Síndrome de Asperger

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Síndrome de Asperger
Criança estudando estrutura molecular: portadores de Asperger em geral têm interesses específicos e intensos
Classificação e recursos externos
CID-10 F84.5
CID-9 299.80
MeSH D020817
Star of life caution.svg Aviso médico

Síndrome de Asperger (SA), também conhecida como Transtorno de Asperger ou simplesmente Asperger é uma condição psicológica do espectro autista caracterizada por dificuldades significativas na interação social e comunicação não-verbal, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Difere de outros transtornos do espectro autista pelo desenvolvimento da linguagem e cognição. Embora não seja requerido para o diagnóstico, ser fisicamente desajeitado e ter um atípico (peculiar ou esquisito) uso da linguagem são características frequentemente citadas pelos portadores da síndrome.[1] [2] O diagnóstico de Asperger foi eliminado na quinta edição (2013) do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-V) e substituído pelo diagnóstico de transtorno do espectro autista em grau severo.[3]

A síndrome foi nomeada em homenagem a Hans Asperger, pediatra austríaco que em 1944 estudou e descreveu crianças nas quais, em seus cotidianos apresentavam falta de habilidades na linguagem não verbal, demonstravam limitada empatia por seus pares e eram fisicamente desajeitadas.[4] A moderna concepção da síndrome de Asperger surgiu em 1981[5] e passou por um período de popularização,[6] [7] tornando-se um padrão diagnóstico no começo dos anos 1990.[8] Muitas questões e controvérsias permanecem acerca de seus aspectos. Questiona-se sua distinção com o autismo de alta funcionalidade;[9] em parte por causa disso, sua prevalência não é firmemente estabelecida.[1]

A causa exata da síndrome é desconhecida. Embora pesquisas sugiram uma possibilidade de bases genéticas,[1] não há causa genética conhecida[10] [11] e técnicas de mapeamento cerebral não identificaram resultados claros e consisos. Há vários tipos de tratamento e sua efetividade é limitada. Os recursos médicos procuram atenuar os sintomas e melhorar as habilidades.[1] A principal delas é a terapia comportamental em déficits específicos, tais como dificuldades de comunicação, rotinas obsessivas e/ou repetitivas e movimentos desajeitados.[12] Muitas crianças melhoram conforme caminham para a idade adulta, mas dificuldades sociais e de comunicação podem persistir.[8] Alguns pesquisadores e portadores da síndrome defendem uma mudança de postura em relação à síndrome no sentido de tratá-la como uma diferença, ao invés de uma inabilidade que deve ser tratada ou curada.[13] [14]

Classificação[editar | editar código-fonte]

A linha tênue que separa a Síndrome de Asperger e o Autismo de alta funcionalidade (AAF) é incerta.[9] [15] [16] O transtorno do espectro autista é, até certo ponto, um artefato de como o autismo foi descoberto[17] e pode não refletir a verdadeira natureza do espectro;[18] problemas metodológicos tem envolvido a síndrome enquanto um diagnóstico válido desde o começo.[19] [20] Na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-V), publicado em maio de 2013,[21] a síndrome de Asperger,[22] enquanto um diagnóstico separado, foi eliminada e encaixada dentro do espectro autista.[3] Assim como o diagnóstico da síndrome, a mudança é controversa[22] [23] e a SA não foi removida do Catálogo Internacional de Doenças (CID-10).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a Síndrome de Asperger como um dos transtornos do espectro autista ou desordens do transtorno global do desenvolvimento, as quais são um espectro de condições psicológicas que se caracterizam por anormalidades de interação social e comunicação que englobam o funcionamento do indivíduo e por restritos e repetitivos comportamentos e interesses. Como outras desordens do desenvolvimento psicológico, o Transtorno do Espectro Autista começa na infância ou ainda antes, tem um andamento estável sem remissões ou recaídas e apresenta melhoras que resultam da maturação de vários sistemas do cérebro.[24] Tal síndrome, por sua vez, é um subconjunto do fenótipo do autismo mais amplo, que descreve pessoas que podem não ter autismo, mas possuem traços assemelhados a ele, tais como déficits sociais.[25] Das quatro formas de Desordens Do Espectro Autista, o autismo é a mais parecida com a Síndrome de Asperger em sinais e prováveis causas, mas seu diagnóstico requer comunicação prejudicada e permite atrasos no desenvolvimento cognitivo; a Síndrome de Rett e o Transtorno desintegrativo da infância compartilham vários sinais com o autismo, mas podem ter causas não relacionadas; e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação é diagnosticado quando os critérios para desordens mais específicas são insatisfatórios.[26]

Características[editar | editar código-fonte]

Como parte do transtorno global do desenvolvimento, a Síndrome de Asperger é identificada através de uma série de sintomas ao invés de uma característica em especial. O transtorno é caracterizado pela deficiência significativa na interação social, repetição e restritividade de comportamentos, atividades e interesses, e pela não ocorrência de atrasos no desenvolvimento da linguagem.[27] O interesse excessivo por um assunto específico, fala monótona, e inaptidão à atividades físicas são características típicas da condição, porém não são estritamente necessárias para a conclusão de um diagnóstico.[9]

