Série 0100 da CP

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Automotora número 0113, a cumprir um serviço regional, na Estação Ferroviária de Casa Branca.

A Série 0100 identifica um tipo de automotora a tracção a gasóleo, que esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e da sua sucessora, Comboios de Portugal; as unidades desta série também eram conhecidas como Nohabs, em referência ao seu fabricante, ou como joaninhas, relativamente à sua forma arredondada das extremidades e às tonalidades encarnadas e pretas do seu último esquema de cores. Esta Série entrou ao serviço em 1948.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após o final da Segunda Guerra Mundial, verificou-se uma forte escassez no abastecimento de carvão, o que gerou grandes dificuldades à Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, cuja frota motora era essencialmente composta por locomotivas a vapor.[2] Por outro lado, o parque motor da Companhia estava muito longe de satisfazer os padrões de qualidade exigidos pelos passageiros, sendo incómodas, lentas, e poluidoras, além de serem muito dispendiosas, com um consumo substancialmente superior ao material a gasóleo e eléctrico.[3] Em termos de material rebocado, o parque de carruagens da Companhia da Companhia também se apresentava bastante precário, e incapaz de acompanhar o crescimento da procura.[3] Assim, foi posto em prática o Plano de Reequipamento, um programa do Estado que tinha como propósito adquirir novo material circulante, que utilizasse fontes de energia alternativas ao carvão.[2] Este plano utilizou parte dos fundos destinados a Portugal do Plano Marshall.[2] Entre o material circulante introduzido ao abrigo deste plano, contam-se as automotoras da Série 0100.[2] Ao abrigo deste plano, foram adquiridas várias locomotivas e tractores de manobra, e 24 automotoras, todas de origem sueca, sendo 3 de via estreita, 6 para as linhas do estado exploradas pela Companhia, e 15 para a rede da própria CP.[3] Esta encomenda contemplou igualmente o fabrico de 12 atrelados de via larga.[3]

Construção e entrada ao serviço[editar | editar código-fonte]

As automotoras desta Série foram construídas na Suécia em 1948.[4] As primeiras automotoras da Série 0050 entraram ao serviço numa cerimónia oficial em 20 de Março.[3] No entanto, apenas alguns meses depois, foi necessário substituir estas automotoras por outras de maior capacidade, tendo a sua introdução ao serviço sido realizada no dia 22 de Novembro, em Estremoz, com a presença dos engenheiros Roberto de Espregueira Mendes, director geral da CP, e Alberto Carlos de Lima e Sousa Rego.[5]

Serviço activo[editar | editar código-fonte]

Uma Nohab em Évora.

Aquando da cerimónia de inauguração da tracção eléctrica na Linha de Sintra e no troço entre Lisboa-Santa Apolónia e o Carregado da Linha do Norte, em 28 de Abril de 1957, uma automotora desta série participou no cortejo inaugural, junto com um atrelado.[4]

Em 1 Novembro de 1954, foram introduzidas na Linha do Algarve, melhorando consideravelmente os serviços, em relação às antigas composições rebocadas por locomotivas a vapor, uma vez que permitiam uma maior velocidade, e, consequentemente, o número de circulações.[6] Tiveram um enorme sucesso, circulando frequentemente completas, mesmo quando rebocavam o atrelado, tendo-se tornado uma imagem de marca da região.[6] Só para o seu serviço, foram criadas duas paragens no Ramal de Lagos, uma na Figueira, e outra em Alvalede.[6] Extinguiram quase totalmente os serviços de passageiros por locomotivas a vapor no Ramal, restando apenas um comboio a vapor de mercadorias que rebocava uma carruagem de terceira classe.[6]

