Gangrena de Fournier

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Síndrome de Fournier

A gangrena de Fournier, também conhecida como fasceíte necrosante, síndrome de Mellené ou síndrome de Fournier, é caracterizada por uma infecção aguda dos tecidos moles do períneo, com celulite necrotizante secundária a germes anaeróbicos ou bacilos gram-negativos, ou ambos. A infecção pode desenvolver-se sob pele aparentemente normal, dissecando o tecido com necrose. Seu nome é uma homenagem ao médico francês Jean Alfred Fournier.[1]

Ocorrências[editar | editar código-fonte]

A fasceíte necrotizante é frequentemente diagnosticada em pacientes debilitados, e a porta de entrada pode ser identificada quase sempre. O anorreto possui espaços potenciais com planos fasciais resultando em alastramento rápido da infecção.

A infecção pode ser decorrente de:

  • extensão de abscesso perirretal
  • escaras de decúbito infectadas
  • instrumentação urológica ou retal

A maior parte dos casos tem como foco patologias ou procedimentos anorretais e urológicos. Vasectomia, diverticulite, exame anorretal e biópsia de mucosa retal são associados a essa condição. Atraso no diagnóstico é evitado por exames freqüentes no períneo de pacientes admitidos com dor perineal e sepse concomitante.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento consiste no uso de antibióticos de largo espectro, cobrindo anaeróbios e gram-negativos. Cirurgia pode ser necessária.

O tratamento da causa é influi na evolução da história natural da doença.

Também incluem-se na terapia (focando melhor cicatrização) a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) e os triglicerídeos de cadeia média (TCM)como óleo de girassol.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

A despeito do tratamento, a fasceíte necrotizante permanece com altos índices de mortalidade: 25 a 52%.

O melhor resultado é obtido em pacientes jovens (idade abaixo de 60 anos), com gangrena localizada no períneo, sem complicações sépticas, com hemoculturas negativas.

A realização de colostomia para derivação fecal pode ser uma opção para melhorar a evolução do quadro.

O tempo de intervalo entre o início da infecção e o tratamento é crucial para o prognóstico. Pacientes com duração dos sintomas até quatro dias têm melhor prognóstico, enquanto que o tempo de sintomatologia acima de 7 dias está associado a alto índice de mortalidade.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Laucks II, SS. Grangrena de Fournier. Cirúrgicas da América do Norte 1994; 6: 1405-1418.
  • Declair, V. Efeitos do triglicéris de cadeia média na aceleração do processo de cicatrização de feridas. Nutrição Enteral e Esportiva, pag 4 a 8.
  • Luz, M. M. P. ; CARNEIRO, L. L. R. ; et all . Doenças Anorretais Incomuns. In: Geraldo Magela Gomes da Cruz. (Org.). Coloproctologia Terapêutica. 1 ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2000, v. 3, p. 2276-2285.