Interação social[editar | editar código-fonte]

A dificuldade em responder socialmente através da empatia possui um impacto significativo sobre a vida social de pessoas com a síndrome de Asperger.[2] Os indivíduos com SA demonstram inabilidade em características básicas da interação social, como a formação de amizades, ou até mesmo motivações para certas atividades, que inclui o compartilhamento de seus temas de interesse. Assim, também normalmente não há reciprocidade social e emocional (suas ações parecem mecânicas), além da deficiência em interpretar comportamentos não verbais, como o contato visual, expressão facial, e apresentando problemas com a postura e gestos em geral.[1]

Dessa forma, indivíduos com SA podem fazer acepção de pessoas involuntariamente, mas não no mesmo nível de outros casos de autismo; até certo ponto conseguem envolver-se coletivamente. Quando falam de seus assuntos de interesse, o discurso é normalmente unilateral e prolixo. Mas, para portadores, é praticamente impossível notar que o interlocutor está desinteressado, se deseja mudar de tema ou terminar a interação.[9] Este comportamento desajustadamente social é muitas vezes considerado como excêntrico, porém ativo.[1] Com isso, tal falha pode ser erroneamente interpretada como descaso e desinteresse do portador em reagir corretamente às situações sociais.[9] No entanto, nem todos os indivíduos Asperger conseguem conversar com todos. Muitos podem até mesmo ter mutismo seletivo, conseguindo conversar apenas com pessoas específicas. Ainda, podem escolher conversar apenas com pessoas que gostam.[28]

A cognição das crianças com a síndrome, muitas vezes lhes permitem articular as regras sociais como se fossem experimentos de laboratório,[1] no qual, teoricamente podem descrever as emoções das pessoas; no entanto, são majoritariamente incapazes de aplicar seus conceitos na vida cotidiana.[9] Assim, analisam e aplicam suas observações de interação social em comportamentais rígidos, de forma excêntrica, como um contato visual forçado e estático, resultando em uma aparência rígida ou ingênua. O desejo de se ter companhia na infância pode ser distorcido devido à falhas na interação social.[1]

A hipótese de que pessoas com SA têm predisposição para comportamentos violentos ou criminosos foi investigada, mas não possui nenhuma comprovação.[1] [29] Muitas ocorrências evidenciam que normalmente as crianças com Asperger são vítimas ao invés de algozes.[30] Um estudo, publicado em 2008 constatou que há um número enorme de criminosos violentos com transtornos psiquiátricos relacionados à síndrome, como o Transtorno esquizoafetivo.[31]

Comportamentos repetitivos e restritos[editar | editar código-fonte]

Indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente possuem comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas, por vezes focadas de forma intensa e anormal. Além disso, rotinas inflexíveis, movimentos estereotipados e repetitivos, ou preocupação exacerbada com certos objetos são algumas das características.[27]

A obsessão por áreas específicas do conhecimento é uma das características mais marcantes da SA.[1] Tais pessoas geralmente se informam e possuem leitura profunda de assuntos nos quais se interessam, tais como dados meteorológicos ou nomes de personalidades notórias, sem necessariamente ter uma verdadeira compreensão do tópico geral.[1] [9] Por exemplo, uma criança pode memorizar modelos de câmeras enquanto pouco se importa com fotografia.[1] Este comportamento é comum aos 5 e 6 anos.[1] Embora seus focos mudam de vez em quando, normalmente parecem bizarros e pelo foco exagerado, dominam tanto o assunto que causam a curiosidade da família. Há vezes em que os interesses restritos de crianças com Asperger passam desapercebidos pelos pais.[9]

A coordenação motora desajeitada, com movimentos estereotipados são uma parte essencial do diagnóstico de SA e outros transtornos do espectro autista.[32] Incluem os movimentos das mãos, como bater ou estralar, e movimentos complexos que envolvem outras partes do corpo.[27] São tipicamente repetidos com rajadas, enquanto o olhar é mais espontâneo do que os tiques, que são geralmente mais rápidos, com menos ritmo e simetria.[33]

De acordo com o teste de diagnóstico fornecido pela Adult Asperger Assessment (AAA), o desinteresse em ficção e a preferência à não ficção é comum entre os adultos com SA.[34]

Fala e linguagem[editar | editar código-fonte]

Embora os indivíduos com Asperger não apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala, seu discurso carece de adaptações significativas, pois sua aquisição e uso da linguagem é geralmente atípica.[9] As anormalidades incluem verbosidade, transições bruscas, interpretações literais e má compreensão da nuance, uso de metáforas nas quais apenas o emissor compreende, os déficits de percepção auditiva, pedantismo extremo, discurso idiossincrático e/ou formal, e excentricidade na sonoridade, afinação, entonação, prosódia, e ritmo.[1] A ecolalia é uma característica encontrada em alguns portadores de SA.[35] [36]

