São Lourenço (Niterói)

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São Lourenço é um bairro do município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.[1]

História do Bairro[editar | editar código-fonte]

São Lourenço é um bairro de grande importância para a história da cidade, pois foi o local onde a cidade foi fundada pelo chefe temiminó Arariboia, em 22 de novembro de 1573[2] . A reação aos franceses que invadiram a Baía de Guanabara, em 1555, originou o povoamento na área. Na luta, sobressaíram-se Estácio de Sá, Mem de Sá e Arariboia, chefe dos índios da tribo dos Temiminós. Expulsos os franceses e por sua lealdade aos portugueses, Arariboia ganhou uma sesmaria nas terras onde seria erguida a cidade de Niterói. Ao instalar-se nelas, escolheu o Morro de São Lourenço para construir o seu aldeamento principal devido à visão estratégica da baía, possibilitando vigilância constante.

No bairro, está a mais antiga igreja da cidade, a Igreja de São Lourenço dos Índios, localizada no outeiro do mesmo nome. O seu altar — com a estrutura quase toda em pau-brasil — e o seu piso são ainda originais da época da construção. Segundo consta, a igreja foi erigida em 1627. A princípio, existia uma capela cuja construção foi iniciada no século XVI pelo jesuíta Braz Lourenço. Sendo um dos mais belos templos em estilo colonial do país, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Dois túneis que existiam sob a igreja foram destruídos na década de 1960.

Já se tornou tradição todos os anos, no dia 22 de novembro, comemorar, com missa nesta igreja, o aniversário de fundação de Niterói. Nesta data, em 1573, Arariboia, já então batizado com o nome de Martim Afonso de Souza, tomou posse oficialmente da sesmaria que lhe foi doada. Mem de Sá, Governador Geral do Brasil, preocupado com a defesa do Rio de Janeiro, tomou uma série de medidas após a expulsão dos franceses, entre elas a ocupação da Banda D'Além (como chamavam Niterói na época), daí a doação de uma sesmaria a Martim Afonso de Souza.

No alto do morro de São Lourenço, no largo em frente a igreja, os índios enterravam os seus mortos. Por isso, o local foi batizado pelo povo de Cemitério dos Caboclos. A Freguesia de São Lourenço progrediu e estendeu-se aos poucos, sendo ocupadas por fazendas de cana-de-açúcar, mandioca, fumo e outras culturas, porém o progresso que vinha do outro lado da Baía de Guanabara iria ocorrer, preferencialmente, na parte mais plana, em locais facilmente alcançáveis por mar.

No século XIX, com a política de expulsão dos jesuítas da metrópole e colônias adotadas pelo Marquês de Pombal, a Aldeia de São Lourenço era o único local, próximo ao Rio de Janeiro, onde ainda se encontravam remanescentes das tribos indígenas. Estes viviam da pesca, da caça e da coleta de frutos abundantes e também teciam e produziam cerâmicas. Esses índios, com o processo de aculturação, aos poucos foram absorvendo a cultura e as profissões dos colonizadores europeus. A população da aldeia foi progressivamente diminuindo até que, em 1866, o Governo Provincial decidiu extinguir o povoado.

A Enseada de São Lourenço, com o passar dos anos, foi se tornando cada vez mais rasa não só pelo acúmulo de lodo, como também pelo papel de vazadouro de lixo da cidade que cumpria.

Com o projeto de construção de um cais, a área foi finalmente aterrada, inaugurando-se o Porto de Niterói na década de 1920, cuja área atual pertence parte ao bairro de Santana, parte à Ponta d’Areia. "O movimento do porto consistia, principalmente, na exportação de café para o exterior e do açúcar de Campos para portos nacionais. Era utilizado, igualmente, na importação de madeiras e trigo, mas seu movimento sempre foi pequeno"[3] . Atualmente, a área do porto e da estação ferroviária é ocupada por um estaleiro de reparos navais.

Da Enseada de São Lourenço até Maruí havia, outrora, empresas industriais e comerciais variadas. Na Rua São Lourenço (sua ligação com o Centro se fazia diretamente pela Rua do Imperador), importantes estabelecimentos comerciais (atacadistas) e industriais instalaram-se graças à proximidade do porto e da ferrovia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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