Sérvio Sulpício Rufo

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Sérvio Sulpício Rufo (em latim Servius Sulpicius Rufus; 105 a.C.43 a.C.) foi um jurista romano do final da época republicana, amigo de Cícero e discípulo seu em Retórica, cônsul em 51 a.C. Pertencia à tribo rural dos Lemônia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Rufo pertencia à classe dos patrícios, embora seu pai pertencesse à classe equestre; estudou dialética e retórica com Cícero (ao que acompanhou na sua viagem a Rodes em 78 a.C.) e com Apolônio Molão de Rodes, e iniciou a sua carreira como orador no Fórum romano. Contudo, abandonaria a Retórica pelo Direito e a Política.[1] Em 63 a.C. foi candidato para cônsul, mas foi derrotado por Lúcio Licínio Murena, ao que posteriormente acusou de suborno. Em 52 a.C. triunfou nas eleições para cônsul no ano seguinte.

Durante a Segunda Guerra Civil da República de Roma, após muitas dúvidas, Rufo tomou partido por Júlio César, que o fez procônsul da Acaia em 46 a.C. Morreu em 43 a.C., enquanto estava numa missão do Senado dirigida a Marco Antônio, que se encontrava em Mutina (Módena). Teve um funeral público, e foi erguida uma estátua sua nos Rostra, os muros da tribuna de oradores do Fórum Romano.

Foi um jurista de grande renome na época republicana, ao qual Cícero dedicou numerosos louvores,[2] acreditando ser o que elevou a jurisprudência à categoria de ciência, sendo citado profusamente na época clássica por Gaio entre outros, embora na sua época a grande figura do direito fosse Quinto Múcio Cévola (filho de Públio) ao qual se opunha a escola jurídica de Sulpício Rufo. Sulpício criou a "Escola Serviniana", que superou a de Quinto Múcio. Esta Escola enfatizava na assistência de ouvintes e auditores (auditores Servii) às respostas dadas pelo jurista.

Entre os seus discípulos, destacaram-se Aufídio Manusa e Pacúvio Labeão, pai de Labeão Ofílio, da classe equestre e amigo de Júlio César, que comentou éditos numa obra mais extensa que a do seu mestre. De todos os seus discípulos destaca-se Alfeno Varo,[3] em cuja obra Digesta, a qual cataloga um grande número de respostas e decisões escolásticas (talvez em grande parte do próprio Rufo) das quais se conservam amplos fragmentos no Digesto e no Código de Justiniano.

Obra[editar | editar código-fonte]

Cerca de cento oitenta livros jurídicos são atribuídos a Rufo,[4] mas apenas se conhecem os títulos de quatro, como as Críticas a Quinto Múcio Cévola, Reprehensa Scaevoliae capita. Há também referências secundárias nas obras de Cícero e Quintiliano.

Dois exemplos do estilo de Rufo conservam-se nas cartas de Cícero.[5] O mais famoso deles é uma carta de pêsame escrita após a morte de Túlia, a filha de Cícero. É um pêsame que a posteridade admirou, cheio de reflexão sutil e melancólica sobre a transitoriedade de todas as coisas. Lord Byron citou esta carta na sua obra As peregrinações de Childe Harold.[6]

Quintiliano[7] relata três discursos (oratio) de Sulpício Rufo como ainda em uso habitual pelos estudantes de retórica, 150 anos depois da sua morte. Alguns deles foram o discurso contra Murena e o discurso pro ou contra Aufidium, dos quais nada fica na atualidade. Também se afirma que foi um escritor de poemas eróticos. As características principais do seu estilo literário eram a lucidez, um conhecimento íntimo dos princípios do direito civil e natural, e de um poder sem precedentes de expressão nos desenvolvimentos jurídicos.

Referências

  1. Marco Túlio Cícero: Brutus #41.
  2. Elizabeth Rawson: Cicero, a portrait (1975) p.14.
  3. Vicente Arangio-Ruiz: Historia del Derecho Romano
  4. Para uma pesquisa de títulos, veja-se Wilhelm Siegmund Teuffel-Schwabe: História da Literatura de Roma 174, 4).
  5. Marco Túlio Cícero: Epistulæ ad familiares, Liber iv 5 e 12.
  6. Henry Joseph Haskell: This was Cicero: modern politics in a Roman toga, Secker & Warburg Editores, Londres 1943, p.250-251.
  7. Marco Fábio Quintiliano: Institutos de Oratória x. 1, 1,6.
Precedido por:
Cneu Pompeu Magno e Quinto Cecílio Metelo Cipião
Cônsul da República Romana com Marco Cláudio Marcelo
51 a.C.
Sucedido por:
Lúcio Emílio Lépido Paulo e Caio Cláudio Marcelo