Três aspectos nos padrões de comunicação são de interesse clínico: prosódia pobre, discurso circunstancial e tangencial, e notável verbosidade. Apesar da inflexão e entonação ser menos rígida ou monótona do que no autismo clássico, as pessoas com SA têm, em alguns casos uma gama limitada de entonação: a fala pode ser extremamente rápida, irregular ou alta. Sua fala pode transmitir incoerência; e seu método de discurso muitas vezes é uma espécie de monólogo sobre temas que não há espaço para comentários do interlocutor, e em alguns momentos pensamentos pessoais não são suprimidos. Portanto, tais indivíduos podem não conseguir perceber se o ouvinte está interessado ou envolvido na conversa. A conclusão do discurso pode nunca acontecer, e a compreensão do receptor acerca do assunto é rara.[9]

As crianças com SA podem ter um vocabulário extraordinariamente complexo numa idade jovem e informalmente serem chamados de "pequenos professores", mas possuem dificuldade em compreender o sentido figurado e interpretar tudo de forma literal.[1] Assim, mostram ter fraquezas particulares em áreas da linguagem não literal como o humor, ironia, provocação e sarcasmo. Embora geralmente compreendem a base cognitiva do humor, não parecem entender sua origem para rirem com os outros.[15] Apesar da apreciação de humor aparentemente prejudicada, habilidades na área em alguns portadores são exceções que desafiam os estudos acerca do autismo.[37]

Coordenação motora e percepção sensorial[editar | editar código-fonte]

Indivíduos com síndrome de Asperger podem ter sintomas ou sinais que são independentes do diagnóstico que possuem, mas tais características podem afetar o indivíduo ou até mesmo a família.[38] Estes incluem diferenças na forma de percepção e problemas com a coordenação motora, sono, e emoções.

Muitos aspies possuem uma ótima audição e percepção visual.[39] As crianças portadoras geralmente percebem diferentes padrões sendo modificados o tempo todo. Normalmente, isso é de domínio específico e envolve a processamento neurológico minucioso.[40] Por outro lado, em comparação com os autistas de alto funcionamento, os indivíduos com SA possuem déficits em algumas tarefas que envolvem a percepção visual-espacial, percepção auditiva relacionada à grande concentração de pessoas, ou memória eidética.[1] Muitos deles relatam outras habilidades sensoriais, experiências e percepções incomuns. Por outro lado, podem ser mais sensíveis ou insensíveis ao som, luz e outros estímulos,[41] também encontrados em outros transtornos globais do desenvolvimento, sem exclusividade para a Asperger.

Os primeiros relatos de Hans Asperger[1] e outros tipos de diagnóstico[42] incluem descrições de imperícia física. Crianças com SA podem ser atrasadas na aquisição de habilidades que exigem destreza motora, como andar de bicicleta ou a abertura de um frasco, e parecem se mover sem jeito ou sentirem-se "desconfortáveis em sua própria pele". Assim, podem ser mal coordenados, uma postura errada ou incomum, má caligrafia, ou problemas com a integração visual-motora.[1] [9] Também, possivelmente apresentam problemas com a propriocepção, além de apresentarem dispraxia, como equilíbrio, marcha tandem, e a justaposição do dedo polegar. Não há evidências de que estes problemas de motricidade diferem os portadores de Asperger com autistas de alto funcionamento.[1]

As crianças são mais propensas a terem problemas de sono, como dificuldade para dormir, frequente insônia no meio da noite, e acordar cedo.[43] [44] A síndrome também está associada a altos níveis de alexitimia, que é a dificuldade em identificar e descrever as próprias emoções.[45] Apesar de na SA a qualidade do sono ser menor, e também existir alexitimia, não há relação direta entre os dois sintomas.[44]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

A Síndrome de Asperger era definida na seção 299.80 do DSM-IV por seis critérios principais, que definiam a síndrome como uma condição com as seguintes características:

  • Prejuízo severo e persistente na interação social;
  • Desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades;
  • Alto poder de memorização e velocidade de raciocínio relacionados às atividades repetitivas;
  • Prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento;
  • Nenhum atraso significativo no desenvolvimento da linguagem;
  • Não há atrasos clinicamente significativos no desenvolvimento cognitivo ou no desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade, comportamento adaptativo (em outra área que não na interação social) e curiosidade acerca do ambiente na infância.
  • A não-satisfação dos critérios para qualquer outro transtorno invasivo do desenvolvimento específico ou esquizofrenia.

A Síndrome de Asperger é um transtorno do espectro do autismo (ASD em inglês), uma das cinco condições neurológicas caracterizadas por diferenças na aptidão para a comunicação, bem como padrões repetitivos ou restritivos de pensamento e comportamento. Os quatro outros transtornos ou condições são autismo, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância e PDD não especificado (PDD-NOS - transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação).

O diagnóstico da SA é complexo, em virtude de que mesmo através do uso de vários instrumentos de avaliação não existe um exame clínico que a detecte. Os critérios de diagnóstico do Diagnostic and Statistical Manual norte-americano são criticados por serem vagos e subjetivos.[46] [42] Outros conjuntos de critérios de diagnóstico para a SA são o CID 10 da OMS, o de Szatmari,[47] o de Gillberg,[48] e Critério de Descoberta de Attwood & Gray.[49] A definição CID-10 tem critérios semelhantes aos da versão DSM-IV[49] A Sindróme de Asperger foi em tempos chamada Psicopatia Autista e Transtorno Esquizóide da Infância,[50] apesar de tais termos serem atualmente entendidos como arcaicos e imprecisos, e portanto não mais aceitos no uso médico.

