Sínodo Universal de Ingelheim

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O Sínodo Universal de Ingelheim começou em 07 de junho de 948 na igreja de São Remígio em Ingelheim. Ele foi convocado pelo papa Agapito II e tinha como objetivo principal resolver uma antiga questão relativa à sede arquiepiscopal de Reims. O sínodo foi presidida pelo então bibliotecário da Igreja Romana, o cardeal Marino de Bomarzo. Na fase de preparação para a convocação havia dois sínodos anteriores; um em Verdun, em novembro de 947 e outro em Mouzon (Mouzon (Ardenas), no início de 948, ambos considerando o mesmo problema, mas incapazes de resolvê-lo. Uma questão que havia se descortinado desde a morte do bispo Sculfo ou Seulfo, (922-925), para substítui-lo foi eleito Artaldo,[1] conde de Reims, todavia Hugo, conde de Vermandois (925-949), se apossara da sede, afastando Artaldo.

A igreja de São Remígio, local do Sínodo

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Artaldo fora imposto como bispo de Reims (931-940) por Raul I, pelo rei dos Francos ocidentais, em 931.[2] Esta imposição se deu como parte de uma luta travada entre Raul I, duque da Borgonha e Herberto II, conde de Vermandois. Em 936 Artaldo ungiu o rei Luís IV em Laon[3] . Em 940 ele foi autorizado a cunhar moedas. No mesmo ano, no entanto, Herbert de Vermandois em aliança com Hugh, o Grande empurrado Artald de Reims pela força [4] . Um local sínodo então deposto Artaldo, e Hugo (filho de Herbert) tornou-se bispo, mais uma vez. Ele foi restaurado em 946, com a ajuda de Luís IV da França, e o apoio de Otto, rei dos Francos orientais.[5]

Tópicos[editar | editar código-fonte]

Desde 931, a sé arquiepiscopal fora reivindicada por Hugo I de Vermandois e Artaldo de Reims (932- 961). Hugo era, nesta questão, apoiado por seu tio, Hugo, o Grande, da poderosa família dos Robertinos e Duque da Borgonha e Conde de Paris, enquanto Artald foi favorecido tanto pelo carolíngio Luís IV, da França quanto por Otto, o Grande, da Alemanha. Todos estes estavam no sínodo, à exceção de Hugo estava ausente e nem mesmo enviou um representante. Assim, o resultado do Sínodo tornou-se previsível e, de fato, determinou que a sede seria dada a Artaldo, ratificando assim a restauração do bispo promovida dois anos antes por Luís IV e Otto I. Artaldo foi investido como bispo pela segunda vez (946-961).

Além desta questão principal, o Sínodo também decidiu sobre a fundação de dioceses missionárias na Escandinávia. Essa questão foi o que justificou a presença dos bispos Liopdgad de Ripen, Oredo de Schleswig e Reginbrand de Aarhus. Outra questão era a de restringir o sistema da igreja, que tinha como base a chamada Propriedade Otoniana e também propugnou e, por fim, condenou a luta de entre Hugo, o Grande, contra o seu senhor feudal Luis IV.

Importância[editar | editar código-fonte]

Contar dentre seus concorrentes, com a participação de dois reis; um do oriente e o outro da França Ocidental, 32 prelados, entre arcebispos e bispos, assim como outros dignitários clericais, fez deste sínodo um dos eventos mais importantes para a igreja da época e sobretudo para Ingelheim, o que fez com que a região circunvizinha se transformasse, dado seu clímax, num dos centros políticos do império.

Os acontecimentos relativos ao sínodo e à época são narrados em uma crônica por Flodoardo de Reims, uma das pessoas mais próximas de Artaldo e com ele havia passado algum tempo no exílio, apoiados por Roberto de Trier. [6]

Participantes[editar | editar código-fonte]

  1. Frederico de Mainz;
  2. Roberto de Trier;
  3. Wicfrid de Köln;
  4. Artaldo de Reims;
  5. Adaldag de Hamburgo;
  6. Heroldo de Salzburgo;
  7. Richgowo de Worms;
  8. Ulrico de Augsburgo;
  9. Bernardo de Halberstadt;
  10. Diethard de Hildesheim;
  11. Konrad de Konstanz;
  12. Starcand de Eichstätt;
  13. Dudo de Paderborn;
  14. Reginbaldo de Speyer;
  15. Bobbo de Würzburgo;
  16. Adalberto de Metz;
  17. Gozlin de Toul;
  18. Berengário de Verdun;
  19. Balderico de Utrecht;
  20. Dodo de Osnabrück;
  21. Eberis de Minden;
  22. Hildboldo de Münster;
  23. Varaberd de Tungern;
  24. Fulberto de Cambrai;
  25. Raul de Laon;
  26. Miguel de Regensburgo;
  27. Adalberto de Passau;
  28. Liopdag de Ripen;
  29. Oredo de Schleswig;
  30. Reginbrand de Aarhuus;
  31. Vicardo de Basel. (questionável)

Referências

  1. Artold, Artaud.
  2. Rosamund McKitterick, dos reinos francos sob os carolíngios (1983) p. 312.
  3. McKitterick, p. 315.
  4. McKitterick, p. 316.
  5. McKitterick, p. 317.
  6. Página 334.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Pertz, G.H. (Hrsg.): Monumenta Historica Germaniæ (= MGH LL 2), p. 19ff., Hannover, 1837.
  • Flodoardo de Reims: Annals
  • Flodoardo de Reims, Stratmann, Martina (Hrsg): Historia Remensis Ecclesiæ, (= MGH SS XXXVI), Liber IV cap. XXXV (=S. 428ff.), Hannover 1998
  • Dieter Hehl, (Hrsg.): Die Konzilien Deutschlands und Reichsitaliens 916-1001 (= MGH Conc 6/1), p. 135ff., Hannover 1987
  • Böhmer, J. F: Regesta Imperii II. Sächsisches Haus 919-1024. 5: Papstregesten 911-1024 Böhmer, Johann Friedrich; Zimmermann, Harald (Bearb.). Wien [u.a.], 1998
  • Johann Friedrich Böhmer: RI II 5 n. 218 sowie RI II 1, 1 n. 166a
  • Georg Heinrich Pertz (Hrsg.): Monumenta Historica Germaniæ (= MGH LL 2), Seite 19ff., Hannover, 1837. Zusammenfassendes Protokoll der Synode. Zu finden unter http://www.dmgh.de
  • Ernst-Dieter Hehl (Hrsg.): Die Konzilien Deutschlands und Reichsitaliens 916-1001 (= MGH Conc 6/1), Seite 135ff., Hannover 1987