Em 1966, entraram ao serviço as locomotivas da Série 1200 no Algarve, com o objectivo de render as últimas locomotivas a vapor; depressa dominaram os serviços nesta região, acabando por substituir completamente, alguns anos depois, as Nohabs.[6] Em 1970, ainda circulavam 8 automotoras desta série em cada sentido, uma delas ligando Lagos a Silves; no ano seguinte, foram introduzidos 3 comboios semi-directos entre Lagos e Vila Real de Santo António, também assegurados pelas Nohabs.[6] Em 1974, principiou o serviço directo de Lagos ao Barreiro, inicialmente utilizando estas automotoras; no entanto, apenas cerca de 5 anos depois, foram substituídas por comboios rebocados por locomotivas da Série 1300.[6]

Em 1980, voltaram a entrar ao serviço, após terem sido retiradas para um processo de modernização.[7]

Uma Nohab circulando junto a Ourique, em 2004. Metade da janela fronteira comunica com a área acessível aos passageiros.

Em 1992, estavam a fazer serviços da tipologia Omnibus, até Badajoz[8] , e, em 1995, estas automotoras podiam ser encontradas a assegurar, entre outras ligações, os serviços Regionais no Ramal de Cáceres; nesta altura, eram as automotoras de tracção térmica mais antigas a assegurar serviços públicos regulares na Europa Ocidental.[9] Também realizaram serviços na Linha de Sines.[10]

Preservação[editar | editar código-fonte]

Em 1998, a automotora número 0101 foi apresentada, com o seu esquema de cores original, em tons verde e creme, na exposição de material ferroviário 50 Anos do Diesel, organizada pelo Museu Nacional Ferroviário, junto à Estação Ferroviária do Entroncamento.[2]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Aspeto do interior.

Esta Série era constituída por 15 automotoras[11] de bitola ibérica.[9] Apresentavam umas dimensões consideradas reduzidas, possuindo, apesar disso,uma zona dedicada às bagagens, e dois salões para passageiros, para primeira e segunda classes.[9] Uma das suas desvantagens era o reduzido isolamento sonoro, o que provocava muito ruído no seu interior.[9]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Cabina de condução da unidade número 0113.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 102
  2. a b c d e f ERUSTE, Manuel Galán. (1998). "Exposición ferroviaria: 50 Años de la Traccion Diesel en Portugal" (em Espanhol). Maquetren 6 (71): 18, 21. Madrid: Revistas Profesionales. ISSN 1132-2063.
  3. a b c d e (1 de Abril de 1948) "Os Caminhos de Ferro Portugueses e a sua modernização". Gazeta dos Caminhos de Ferro 60 (1447): 257-260. Página visitada em 25 de Janeiro de 2014.
  4. a b c (1 de Maio de 1957) "As cerimónias de inauguração da tracção eléctrica no troço Lisboa-Carregado e na linha de Sintra". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1665): 164-177. Página visitada em 25 de Janeiro de 2014.
  5. (1 de Dezembro de 1948) "Linhas Portuguesas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 60 (1463): 644. Página visitada em 26 de Janeiro de 2014.
  6. a b c d e f g DUARTE, Vasco. (2005). "O Ramal Ferroviário do Barlavento Algarvio". Foguete 4 (13): 47-54. Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. ISSN 124550.
  7. a b c Série: 0100 (0101-0115). Comboios de Portugal. Página visitada em 24 de Fevereiro de 2012.
  8. "Concurso Fotografico" (em Espanhol). Maquetren 3 (28): 58.
  9. a b c d e f (1995) "Beira Alta, Beira Baja y los Ramales de Cáceres y Badajoz" (em Espanhol). Maquetren 4 (32): 40, 41. Madrid: A. G. B., S. l..
  10. CONCEIÇÃO, Marcos A.. (2002). "Línea de Sines" (em Espanhol). Maquetren 11 (106): 64. Madrid: Revistas Profesionales.
  11. a b c d e f g h i CP withdrawn trainsets and motor cars (em Inglês). Railfaneurope (16 de Julho de 2010). Página visitada em 15 de Fevereiro de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]