Um diagnóstico válido?[editar | editar código-fonte]

Há grande controvérsia se a SA é um transtorno distinto e separada ou se é equivalente ao autismo de alta funcionalidade, ou mesmo a outras condições (como o transtorno de personalidade esquizoide[51] ).

O diagnóstico da SA em indivíduos adultos é uma tarefa difícil e imprecisa, uma vez que indivíduos adultos com SA ou AAF já aprenderam de forma racional a mascarar os seus erros sociais. Quando distraídos, demonstram os sintomas da SA, mas se concentrados em uma interação social específica, como o relacionamento com o psiquiatra ou psicólogo, no momento do teste, podem se comportar de forma normal.

Além disso, há pouco acordo entre os vários critérios de diagnóstico da síndrome. Um estudo realizado em 2008 comparando quatro conjuntos de critérios (DSM, CID, Gillberg e Szatmari) concluiu que o diagnóstico apenas coincidia em 39% dos casos.[52] Na fase adulta, o profissional deve contar com a colaboração dos familiares e/ou pessoas próximas ao portador da síndrome.

Os diagnósticos de SA e AAF são usados indistintamente, complicando as estimativas de prevalência: a mesma criança pode receber diferentes diagnósticos, dependendo do método aplicado pelo médico, e vários estudos indicam que quase todas as crianças diagnosticadas com "Síndrome de Asperger" têm na realidade autismo, e não SA tal como é definida pelo DSM-IV.[53] .

Por outro lado, também tem sido argumentado que o diagnóstico de Síndrome de Asperger tornou mais confusa a fronteira entre o autismo e a simples excentricidade, e que, sobretudo quando o diagnóstico é feito por profissionais pouco preparados, haverá vários casos de falsos positivos[54] .

Em maio de 2013, a American Psychiatric Association publicou o DSM-5, onde a Síndrome de Asperger desaparece como diagnóstico distinto, passando a estar incluída no autismo.[55]

Características[editar | editar código-fonte]

A SA é caracterizada por algumas peculiaridades como :

  • Interesses específicos e restritos ou preocupações com um tema em detrimento de outras atividades;
  • Rituais ou comportamentos repetitivos;
  • Peculiaridades na fala e na linguagem, sabendo desenvolver linguagem compreensível de nível avançado em assuntos de seus interesses;
  • Padrões de pensamento lógico/técnico extensivo, conversa com propriedades e coerência, nunca fugindo da linha de raciocínio;
  • Comportamento social e emocionalmente impróprio e problemas de interação interpessoal, mas isso até perceberem sua cegueira emocional, pois quando a percebem se camuflam e começam a mudar seu modo de se expressar socialmente;
  • Problemas com comunicação (não há comprometimento da linguagem, estritamente falando);
  • Transtornos motores, movimentos desajeitados e descoordenados;
  • Frequentemente, por um Q.I. verbal significativamente mais elevado que o não-verbal[56]
  • Às vezes pessoas com SA podem ser consideradas rudes e frias nos seus comportamentos, mas na verdade é só seu modo de tentar reagir ou entender ações;
  • Nem sempre pessoas com SA são compreendidas; portanto, devem ser tratadas com mais calma em alguns aspectos.

As características mais comuns e importantes da SA podem ser divididas em várias categorias amplas: as dificuldades sociais,permanentes, os interesses específicos e intensos, e peculiaridades na fala e na linguagem, uma proposta surgiu nos anos 1960 visando unificar as dificuldades sociais e peculiaridades na fala sob um único denominador chamado Cegueira Mental[57] , decorrente dos estudos sobre Teoria da Mente. Outras características são comumente associadas com essa síndrome, mas nem sempre tomadas como necessárias ao diagnóstico. Esta seção reflete principalmente as visões de Attwood, Gillberg e Wing sobre as características mais importantes da SA; os critérios DSM-IV representam uma visão ligeiramente distinta. Diferentemente da maioria dos tipos de TDI, a SA é geralmente camuflada, e muitas pessoas com o transtorno convivem razoavelmente com os que não têm, tornando-se difícil para um leigo detectar. Os efeitos da SA dependem de como o indivíduo afetado responde à própria síndrome.[49]

Diferenças sociais[editar | editar código-fonte]

Apesar de não haver uma única distinção comum a todos os portadores de SA, as dificuldades com o convívio social são praticamente universais e, portanto, também são um dos critérios definidores mais relevantes. As pessoas com SA não têm a habilidade natural de enxergar os subtextos da interação social e podem não ter capacidade de expressar seu próprio estado emocional, resultando em observações e comentários que podem soar ofensivos apesar de bem-intencionados, ou na impossibilidade de identificar o que é socialmente "aceitável". As regras informais do convívio social que angustiam os portadores de SA são descritas como "o currículo oculto".[58] Os Aspergers precisam aprender estas aptidões sociais intelectualmente de maneira clara, seca, lógica como matemática, em vez de intuitivamente por meio da interação emocional normal.[59]

