São Ludgero (Santa Catarina)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Município de São Ludgero
Igreja de São Ludgero

Igreja de São Ludgero
Bandeira de São Ludgero
Brasão de São Ludgero
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 12 de junho de 1962 (52 anos)
Gentílico são-ludgerense[1]
Localização
Localização de São Ludgero
Localização de São Ludgero em Santa Catarina
São Ludgero está localizado em: Brasil
São Ludgero
Localização de São Ludgero no Brasil
28° 19' 33" S 49° 10' 36" O28° 19' 33" S 49° 10' 36" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Sul Catarinense IBGE/2008[2]
Microrregião Tubarão IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Braço do Norte, Gravatal, Tubarão, Pedras Grandes, Orleans
Distância até a capital 182 km
Características geográficas
Área 107,571 km² (BR: 5072º)[3]
População 10 993 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 102,19 hab./km²
Altitude 55 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,755 alto PNUD/2010[5]
PIB R$ 230 862,031 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 21 495,53 IBGE/2008[6]
Página oficial

São Ludgero é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 28º19'33" Sul e a uma longitude 49º10'37" Oeste, estando a uma altitude de 50 metros.

História[editar | editar código-fonte]

Colonização[editar | editar código-fonte]

O município foi colonizado por alemães vindos da Colônia Teresópolis. Lá chegaram em ca. da década de 1860, provenientes da região de Münster, principalmente de Heek, que também tem São Ludgero como padroeiro. Tal migração deu-se a partir de 1873, principalmente devido à baixa fertilidade do solo do local e ao abandono por parte do governo

O atual território da cidade foi determinado pelo então pároco da comunidade, Padre Roer, que em uma de suas visitas a diversas comunidades nos arredores de Teresópolis encontrou um local em que a terra parecia ser mais fértil que a de sua comunidade, por informação de Luís Martins Collaço.[7] Como as terras pertenciam ao dote da então princesa Isabel, enviaram uma solicitação ao governo imperial pedindo a posse de tal localidade. Depois de algum tempo veio a resposta positiva, e então migraram para o novo desafio.

No início não havia nenhuma infra-estrutura, havia apenas trilhas e muita mata a ser derrubada para dar espaço às roças. A única distração de que os colonos dispunham eram as missas, de onde tiravam forças para seguir em frente. Suas habitações a princípio não passavam de cabanas de palha.

Nome[editar | editar código-fonte]

Saintliudger.jpg

O nome deve-se a São Ludgero, um santo guerreiro muito popular entre o povo da região da Vestfália. Ludgero nasceu em Zuilen próximo a Utrecht, Países Baixos. Foi um missionário, seguidor de São Bonifácio, fundador da Abadia de Werden e o primeiro bispo de Münster. Dentre outros milagres, o mais importante sem dúvida alguma é o que ocorreu na região de Münster, por volta do ano 800. Neste momento houve uma praga de gansos cinzas, que comiam as plantações. Segundo a história, São Ludgero os expulsou da região e, por isso, o santo é representado com gansos entre os seus pés.

Emancipação política[editar | editar código-fonte]

A emancipação política ocorreu em 12 de junho de 1962, tendo como primeiro prefeito Daniel Bruning. A área de terra que hoje é São Ludgero desmembrou-se de Braço do Norte, mas era pequena. Para que o município tivesse a extensão atual, foi necessária uma manobra política, onde forçou-se também a emancipação de Colônia, que ia da Barra do Norte até o Rio Cachoeirinhas. Emancipadas as duas localidades, logo ocorreu a fusão de Colônia com São Ludgero, resultando no território atual do município.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Cuca
Igreja de São Ludgero em Heek.

Até a década de 1930 a cultura foi muito bem preservada, as aulas do Colégio e as missas eram dadas em Alemão (o Plattdeutsch). As festas e costumes eram vivos na vida social.

Durante o governo Getúlio Vargas, no contexto da Segunda Guerra Mundial, proibiu-se qualquer menção à cultura alemã. As aulas, as missas e a comunicação em público passaram a ser em português.

Colégio de São Ludgero

Até a década de 1990 era muito comum ouvir dos mais velhos um português com vícios do alemão; criaram expressões mistas que são até hoje utilizadas, embora não se saiba o sentido literal, mas apenas para o que se destinam.

