São João de Ávila

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São João de Ávila
São João d'Ávila
Presbítero, Apóstolo de Andaluzia e
Doutor da Igreja
Nascimento 6 de janeiro de 1500 em Cidade Real
Morte 10 de maio de 1569 em Montilla
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 4 de abril de 1894 por Papa Leão XIII
Canonização 31 de maio de 1970 por Papa Paulo VI
Festa litúrgica 10 de maio
Padroeiro Clero secular
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São João de Ávila (Almodóvar del Campo, Cidade Real, 6 de Janeiro de 1500 - Montilla, 10 de maio de 1569), foi um padre católico espanhol, famoso por seus escritos ascéticos, 34º Doutor da Igreja, título recebido em 07 de outubro de 2012 pelo Papa Bento XVI, durante a Jornada Mundial da Juventude de 2011.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seus pais, Alfonso de Ávila (de ascendência judia) e Catalina Gijón possuíam minas de prata em Sierra Morena. Começou a estudar Direito em Salamanca em 1514, mas abandonou os estudos impelido por sua devoção, e retirou-se para Almodóvar, onde viveu em duras penitências. Passou a estudar Artes e Teologia em Alcalá de Henares entre 1520 e 1526, onde foi aluno de Domingo de Soto e travou amizade com Don Pedro Guerrero, futuro arcebispo de Granada. Durante sua estada ali seus pais faleceram e, ao ordenar-se sacerdote em 1526, a sua primeira missa foi dedicada à sua memória. Vendeu toda sua herança e distribuiu a renda entre os pobres, para depois dedicar-se por inteiro à evangelização, começando em seu próprio povoado.

Um ano depois se ofereceu como missionário para o novo bispo de Tlaxcala, frei Julián Garcés, que em 1527 haveria de embarcar para a América, pretendendo acompanhá-lo junto com seu amigo de Alcalá Fernando Contreras. Falando com o arcebispo de Sevilha, Alonso Manrique, foi dissuadido de seu projeto e recebeu ordens de evangelizar a Andaluzia, o que passou a fazer com um denodo que lhe valeria o apelido de O Apóstolo da Andaluzia.

Escreveu um célebre comentário ao Salmo XLIV (Audi filia, et vide) para uma de suas convertidas em Écija, Sancha Carrillo, filha dos senhores de Guadalcázar, que foi publicado em Alcalá furtivamente em 1556, e com maior divulgação e autorizadamente em Madri em 1557. Esta obra pode ser considerada um verdadeiro compêndio de ascese e o rei Filipe II a tinha em tamanha estima que solicitou que jamais faltasse no Escorial. Da mesma forma o cardeal Astorga, arcebispo de Toledo, disse que com esta obra "havia convertido mais almas do que o número de letras que ela continha". Este opúsculo marcou positivamente sua literatura ascética posterior, e o projetou de tal modo que não há autor religioso do século XVI tão consultado como João de Ávila. Foi o examinador da autobiografia de Santa Teresa, relacionou-se com frequência com Santo Inácio de Loyola ou seus representantes, que o queriam Jesuíta, com São Francisco de Borja, São Pedro de Alcântara, São João de Ribera e o frei Luís de Granada.

Sua enorme ascendência como pregador provocou inveja e alguns clérigos o denunciaram à Inquisição sevilhana em 1531, e até 1533 esteve encarcerado e sob processo. Contra cinco acusadores teve 55 defensores. A base da acusação seria um suposto Erasmismo, do qual teria se impregnado em Alcalá. No final foi absolvido, com a censura de "ter proferido em seus sermões e fora deles algumas proposições que não pareceram adequadas", ordenando-se-lhe, sob pena de excomunhão, que as corrigisse nos mesmos lugares onde as havia pregado.