Os não-autistas são capazes de captar informação sobre os estados cognitivos e emocionais de outras pessoas baseadas em "pistas" deixadas no ambiente social e em traços como a expressão facial, linguagem corporal, humor e ironia. Os portadores de SA apresentam diferentes graus de déficit nessa capacidade, o que é chamado de "cegueira emocional" às vezes.[60] [61] Este fenômeno também é considerado uma carência de teoria da mente.[62] Sem isso, os indivíduos com SA têm dificuldade em reconhecer e entender os pensamentos e sentimentos dos demais. Carentes dessa informação intuitiva, acham difícil interpretar e compreender os desejos ou intenções dos outros e, portanto, prever o que se pode esperar dos demais ou o que estes podem esperar deles. Isso geralmente leva a comportamentos impróprios e pouco sociais. No texto Asperger's Syndrome, Intervening in Schools, Clinics, and Communities, Tony Attwood categoriza as várias maneiras que a carência de "teoria da mente" ou abstração podem afetar negativamente as interações sociais dos Aspergers:[63]

  1. Dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal - pessoas com SA geralmente não olham nos olhos e, quando olham, não conseguem "ler" as intenções do outro.
  2. Interpretar as palavras sempre em sentido denotativo - indivíduos com SA têm dificuldade em identificar o uso de coloquialismos, ironia, gírias, sarcasmo, metáforas e piadas.
  3. Ser considerado grosso, rude e ofensivo - propensos a comportamento egocêntrico, Aspergers não captam indiretas e sinais de alertas de que seu comportamento é inadequado à situação social.
  4. Aperceber-se de erros sociais - à medida que os Aspergers amadurecem e se tornam cientes de sua "cegueira emocional", começam a temer por novos erros no comportamento social; com isso, muitos se limitam em ter relacionamentos amorosos, alguns passam a vida inteira sozinhos, por acharem difícil iniciarem um relacionamento.
  5. Desinteresse - desinteresse em ter de fazer coisas novas, ou passar por outras experiências.
  6. Exaustão - quando um indivíduo com Síndrome de Asperger começa a entender o processo de abstração, precisa treinar um esforço deliberado e continuado para processar informações de outra maneira. Isto muito frequentemente leva a exaustão mental.
  7. Dificuldades em relacionamentos - sente dificuldade em fazer amigos, conseguir parceiros para uma relação, podendo passar anos sem se relacionar com ninguém ou até mesmo nunca apenas por sentir uma enorme dificuldade em iniciar uma relação.
  8. Comportamento variável - muitas vezes, um Asperger pode se comportar ora como uma pessoa adulta, ora como uma criança, variando aleatoriamente.
  9. Paranoia - por causa da "cegueira emocional", pessoas com SA têm problemas para distinguir a diferença entre atitudes deliberadas ou casuais dos outros, o que, por sua vez, pode ser erroneamente interpretado pelos de fora como "paranoia".
  10. Lidar com conflitos - ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar à inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos. Uma vez que o conflito se resolva, o remorso pode não ser evidente.
  11. Consciência de magoar os outros - uma falta de empatia em geral leva a comportamentos ofensivos ou insensíveis não-intencionais.
  12. Reconhecer sinais de enfado - a incapacidade de entender os interesses alheios pode levar Aspergers a serem incompreensivos ou desatentos. Na mão inversa, pessoas com Síndrome de Asperger geralmente não percebem quando o interlocutor está entediado ou desinteressado.
  13. Introspecção e autoconsciência - indivíduos com Síndrome de Asperger têm dificuldade de entender seus próprios sentimentos ou o seu impacto nos sentimentos alheios.
  14. Vestimenta e higiene pessoal - pessoas com Síndrome de Asperger tendem a ser menos afetadas pela pressão dos semelhantes do que outras. Como resultado, geralmente fazem tudo da maneira que acham mais confortável, sem se importar com a opinião alheia. Isto é válido principalmente em relação à forma de se vestir e aos cuidados com a própria aparência.
  15. Amor e rancor recíproco - como Aspergers reagem mais pragmaticamente do que emocionalmente, suas expressões de afeto e rancor podem ser curtas e fracas.
  16. Compreensão de embaraço e passo em falso - apesar do fato de pessoas com Síndrome de Asperger terem compreensão intelectual de constrangimento e gafes, são incapazes de aplicar estes conceitos no nível emocional.
  17. Lidar com críticas - pessoas com Síndrome de Asperger sentem-se forçosamente compelidas a corrigir erros, ou aquilo que pensam estar errado, mesmo que não conheçam bem o assunto que corrigem. Por isso, podem parecer ofensivos, quando os erros ou supostos erros são cometidos por pessoas em posição de autoridade, como um professor ou um chefe.
  18. Velocidade e qualidade do processamento das relações sociais - como respondem às interações sociais com a razão ao invés da intuição, aspies tendem a processar informações de relacionamentos muito mais lentamente do que o normal, levando a pausas ou demoras desproporcionais e incômodas.

