Sérgio Fleury

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Sérgio Fleury
Nascimento 19 de maio de 1933
Niterói, Brasil
Morte 1 de maio de 1979 (45 anos)
Ilhabela, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação policial
Influências

Sérgio Fernando Paranhos Fleury (Niterói, 19 de maio de 1933Ilhabela, 1 de maio de 1979) foi um policial que atuou como delegado do DOPS de São Paulo, durante a ditadura militar no Brasil e ficou notoriamente conhecido por sua pertinácia ao perseguir os opositores do regime. Sofreu diversas acusações formais pelo Ministério Público pela contumácia na prática de tortura e homicídios contra os opositores do golpe de estado orquestrado pelos militares em 1964.[1]

Vários depoimentos, testemunhas e relatos de presos políticos, apontam que ele usava sistematicamente a tortura[2] durante os interrogatórios que comandava na época do regime militar brasileiro. Vários dos militantes que eram capturados pelo delegado Fleury não resistiram a essas torturas e acabaram morrendo, como no caso de Eduardo Collen Leite (guerrilheiro de renome), que foi torturado por cerca de quatro meses.[3]

O delegado Sérgio Fleury foi o principal responsável pela tentativa de captura e morte de Carlos Marighella - ícone da extrema-esquerda, que resistiu à prisão,[4] foi apontado como participante da Chacina da Lapa e de uma série de casos envolvendo combate e morte de opositores do regime.[5]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Bacharel em Direito, delegado (1966), atuou no serviço de radiopatrulhamento da cidade de São Paulo, ganhando notoriedade no combate enérgico às organizações armadas de esquerda, utilizando-se também de violência.

Em 1968, foi requisitado pelo DOPS, para lutar contra os movimentos de oposição ao governo militar no Brasil.

Pela sua participação nas ações desenvolvidas pelas Forças Armadas do Brasil durante a chamada "guerra subversiva", foi condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador e pela Marinha de Guerra com o título de "Amigo da Marinha".[6]

Atividades[editar | editar código-fonte]

Participou da prisão dos estudantes da UNE (Congresso de Ibiúna, 1968); foi acusado de determinar o extermínio de militantes comunistas em São Paulo (1968-1969); chefiou a captura, seguida da troca de tiros que matou Carlos Marighella (1969) e de buscas visando a prender diversos opositores à ditadura militar ligados a este último (1971).[7]

A inversão da tática[editar | editar código-fonte]

Ao contrário dos métodos do Exército, empregados na repressão aos movimentos subversivos nos demais estados brasileiros, que copiavam modelos empregados pela França e pelos Estados Unidos na luta contra a insurgência, envolvendo equipamentos sofisticados e até o uso de satélites, o delegado Fleury adotou a inversão dessa tática. Um artigo publicado na revista Veja de 12 de novembro de 1969, ressaltava que o sucesso de Fleury no combate à luta armada da esquerda, deveu-se a sua experiência no combate aos criminosos comuns. Para ele, a motivação política era secundária. "Um assalto a banco, praticado por um subversivo, deveria ser investigado como um assalto comum. O subversivo que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer "puxador". A tática usada no cerco a Carlos Marighella foi a mesma empregada na captura de marginais. A revista, entrevistando um delegado do DOPS paulista, obteve a seguinte informação: "quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta: "quem é?', e o bandido responde: "sou eu". O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido". "Foi assim que Fleury obteve sucesso no combate à subversão: em cada dez diligências, sete eram proveitosas".[8]

Esquadrão da Morte[editar | editar código-fonte]

Além de acusado pela prática de tortura contra guerrilheiros, foi investigado e denunciado pelos Promotores de Justiça Hélio Bicudo e Dirceu de Mello por supostos assassinatos praticados por um hipotético Esquadrão da Morte. O Delegado Fleury foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o principal líder desse Esquadrão. Apesar de algumas condenações, não chegou a cumprir pena. Foi condecorado pelo governador Abreu Sodré (1969) e foi escolhido delegado do ano em duas oportunidades (1974 e 1976), em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.

Anistia política[editar | editar código-fonte]

Em 1978, na convenção da Arena em São Paulo, apoiou a candidatura do coronel Erasmo Dias à Câmara dos Deputados. Opôs-se à anistia política promulgada em 1979.

Foi beneficiado por uma lei que facultava a liberdade aos réus primários e com residência fixa que ficou conhecida como Lei Fleury.[9]

Morreu por afogamento, segundo a sua mulher Maria Izabel Oppido, presente em sua lancha na madrugada de 1º de maio de 1979. Seu corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado, o que gerou comentários de que ele teria sido assassinado pela esquerda como vingança ou como "queima de arquivo" pelos seus antigos colaboradores da ditadura.[10] [11]

Segundo relatos no livro Memórias de uma Guerra Suja, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (Dops) Cláudio Antônio Guerra assume na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, que o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares. Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria".

Segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".

Cinema[editar | editar código-fonte]

Referências