Em 1535 viajou para Córdoba, chamado pelo bispo frei Álvarez de Toledo, e ali conheceu frei Luís de Granada. Organizou pregações pelos povoados andaluzes (sobretudo na Sierra de Córdoba) e conseguiu muitas conversões espetaculares de personalidades de alta categoria. Fez amizade com o novo bispo de Córdova, Cristóbal de Rojas, para quem escreveu as Advertências ao Concílio de Toledo. Também interveio na conversão do Duque de Gandía, futuro São Francisco de Borja, e do soldado e então livreiro ambulante João Cidade, que mais tarde seria São João de Deus. Evangelizou não só na atual Andaluzia, mas também esteve no sul da Mancha e na Estremadura. Organizou a Universidade de Baeza, e caiu doente em 1554, mas ainda permaneceria ativo por quinze anos, até piorar visivelmente em 1569, morrendo no mesmo ano em Montilla, onde está sepultado.

Em 1588 frei Luís de Granada recolheu alguns escritos enviados por discípulos e com eles, junto com suas memórias pessoais, redigiu a primeira biografia do religioso. Em 1623 a Congregação de São Pedro Apóstolo, de sacerdotes naturais de Madri, iniciou a causa de sua beatificação. Em 1635 o licenciado Luís Muñoz escreveu a segunda biografia, baseando-se na anterior e nos documentos do processo de beatificação, além de outros já perdidos. Em 4 de abril de 1894 o Papa Leão XIII o beatificou; em 2 de julho de 1946 Pio XII o declarou Patrono do clero secular, e Paulo VI o canonizou em 31 de maio de 1970.

O Papa Bento XVI anunciou durante a Jornada Mundial da Juventude de Madri que proclamaria São João de Ávila o 34º Doutor da Igreja.

Foi proclamado Doutor da Igreja em cerimonia no dia 7 de Outubro de 2012 na Praça de São Pedro, juntamente com Santa Hildegarda de Bingen pelo Santo Padre, Bento XVI.

Obras[editar | editar código-fonte]

Foi acima de tudo um grande pregador e escritor ascético. Além do já citado Salmo Audi filia, de 1566, escreveu o Epistolário espiritual para todos os estados (Madri, 1578), uma diversidade de cartas ascéticas dirigidas a toda classe de pessoas, desde as mais humildes às mais elevadas, religiosas e profanas, e também para Santo Inácio de Loyola, São João de Deus, e sobretudo para as monjas. Também compôs um livro sobre o Santíssimo Sacramento, outro sobre O Conhecimento de Si mesmo, e o Contemptus mundo nuevamente romançado (Sevilha, 1536). Os seus famosos Sermões se perderam quase todos.

Costuma-se chamá-lo de um reformador, se bem que seus escritos de reforma se limitem aos Memoriais para o Concílio de Trento, escritos para o arcebispo de Granada Pedro Guerrero, e as Advertências ao Concílio de Toledo, escritas para o bispo de Córdoba Cristóbal de Rojas, que haveria de presidir o Concílio de Toledo em 1565, reunido para aplicar os decretos tridentinos.

A sua doutrina sobre o sacerdócio foi esquematizada no Tratado sobre o Sacerdócio, o qual subsiste apenas em parte. Outras obras suas são um Comentário à Carta aos Gálatas (Córdoba, 1537), a Doutrina Cristã (Valência, 1554, e Messina, 1555) e as Duas práticas para Sacerdotes (Córdoba, 1595).

Autoria do Soneto a Cristo Crucificado[editar | editar código-fonte]

Com bastante segurança se atrinbui a ele a autoria do soneto anônimo No me mueve, Señor, para quererte, que é uma das jóias da mística catelhana. Mesmo tendo aparecido pela primeira vez em 1628 no livro intitulado Vida del espíritu do doutor Antonio de Rojas, o poema já circulava desde há muito tempo antes em manuscrito. A atribuição se baseia na temática do amor a Deus por Deus mesmo, que é encontrada amiúde em outros lugares na obra do santo:

"Aquele que diz que te ama e observa os dez mandamentos de tua lei somente, ou principalmente, para que lhe dês a glória, considere-se já apartado dela" (Meditações devotíssimas do amor de Deus).
"Ainda que não houvesse inferno para ameaçar, nem paraíso para convidar, nem mandamento para obrigar, o justo faria o que faz pelo amor de Deus apenas". (Glosa de Audi filia, capítulo L).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Diccionario de literatura española. Madrid: Revista de Occidente, 1962.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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