Uma pessoa com Síndrome de Asperger pode ter problemas em compreender as emoções alheias: as mensagens passadas pela expressão facial, olhares e gestual têm um impacto baixo, mas não nulo (como no caso oposto, dos psicopatas). Eles também podem ter dificuldades em demonstrar empatia. Assim, os aspies podem parecer egoístas, egocêntricos ou insensíveis, quando na realidade não o são. Na maioria dos casos, estas percepções são injustas porque os portadores da Síndrome são neurologicamente incapazes de entender os estados emocionais das pessoas à sua volta. Eles geralmente ficam chocados, irritados e magoados quando lhes dizem que suas ações são ofensivas ou impróprias. É evidente que pessoas com SA têm emoções. Mas a natureza concreta dos laços emocionais que venham a ter (ou seja, com objetos em vez de pessoas) pode parecer curiosa ou até ser uma causa de preocupação para quem não compartilha da mesma perspectiva.[64]

O problema pode ser exacerbado pelas respostas daqueles "neurotípicos" que interagem com portadores de SA. O aparente desapego emocional de um Asperger pode confundir e aborrecer uma pessoa neurotípica, que, por sua vez, pode reagir ilógica e emocionalmente — reações que aspies especialmente não toleram. Isto pode gerar um círculo vicioso e, às vezes, desequilibra particularmente famílias de pessoas portadoras da Síndrome.

O fato de não conseguir demonstrar afeto — pelo menos de modo convencional — não significa necessariamente que pessoas com SA não sintam afeto. A compreensão disto pode ajudar parceiros ou convíveres a se sentir menos rejeitados e mais compreensivos. Vários parceiros de pessoas com Síndrome de Asperger afirmam que eles são igualmente amorosos como as outras pessoas e conseguem manter uma boa relação com a única diferença que necessitam de dar algum tempo livre de vez em quando para o portador do síndrome reflectir sozinho. O aumento da compreensão também pode resultar de leitura e pesquisa sobre a Síndrome e outros transtornos comórbidos.[65] Às vezes, ocorre o problema oposto: a pessoa com SA é anormalmente afeiçoada a alguém e não consegue captar ou interpretar sinais daquela pessoa, causando aborrecimento.[66]

Outro aspecto importante das diferenças sociais encontradas em aspies é uma fraqueza na coerência central do indivíduo.[67] Pessoas com essa característica podem ser tão focadas em detalhes que não conseguem compreender o conjunto. Uma pessoa com coerência central fraca pode lembrar de uma história minuciosamente, mas ser incapaz de fazer um juízo de valor sobre a narrativa. Ou pode entender um conjunto de regras detalhadamente, mas ter dúvidas de como aplicá-las. Frith e Happe exploram a possibilidade de que a atenção a detalhes seja uma abordagem em vez de deficiência. Certamente, parece haver várias vantagens em orientar-se por detalhes, particularmente em atividades e profissões que requeiram alto nível de meticulosidade. Também pode-se entender que isto cause problemas se a maior parte dos não-autistas for capaz de transitar fluidamente entre a abordagem detalhista e a generalista.

Diferenças de fala e linguagem[editar | editar código-fonte]

Pessoas com SA tipicamente tem um modo de falar altamente "pedante", usando um registro formal muitas vezes impróprio para o contexto. Uma criança de cinco anos de idade com essa condição pode falar regularmente como se desse uma palestra universitária, especialmente quando discorrer sobre seu(s) assunto(s) de interesse.[68]

A interpretação literal é outro traço comum, embora não universal, da Síndrome de Asperger. Attwood dá o exemplo de uma menina com SA que um dia atendeu ao telefone e perguntaram "O Paul está aí?". Embora o Paul em questão estivesse em casa, não estava no mesmo cômodo que ela. Assim, após olhar em volta para se certificar disso, a menina simplesmente respondeu "Não" e desligou. A pessoa do outro lado da linha teve de ligar novamente e explicar a ela que queria que a menina encontrasse o Paul e passasse o telefone a ele.[69]

Indivíduos com SA podem usar palavras idiossincráticas, incluindo neologismos e justaposições incomuns. Isto pode tornar-se um raro dom para humor (especialmente trocadilhos, jogos de palavras e sátiras). Uma fonte potencial de humor é a percepção eventual de que suas interpretações literais podem ser usadas para divertir os outros. Alguns são tão apurados no domínio da língua escrita que podem ser considerados hiperléxicos. Tony Attwood cita a habilidade de uma criança em particular de inventar expressões, por exemplo, “tirar o pingo dos is” (o oposto de botar o pingo nos is) ou dizer que seu irmão bebê está “escangalhado” por não poder andar nem falar.[70]

Outros comportamentos típicos são ecolalia (repetição ou eco da fala do interlocutor) e palilalia (repetição de suas próprias palavras).[71]

