São João Clímaco (São Paulo)

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São João Clímaco é um bairro situado na região sudeste da cidade de São Paulo, Brasil, que teve sua formação inicial concebida por volta do século XX. Seu nome é uma homenagem a São João Clímaco, um monge que viveu entre os séculos VI e VII, no Monte Sinai e escreveu a obra "A Escada" (em grego: "Klímax").

Não se aprende a ver; é um efeito da natureza. A beleza da oração também não se aprende por meio do ensinamento. Ela tem em si própria o seu mestre; Deus 'que ensina ao homem o saber' (Sl 94,10) dá a oração e abençoa os anos dos justos
 
Pensamento de São João Clímaco, 530-650,

História[editar | editar código-fonte]

Em meados do século XX, a região hoje conhecida por São João Clímaco era habitada por índios caiçaras, imigrantes de áreas litorâneas.

Ao serem atacados, estes índios, originalmente denominados tupinambás, mais os de outras comunidades, organizavam-se e formavam a "Confederação Tamuya", que a partir da antiga Língua Tupi, o Tupi Arcaico, cerne da Língua Tupi-Guarani, etimologicamente quer dizer ”os mais antigos; os primeiros; os verdadeiros donos da terra”.

Nos tempos atuais, a "Confederação Tamuya" é conhecida por “Confederação dos Tamoios”, união indígena, verdadeira dona da terra. Também homenageada por um clube de lazer, cultura e esporte próximo à região.

Conforme a maioria dos bairros da cidade de São Paulo, São João Clímaco surgiu a partir da demarcação de fazendas, sítios e chácaras que, com o passar dos anos, foram loteados e vendidos.

A agricultura e a pecuária predominavam na região: fazendas se destacavam com a criação de vacas, cabras, porcos e cavalos. Mas vale ressaltar a existência de uma única olaria, situada numa das fazendas, que garantia emprego aos moradores locais. Os tijolos ali produzidos eram considerados de ótima qualidade e contavam com dois tipos específicos: o primeiro, elaborado a partir do barro branco – argila fracamente arenosa, branca, com alguns laivos vermelhos, de consistência gomosa – e o segundo, elaborado a partir do barro preto - silto argiloso de cor parda, micro-vacular, fracamente denso.

As famílias que residiam na região careciam de infra-estrutura, tendo em vista que não havia água encanada, energia elétrica e transporte público. Todo o cotidiano, desde compras até pagamentos de contas, levava seus moradores à vila mais próxima, o Sacomã[1] , no Ipiranga[2] , mais desenvolvida; mas absolutamente fora de mão: era necessária uma caminhada de, no mínimo, 08 km entre os centros de São João Clímaco e Sacomã.

Foi imprescindível que a primeira linha de transporte público passasse a servir ao bairro - empresa de São Bernardo do Campo – para que o comércio local se desenvolvesse e atraísse novos moradores. Entre eles, famílias como a Fiorentino, Hobbles, Haydar etc.

Contexto religioso[editar | editar código-fonte]

O nome de São João Clímaco partiu da homenagem prestada ao padroeiro da região: São João, um monge que viveu no Oriente Médio entre os séculos VI e VII (530-650), e ficou conhecido como São João Clímaco[3] em virtude do livro que escreveu, A Escada, que em grego significa “Clímaco”.

Neste livro, São João descreveu as virtudes como degraus de uma escada que nos levaria ao céu. Curiosamente, se “São João Clímaco” fosse traduzido para a Língua Portuguesa, teríamos como bairro "São João Escada".

Em fevereiro de 1892, o Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, concedeu ao Dr. João Mendes licença para fundação da Capela de São João Clímaco, situada no alto do Morro Vermelho – hoje Largo de São João Clímaco -, divisa entre as Paróquias de São Joaquim, no Cambuci e a Matriz, em São Bernardo do Campo.

Passados quatro anos, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante, atendendo à solicitação do Dr. João Mendes de Almeida Júnior, concedeu licença para a celebração da primeira missa pelo Padre César de Angelis.

Assim sendo, a família Mendes tutoriou a Capela ao longo de dezessete anos – entre 1892 e 1909, quando em 28 de julho do último ano transferiu propriedade ao Sr. Francisco Seckler, tutor da Capela por quarenta e dois anos - entre 1909 e 1951, momento em que doou parte da chácara da família Seckler, incluindo a agora Paróquia de São João Clímaco – com área de 2.000 m² -, para a Cúria Diocesana de São Paulo.

Por volta de 1957, um dos párocos mais significativos da Paróquia de São João Clímaco, padre Benno Hubert Stollenwerk[4] , veio da Alemanha para fixar residência no bairro.

Desde então, sua presença atuante permitiu que a região se desenvolvesse efetivamente enquanto bairro: além das missas que celebrava, padre Benno [5] exercia sua formação acadêmica em teologia, filosofia e psicanálise para atender [e acolher] a quem quer que fosse, independente de cor, sexo, idade ou crença. Foi docente no colégio alemão Visconde de Porto Seguro (ainda sito à Praça Roosevelt), além de organizar movimentos para solicitar melhorias de infra-estrutura, expansão e melhoria do atendimento à saúde e educação dos moradores de São João Clímaco.

Ele ressaltava que na década de 50, só duas ruas eram asfaltadas: a Estrada de São João Clímaco e a Estrada das Lágrimas. O Rio dos Meninos [6] , que marca a divisa com o município de São Caetano do Sul, tinha água cristalina, o que permitia a apreciação e pesca dos vários tipos peixes.

Contexto social[editar | editar código-fonte]

São João Clímaco possui uma das mais altas densidades demográficas da cidade: 205 habitantes por hectare. Seu metro quadrado está estimado em, aproximadamente, R$750,00. Heliópolis também representa parte significativa deste bairro.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências



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