem cinematográfica é a sua preocupação maior. O  cinema de Ruy Guerra vê como imprescindível a busca de uma linguagem renovadora. Busca- se estruturas que rompam com os conceitos padrões, basicamente da estrutura hegemônica norte- americana, que acredita ser redutora da realidade, sendo assim, não servindo à cultura brasileira.

Teatro[editar | editar código-fonte]

Em 1973, co- escreve, junto com Chico Buarque de Hollanda, o musical Calabar- o elogio da traição para o teatro. A peça relativiza a posição de Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), senhor de engenho que se aliou aos holandeses contra os portugueses durante as Invasões Holandesas do século XVII, em meio aos conflitos com Portugal pela posse do Brasil. Dirigida por Fernando Peixoto, a peça foi uma das mais caras produções teatrais da época, custando cerca de trinta mil dólares e empregava mais de oitenta pessoas, incluindo quarenta e oito atores.

As canções que embalariam o musical tinham arranjos feitos por Edu Lobo e foram gravadas no disco Chico canta (originalmente, chamava-se Chico canta Calabar, porém o nome foi vetado pela censura, já que o nome Calabar havia sido proibido de ser mencionado). Canções como Tatuagem, Tira as mãos de mim e Fado Tropical (que, no LP, teve alguns versos gravados na voz de Ruy Guerra) se tornaram verdadeiros marcos ao longo dos anos.

A censura do regime militar deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Em 08 de novembro de 1974, na noite de estreia, o general Antônio Bandeira, da Polícia Federal proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e proibiu que a proibição fosse divulgada. As justificativas eram diversas: desde que a produção estaria sendo financiada por comunistas de Moscou, até porque versos e alguns termos não seriam considerados próprios para os censores. Porém, a principal razão seria a de que a peça evocaria traição. 

Na peça, Domingos Calabar passa de comerciante que visava o lucro e que, por isto, traíra os portugueses e colonos brasileiros - para um quase herói, que tinha por objetivo não o ganho pessoal, mas o melhor para o povo brasileiro. A intenção dos autores, porém, não era denunciar um suposto erro histórico, já que Domingos Fernandes Calabar fora considerado um traidor, e nem tinha a pretensão de promover uma revisão: o alvo era, justamente, o próprio regime militar, sua censura, os veículos de comunicação que passavam ao povo imagens que precisavam ser questionadas em sua veracidade.

Apenas sete anos após a censura, o texto de Calabar- o elogio da traição foi finalmente liberado e anistiado. A peça estreou pela primeira vez em 1980 e muitas montagens se seguiram. Contudo, sem a participação de Ruy Guerra.

Dirigiu sua primeira peça em 1976: Trivial Simples, com Camilla Amado e Paulo César Peréio. Em 1979, encena A Fábrica de Chocolate, de Mário Prata, com Ruth Escobar. 

Somente em 2007, volta a trabalhar com teatro, porém como dramaturgo, no musical Dom Quixote de Lugar Nenhum", com Edson Celulari, sob a direção de Ernesto Piccolo. Após um jejum de pouco mais de três décadas, volta a dirigir um espetáculo teatral em 2012: Exilados, adaptação do livro homônimo de James Joyce, com Gustavo Machado, Álamo Facó, Cristina Flores, Franciely Freduzeski e Joana Medeiros.

Ruy Guerra dirigirá uma nova montagem de Calabar- o elogio da traição em 2014, para celebrar os 40 anos do espetáculo no teatro João Caetano, onde fora censurado pela primeira vez.

Música[editar | editar código-fonte]

.Ruy Guerra é letrista de canções compostas em parceria com Chico Buarque, Milton Nascimento, Carlos Lyra, Edu Lobo, Francis Hime e Sérgio Ricardo.

Em 1973, junto com Chico Buarque de Hollanda, compõe todas as canções de Chico Canta, feitas para o musical Calabar- o elogio da traição. Em Fado Tropical, sétima faixa do disco, recita versos. No mesmo ano, participa do álbum Milagre dos Peixes, de Milton Nascimento, na letra de Bodas. 

Volta a trabalhar em composições com Chico Buarque em Meus Caros Amigos, na faixa Você vai me seguir, e com Milton Nascimento na canção E Daí?, de Clube da Esquina 2, feita para o filme A Queda, em 1976.

Participou também na criação de Entrudo, de Carlos Lyra; Jogo de Roda e Reza, de Edu Lobo; Esse Mundo é Meu, de Sérgio Ricardo. Ao total, Ruy Guerra contribui na letra de mais de trinta canções. 

Em 2007, foi homenageado no álbum Palavras de Guerra, de Olivia Hime, que regravou trabalhos do cineasta cujo conhecera no fim dos anos cinquenta.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Publicado em livro no ano de 1994, Calabar- o elogio da traição já teve vinte e três edições, escrito por Ruy Guerra e Chico Buarque de Hollanda. Sete anos depois, em 1999, lança 20 Navios, um livro de crônicas evocando as matizes, os percursos interiores, reflexão, humor e melancolia de seu passado em Moçambique, Portugal e Brasil.

Licenciatura[editar | editar código-fonte]

Em 2001, Ruy Guerra é convidado para dirigir o curso de Cinema Superior da Universidade Gama Filho. É demitido em 2008, o que ocasiona em um abaixo- assinado por parte dos alunos, docentes e funcionários do curso pelo retorno do cineasta à instituição.

Atualmente, leciona linguagem cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro, como professor efetivo.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

1954: Quand le soleil dort-  Diretor e roteirista.

1957: S.O.S. Noronha- Ator.

1962: Os Cafajestes- Diretor e roteirista.

1962: Os Mendigos- Montador e ator.

1964: Cinco Vezes Favela- Escola de Samba, alegria de viver- Montador

1964: Esse Mundo é Meu- Montador

1964: Os Fuzis- Diretor e roteirista.

1968: Balada da Página Três- Roteirista.

1968: Benito Cereno- Ator.

1969: Ternos caçadores- Diretor e roteirista.

1970: Os Deuses e os Mortos- Diretor e roteirista.

1970: O Homem das Estrelas- Ator.

1972: Os Sóis da Ilha de Páscoa- Ator.

1972: Aguirre, a Cólera dos deuses- Ator.

1975: As Aventuras de um Detetive Português- Roteirista.

1976: A Queda- Diretor, roteirista, compositor e ator.

1980: Mueda, Memória e Massacre- Diretor e diretor de fotografia.

1981: Histoires extraordinaires: la lettre volée (telessérie)- Diretor e roteirista.

1983: Eréndira- Diretor.

1986: Ópera do Malandro- Diretor, roteirista e produtor.

1988: Fábula de la bella Palomera- Diretor, roteirista e produtor.

1989: Kuarup- Diretor, roteirista e produtor.

1992: Me alquilo para soñar (telessérie)- Diretor e roteirista.

1997: Posta Restante- Roteirista.

2000: Monsanto (TV)- Diretor.

2000: Estorvo- Diretor, roteirista e produtor.

2004: Portugal S/A - Diretor.

2004: O Veneno da Madrugada- Diretor e roteirista.

2005: Casa de Areia- Ator.

2010: 5x Favela- Agora por Nós Mesmos- Ator.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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