Um estudo de 2003 investigou a linguagem escrita de crianças e adolescentes com SA. As amostras foram comparadas aos seus pares neurotípicos num teste padronizado de escrita e legibilidade da caligrafia. Nas técnicas de escrita, não foram encontradas diferenças significativas entre os padrões de ambos os grupos; entretanto, na caligrafia, os participantes com SA produziram letras e palavras consideravelmente menos legíveis do que as do grupo neurotípico. Outra análise de exemplos de texto escrito constatou que pessoas com Asperger produzem quantidade de texto similar às dos neurotípicos, mas têm dificuldade em produzir escrita de qualidade.[72]

Tony Attwood afirma que um professor pode gastar tempo considerável interpretando e corrigindo o garrancho indecifrável de uma criança com Asperger. A criança também é ciente da qualidade inferior de sua caligrafia e pode relutar em participar de atividades que envolvam trabalho manuscrito extensivo. Infelizmente para alguns adultos e crianças, os professores colegiais e os potenciais empregadores podem considerar a precisão da caligrafia como medida da inteligência e personalidade. A criança pode requerer assistência de terapia ocupacional e exercícios corretivos, mas a tecnologia moderna pode ajudar minimizar este problema. O pai ou monitor pode também atuar como redator ou revisor da criança para assegurar a legibilidade das respostas nos deveres de casa.[73]

Interesses específicos e intensos[editar | editar código-fonte]

A Síndrome de Asperger na criança pode se desenvolver como um nível de foco intenso e obsessivo em assuntos de interesse, muitos dos quais são os mesmos de crianças normais. A diferença de crianças com SA é a intensidade incomum desse interesse[74] . Alguns pesquisadores sugeriram que essas "obsessões" são essencialmente arbitrárias e carecem de qualquer significado ou contexto real. No entanto, uma pesquisa de 1999 sugere que geralmente não é esse o caso[75] .

Algumas vezes, os interesses são vitalícios; em outros casos, vão mudando a intervalos imprevisíveis. Em qualquer caso, são normalmente um ou dois interesses de cada vez. Ao perseguir estes interesses, portadores de SA frequentemente manifestam argumentação extremamente sofisticada, um foco quase obsessivo e uma memória impressionantemente boa para dados factuais (ocasionalmente, até memória eidética).[76] Hans Asperger chamava seus jovens pacientes de "pequenos professores" por que ele achava que seus pacientes tinham como compreensão um entendimento de seus campos de interesse assim como os professores universitários.[4]

Pessoas com Síndrome de Asperger podem ter pouca paciência com coisas fora destes campos de interesse específico. Na escola, podem ser considerados inaptos ou superdotados altamente inteligentes, claramente capazes de superar seus colegas em seu campo do interesse e, ainda assim, constantemente desmotivados para fazer deveres de casa comuns (às vezes até mesmo em suas próprias áreas de interesse). Outros podem ser hipermotivados para superar os colegas de escola. A combinação de problemas sociais e de interesses específicos intensos pode conduzir ao comportamento incomum, tal como abordar um desconhecido e iniciar um longo monológo sobre um assunto de interesse especial em vez de se apresentar antes, da maneira socialmente aceita. Entretanto, em muitos casos, os adultos podem superar estas impaciências e falta de motivação e desenvolver mais tolerância às novas atividades e a conhecer pessoas.[77]

Funcionamento executivo[editar | editar código-fonte]

Alguns podem argumentar que, como o autismo é um transtorno complexo, pode não ser normal procurar uma deficiencia primária. Talvez o autismo seja, de fato, um distúrbio influenciado por inúmeras deficiencias primárias[78] . Um recente entendimento em torno do transtorno do espectro do autismo é que os difíceis desafios sociais e não sociais com os quais uma pessoa que sofre de autismo tem de lidar, podem ser causados devido a um problema no funcionamento executivo da pessoa[79] . É comum pessoas com síndrome de Asperger terem problemas com as suas habilidades de funcionamento executivo. Funcionamento Executivo é definido como a capacidade de uma pessoa de: (1) gerir o seu foco de atenção (2) estar atento e consciente a diferentes estímulos e (3) bem como priorizar estes estímulos de acordo com sua relevância e importância em um momento específico[80] .Funcionamento Executivo também pode ser definido como a capacidade de uma pessoa de manter razoáveis habilidades de resolução de problemas para ajudar a si mesmo alcançar determinados objetivos no futuro, incluindo comportamentos como o planejamento, a flexibilidade de pensamentos e ações, e busca organizada[78] .

Ao se comunicar com crianças com Síndrome de Asperger e funcionamento executivo danificado, é aconselhável usar uma linguagem clara e concreta. Nem sempre uma criança com Síndrome de Asperger pode compreender as coisas que parecem óbvias para a maioria das pessoas. Por isso, é altamente recomendado os usos de explicações positivas e orientação ao interagir com eles[80] .

Algumas evidências existem provando que a imagem visual, o ato de imaginar a sequência de uma tarefa com a intenção de melhorar o desempenho em completar esta tarefa, pode ser útil no tratamento de indivíduos com funcionamento executivo prejudicado devido à síndrome de Asperger[81] .