Mesmo com as proibições impostas pelo Estado Novo, os costumes permaneceram vivos e são notados até hoje, assim como alguns pratos típicos ou adaptados à realidade local. Dentre os costumes observa-se a forma rigorosa de criação dos filhos ou como o simples hábito de "tomar café" a noite, muito estranhado pelos brasileiros de outras regiões, que costumam ter uma ceia. Dentre os pratos típicos mais comuns temos a famosa "Cuca" (Streuselkuchen) e o guimis, adaptação brasileira para a palavra Gemüse que significa legume(s), prato parecido com um purê de batata que leva repolho, couve e alguns outros legumes.

O prédio do Colégio São Ludgero, fundado em 1900 é um dos símbolos da cidade. A prefeitura está instalada no antigo prédio do 1º seminário de Santa Catarina, a religiosidade é forte, tendo o município sido considerado "celeiro" de sacerdotes. Mesmo sendo um município de origem alemã, percebe-se que os italianos e portugueses deram importante contribuição ao desenvolvimento da região.

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Sepultura Memorial dos Fundadores[editar | editar código-fonte]

No cemitério de São Ludgero, logo na entrada à direita, foi erguida uma sepultura memorial aos imigrantes fundadores da colônia expontânea do Braço do Norte, em três colunas. É listado a seguir o nome daqueles que estão eternizados no monumento.

  • Esquerda: Henrique Söhte, Antonio Dimon, Francisco Loch, José Nurnberg, Henrique Füchter, Phelipe Schlickman, Nicolau Füchter, Henrique Schuls, Bernardo Voss, Bernardo Dimon, Germano Dimon, Guilherme Wernke, José Voss, Henrique Külkamp, Henrique Böger, Frederico G. Janke, Henrique Wessling, (ilegível)
  • Centro: José Henrique Buss, Bernardo Locks, Manoel Loch, José Voss, Bernardo Wessler, Bernardo Henrique Schlickmann, Guilherme Jeodocus, Söthe, Anna E. Kesterman, Germano Antonio Niehues, Maria A. Elichman, João Geraldo Brüning, Elisa Bühters, João Geraldo Schuls, Antoniete Barnbrügge, Cristóforo Lembeck, Maria Anna Öing, Henrique Röttgers, Anna Maria Hemsing, Joao Roden, Margarida Franzener, Bernardo Schlickman, Maria Cath Niehues, Guilherme Wernke, Catarina Hölting, Jose, rering, Anna Maria Abbenhaus, Germano Antonia Kestering, Elisa Monnemann, Bernardo Steen, Theresia Steen Locks, Germano Schlickman, Maria Cath Plitger
  • Direita: Anna Catharina Naber, Anna Catharina Hundchen, Anna Voss Daufenbach, Elisa Ludvigs, Catharina Schlickman, Barbara Loch, Helena Wernke Nürnbg, Sophia Bruning, Francisco Dimon Borgel, Gertrude Kestering, Maria Kürten, Maria Steen Buss, Margarida (ilegíveis)
Topo da Sepultura Memorial. Rei de enorme majestade, Que salva livremente, Para mim é fonte da piedade
Corpo da Sepultura Memorial, esquerda
Corpo da Sepultura Memorial, centro
Corpo da Sepultura Memorial, direita
Base da Sepultura Memorial

Feriados[editar | editar código-fonte]

Os feriados municipais são em 26 de março, dia do padroeiro São Ludgero e 12 de junho dia da emancipação política do município. Por ocasião da quaresma a festa em homenagem ao padroeiro é feita em maio e conta bailes, jantares e almoços festivos.

Economia[editar | editar código-fonte]

A agricultura, pecuária e a industria são as atividades econômicas mais importantes no município. Destacam-se a produção avícola, a de gado leiteiro, os cultivos de fumo(hoje em menor escala), milho, feijão, legumes, frutas e hortaliças. Destacam-se também indústrias de derivados de plástico e de madeireira. O setor de comércio e serviços é menos expressivo, visto a proximidade com outras cidades como Braço do Norte e Orleans.

Referências

  1. Histórico de São Ludgero no site do IBGE
  2. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 15 de fevereiro de 2014.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. Luís Martins Collaço, o Coronel Collaço, foi anfitrião do médico e viajante alemão Robert Christian Avé-Lallemant, que em 1858 viajou pela região, passando pela Barra do Norte a caminho de Lages.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]