História[editar | editar código-fonte]

Batizada em homenagem ao pediatra austríaco Hans Asperger (1906-1980), a Síndrome de Asperger é um diagnóstico relativamente novo no campo autista.[82] Quando criança, Hans possivelmente tinha algumas das características da condição que leva seu nome, como o distanciamento e formalidade linguística.[83] [84] Em 1944, Asperger descreveu quatro crianças no dia a dia[2] que tinham dificuldades em interagir socialmente: não eram habilidosas na comunicação não-verbal, não demonstravam empatia com os seus pares, além de serem fisicamente desajeitadas. Hans denominou a condição de "psicopatia autista" e destacou o isolamento social como sua principal característica.[12] Cinquenta anos depois, várias padronizações da SA como diagnóstico foram propostas, muitas das quais contendo divergências significativas em relação ao trabalho original do pediatra.[85]

Ao contrário das características tidas como parte da SA hoje, a condição podia ser englobada à pessoas de todos os níveis de inteligência, incluindo os que possuem deficiência intelectual.[86] Mesmo num contexto de eugenia nazista, com a política de esterilização e matança de deficientes e indivíduos que fugiam da hegemonia social, Asperger apaixonadamente defendeu a importância dos autistas na sociedade, afirmando que tais indivíduos possuem seu espaço na comunidade, cumprindo seus papéis com competência, de forma independente, em contraste aos problemas apresentados na infância que, ao longo da vida foram superados. Asperger também costumava chamar seus pacientes de "pequenos professores",[4] e acreditava que algum deles, mais tarde seria capaz de ter conquistas através de ideias originais.[2] Sua obra foi publicada durante a guerra e em alemão, por isso não teve cobertura ampla.

Em 1981, Lorna Wing popularizou o termo Síndrome de Asperger na comunidade médica britânica, através de[87] uma série de estudos de caso com crianças que apresentavam sintomas semelhantes,[82] com Uta Frith traduzido os estudos de Hans Asperger para o inglês em 1991.[4] O conjunto de critérios para o diagnóstico foi formulado por Gillberg e Gillberg em 1989 e também por Szatmari et al., no mesmo ano.[88] A SA tornou-se um padrão diagnóstico em 1992, quando foi incluída na décima edição da Organização Mundial da Saúde e da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), e em 1994, foi adicionada à quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-IV), da Associação Americana de Psiquiatria.[12]

Atualmente, existem muitos livros, artigos e sites a respeito da SA, com o aparecimento de novos casos formando um subgrupo importante da condição dentro do espectro autista.[82] Se a Asperger deve ser vista como distinta do autismo de alto funcionamento, é uma questão fundamental que requer um estudo mais aprofundado,[2] e ainda há dúvidas sobre a validade empírica do DSM-IV e do CID-10.[9] Em 2013, o DSM-V removeu a síndrome como um diagnóstico separado, considerando-a como um tipo de autismo de grau mais leve.[3]

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Indivíduos portadores da Síndrome de Asperger geralmente se intitulam como aspies (um termo usado pela primeira vez numa publicação por Liane Holliday Willey, em 1999).[89] O termo neurotípico (muitas vezes abreviado para NT) descreve uma pessoa cujo desenvolvimento e o estado neurológico é típico, além de denominar pessoas nas quais não são autistas. A internet permitiu que os indivíduos autistas se comuniquem e comemorem a diversidade entre si de uma forma na qual não era possível anteriormente devido à sua raridade e dispersão geográfica. Com isso, hoje existe uma subcultura dos aspies. Sites e redes sociais, como o Wrong Planet fizeram com que pessoas com SA se conectassem.[13]

Pessoas autistas têm defendido uma mudança na percepção dos transtornos do espectro autista como síndromes complexas ao invés de simplesmente doenças que devem ser curadas. Os defensores desta visão rejeitam a noção de que há uma configuração do cérebro "ideal" e que qualquer desvio desta norma seja patológica. Assim, promovem a tolerância e a ideia de neurodiversidade,[90] que, de certa forma torna-se um pilar para os direitos dos portadores da síndrome e movimentos do orgulho autista.[91] Em contrapartida, enquanto muitos indivíduos aspies possuem orgulho de sua identidade e não desejam ser curados, muitos pais de portadores da SA procuram assistência médica para seus filhos, na busca de uma cura.[92]

Alguns pesquisadores têm argumentado que a Asperger deveria ser vista como uma forma cognitiva distinta, não um distúrbio ou deficiência,[13] e deveria ser removida do Diagnóstico e Estatístico de Transtornos, assim como a homossexualidade.[93] Em um estudo de 2002, Simon Baron-Cohen escreveu que portadores da Síndrome de Asperger não são beneficiados socialmente por serem tão atentos aos detalhes, mas que no campo profissional, principalmente na área de ciências exatas, um olhar detalhista favorece os autistas ao sucesso, em vez do fracasso. Cohen acredita que existem dois motivos pelos quais ainda valha a pena considerar Asperger como uma deficiência: para garantir o apoio emocional garantido por lei e de assegurar o reconhecimento das dificuldades de empatia que apresentam.[14] Além disso, argumenta que possivelmente há genes associado às habilidades da síndrome em atuação na evolução humana, deixando contribuições notáveis na história da humanidade.[94]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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